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21/07/2011

Entrevista: Vladimir Carvalho e Carmem Manfredini

O documentário Rock Brasília - Era de Ouro, de Vladimir Carvalho, está no Festival de Brasília de Cinema Brasileiro deste ano. Há uma semana, o filme ganhou o prêmio de melhor documentário no 4º Paulínia Festival de Cinema, na cidade homônima, no interior paulista. No FBCB, o filme, que retrata a pré-história das bandas brasilienses dos anos 1980, vai concorrer na Mostra Brasília, com outras produções do Distrito Federal.

Este vídeo abaixo, foi produzido pelo Youtube Cinema, canal que estreou recentemente e que fez uma cobertura bem legal do Paulínia Festival. Confira a entrevista com o diretor e com Carmem Manfredini, mãe de Renato Russo, nos bastidores do festival.



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15/03/2011

Rock Brasília, a história por trás de um filme

Reportagem produzida pelo site Cerrado Mix e pela produtora UmGrau sobre o filme Rock Brasília - Ninguém segura essa utopia, do diretor Vladimir Carvalho.

O documentário narra o surgimento da cena rocker da capital nos anos 1980, sobre os escombros do regime militar. Sua estreia está prevista para o 2º semestre de 2011.

08/02/2010

Segundo Ato

O duo Lucy and the Popsonics está em Belo Horizonte finalizando o seu segundo álbum.

Sob a produção de John Ulhôa (Pato Fu), que já trabalhou com artistas como Wonkavision e o ex-Mutante Arnaldo Baptista, o novo trabalho nasce com a responsabilidade de suceder o bem recebido A Fábula (ou farsa) de dois Eletropandas, lançado em 2007 e que abriu muitas portas, algumas internacionais, para a dupla.

Uma missão e tanto. Enquanto músicos e produtor se debruçam nos ajustes finais, a vocalista e baixista Fernanda Popsonic arranjou um tempo para falar comigo pela net sobre o novo trabalho, a cena independente e os planos daquela que, depois do Móveis Coloniais de Acaju, é a banda que mais tem se destacado fora das divisas do DF, nos últimos anos.


E aí, Fernanda, vocês acabaram a gravação do segundo álbum? Pode adiantar algo sobre ele?

Ainda estamos acabando, na realidade. Esse acabar é complexo. Falta mexer em uma musica aqui e ali e esse mexer também é complexo. Estamos realmente metendo o dedo em tudo, na letra, nos arranjos, tudo. Tem até uma letra que refizemos agora, porque o John achou melhor mudar o sujeito que canta. Daí, tivemos que reajustar a letra, trocar algumas palavrinhas. Outras, ele não gostou de como soou e mudamos algumas outras palavras.

Aprendemos muitíssimo com nossos primeiros produtores e estamos aprendendo mais ainda com o John. O som esta mais no eletrônico de raiz que o nosso primeiro disco. Trouxemos muitas influencias de rock mais velho mesmo, e o eletrônico não ficou muito para trás. Cansamos do eletro rock que andam fazendo atualmente. Tá chato já!


Desde o lançamento do Eletropandas, vcs ganharam muita experiência, fizeram algumas turnês internacionais e participaram de programas no canal Multishow, essa estrada trouxe alguma influência nova na música de vcs?

Muitas influências novas, mas preferimos o que escutamos em casa, hehe. Brincadeira, gostamos muito da nossa experiência com as outras bandas com que convivemos na França, mas nada que pudesse se tornar uma influência, até porque temos vidas e personalidades muito diferentes. Nao dá pra fingir sentir algo que não se sente, né?

Quando estávamos lá fora, percebemos muita coisa ainda com o pé pesado no eletrônico. Mas, não acredito que estamos fazendo algo para bombar de imediato nas pistas, entende?


Fernanda, como foi o episódio do pulo na bateria, no festival da Oi, no ano passado?

Foi ingenuidade nossa aceitar tocar naquele festival. Não precisamos nos expor de qualquer forma e a qualquer custo. Mas como quem nos convidou era alguém que conhecíamos, nós topamos porque eles precisavam de nomes que chamassem público. Topamos a ideia, mas esperávamos uma mínima qualidade de equipamentos e dos técnicos de som, afinal fazemos um som muito mais complicado e sofisticado que uma simples apresentação de voz e violão. Afinal, já estavam usando nosso nome de graça. Quando vimos a besteira que tínhamos feito, já era tarde e não dava para voltar atrás, daí tentamos encarar o negócio.

Mesmo com a melhor boa vontade do público, o que sai das caixas de som é o que importa. Se soa mal, ninguém vai creditar isso ao equipamento ou ao técnico de som que não soube ou não quis fazer o seu trabalho. Se o som tá ruim é porque a banda é ruim e ponto final. Mas na produção de um show, existem um monte de pessoas necessárias para aquilo lá acontecer direito. Por isso, as bandas maiores tem sua própria equipe! Ninguém sacaneia com o próprio trabalho, sacaneia-se sim com o dos outros. O técnico tá lá há horas, carregando equipamento, montando, passando som, vendo um monte de bandas ruins e estranhas... e recebendo muito mal. Alguém acha que ele vai querer te ajudar no som? É uma questao bem lógica. Ele não vê a hora de ir embora pra casa....

O som era terrível. Não sei se de propósito, mas a regulagem do som no palco estava um inferno. Tinham agudos ensurdecedores, graves que chiavam no final colando com o próximo. Estava muito estranho, muito desagradável no palco. Minha dor de cabeça começou a explodir logo ao começar o som. E o público tava lá para nos ver, para assistir um show. Enfim, não consegui quebrar tudo, infelizmente. Fomos interrompidos e expulsos literalmente do palco, mas acho que começamos bem.


Sei que ambos são pacatos servidores públicos em Bsb. O fato de vcs não terem essa urgência, que alguns têm, de viver exclusivamente de música, é um dos fatores responsáveis pelo tempero do descompromisso que existe na música do duo?

E bota pacato! Tem gente que pergunta porque nao fomos a tal lugar que tava super hiper legal. Quando respondemos que é porque trabalhamos das 9 às 19 horas, ninguém acredita.
Até o primeiro disco éramos completamente descompromissados. Queríamos nos divertir e só. Tocar nos lugares, fazer shows, etc. Depois começamos a achar que estavamos fazendo algo divertido e que parecia interessante. Hoje temos outra visão sobre isso. Queremos fazer algo mais legal ainda, como se fosse um descompromisso compromissado, saca?

Quando vejo que as pessoas ainda nos descobrem até hoje, 2010, pelo disco de 2007, passamos a pensar nas gravações de um disco como uma coisa que tem de ser mais profissional. Hoje, eu mudaria tanta coisa naquele primeiro disco..., mas ja era, tá registrado.

Porém, acho que vamos continuar trabalhando igual agora com menos shows na agenda e de preferencia com mais qualidade. Cansamos dessa coisa muito underground, saca? Para onde estes anos todos de indie-dependência nos levou? Pra lugar nenhum. As bandas não cresceram em nada, nem na qualidade. Ter liberdade é o lado ótimo do independente. O lado ruim é nunca conseguir sair do quadrado, nem quando se deseja muito. Quando você acha que tá saindo de uma ponta, chega a outra. Ninguem te tira de lá. Além de tudo, você é facilmente tachado de estrela, de querer nadar em rios de dinheiro, de pedir absurdos. O que deveria estar em questao é a profissionalização. Gravar num estúdio legal, ter um bom produtor e a oportunidade de aprender mais sobre a arte de fazer música, algo que nao é realidade para quase ninguém. Fazer um show com qualidade, então... Isso virou de fato um luxo.


No Twitter, vcs já citaram umas influências bem incomuns em relação às bandas atuais, como Stranglers, Gang of Four e David Bowie. O que ouvem Pil e Fernanda em casa? E de Brasília, alguma banda?

Escutamos tudo que podemos. Se gostamos então, escutamos muito mais ainda. Algumas bandas que eu não entendia no passado, com a experiência e o amadurecimento comecei a entender. Existem coisas que eu achava uma merda e agora curto e coisas que eu escutava e que hoje eu jogo pela janela, hehe. De Brasília atualmente eu gosto de escutar o The Pro, mas ainda não fui ao show. Somos fãs do rock BOM de Brasilia. Aí tem muita banda legal. Algumas você até já fala bastante aqui no blog.


Projetos para depois do lançamento?

Continuar a trabalhar, tocar em lugares mais bacanas, porém com menos insalubridade, cuidar do nosso gato e tentar passar em outro concurso. hehe. Musicalmente, comprar novos equipamentos, continuar minhas aulinhas de canto, e estudar mais artes como um todo. O Pil quer aprender a tocar trompete. Eu quero só cantar melhor.


Legal. Valeu pela entrevista.

Bom, eu vou nessa. Tenho que estudar a próxima letra que vou gravar aqui. hehe. Tem uns caras da TV vindo também. Beijos

08/10/2009

Entrevista: João Angelini do Gilbertos Come Bacon


Eu conheci o Gilbertos Come Bacon antes de começar a publicar o blog, e foi o nome esquisito me chamou a atenção. A verdade é que gosto de conhecer bandas com nome esquisito, mesmo que sejam umas m*rdas – o que não é o caso deles, diga-se. Aliás, pra mim, nomear banda é uma arte à parte, mas isso guardo pra outra postagem.

Então continuando, a planaltinense Gilbertos Come Bacon é hoje uma das bandas brasileiras da novíssima geração, ao lado de Macaco Bong, Cérebro Eletrônico, Los Porongas e dos conterrâneos Velhos e Usados, que conseguem incluir elementos distintos da música brasileira em seus rocks com decisão e personalidade. Algo longe do que parece ser a regra do circuito independente atual. No caso específico do Gilbertos, eles conseguem equilibrar, sabe-se lá como, rock pesado, experimentalismo e pop, vertentes aparentemente antagônicas. Vale destacar também a percussão poderosa e as letras bem elaboradas.


O vocalista João Angelini conversou comigo pela net e falou um pouco sobre a atual cena independente brasileira e o bom momento vivido pela banda, que vem sendo bastante elogiada em shows pelo Brasil e começa a conquistar seu espaço no cenário nacional com dignidade, coragem e competência profissional.



Cara, o Gilbertos tem tocado fora de Brasília com certa frequencia, como tem sido a resposta do público?

A resposta tem sido ótima. Nos últimos shows em Fortaleza, na Feira da Música, e em Goiânia, no Vaca Amarela, fomos muito bem recepcionados pela galera. A produção muito cuidadosa, e o público já esperando a gente. Roda de pogo nervosa e mosh rolando o show inteiro. Isso foi muito legal e diferente das viagens do ano passado nas quais ainda estávamos buscando terreno e público nesses locais.

Nas nossas primeiras saídas fora do DF a gente sempre foi bem recebido, e sempre teve um ótimo retorno, sempre com convites pra mais eventos. Mas o clima do show sempre era de surpresa, ninguém tinha ouvido falar da gente, sempre gostavam, mas ainda olhavam o show de forma desconfiada, analítica e deixavam de efetivamente curtir nosso som. Acho que é um caminho natural, afinal nunca tinham ouvido a Gilbertada e nosso som não segue um formato convencional. Isso faz com que a postura do publico nos primeiros shows seja ainda de avaliação. Mas depois das apresentações a gente sempre colheu muitos elogios. Esse ano retornamos a dois lugares que tocamos ano passado: Fortaleza e Goiânia. Voltamos por reconhecimento das performances do ano passado. E tocar a segunda vez nos mesmos lugares foi bem diferente. Foram as primeiras vezes que tocamos fora e não fomos uma surpresa, dessa vez a galera meio que já esperava pelo nosso som. Reconheciam e vinham falar com a gente antes do show dizendo que estavam ali pra nos ver. Durante a apresentação, principalmente em Goiânia, tinha um pequeno grupo de, mais ou menos, umas 20 pessoas que pedia música e já cantavam boa parte do nosso show. Muito legal!

Esse ano o retorno da crítica tem sido muito bom também. Estamos com o CD na mão, rodando por aí. Essas duas cidades que passamos deram esse grande retorno. Uma série de resenhas carregadas de elogios. Muito legal.

Nessas andanças, chegaram a notar alguma diferença fundamental em relação aos shows por aqui?

Bom, fica dificil traçar alguns comparativos entre esses eventos. Na minha opinião está acontecendo um certo nivelamento nesses eventos, eles estão ficando cada vez mais parecidos. Ainda não sei se isso é ruim ou legal. Acho que bons exemplos devem ser seguidos e multiplicados, mas também acho que cada evento tem que ter um diferencial, uma particularidade. A Feira de Fortaleza foi a pioneira no formato, a primeira a promover uma rodada de negócios entre bandas e produtores, gravadoras, marcas de instrumentos, etc. Há anos promove, além dos shows, uma série de debates, palestras e encontros que interessam a classe artística e empresarial da música.

Esse formato se multiplicou e esse ano, aqui no nosso Porão, tivemos essa primeira experiência com dois dias reservados pra isso. Bom demais, pois esse espaço é super importante pra fortalecer a cena independentes e diminuir a distancia entra as diferentes instâncias da rede de produção da música. Diminuir o amadorismo e colocar os músicos, produtores e publico para conversar sobre as deficiências e qualidades da cena e do mercado. Mas ainda espero que, além de seguir bons exemplos, os organizadores dos eventos tenham coragem de experimentar novos formatos em busca de relações entre música e público.

Quanto aos nossos shows, a gente é sempre muito bem recebido tanto dentro de casa como fora. Claro que tem uma diferença. Aqui nos somos só mais uma banda, somos amigos de grande parte dos que assistem nosso show, existe uma relação de intimidade e proximidade muito legal, que faz a coisa ficar mais "quente". E fora a gente fica com uma aura mais "glamourosa": somos banda de fora, já comentada e esperada pela galera, tocando em horário de banda grande (fechamos o palco de Rock na Feira da Musica, por exemplo) e óbvio que isso cria um clima, uma expectativa no público e facilita a receptividade do nosso som experimental. Isso também cria um "calor" na apresentação. É diferente tocar aqui e em outra cidade, agradavelmente diferente.

E também tem a diferença básica entre capital e cidade do interior. Nas capitais o público é acomodado, meio reticente, demora pra engatar. Numa cidade do interior as pessoas se empolgam com mais facilidade, pois têm menos chance de ver show. Fui assistir a um show em São Paulo e a galera estava sentada, contemplando. Uma amiga comentou, “lá de onde eu venho isso aqui estaria fervendo”.

A gente viveu bem esse "frever" do interior em Montes Claros (MG), ano passado, e em Inhumas (GO) esse ano.Mesmo sendo desconhecidos nos lugares, fomos recepcionados com muita energia e rolou uma pogação de numa escala surpreendente. Não é a toa que as cidades do interior hoje, protagonizam as grandes iniciativas da música independente do Brasil.


Hoje, vivemos um momento único, pela primeira vez as bandas independentes dispõem de todas as ferramentas necessárias para que não dependam mais de terceiros para mostrar seu trabalho. Mesmo assim, algumas preferem se tornar, com perdão da redundância, um produto a mais na prateleira de "produtores independentes". O que você acha que atrai artistas para algo de que eles deveriam querer se livrar de uma vez por todas?

Cara, isso é complicado demais. Um dia sentaremos só pra conversar disso, vai ser um papo longo, hehehe.

Primeiro acho que deveríamos rever o termo independente. Não acredito nisso. Acho que existe um novo sistema, que leva esse nome de independente, mas que na verdade ainda continua a estabelecer relações de dependência entre os artistas e os novos empresários. Claro que existe em alguns casos uma espécie de acúmulo de funções, onde a própria banda ou artista é também o empresário, o produtor, o dono do selo, do coletivo, etc. Isso gera uma certa independência, pois não existe mais um mediador entre o artista e o público. Mas são poucos os casos desses "artistas-empresas". Nas artes visuais isso é mais comum. O marchand praticamente não existe mais, o próprio artista vende o seu trabalho, assume a postura de empresário da arte paralela ao papel de artista. Seria muito bom que mais bandas tomassem essa postura também, dependendo menos de terceiros.

Mas esse artista-empresário não é resultado das novas tecnologias, dos acessos mais baratos e generalizados. É uma questão de postura. Esse papo de que a tecnologia diminuiu a distancia entre público e artista é muito delicada. Porque de um lado é verdade que seu som, vídeo, texto ou foto está na internet pra quem quiser ver. Por esse lado a coisa realmente facilitou o acesso. Mas temos que pensar também em como esse seu produto que está acessível circula, em como o público chega até o seu produto exposto. Assim como existe o seu trabalho, existe o de mais um bilhão de outras pessoas, todos se acotovelando. Pra se destacar nessa multidão, a dependência dos meios oficiais ainda é enorme.

Ter um material na net não significa que ele vá ser visto e consumido. Aí que vemos que a coisa que é anunciada como a “revolução” na verdade não mudou tanto as velhas relações e o poder institucional de alguma marcas. Um vídeo, música ou texto, só vai ter um milhão de acessos se for divulgada por algum meio com mais poder e credibilidade. E essa história é perigosa demais. Porque serve de poder de sedução para artistas carregarem suas criações em sites como MySpace e YouTube na ingênua expectativa de terem visibilidade. Com isso abastecem essas empresas com produtos de qualidade gratuitamente, onde só quem lucra são essas empresas. Acho isso tudo muito errado, empresas como MySpace e YouTube lucrando milhões em cima do trabalho gratuito dos artistas. Qual banda ficou famosa só por esses recursos? As que aparecem na mídia como fenômenos da internet são em sua maioria falsas, fachadas. Na verdade sempre tem um empresário por trás injetando muita grana e influência, pra ter boas resenhas em blogs especializados de críticos já reconhecidos, pra ter tempo em matérias de jornais, pra ter entrevista em horário nobre, pra terem seus produtos indicados em premiações e tal. Depois disso, é claro que seu MySpace vai bombar!



Vejo isso bem claramente no MySpace do Gilbertos. A gente tem uma média de 30 audições de nossas músicas por dia. Quando temos nosso nome veiculado à divulgação de eventos que já têm muita mídia e espaço (como o Porão do Rock) os números sobem pra 250, 300 audições por dia. Isso é muito sintomático e confuso! Porque ao mesmo tempo em que é a força institucional do Porão que eleva o acesso, é também esse espaço, o MySpace que permite essa visualização. Acho que devemos usar isso tudo como ferramenta associada a mil outras ações, porque só pelos novos espaços, sem depender de outras ações, as únicas pessoas que lucrarão com o MySpace e o YouTube são seus respectivos donos.

Por não acreditar nessa independência, acredito que a relação dentro dessa cadeia é sempre pela busca da melhor posição na prateleira de produtos, sejam os novos festivais ou os velhos jornais e revistas.

Voltando aos shows. E o disco? já cantam as músicas nos shows, a bolachinha tem tido boa saída?

O disco vai bem. Inclusive tem um aqui guardado te esperando... AHehaehaehEAHEA (Nota do RckBsb64: O Evandro Esfolando também me deu um cutucão pela minha enrolação para comparecer a eventos, hehehe).

Temos muito orgulho do resultado estético e sonoro, e a gente conseguiu vender um número significativo pra inserção que o Gilbertos Come Bacon tem. Ainda não temos o primeiro relatório de vendas dos CDs e vendas pela net. Mas só da nossa mão já fora vendidos aproximadamente 300 cópias em menos de 4 meses.

Mas o mais importante do disco é o poder institucional que essa “mídia em declínio” ainda tem. A banda se apresenta com mais credibilidade. Infelizmente, o sistema ainda cresce o olho nessas coisas e dá pra sentir a diferença de tratamento que temos antes e depois do CD por parte de vários produtores pelo Brasil.

Quanto a galera cantar as músicas, aqui em Brasília já vem rolando tem um tempo. Principalmente as músicas que já tinham versões ao vivo de ensaio no MySpace. Em Fortaleza e, principalmente em Goiânia, tinha um pessoal que tava pedindo músicas (como Piolho, Minha Casa e as versões de Babau do Pandeiro). Cantavam as músicas e vários refrões. Sem contar as rodas de pogo e mosh!

Agora no final do ano vamos divulgar o disco e tocar no festival Demo Sul, em Londrina. Pra gente vai ser bacana fazer uma divulgação em uma região na qual ainda não tocamos, faz parte do nosso projeto, colocar o CD pra rodar em todas as regiões do país, juntamente com o nosso show. A Gilbertada vai e leva disquinhos e produtos de bacon junto!

Mas, pelo menos pra gente, tem uma grande diferença entre o show e o disco. Temos muito orgulho do resultado do disco, mas a empolgação do show é o nosso forte. No disco a gente pôde brincar com os arranjos, inventar, fazer novas coisas. Mas nada substitui a graça de um show.


E na net, quando vão liberar o download gratuito? Já teve gente reclamando por eu não postar por aqui, hahahaha.

Vixe!

Esses fonogramas tem essa limitação. O selo responsável pelo CD (GRV) entende que o artista tem que ser pago sempre. A gente também acredita nisso, mas diferente, entendemos que o download gratuito é um investimento publicitário. O que acontece é que não temos controle sobre esses fonogramas. Apesar do Gilbertos Come Bacon ser uma banda 100% independente, sem vínculo nenhum com nenhuma gravadora, selo ou produtora, o nosso disquinho não tem o mesmo espaço e não nos pertence. Foi um prêmio que ganhamos no Festival Universitário promovido pela GRV no final de 2007. Apesar da banda conseguir se manter independente, não tinha como aceitar a premiação sem essa limitação com os fonogramas. Fazia parte do contrato aceitar essa parte de não deter esses direitos. Mas acho justo esse controle e essa postura da GRV, mesmo se o Gilbertos como banda acredita em posturas diferentes. Afinal, foi um prêmio que projetou a gente, que possibilitou um puta amadurecimento no processo de gravação e aprendermos a nos relacionar institucionalmente. Valeu a pena.

Mas a gente já tá preparando um disquinho novo. Esse nós ainda não sabemos como vamos gravar. Mas tá ficando lindo. Estamos bem mais maduros e fechados no nosso som. Agora temos distanciamento pra ver o produto do nosso processo experimental, que culminou no nosso 1º disco, e estamos só lapidando a estética do Rabicóre. Quanto mais a gente toca, mais fica claro pra gente que tipo de coisa tem cara de Gilbertos Come Bacon. Estamos conseguindo entender melhor nossa identidade. E esse disco a gente certamente vai botar pra geral baixar.

E antes do disco em si ficar pronto, planejamos lançar músicas avulsas no formato de single, pra garotada poder baixar se quiser e comprar no show a música física, no CD, com uma arte bacana. Conforme formos produzindo e gravando o disco, vamos “soltando” a gordura pra garotada se lambuzar.

08/07/2009

Entrevista com Dado Villa-Lobos

Esta entrevista foi originalmente publicada em 08/07 no blog dos Paralamas do Sucesso. Um CrtlC Crtl V quase em tempo real, hehehe.

Se Dado fosse só o ex-guitarrista do Legião Urbana, já era muita coisa e nem ia ser preciso escrever uma apresentação pra ele. Mas ele também é um dos poucos a ter tido o prazer e a honra de ser chamado de quarto paralama. De viajar junto com a banda, subir ao palco com ela. Até pra um legionário, foi um sonho de desde molequinho...

Você e o Bi moraram juntos fora do país quando crianças, certo? Como era o Bi naquela época e quais foram as primeiras vezes que discos e bandas se tornaram assuntos das conversas entre vocês?

Moramos juntos em Montevidéu em 68 - 70, eu tinha cinco anos e o Bi nove. A gente aprontava nas ruas de pocitos e carrasco, guerra de "coquitos", bexigas de água... Aprendi a andar de bicicleta. A música veio um tempo depois, em Brasília.

Se vocês eram amigos desde tão cedo, por que não chegaram a montar uma banda entre vocês? Nunca passou isso pela cabeça?


Nunca passou pela minha cabeça fazer parte de banda nenhuma, o Bi saiu de Brasília e foi pro Rio onde fez os Paralamas com o Herbert e na sequência João Barone. Eu pensava mais em ser roadie deles e viajar o Brasil junto...

Você conseguiria lembrar de como se deu o processo entre os Paralamas dizerem a vocês que iam gravar Química no primeiro disco deles até o convite da EMI para a Legião fazer seu primeiro disco?

Lembro vagamente do Renato falando algo do gênero no final de 83 quando veio o convite da EMI para gravarmos um compacto.
Os Paralamas já tinham lançado o compacto Vital e Sua Moto /Patrulha Noturna e preparavam o primeiro LP. Acho que foi aí que tudo se desencadeou e cá estamos até hoje...

Por toda essa história, vocês sempre foram bandas irmãs. De alguma forma, vocês tinham a percepção de fazerem trabalhos complementare? Ou um bom disco de uma servia de estímulo para a outra se superar num momento seguinte?

O respeito e cumplicidade sempre foram enormes, acho que eles serviam como parâmetro qualitativo, o padrão Paralamas. E certamente geravam grande estímulo na hora de se fazer um disco. Renato se importava muito com essa relação e torcia sempre pelo melhor em todos os sentidos.

Pode se dizer que a Legião Urbana tinha uma formação mais estável no rock, enquanto os Paralamas experimentavam mais as fronteiras rítmicas e de gêneros. De que forma essas duas características se somavam, a seu ver, para a criação da cara da geração de vocês?

Lembro que um dia na casa da vovó Ondina em 1980, férias de verão Bi me deixou tocar baixo, toquei a unica música que eu sabia tocar. Stir it up. E eles perguntaram "que é isso???", hilário! Na época era só Hendrix, Led Zeppelin, Santana etc... Quando veio o Selvagem, com Alagados, a Novidade, Teerã... Eles abriram as portas para uma nova cara do Poprock Brasil. Viraram Os Paralamas do Sucesso. Inquestionável , uma banda de verdade. Nós da Legião Urbana fazíamos o que a intuição nos levava a fazer e a experimentar dentro do possível, passamos os melhores momentos dessa vida dentro dos estúdios. Fazendo o melhor possivel. Deixamos um legado considerável que também traduz com clareza a cultura desse país...

Tal qual os Paralamas, vocês passaram a maior parte do tempo de carreira como um trio, o que não é lá uma coisa tão fácil para uma banda de rock. A seu ver, havia alguma diferença musical na forma como as duas bandas abordavam essa condição de serem trios?

Em relação a questão de ser trio, eu me vi tendo que tocar baixo, violões, bandolins e guitarras, foi ótimo nesse sentido. Nossas diferenças musicais eram essencialmente de formação, quando comecei na Legião não sabia tocar nada além das músicas que fazíamos. Os Paralamas tocavam desde sempre os grandes clássicos do Rock, isso faz uma diferença real! Nós basicamente tocávamos intuitivamente dentro do que se chamava de pós-punk. Tudo certo também...

Após o fim da Legião Urbana, uma de suas primeiras aparições musicais foi no Acústico MTV dos Paralamas. Como foi o convite e a experiência de voltar aos palcos e por que aceitá-lo naquela ocasião?


Foi sensacional, é como ser chamado pra entrar na confraria Jedi de músicos. Foi uma grande experiência estar com aqueles caras no palco por algum tempo, me fizeram sentir vontade de voltar à cena.

Foi lançado agora o DVD Legião & Paralamas, com o programa da Rede Globo. Olhando em perspectiva, o que mais te chama atenção naquele encontro de vocês?

A cumplicidade e respeito. Renato e Herbert cantando Nada por Mim é algo que traduz esse encontro com perfeição, percebe-se claramente que Herbert ficou careca de lá pra cá.

....

03/05/2009

R64 Brasil: Entrevista Los Porongas


Eles saíram de Rio Branco, capital do Acre, para gravar em Brasília o seu primeiro álbum. Sob a produção do Phillipe Seabra, que a cada trabalho reafirma sua capacidade incomum de captar toda a essência de uma banda em suas gravações, e sob a chancela do selo Senhor F, o Los Porongas lançou seu excelente álbum de estréia com bastante personalidade musical e se apresenta como uma das bandas independentes mais promissoras de sua geração. 
Tão promissora que em 2007, após o lançamento desse álbum (disponível no site da banda) e já vivendo em São Paulo, assinou seu primeiro contrato com uma boa produtora paulistana para agenciar seus shows. Algo que foi considerado um pecado grave pelo selo Senhor F, que os dispensou de modo quase grosseiro, sem ao menos avisá-los da decisão - eles souberam da “demissão” pela internet
O vocalista Diogo Soares, que é também um excelente letrista, conversou comigo pela net e falou sobre essa polêmica e sobre a carreira da banda que, assim como a geração dos 80 fez com Brasília, colocou o Acre no mapa do rock brasileiro.

Antes de tudo, por que o nome Los Porongas?
Poronga é a luminária que o seringueiro usava sobre a cabeça quando saía pra cortar seringa durante a madrugada. Los é uma referência à fronteira com o Peru e a Bolívia, hermanos vizinhos. 
Por aqui se conhece muito pouco sobre o Acre, há uma história cultural no estado ou vocês fazem parte da geração pioneira no rock acreano?
A gente só botou pra frente um espírito de do it yourself que já rolava no Acre quando começamos a organizar eventos com bandas de rock que tinham um trabalho autoral. Muito do que acontece hoje lá se intensificou e pegou corpo nos últimos cinco anos, tempo de existência da banda. Mas outras coisas já rolavam, apesar de esporadicamente. Durante a década de oitenta um festival competitivo chamado FAMP revelou alguns artistas que flertavam com o rock, como o grupo Capú. Em 89 houve um festival importante o RB Rock; durante a década de 90 tinha uma galera do PCdoB que organizou o Fábrica, que teve umas três edições. Mas em termos de estrutura e alcance de público, mídia e interação com o resto do país nada se compara ao que hoje é o Festival Varadaouro que acontece por lá todos os anos. 
O primeiro álbum de vocês saiu pelo selo brasiliense Senhor F, como foi a gravação?
Foram 15 dias no Lago Norte na casa do Phillipe Seabra. Foi um período muito importante na nossa carreira, onde aprendemos muita coisa em relação à gravação de um trabalho. Até então nunca tínhamos trabalhado com um produtor. Apesar disso, chegamos com as músicas praticamente prontas. Ele fez poucas e muito boas observações quanto à estrutura das músicas. Quando discordamos esteticamente, prevaleceu a vontade da banda. Mas as contribuições dele quase sempre foram aceitas por serem invariavelmente muito pertinentes. Gravamos rápido. Dois dias pra bateria, dois dias pra gravar o baixo, uma semana pra todo trabalho de guitarras, que teve uma dedicação especial do Seabra e mais alguns dias para gravar a voz. Com direito à beliche, refeições e um convívio massa com a família Seabra. 
E Brasília, tiveram tempo para conhecer algo da cidade?
Cara, o Lago Norte não é bem aí como se diz no Acre, então ficava meio difícil de sair e como todos já conheciam a cidade, acabamos saindo muito pouco. O que me lembro mesmo é de um consultório odontológico na Asa Sul onde fui parar numa madrugada com a pior dor de dente que tive na vida. 
A saída de vocês do selo Senhor F foi meio conturbada, o que houve de fato?
Houve um mal entendido por falta de compreensão. Nunca quisemos sair do Senhor F, nem era necessário, mas o selo entendeu que assinar contrato com uma produtora em São Paulo era uma ação equivocada e premeditada. Soubemos da nossa saída pela internet. 
Em um comunicado o selo dizia algo como vocês terem traído “príncipios que norteiam o circuito independente”, o que ele quis dizer com isso?
Se querer trabalhar numa produtora que vai vender shows e articular a carreira em parceria for trair os princípios que norteiam a cena independente, significa que todos os princípios que nortearam a criação do Festival Varadouro, do Circuito Fora do Eixo e mesmo da Abrafin estão equivocados. Essa cena é feita por muitas pessoas, por muitas mãos e por muitos músicos. Músicos também precisam pagar as contas. Não há desonestidade em viver da música que se aprendeu a fazer. 
Como está a carreira de vocês depois do rompimento com o selo?
Rolaram bastante coisas bacanas. Fizemos o Altas Horas e começamos a fazer os shows de lançamento do DVD gravado no Itaú Cultural. Voltamos a dois dos melhores palcos de São Paulo, a Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo e a Chopperia do Sesc Pompéia. Temos tocado com artistas que admiramos e em projetos conceituados, como o Rock no Santa Cruz, onde tocamos com o Cérebro Eletrônico.  Fomos selecionados pelo Projeto Pixinguinha que vai financiar o segundo disco e uma tour em três cidades do Acre. E o foco mesmo é o nosso segundo álbum. Estamos fazendo a pré-produção em casa o que dá mais tempo para trabalharmos nas músicas e são elas é que vão ficar, porque o resto passa. 
Já que você citou o Altas Horas, como foi se apresentar na TV aberta?
Aconteceu num momento muito bom. Estávamos prestes a lançar o DVD no Acre, voltando pra casa e aquilo repercurtiu em Rio Branco, no nosso Myspace e entre os fãs de um jeito muito positivo. Tem uma coisa muito legal que é o fato de pessoas que jamais conheceriam a banda passam a conhecer e gostar. É só mais uma janela. Uma grande janela, mas não mudou a vida de ninguém. 
Quais serão os próximos passos da banda?
Temos os shows do Pixinguinha pra fazer no Acre entre julho e agosto, devemos continuar fazendo os shows do DVD e é claro, trabalhar no próximo disco. 
Quando voltarão a Brasília?
Esperamos que seja logo.
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Uma boa semana para todos!

09/03/2009

Entrevista exclusiva: Canisso

Os Raimundos fizeram seus primeiros e despretensiosos ensaios em 1988, lá se vão mais de vinte anos. Nessa época o Canisso era “o cara mais velho” que tinha carteira de motorista e sabia tocar as músicas dos Dead Kennedys, duas características que o deixavam alguns degraus acima dos demais moleques que ensaiavam na Mad House do André Bermak. O Canisso era um cara que tinha mais afinidades com a molecada hardcore que começava a esfolar ouvidos por Brasília do que com a rapaziada pós-punk de sua idade.
Em 2007, ele retornou ao Raimundos depois de 5 anos afastado, período em que tocou no Rodox e no Quebraqueixo. E em 2008 a banda retornou à mídia após longa data, isso foi no Altas Horas (onde ele até aconselhou a então futura medalhista, Maureen Maggi) e participou de dois grandes shows em Brasília, no aniversário da cidade e no reveillon – ambos na Esplanada dos Ministérios.
O ano passado marcou também a volta da banda ao circuito independente nacional, um cenário bem diferente daquele da época do Festival Juntatribo, quando o forró-core brasiliense foi apresentado para o resto do Brasil, no início da década de 90. O Canisso concedeu uma entrevista exclusiva para o Rock Brasília, desde 1964 onde fala um pouco sobre a história e o momento atual da maior banda brasileira dos anos 90.

Canisso, o Raimundos parece estar vivendo o melhor momento desde a saída do Rodolfo, é uma impressão que procede?
Não tenho como avaliar ao certo, pois fiquei quase 5 anos fora da banda, mas esse último ano foi bastante proveitoso, tomamos a tarefa de empresariar a banda pra nós mesmos, e com isso o leque de shows aumentou bastante...a entrada do Caio na bateria tbm deu um gás a mais e isso se reflete nos shows.


O que foi mais difícil, superar a saída do do Rodolfo ou superar o fato da banda ter figurado no topo do mainstream?
A saída do Rodolfo nunca foi superada totalmente, ainda trás sequelas e mágoas até hoje.... Quanto o mainstream, ao meu ver foi a pior época da banda, musicalmente e em termos de relacionamento entre os componentes, e o público mainstream é volúvel, sou muito mais passar 10 anos como banda pequena (mas com um público fiel) do que 5 sendo sucesso nas paradas, apesar da grana e fama...


Cara, aqui em Brasília se diz vários absurdos, como por exemplo, afirmar que o Digão nunca tocou guitarra ao vivo e que dependia do Guiminha para quase tudo nos shows da época áurea, o que você tem a dizer sobre isso? 
O Guiminha sempre foi um trunfo escondido (injustamente). Ele possibilitava trazer partes das músicas que nunca conseguiríamos reproduzir ao vivo pra cada show, tocava teclado, dobrava a voz do Rodolfo, fazia backing vocals e durante muito tempo foi nosso técnico de som (hoje em dia ele está de volta!!!), mas não dublava o Digão, às vezes fazia uma segunda ou terceira guitarra junto. Pra adcionar, nunca pra substituir.


Eu costumo definir o Raimundos como o Beastie Boys brasileiro. Eles também começaram com letras bem adolescentes e foram amadurecendo com o passar dos anos. Você acha que os Raimundos ficaram escravos de alguma “fórmula de sucesso” que impediu que as temáticas das músicas fossem se modificando conforme vocês fossem amadurecendo?
Engraçado, as pessoas pensam dessa forma mesmo, porque o único disco que nos afastamos um pouco da temática mais escrachada (o Lapadas do Povo) foi justamente aquele que teve a sua divulgação prejudicada por aquele acidente com o público em Santos, ficou a impressão que houve uma tentativa de amadurecimento do trabalho que não deu certo.... Mas nunca houve uma fórmula mágica do sucesso, cada disco é uma fotografia fiel de cada fase que estávamos passando....

Que diferenças você percebeu entre o circuito independente de hoje e o da época do Juntatribo?
Hoje a parada é bem mais "profissa" veja a quantidade de festivais independentes , a Abrafin, o Myspace..., pra uma banda hoje em dia é muito mais fácil mostrar seu trabalho. Na época do Juntatribo o "corre" era muito pior, não tinha nem internet, era na base dos fanzines, correio, fitas demo....

Não podia deixar de falar no Rodolfo. Você, Digão e ele foram amigos durante muitos anos e compartilharam muitas coisas durante uma boa parte da vida, a separação não permitiu que restasse nada dessa amizade?
Cara, de minha parte a amizade continua, mas o contato é difícil, ele parece que encontrou outros caminhos que não se cruzam mais com os nossos...enfim, sorte pra ele nesse caminho que ele escolheu.

Canisso, valeu pela entrevista, gostaria de saber se vocês pretendem gravar coisas inéditas e que você fizesse suas considerações finais!
Estou sempre compondo, nesse momento tenho algumas músicas que ainda não sei se estão boas o bastante pra colocar na roda pra banda fuçar e terminar, o resto da banda também. O certo é que enquanto não passarem no meu "controle de qualidade" eu não deixo saírem, está nos planos da banda lançar material novo sim, em breve....

Um abração pra você e pra todos do blog, Renato, Zeca, Paulo Marchetti, eu viajei de volta ao passado vendo os posts no blog, é o documento do Rock candango...


06/03/2009

1993

Antes de gravar primeiro álbum, o  Little Quail, ao lado de Graforréia Xilarmônica, Neanderthal, Pitbulls on Crack e Rip Monsters, participou de uma coletânea da rádio paulistana 89 FM chamada A Vez do Brasil. Esse álbum rendeu o clipe de 1, 2, 3, 4 e abriu as portas da MTV para o LQ.

Abaixo, a banda participa do programa Gás Total, apresentado pelo Gastão Moreira nos idos de 93. Tem um momento histórico que é quando o Zé Ovo dá um tapa no saco do Gastão no fim da entrevista.




30/01/2009

O retorno da codorna, entrevista com Gabriel Thomaz

Eles já se despediram em Brasília e no Rio de Janeiro, faltava São Paulo.

Como foi informado aqui em primeira mão, a maior banda do underground brasileiro na década de 90, o Little Quail and the Mad Birds, está de volta neste domingo (01/02/09) para a apresentação de encerramento do Festival Power Trio DeLuxe. É a primeira vez desde o revival de 2004 que Gabriel Thomaz (hoje à frente do Autoramas), Zé Ovo e Bacalhau (as baquetas do Ultraje à Rigor) se reúnem, desta vez cercados de rumores de que o local ficará pequeno e de sugestões de uma segunda apresentação para atender a demanda dos fãs.

“Eu toparia, não sei se o CCSP topa”, escreveu Gabriel na comunidade do LQ no Orkut. Mas fica o recado pra quem for ao show, a única garantia é chegar bem cedo, pelo menos 90 minutos antes do horário, porque certeza mesmo só se tem de que a procura será muito grande. 

Abaixo, uma transcrição da entrevista concedida pelo Gabriel ao portal IG, onde ele também revela um dos maiores mistérios do rock nacional: por onde anda Zé Ovo?

O Little Quail acabou em 97. Como foi essa separação? Vocês continuaram amigos?

A gente continua amigo até hoje. Formamos a banda como uma coisa de turma, da galera com quem eu andava desde moleque. Eu tinha 14 anos de idade quando escrevi aquelas músicas. A gente era bem isso mesmo. A mãe do Zé Ovo levava a gente no cinema de carro, para você ter ideia.

O Bacalhau eu fui conhecer na sala de aula, no primeiro ano do segundo grau. Ele foi nosso segundo baterista, o Berma foi o primeiro - e ganhou até uma música, "Berma Is A Monster".

Naquela época vocês eram mais novos, não havia internet... O que você sente mais falta da época do Little Quail?

Acho que nada - risos. Se tem alguma coisa não me lembro agora, mas hoje tá muito melhor. A gente era meio resquício dos anos 80, com aquele padrão de como fazer um disco...

As bandas eram outras, mas os empresários eram os mesmos, as gravadoras eram as mesmas, tudo igual. Só depois que as coisas foram mudar. Com o Autoramas eu corri o Brasil tocando em capitais que ninguém nunca toca, lancei discos independentes que venderam pra caramba. Fomos premiados pela MTV, lotamos shows... Quando o Little Quail acabou nem tinha internet.

Existe alguma influência do Little Quail no Autoramas?

Claro. Total. A própria decepção de saber que quando fazíamos as coisas nos demos bem pra caramba, e quando dependíamos dos outros a gente se deu mal. Ficar esperando a boa vontade dos outros não dá, a vida na mãe de outra galera não dá.

Na época do Little Quail, em Brasília, a gente botava duas mil pessoas num show só com uma fita demo. A banda era muito famosa na cidade e era frustrante pra gente, que era pop star regional, não conseguir repetir a coisa em outras cidades.

Isso fez a gente entender várias coisas. Em Brasília nunca precisamos de gravadoras, empresário, e isso eu apliquei anos depois no Autoramas.

Nesse meio tempo o Bacalhau acabou no Ultraje a Rigor, você está firme no Autoramas, mas a pergunta que todo mundo faz é: Cadê o Zé Ovo? Que fim ele levou?

A história do Zé é a seguinte: Ele era o mais indignado com esse lance de indústria, ele era o mais revoltado. E quando a banda acabou ele disse "eu nunca mais vou tocar, nunca mais vou trabalhar com essa porcaria."

Depois o Roger até o convidou para entrar no Ultraje, mas ele não quis. E hoje em dia ele continua trabalhando com música como roadie profissional, diretor de palco, cuidando de festivais grandes...

Ele sempre me conta fofocas, eu tô sempre por dentro. Ele já trabalhou com o Pepeu Gomes, Orquestra de São Paulo, sei lá o que mais... Natiruts, Porão do Rock, festival de heavy metal...

Já houve outros reencontros do Little Quail de 97 para cá?

Nós fizemos um no Rio, em 2002, pois era a cidade onde mais tínhamos público depois de Brasília. Tínhamos um carinho muito grande pela cidade. E era muito legal fazer show no Rio. Sempre lotava. Por isso escolhemos o Rio para tocar em 2002.

Depois lançaram um tributo ao Little Quail em Brasília e a gente foi tocar lá em 2004. E foi lindo! Fizemos o show no ginásio de um clube que ficou lotado. Não sei quantas mil pessoas.

E como surgiu esse convite para tocar em São Paulo?

A culpa é do Alan, do Rock Rockets. Ele é um grande fã da banda e se você olhar o Rock Rockets é o Little Quail de hoje, tem tudo a ver. Ele tava organizando um evento de power trios no Centro Cultural e fez o convite.

Pedi para não marcar nem sexta nem sábado, pois sempre tenho shows do Autoramas nesses dias. Por isso domingo. Agora o mais difícil foi armar com o Zé. Eu falei por Alan "se o Zé topar eu topo." E aí aconteceu.

Qual a expectativa para esse reencontro?

Eu não sei, é engraçado, depois que comecei com o Autoramas é que as pessoas começaram a vir falar do Little Quail. A galera que a gente conquistou com os clipes não tinha idade para sair naquela época, era gente que via na TV e não ia nos shows.

Há um ano e meio atrás a coletânea do Little Quail vendeu muito mais disco do que os álbuns da época, mesmo com esse papo de acabou o CD.

Quando eu saí de Brasília para fazer show em São Paulo tive que ir com a minha mãe na rodoviária para fazer uma autorização do Juizado de Menores - risos.

O lance é para valer, vocês pretender voltar a gravar?

Não há nenhuma vontade. É passado total. O que é mais legal do Little Quail que eu ainda tenho no coração são os meus amigos. Já fiz músicas muito melhores, com músicos muito melhores... já foi. Acabou na hora certa.

O que o pessoal pode esperar desse show? Todas as músicas, alguma coisa diferente?

Vamos tocar todas as músicas. Vai ser o que couber em 1h20 de show. Agora a hora que o pessoal do Centro Cultural mandar a gente vai parar.

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O Festival Power Trio DeLuxe começa hoje no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 - Sala Adoniram Barbosa), no dia 1º de fevereiro, às 18h00. Os ingressos custam R$ 12 e só são vendidos na bilheteria do local.

A programação completa:

30 de janeiro: Faichecleres e Zefirina Bomba

31 de janeiro: Rock Rocket e Bad Luck Gamblers

1º de fevereiro: Little Quail & The Mad Birds e The Dead Rocks

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