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17/01/2010

Zeros que vão, Dez que chegam


Aos poucos a rotina vai retornando à normalidade. E para retomar minhas postagens, resolvi homenagear a década que chegou ao fim, preparei uma coletânea com aquelas que considero as 15 melhores músicas do rock brasiliense nos anos 00.

São bandas de todos os estilos, algumas já terminaram, outras estão em franca atividade.  Não é possível agradar a todos, não há dúvida, mas fiz um esforço para chegar a uma coletânea equilibrada, que ilustre principalmente a diversidade do rock de Brasília. O álbum virtual traz as músicas em ordem decrescente, ou seja, começa com a 15ª e termina com a primeira. Mais à frente, publicarei o TOP 15 de álbuns.

Abaixo, as faixas comentadas

Rock Brasília, desde 1964 - Top 15, Anos 2000 - Músicas

15 –  Candidato – Cadabra
Pauleira, boa letra sobre um tema bem importante em ano eleitoral.

14 – Não me bata mais com essa corrente – ASKeS
Punk rock meio brega, bateria na pressão, uma parede de guitarra e bons vocais.


13 – Mc Maldade – Macakongs 2099
Só o verso: “Matadouro fast food, é o câncer sabor hamburger”, já dispensa maiores explicações.


12 – Keep Cooler – Nancy
Nancy. Uma banda peculiar, vanguarda na contramão dos “sons do momento”.


11 – A morte da Super Modelo – Capotones
O produção do primeiro CD do Capotones enquadrou a banda numa sonoridade billy certinha, limpinha, de guitarrinhas estreladas e blá, blá, blá. Só que o Capotones  sempre foi mais do que isso. Essa música, do último cd da banda, retrata bem como foi uma das melhores bandas da década.


10 – 2,3 baladas – Superquadra
Superquadra é uma banda que mostrou ser possível ter cérebro e fazer rock de pista.


09 – Parem de rir de mim – Galinha Preta
Uma convulsão em velocidade burlesca. 40 segundos de uma pauleira genial.


08 – (we’re better) Out of control – Enema Noise
Banda da novíssima geração, descobri no segundo semestre de 2009. Se o Nancy é vanguarda na contramão do som do momento, Enema Noise é  a vanguarda off road.


07 –Urso Panda – Gonorants
Uma canção de Brasília.


06 – Jeans – Velhos e Usados
Velhos e Usados.  Um hit pop honesto de arranjos impecáveis,  como todo o álbum Híbrido.


05 – Piolho – Gilbertos Come Bacon
Guitarras, metais e percussão. Outra banda que trabalha arranjos mais elaborados. Letra esperta sobre parasitas.


04 – Coração Empacotado – Lucy and the Popsonics
Um sucesso impagável. Diversão, joysticks, PCs e punk rock.


03 – Perca Peso – Móveis Coloniais de Acaju
Apesar do C_mpl_te ter sido quase uma unanimidade nas listas de Top do ano passado. Pra mim, Perca Peso, do Idem, foi a melhor música deles.


02 – Onde os porcos pastam longe de mim – Prot(o)
Difícil escolher uma música do Prot(o), uma banda com um bom número de músicas no mesmo (alto) nível. Pra mim, essa é a que sintetiza melhor  o que foi o Prot(o)


01 – Heartcore (Merthiolate Hamlet) – Suíte Super Luxo
Bom, essa música é excepcional. Pra mim, o Suíte Super Luxo foi a melhor banda da década. À frente do Móveis, a consagrada pelo público e do Prot(o), a consagrada pela crítica especializada. O disco Que vença el Toro é um primor, reúne as melhores influências possíveis e uma certeza autoral que poucas bandas conseguem sustentar logo na estréia. Essa música é a “Paranoid Android” do rock brasiliense.

18/09/2009

Porão 2009: Little Quail e Os Cabeloduro

Hoje encerro a série de postagens sobre as bandas revividas para o Porão do Rock 2009.

O Gabriel é uma das pessoas que conheço há mais tempo na vida. Lembro-me com clareza ainda de quando conversamos pela primeira vez. Mais ou menos em 1984, nós jogávamos no mesmo time de futebol que fazia volta e meia uns jogos contra.

Lembro de quando Gabriel ia para suas aulas de violão e dizia que viveria de música. Ele era filho de pais separados e morava em Brasília com a mãe, o padrasto e as irmãs. Seu pai, se não me engano, era dono de uma loja de discos no Rio e abastecia o Gabriel com todas as novidades da época. Com 11, 12 anos, ele já tinha duas prateleiras de estante lotadas de discos. De Chuck Berry a Devo, passando por Cely Campelo e Dead Kennedys, o cara tinha PRATICAMENTE TUDO o que existia de rock no mundo e no Brasil. Lembro bem quando ele me chamou pra mostrar a guitarra que havia ganhado, era uma Jennifer branca, que seria roubada no verão seguinte.

Tocávamos juntos em uma banda punk chamada Axbax. O problema era que a banda restringia muito o potencial do Gabriel, que já era um moleque com uma cultura e influências musicais bem acima da maioria da galera da mesma idade. Exemplo: Família que briga unida permanece unida era uma música que existia somente no caderno em que o Gabriel escrevia suas letras.

A expulsão de Zé Ovo da banda em que tocava, o Sansculottes –  da qual faziam parte também Evandro Esfolando, Berma e Rodolfo Abrantes, foi decisiva para a formação do Little Quail. O Zé continuou indo aos ensaios na Mad House, e quando as bandas sérias e oficiais (Axbax e Sansculottes) enchiam o saco de ensaiar, o Zé chamava o Gabriel e o Berma pra tocar “uns rockabillies” que ele andava escrevendo. O apelido do Zé nessa época era Codorna. Sim, meu povo, a Little Quail (Codorninha) do nome da banda é ninguém menos que o senhor José Armando.

O Bacalhau apareceu depois, nós o chamávamos de amigo dark do Gabriel, hehehe. Ele tocava em uma banda chamada Moskowita, ao lado do Luís Eduardo “Alf”. Hoje vejo que tive muita sorte em ver o surgimento de um dos maiores bateristas do Brasil e um cara muito gente fina. Ele conseguia ter a mão mais pesada que o Digão, então baterista dos Filhos de Mengele e que era quase um virtuose (pelo menos aos nossos olhos juvenis da época).

A partir daí o carreira do Little Quail em Brasília decolou. A ponto de se tornar um caso raro de banda capaz de se dar ao luxo de incluir na primeira demo, músicas com a platéia de um Teatro Garagem lotado cantando em coro.

Será o segundo revival do Little Quail aqui em Brasília, o primeiro foi em 2004.

Os Cabeloduro já haviam retornado em 2008, no festival Na Rota do Rock Brasília (que espero que aconteça novamente em 2009). E esse resgate abriu, de certa forma, o caminho para o revival feito pelo Porão. Uma banda que entre 1995 e 1997, fez shows que eram quase eventos semanais, sempre lotados.

O Daniel e o Gazú são dois caras que conheço há quase duas décadas, o Podrinho e o Ralph também conheço há quase 15 anos. Acompanhei bem de perto a fase áurea da banda, que lotava o Teatro Garagem mesmo tocando quase toda semana. Uma das maiores bandas de hardcore do Brasil em todos os tempos.

O curioso é que Os Cabeloduro foram a banda que sucedeu o Little Quail em popularidade na cena de Brasíla.

Achei excelente a idéia da organização do Porão de descortinar o passado musical da cidade e dedicar um dos dias do festival, mais especificamente o domingo, ao Rock Brasília. Como dizia um pensador, um povo sem história é um povo sem alma.

Para ver as demais postagens sobre o Porão do Rock 2009, clique aqui.


Fotos: Patrick Grosner

27/08/2009

Ctrl C Ctrl V: A profundidade de ‘1,2,3,4’

por Carlos Pinduca*

A primeira vez que ouvi falar do Little Quail and the Mad Birds – banda brasiliense formada em 1988 por Gabriel (voz e guitarra), Zé Ovo (baixo) e Berma (bateria - logo substituído por Bacalhau) – foi em meados de 1990, por meio dos meus colegas do Conexão Brasília, banda de colégio de onde saíram três membros da formação original do Natiruts e dois do Maskavo Roots. O Conexão tinha tocado nas eliminatórias do Festival Interno do Colégio Objetivo (FICO) – em grau de importância para a gente na época, uma espécie de Rock in Rio - e seus membros voltaram falando de uma banda ridícula e esquisita que tocava uma música também ridícula e esquisita chamada 1,2,3,4. O pior é que, assim como o Conexão, eles tinham passado para a grande final do festival, que se realizaria no Ginásio Nilson Nelson, com show de encerramento do Barão Vermelho.

Se não fui às seletivas, acabei comparecendo à final do FICO, para engrossar o coro de torcedores do Conexão. Além de assistir aos meus colegas de colégio, fiquei curioso também para ver a banda ridícula tanto falada, o tal Little Quail. Mas os concorrentes foram passando e nem sinal deles: ou tinham tocado antes de eu chegar ou simplesmente não deram bola e “mataram” o festival. Posso estar confundindo as histórias, mas anos mais tarde fiquei sabendo que eles não foram à final do FICO porque estavam trazendo para Brasília naquela noite o Missionários, banda seminal de psychobilly de Curitiba.

De qualquer forma, só consegui assistir de fato ao Little Quail tardiamente, já no final de 1991, em um show no KG Bar, boteco instalado por pouco tempo nos fundos do então badalado Centro Comercial Gilberto Salomão. Fiquei de cara com a banda: eles eram afiados no palco e contavam com um público fiel – tudo isso em cima de um repertório próprio que fugia ao senso comum da época.

Neste ponto, vale explicar um pouco o contexto daquele final dos anos 80 e iniciozinho dos 90: o que preponderava era o rock com letras politizadas e forte apelo poético, fruto de uma forte influência renatorussiana. Algumas bandas, como De Falla, Kães Vadius e Cascaveletes, já fugiam desse padrão, mas o que estourava nas paradas era mesmo Paralamas, Barão, Titãs e Legião Urbana e seus seguidores, como os cariocas do Uns e Outros, por exemplo.

E mesmo se considerássemos o Little Quail dentro de um pacote de bandas mais debochadas, digamos assim, como Ultraje a Rigor ou os chatos e bombados à época Inimigos do Rei, dava para notar que a banda de Brasília já rumava por um caminho mais radical. Um belo exemplo desse radicalismo é a música 1,2,3,4, cuja letra se limita simplesmente a contar os quatro primeiros números cardinais, de forma nonsense e excessivamente minimalista, sobre uma base musical mezzo rockabilly mezzo punk rock.

Em Brasília, as canções inusitadas e criativas do Little Quail – Família que Briga Unida Permanece Unida, Azarar na W3, Essa Menina, Aquela e 1,2,3,4, entre outras – tornavam-se cada vez mais conhecidas, sempre dividindo a opinião do público sobre o seu conteúdo pretensamente bobo. No entanto, bastava uma olhada mais atenta para notar que ali não existia nada de ingênuo. Pelo contrário, o que havia era uma fina ironia, uma propositada infantilidade com clara intenção de nadar contra a maré do que era considerado sério por parte do público e crítica.

Nesse sentido, vale ainda chamar a atenção para o pioneirismo do Little Quail dentro da cena musical brasiliense dos anos 90. Eles foram os primeiros da sua geração a fazer intercâmbio com bandas e jornalistas de outras cidades. Também foram uma das primeiras bandas da capital – ao lado dos grupos de Metal – a lançar e comercializar sua já clássica fita demo, em meados de 92. Essa atitude sempre profissional levou o Little Quail a integrar a coletânea A Vez do Brasil, lançada pela gravadora paulista Eldorado no ano de 1993, o que fez com que suas músicas fossem incluídas na programação de diversas rádios pelo Brasil. No final deste mesmo ano, numa clara trajetória ascendente, a música 1,2,3,4 chegou a ser considerada, junto com Haiti (de Caetano e Gil), como a melhor canção de 1993 pela revista Bizz.

Em 1994, o Little Quail finalmente lançou o seu aguardado primeiro disco, Lírou Quêiol en de Méd Bãrds, pelo Banguela Records, selo de propriedade dos Titãs. O álbum, produzido por Carlos Eduardo Miranda, agradou aos novos fãs, com sua inteligente mistura de rock de garagem e letras divertidas. Para os conhecedores mais antigos, no entanto, o resultado foi um pouco decepcionante: as músicas estavam muito rápidas, sujas e tinham perdido um pouco da inocência rockabilly presente na demotape. A impressão que dava é que o Little Quail gravara o disco de forma ansiosa, querendo aproveitar a onda hardcore dos Raimundos, o que acabou desfigurando de maneira considerável o seu som.

O segundo disco da banda, A Primeira Vez que Você me Beijou (1996), trouxe respostas claras aos deslizes do primeiro álbum: as músicas voltaram a ficar mais limpas e num ritmo cadenciado. No entanto, o resultado, infelizmente, soou ainda um pouco artificial. Parecia que o tão positivo profissionalismo da banda no começo tinha se transformado numa negativa ansiedade. Para piorar o quadro do Little Quail naquele período, o estouro dos Mamonas Assassinas e de outras bandas engraçadinhas fez com que eles fossem incluídos num pacote de grupos “besteirol” e “sem conteúdo”. Nada mais injusto para uma banda pioneira, que sempre teve a fina ironia como uma das suas mais poderosas armas.

Lembro que, ao lançar o primeiro disco do Prot(o), em 2003, um jornalista de um site especializado em música me fez uma pergunta mais ou menos assim: - Vocês fazem parte de uma geração (encabeçada pelo Los Hermanos) que está voltando a dar atenção e profundidade às letras, etc e tal. Em um dos momentos em que me senti justo na vida, fiz questão de responder que não concordava muito com essa visão e que, se as coisas fossem colocadas dentro de um contexto, ficaria claro que bandas como Little Quail e Raimundos tinham letras excelentes e diferenciadas à sua maneira.

O passar dos anos tem criado um hype em torno do Little Quail e de outras bandas dos anos 90, num processo cíclico natural. Hoje, com cada um de seus ex-membros tocando seus projetos individuais (Gabriel comandando o Autoramas; Bacalhau nas baquetas do Ultraje a Rigor e do Orgânica e o Zé Ovo como um experiente diretor de palco), a banda dá shows esporádicos para um público formado por antigos e novos fãs, ávidos por ter contato com aquele espírito adolescente presente nas músicas da banda.

Há alguns anos, pude ir a um desses reencontros aqui em Brasília, num ginásio que, se não ficou lotado como em outros tempos, encheu o suficiente para criar um clima de saudável nostalgia e reverência a uma das bandas mais importantes e admiradas da história do rock brasiliense.

* Carlos Pinduca foi integrante das bandas Maskavo Roots e Prot(o) e edita o Pinduca's blog, onde este texto foi originalmente publicado.


Little Quail and the Mad Birds - A primeira vez que você me beijou (Virgin, 1996)

01. A Alegria Está Contagiando O Meu Coração
02. Mau-Mau
03. O Alarme
04. AA
05. I Need You
06. Rachel's
07. Composição De Sucesso
08. Dezesseis
09. Me Espera Um Pouco
10. Ponta De Lança Africano (Umbabarauma)
11. Galera Do Fundão
12. Problem Girl
13. Vencemos
14. Tre-le-lê


24/05/2009

Pedra 90: Snevols e porrada no Guará


por Zeca Domingos

Na verdade, tudo começou mesmo com uma brincadeira. Éramos uma turma, o Animais dos Espelhos já existia e, se não me engano, o Políbias também; isto por volta do início dos anos 90 talvez 93 , 94.

Claro que é muito mais glamourento dizer que éramos uma gangue de caras maus que dava porrada em todo mundo. Mas não, éramos somente uma turma de amigos (quem se encaixava mais no perfil de galera porradeira era o povo do Guará, leia-se: DFC e Os Cabeloduro; mas eu conto isto mais pro final, hehehehe).

O lance dos Snevols, como eu disse, era associado a uma turma qualquer daquela época. Claro que a nossa turma não era igual as outras, mas eu acho que nínguem estava preocupado em exclusividade naquele momento. Existiam algumas coisas em comum com aquelas figuras. Tipo, gostávamos de algumas coisas como: Einstuarzende Neubauten, Dead Kennedys eram unânimdades com certeza. Toy Dolls era ótimo e outras coisas pogantes de nossas festas, como Ministry, Suicidal Tendencies e por aí ia. Como eu disse em um post anterior, no início dos anos 90 som porrada era o que rolava nas festas.
A própria galera – que iria ser mais tarde chamada de Snevols – foi sendo montada ao longo de um certo tempo, pelo menos dentro de minha perspectiva. Tinha umas figuras que eu conhecia ainda dos anos 80, da minha idade e alguns mais novos (era o caso, por exemplo, da Mariana baixista e fundadora dos Políbias, irmã do Zé Ovo. Talvez ela nem tivesse 17 anos em 93).

Nós gostávamos de jogar RPG. Uns, como o Milani e o Bizerril, guitarristas do Políbias e dos Animais respectivamente, gostavam muito mais que os outros. E, diz a lenda que o nome Snevols aparaceu em um destes jogos, ou seja, a droga da palavra não significava absolutamente nada. (pros meus amigos daquela época: Só estou citando o povo das bandas, pois este blog é sobre bandas, não esqueci vocês!!!!!!)

Sabem aquelas gírias que só fazem sentido dentro de uma galera? Pois é. O termo Snevols era isso. E nós a utilizávamos para nos referir como algo sem significado ou sentido, era assim, era Snevols. No entanto, como Carlos Marcelo, o jornalista de rock da época, comprou esta briga, o lance ficou mais engraçado.

No ano do Burning Garage (um minifestival que tocou Animais dos Espelhos, Oz, Sunburst e o malfadado Low Dream) tinha um bar na 314 norte que era de um motociclista chamado Johnny. Um lugar extremamente agradável, de excelente frequência, ótimo som e cerva a preço justo. Perfeito para universitários e secundaristas sem grana. Lá, numa noite qualquer, batendo papo sobre rótulos, pois volta e meia tínhamos que nos explicar para o anarcopunk, pros metais o que nós éramos ( e, pombas, a gente tinha de ser alguma coisa? ), decidimos inventar um movimento – tipo Pistols e M. McLaren – pra responder quem éramos. Snevols. E depois, saiu no Correio Braziliense que erámos o primeiro movimento genuínamente de Bsb, tipo o grunge de Seattle! É mole?

Eu antes falei do pessoal d'Os Cabeloduro e DFC. Estes caras, sim, eram da pesada. A diferença é que hoje eles estão mais responsáveis (???) . Naquela época, não. Por exemplo, tinha um lugar que a gente tocou, antes do Burning Garage, lá no Guará, chamado Lord Dim Pub (Lorde Pudim, para alguns muito íntimos...). Conseguimos entrar no esquema de um show, praticamente com a mesma escalação do show que iria rolar na Escola Parque meses depois ( após um típico lance de escolinha americana de sessão da tarde, coagimos o Marcelo da Oz a nos incluir no show....). Enfim, fomos a primeira banda e a Raquel, depois do show, achou que tinha ido muito mal; saímos para conversar com ela na rua e, eis que de repente, todo mundo sai correndo de dentro do tal lugar.

Antes, tenho que fazer uma consideração: Nós, uma banda do Plano Piloto, estávamos em um buraco lá no fim do Guará, há quinze anos! Meu amigo, o Guará tinha uma fama, para nós do Plano, semelhante a uma daquelas satélites do mal. E foi aí que, ainda com os nossos instrumentos no porão do tal do pub, estourou uma porrada.

Descemos correndo pra ver se conseguíamos salvar nossas coisas. Quando chegamos lá embaixo, descobrimos que estávamos mais bonitos na fita que imaginávamos. Ocorreu o seguinte: O Daniel, dos Cabeloduro, foi cumprimentar o Marcelo, da Oz. O BigHead, sem olhar, xingou o baterista da banda punk de playboy. E o pau comeu.

Mas o mais engraçado é que, do nada, nego da banda do Daniel deu um sacode no Marcelo e, na sequência, foram atrás do pessoal do Low Dream, que nada tinha a ver com a confusão e estavam só assistindo o show. E ENFIARAM A PORRADA NELES, tipo briga de bar de filme, que o pau come pra todo lado.
Mas como eu disse, estávamos bonitos na fita. Não sobrou nem pra gente, nem pro Sunburst. Só pro Low Dream. E foi pouco.

Tempos depois, encontrei o Podrinho e ele me contou que, naquele dia eles saíram do bar batendo e perseguindo os caras do Low Dream pela parte de trás do comércio do Lord Dim. E aconteceu que os coroas do bar – aqueles aposentados que passam o dia tomando cachaça e detestavam o movimento de malucos de preto na vizinhança deles - ficaram putos e começaram a dar cadeiradas em todo mundo??????
Cara, essa cena de Bsb tem cada uma. Por isso que muitos caras mais velhos acham esta nova geração meio bundona. Nada pessoal, mas naquela época, nego não levava desaforo pra casa. Depois  os caras do Low Dream falaram em um jornal, que foram agredidos por nazistas. No Guará? Não. Naquela terra, quem mandava eram Os Cabeloduro, com todo amor e carinho. Um abração pra eles!

06/10/2008

É por isso que o marujo nunca deve se casar


...e o resto da estória não precisa nem falar, maconheiro nordestino que queria encaretar, e é por isso que o Raimundos nunca vai se acabar.
Esses versos quase proféticos são da canção Marujo, dos Raimundos. Uma banda com uma das trajetórias mais interessantes no rock brasileiro. Isso porque quase tudo que se refere aos Raimundos tem um quê de novelão.
Eram uns amigos que tocavam apenas pra zoar, já que todos ali tinham as bandas “sérias”. A banda ainda foi ressuscitada pelo baterista Fred, que nunca havia sido membro. Fato que foi fundamental na carreira do Raimundos, que sem isso sequer existiria. Pelo menos não da forma como conhecemos ou mesmo com a obra que produziu. Seria uma banda sobrevivente apenas na memória dos mais empolgados com rock brasiliense.
Abaixo vocês podem ver o programa MTV+ no qual seus integrantes falam sobre sua trajetória cercada de peculiaridades e que botou a banda, sem dúvida alguma, entre as cinco maiores do rock nacional em todos os tempos, basta que a lista seja séria.

08/08/2008

Sangre de Dios


Para se ter uma ideia da popularidade da banda Oz, o show de lançamento do álbum Sangre de Dios, em 1995, aconteceu em um ginásio de clube diante de aproximadamente cinco mil pessoas que cantaram a maioria das letras (todas em inglês) em coro, um feito considerável. Principalmente porque foi em uma época pré-internet quando as bandas independentes não tinham nem metade do espaço midiático de hoje. Com exceção das bandas que figuraram no topo do mainstream (Legião Urbana, Capital Inicial e Raimundos), apenas Plebe Rude, Little Quail, Os Cabeloduro e, mais recentemente, o Móveis Coloniais de Acaju mobilizaram tantas pessoas em seus shows por Brasília.


Sangre de Dios é um álbum bem bacana. Mas, isso se deve à qualidade das composições, pois sua produção não conseguiu ser fiel à personalidade, vibração e o carisma da banda, algo marcante nas apresentações ao vivo. São vinte e duas faixas (!) de um power trio enérgico com guitarra distorcida, baixo e bateria bem harmonizados e a interpretação personalíssima do vocalista Marcelo Bighead, hoje conhecido com Nego Moçambique. Mais um álbum completo disponível para os leitores deste blog.

OZ - Sangre de Dios (1995)

1. Sky of potato chips
2. Dinossaur’s night
3. Snow man
4. Turkey buzzard
5. The boy with a blue brain
6. Burn
7. So long (little glue)
8. Blinded
9. Get up
10. Jack
11. Space cake
12. Très bien mon ami
13. A man is a man
14. Walk like an egyptian
15. King Gargoola
16. Whale's Song
17. Mama Jama
18. Machine
19. Shit Bomb
20. The number 6
21. Sangre de Dios
22. The noise

28/07/2008

1967

A primeira banda brasiliense a gravar um LP, em 1967
Em Brasília, o primeiro programa de TV a abrir espaço para entrevistas com bandas locais, foi o Sociedade em TV, transmitido pela TV Alvorada (então repetidora da TV Excelsior, e que viraria TV Capital e hoje é a Record-DF), canal 8.

O programa era apresentado e produzido por Vera Lúcia, aqui fotografada momentos antes da entrevista com Os Primitivos.

Este programa foi ao ar em 14 de fevereiro de 1967, e registrou a partida da banda rumo ao Rio de Janeiro, onde gravaria Os Primitivos no Ie-ie-iê, o primeiro álbum do rock brasiliense.
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