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31/07/2015

Dramaturgia jornalistica do dia-a-dia nos dai hoje

Já notaram que os programas jornalísticos-culturais estão virando novelas? E as as novelas do mundinho sub-celebridade-indie-hippie estão se transformando em programas jornalísticos?
Memória de brasileiro é mais curta que a grana. Todavia, não faz muito tempo, Gugu (aquele) criou (maneira de dizer) um blefe com o PCC de matar Manoel Carlos de inveja.

As novelas, por seu lado, estão funcionando agora como informativos sobre direitos civis, homossexualidade, saúde, higiene etc. A qualquer momento, portanto, poderemos ver William Bonner fazendo par romântico com Carolina Dieckmann na novela das oito. Ou Francisco Cuoco virando correspondente, em Nova York, do Jornal da Globo. Nota-se esta inversão de valores quando a maior notícia é uma banda dita de rock ser julgada num programa televisivo cheio de playbacks e celebridades sábias com o google à mão, E tive certeza de tudo quando vi a empregada da vizinha chorando convulsivamente ao assistir uma fala de da Filha de Xororó sobre a pobreza da nossa produção musical.  Não demora muito, ela abre um fã-clube do Eri Johnson e faz stand-up ou vira concorrente nos show de horrores de calouros. Claro, isso muda muita coisa na televisão brasileira.

A ideia de Fernanda Lima virar editora-chefe do Jornal Nacional e a de Andre Marques ser colunista da editoria musical parecia longínqüa. Mas pode acontecer muito antes do esperado.  Não esqueçamos que esses formatos enlatados hoje são a melhor vitrine do país. E todo bom jornalista sem diploma e opinioso cheio de si, quer mesmo é informar, não importa o meio, e sim a mensagem.

Já os telejornais contam com apresentadores cada vez mais ricos, vaidosos e totalmente neuróticos com a fama.  A mania de contratar produtores de pegadinhas para fazer pautas jornalísticas é outra coisa que tem trazido fortes mudanças na telinha. Alguns comunicólogos acreditam que Lula vestido de tirolês, dançando embriagado no último Oktoberfest, não passou de mais uma armação da “Casa de Criação” da Plim(2x). Analisado assim, o conceito de grandes coberturas ao vivo também se alterará com o tempo.

Se permanece esta tendência, devem demitir seu Núcleo de Jornalismo Esportivo. E mandar o elenco de “Malhação” cobrir as próximas Olimpíadas. Galvão Bueno e Casagrande podem ser aproveitados no Núcleo de Dramaturgia, graças ao grande carisma, fazendo “Carga Pesada”. Até porque, ao que tudo indica, Stênio Garcia e Antônio Fagundes devem ser os novos apresentadores do “Globo Rural”.  Se o Louro José não aceitar o cachê de 60 mil reais por mês oferecido pelo pessoal do Jardim Botânico, é óbvio.

PS: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

28/12/2013

Popdollkiller: O rock está morto. Longa vida ao rock.

Li, há alguns dias, que o rock saiu do top 30 brasileiro pela primeira vez desde o ano 2000. Tá, mas que bandas eram essas? Rappa, Charlie Brown, Jota Quest, Pitty? Surpresa! Nenhuma nascida de 2000 para cá, né? Qual foi a última banda de rock que nossos pais, tios ou primos que não curtem rock ouviram e sabem pronunciar o nome? Provavelmente, eles não se lembram nem da Pitty. Talvez do Charlie Brown, mas aí não foi por causa da música, mas sim das tragédias ocorridas neste ano. Jota Quest nem deve entrar na categoria rock para quem é menos entendido no assunto.

No meio independente, existe sim muitas bandas de rock produzindo coisas novas e legais. E quem ouve? O público independente que busca coisas novas, oras! A massa mesmo, sempre vai se ligar e ouvir o que está na rádio ou nos programas de auditório. E rádios vivem de publicidade, assim como qualquer veículo de mídia ou casas de shows. Uma pequena porcentagem de rádios topa colocar coisas novas. As maiores preferem não arriscar muito e jogam baixo mesmo. Elas preferem repetir a mesma seqüência de 10 músicas que garantem algum público do que inovar e acabar perdendo alguns de seus ouvintes.

E quem são os ouvintes? Pessoas que querem ouvir músicas fáceis, que falem sua língua, com seus erros, e que se identifique com seus sentimentos. Algo "para cima",  para ouvir enquanto trabalha, tipo Michel Teló, ou canções com palavras bonitas que os faça chorar, como a de Luan Santana. Não precisa pensar muito. Conhecer o público brasileiro é fácil. Basta ligar a TV aberta em qualquer horário, em qualquer dia. Achar que um artista independente do rock nacional fará sucesso entre o grande público é no mínimo ingenuidade.

A minha geração não vingou neste sentido. Nem o CSS, que fazia sucesso internacional, está mais tão bem assim. Tudo bem, acho que a gente não pensava mesmo no grande público. Nunca pegamos o caminho de fazer algo mais radiofônico. Algo que não significa que não havia banda alguma que pegasse bem em rádio. Superquadra, por exemplo, era a banda mais radiofônica de Brasília. Tocava em rádio, a Cultura, quando era comandada por Marcos Pinheiro, que sempre tem um programa de rock na cidade.

Li algumas matérias sobre o assunto e a que me chamou mais a atenção, foi a do Marcos Bragatto, intitulada: A viagem é outra. Nesse texto, acabei encontrando o que não chamaria de erros, mas de certa empolgação exagerada de músicos e produtores. Pode-se sim se manter como banda no meio independente. Neste caso, abra mão de toda e qualquer possibilidade de receber um salário razoável, pensar na aposentadoria, de pensar e falar o que bem entender e de produzir o que bem entender. Parece carreira de esportista. No início pode até pegar. Por alguns anos a coisa pode ser sustentável. Depois vem a corrida para o financiamento público, produção musical, propaganda para outras marcas e até propaganda política. Obviamente, não estou incluindo todos os artistas nesse rol, mas diria com folga que pelo menos 95% acaba assim.

Agora temos um marco histórico, o rock saiu do Top 30 Brasil. Mas isso é apenas o diagnóstico de um sintoma do que vem ocorrendo há tempos. Não sei se aquele rock de fm voltará. Pra mim, nunca fez nem fará falta. Aqueles Top 30 nunca estiveram na minha lista e assim como o grande público eu não sei dizer o nome de uma música sequer do Charlie Brown, do Jota Quest ou do Rappa. Nunca fui a nenhum show deles e ficaria tão aborrecida em ter de assisti-los até a atração principal aparecer quanto se fossem Claudia Leitte. Não uso mais a rádio para buscar coisas novas. Nem assisto a programas de televisão.

Em 2005, quando começamos a tocar com o Lucy and the Popsonics, percebemos que ficar sentados em porta de rádio que toca sertanejo era perda de tempo. Construímos nosso caminho por outro lado. Da mesma forma que outras tantas bandas ou músicos. Não precisamos lamentar a saída do Top 30. Ela só representa a massa que não vai escutar rock. O rock não morreu. Nem morrerá tão breve. Não existe qualquer outra vertente musical com tantas possibilidades para se reinventar. E assim continuará. Se reinventando e persistindo.


g

18/11/2013

A arte está está nas ruas e (quase) nada vai detê-la


Depois de longas décadas sem escrever por aqui, não pude me furtar a análise dos tempos atuais. O que se observa é que hoje, as produções que visivelmente são feitas apenas como meio de lucrar através de um sistema, que não preza pela arte e sim pela saúde mercantilista, me incomodam.  

O que me motivou a escrever sobre isso? Ver tantos artistas produzindo apenas repetição. Poemas e músicas chatas, sem sentido, que não transcendem. Poemas que não dizem músicas que sempre se parecem com alguma outra por aí. Na arte pictórica então, vish. Milhões de quadros de barcos tortos com a perspectiva errada. Milhões de imagens que não dizem nada, não expressam sentimento ou pensamento, ainda que sejam só aparentes rabiscos. Concordo quando definem a arte como; Originalidade.

Será que poderíamos por a prova a arte de muitos desses que defendem a arte? Confesso que meus ouvidos andam cansados de alguns músicos por aí.  Porquê? Porque eles fazem mais e muito mais do mesmo. Reproduzem as mesmas soluções musicais, as mesmas combinações... que cansativo. Ouvir um CD inteiro é quase um martírio.  Então, depois da formação psicológica que o currículo acadêmico me proporcionou (e o tema da mono ser Musicoterapia, reinclusão de deficientes através da percepção musical) percebi que, podemos dividir estas inquietações em quatro itens:   

Excelência Técnica, Validade,Conteúdo intelectual (visão cosmológica do artista) e Integração entre conteúdo e veículo . Neste primeiro tópico já eliminaríamos grande parte do músicos e outros artistas por aí. Até bem pouco tempo, o modus operandi" era fazer tudo pelo feeling, sem estudo, na base da vontade.  Não digo que não foram feitas coisas boas. Foram sim.  Mas penso que hoje as coisas mudaram bastante e quem não tem um conhecimento mais aprofundado de sua arte, vai se repetir, vai ficar chato e cansativo.

O que se vê por aí, cada vez mais que quantidade não é sinônimo de qualidade. Ao contrário. Quanto melhor a arte mais tempo e reflexão ela pede. A produção fica reduzida.  E digo. Lá fora os artistas são monstros. Para ser ouvido, será necessário muito arroz com feijão. Talvez isso seja um tiro no pé. Sem a Excelência Técnica não diremos artisticamente nada a ninguém. Esse tempo já foi. Os caras que no passado fizeram isso, esgotaram o assunto. Se sendo bons, muitos já estão à margem. Quando digo de excelência técnica não digo só de virtuosismo. Mas também cabe a ele.    

Quanto a Validade até nem questiono tanto.  Pois os assuntos, os valores são quase sempre os mesmo abordados em toda a história. Mas valeria um comentário. Que pena que a arte sacra se foi. E que pena que não temos mais os "Rembrandts" pintando FIlhos Pródigos e Jeremias. Tentando ver a arte ainda na sacralidade

Com isso, vejo um problemão no próximo tópico:

Conteúdo intelectual (visão cosmológica do artista). Toda arte expressa a cosmovisão do artista. O que ele crê ? Quais as suas convicções? Não era a toa que Picasso colocava uma pessoa de perfil e ainda assim você via o olho que deveria estar escondido. Isso mostrava seu pensamento filosófico, sua visão de vida. A mesma coisa com o Salvador Dali e quase todos os grandes. Em todos os períodos, temos artistas defendendo posicionamentos, pensamentos filosóficos e etc. E eis  um grande colapso. Sobre o que diz a nossa arte? Aliás, queremos falar do quê? Penso que ainda teremos um longo caminho a percorrer antes de ousarmos responder essas questões.

O próximo tópico também é bem complicado. Como escolher a melhor maneira de dizer o que preciso se minha cosmovisão e excelência técnica estão em colapso? Com certeza este tópico será destruído, pela ausência dos valores anteriores. Pra se escolher a melhor maneira de dizer com o melhor caminho, escolhendo as melhores ferramentas; é preciso ter as ferramentas e os recursos. 

Sem conhecimento, habilidades e convicções cosmológicas, nunca se fará Arte de verdade. Serão apenas tentativas chatas de fazer alguma coisa. E o público? Aplaudiu! Meus amigos, se o artista que é o grande preocupado em estudar, se aprimorar, pensar o modo de criar, o que dizer e etc... está falhando e está em colapso, como o público conseguirá avaliar?

Porém os expectadores sim, terão  direito de usar o feeling na avaliação. Vejo que é bonito você parecer cult, assistir milhões de filmes e ver inúmeros espetáculos, assistir orquestras e etc. Essa imagem de conhecedor de Arte pode ser sim, muito falsa. E os aplausos recebidos podem ser de completos ignorantes no assunto. Por isso o critério do artista deve sobrepujar os aplausos e as palavras doces no final da apresentação. Sua arte deve estar em constante prova e a busca pela inovação e originalidade incansáveis.

Se o artista cansar de buscar a originalidade, sua arte morreu.

27/09/2013

Popdollkiller: Eu, meu walkman e minha Music Television

Em 1994, eu comprei meu primeiro walkman. Meu pai colocou algumas 80 cédulas na minha mão e disse “faça uma pesquisa e compre o que tiver o melhor custo-benefício!“. Eu achei um walkman style por 28 reais, mas a gente não pagava com reais porque ele não existia ainda. Era URV (unidade real de valor, espécie de moeda transitória), tá? Fui para casa e finalmente poderia colocar as minhas fitas K7 gravadas do Cult 22 da semana passada. A minha diversão musical da semana era escutar aquelas fitas. Sim, porque os discos dos meus pais, por melhor que fossem, não era o que eu queria mais.

Não demorou muito. Algum tempo depois, meu pai chega em casa e me fala que tinha assinado uma tv a cabo. Massa! Lembro de pegar o controle e começar a passar os canais. Eu parei na MTV e lá fiquei a tarde toda. O Kurt Cobain já tinha morrido, mas eu ainda não tinha assistido o Smells Like Teen Spirit. Pois é, no outro dia eu roubei o lápis de olho da minha mãe e fui pra escola com o olho pretinho. Meus colegas me perguntavam: nossa, o que aconteceu? Eu respondi: - Escuto rock agora!

Era sagrado. Todos os dias ligava na MTV. Tinha de tudo: rap, pop, rock, indie, disco, boy band, tudo. Era 24 horas por dia. Tinha música em qualquer horário. Era Faith no More, Smashing Pumpkings, NWA, Sepultura, Blondie, Rolling Stones, L7, Chico Science, Stone Temple Pilots, Cindy Lauper, Madonna, Michael Jackson, Beastie Boys… Eu não tinha nem terminado meu primeiro grau, mas já cantava e falava sobre música, e de todo tipo de música.

Dois anos depois, eu ganharia meu primeiro baixo e montaria minha primeira banda. Claro, era só de mulheres, tipo L7, rs. Não durou muito e meio que inspirada pelos clipes do Joy Division, NIN, resolvi montar uma banda industrial. O Pil (N.E.: marido e companheiro na banda Lucy and the Popsonics) foi guitarrista desta banda e foi nessa época que começamos a namorar.

Como se não bastasse, eu não devorava apenas a MTV Brasil. Eu tinha a MTV latina também. Eu não tinha grana para comprar discos, forma como as pessoas descobriam música na época, fora os poucos programas de rock que existiam, mas eu consumia insandecidamente música. Descobri Superchunk pelo Massari. Não lembro bem se foi o Kid Vinil quem os entrevistou no Brasil. Superchunk em Brasília foi meu primeiro show internacional, foi minha primeira invasão de camarim, para entregar minha primeira fita demo. Eles provavelmente ouviram essa fita… coitados!

Pois é… é uma coisa meio louca mesmo. Acho que nunca fui nada, mas tudo ao mesmo tempo. Tentava tocar uma coisa parecida com NIN, mas amava Prince e Gary Numan. Também ficava admirada quando assistia Sepultura, Talking Heads, Madonna, Cindy Lauper.

Ah, não se baixava música pela internet, ok?

Às vezes, você até conseguia juntar algum dinheiro que daria para pagar UM disco na Redley Records (N.E.: lendária loja de discos de Brasília). No meu caso, até fiz amizade na Discoteca 2001 do Conjunto Nacional para conseguir algumas fitas pirateadas por quem tinha acesso àqueles discos que eu tanto queria. Conseguia uma ou outra. Pode acreditar, ter um disco de rock até o início dos anos 2000 ainda era extremamente difícil. Normalmente quem tinha acesso era quem viajava para o exterior ou quem tinha amigos que viajavam. Mas nos anos 90, graças a MTV, isso mudou. Todos se lambuzavam com muita música, clipes, acústicos, informação, apresentações, entrevistas, shows....

Obrigada, minha Music Television! Obrigada, Fábio Massari, Kid Vinil, Edgard Piccoli, Astrid, Rodrigo, Marina Person, Gastão Moreira, Thunderbird, Cuca, Sabrina Parlatore! Obrigada por terem me ensinado tanto! Meu iPod agradece!

*Fernanda Popsonic é vocalista e baixista da banda Lucy and the Popsonics.

15/08/2013

A tristeza do artista quando jovem


Era uma vez, um evento cheio de banda autoral num pub bacana, dia de semana e cerveja gelada no freezer. Quando olhou o camarim reservado, se alegrou. Instrumentos musicais se misturavam ao cheio forte da urina no banheiro acoplado. Depois de anos de anonimato, esnobação dos críticos e completa inexistência na lembrança da mídia gorda, aquilo era a prova de que havia certa justiça “nesse mundo de meu D´us”. O autoral, enfim, tinha voz (e vez!).

Numa algaravia, os auxiliares perguntavam coisas sobre a tonalidade da mesa de som, sobre o roteiro, os convidados “vip”, as canjas. Mas seus ouvidos não acompanhavam mais nada do que vinha de fora. Só as orelhas de dentro funcionavam agora. As orelhas e os olhos internos.

Lembrava-se com grande clareza de seu longo calvário, as temporadas no circuito alternativo das cidades-satélites de Brasília. Muitas vezes tocando sem cachê algum, apenas para tentar imprimir suas ideias revolucionárias a um grupo pequeno, mas interessado no novo. Por outro lado, não havia meio do trabalho dele decolar, parecia uma sina. Quanto mais tentava divulgá-lo, buscar pacientemente espaços, mais era esquecido pelos que controlavam as programações de rádio e tevê. O acaso começava a jogar a favor. Agora vai.

Um assistente avisou que faltavam dois minutos para o início do show. Fez uma pequena prece, memorizou o repertório. Ouvindo o ruído dos primeiros ruídos de rock da noite, ergueu-se, dirigindo-se altivo à boca do palco, e, como sempre, à espera de um show que nunca começava.

Nesse instante, o último ônibus para sua casa tinha acabado de passar. Sua volta pra a tão aguardada cama quente há 50 km dali, era apenas um desejo distante. Seu dinheiro mal dava pra pegar as outras 4 conduções até chegar no tão sonhado lar doce lar. 

E, em seu momento mais triste, parou – olhou – refletiu: Para que serve o atraso?500 anos nos fazemos esta pergunta. E, antes de nós, os portugueses também a faziam. Só que, para eles, a resposta era bastante curta e grossa: "Pindorama serve para levarmos ouro e deixarmos padarias”.

Para Dom Pedro I, foi amplamente divulgado, o atraso serviu para arrumar rabos-de-saia. E, para seu pai, serviu para tirar umas fotografias a mais (ou a menos!) em preto e branco. A realidade é que cada um tem uma resposta para o enigma. Se fizéssemos a mesma pergunta para formadores de opinião contemporâneos teríamos muitas surpresas. Neoliberais de raiz, por exemplo, provavelmente responderiam, com sotaque ianque: "serve pra eu continuar empregado do George Soros. Já Gisele Bündchen, grande musa, diria: “Atraso”? Mas o que é isso?”.

Sim, sempre foi difícil definir, quanto mais uma mega-comunhão de raças, credos e times de futebol. Há quem diga que o ele não existe, que é apenas mais uma novela da Globo, transmitida 24 horas por dia, com direção do Roberto Talma e roteiro da família Marinho.


Há os que juram de pés juntos que o relógio é que é o culpado. Talvez, até por causa desta falta de definição, a pergunta continue latejando em nossas testas por séculos e séculos: pra que servem eventos com esperançosas almas, artistas multifacetados e uma dívida infinitamente menor que a paciência da sua população? Serve para o trabalho (quando há trabalho), em vez de dignificar, danificar o Homem? Serve para enriquecer meia centena de produtores? Serve pra escrever crônicas interrogativas como essa? Talvez fosse melhor pensar para o que não serve esta falta de respeito.

Por isso, é tão importante se fazer esta pergunta. Ao dormir, ao acordar, ao fazer as refeições (se houver refeições), na fila do INSS, na carteira escolar, no banho (se houver água). Afinal de contas, para que serve o horário estabelecido nas casas de shows? Os velhacos mandatários da nossa política já devem ter se feito esta pergunta antes. E muitos já teriam mesmo uma resposta pronta, na ponta da língua, há muito tempo: "o relógio serve pra me servir”.

E, como tudo o que escrevi aqui é ficção, pode ser que eu esteja fingindo ou mentindo.

08/08/2013

Especial: Todo esse brilho é reflexo do suor? de quem?

por Fernanda Popsonic*

Já há um tempo que alguns amigos vem me pedindo para falar sobre Pablo Capilé e o Fora do Eixo também. Resolvi há muitos anos deixar isso para lá. Afinal, não é porque eu havia tido problemas, que eu enxergava algo que não gostava, não era uma garantida de que aquilo não fosse bom realmente. Talvez fosse bom para alguém, né? Então, resolvi seguir a minha vida independentemente de qualquer coisa. Afinal, já haviamos nascido assim. Somos a geração Myspace, DIY. Já haviamos chutado um baterista e o substituído por um computador. Haviamos também gravado um disco todo em casa com um microfone de brinquedo e a guitarra desafinada ligada no computador. Nada mais seria um impedimento maior.

Eu vi o Roda Viva dessa segunda-feira. Acho sim que o mídia NINJA tem feito coisas legais e o Bruno sabia o que falava ali. Precisamos sim democratizar nossos meios de comunicação. Mas ali também vi uma organização que não conseguia explicar como era financiada. Era uma contabilidade super-mega-ultra-criativa. Isso não é intriga da oposição, coisa da Veja, do capeta pintado de roxo, golpistas, PIG ou whatever! Tem muita gente que não recebe ali. Eu já passei por isso! Já vi o Pablo Capilé também milhares de vezes pregando o fim dos caches. Artista tem de ser pedreiro! Nada contra os pedreiros, ok? Apenas acho injusto trabalhar de graça, doar trabalhos para uma organização se apresentar em meios políticos e se gabar com meu esforço e sem meu consentimento.

Mas voltando à minha história…

Sim, atrasaram cachês, ou melhor dizendo ajuda de custo. Resolvi no grito, depois fizemos as pazes e coisa e tal. Sempre que ia a Cuiabá era super bem tratada, as pessoas eram sempre super legais e já até dormi em uma Casa Fora do Eixo em um colchão jogado no chão. Sempre achei aquelas pessoas super trabalhadoras e devotas daquele serviço para cultura. Quando você pensa nisso num lugar que fica longe de muitas coisas… vc acha bem interessante. Isso te conquista.

Não preciso de mordomias. Esta não é a questão. Já dormimos em estoque de bebidas de casa de show. Já fugimos de furadas com medo de termos os rins roubados e coisa e tal, rsrs. Ninguém aqui está falando de um camarim com maçanetas de ouro e um quadro do Matisse na parede.

Não posso falar muito do Cubo Card, além dos relatos de pessoas do FDE que diziam que realmente funcionava em Cuiabá. Segundo elas, você pode estudar inglês, fazer compras no supermercado e pessoas viviam de cubo cards. Eu apenas comprei alguns refrigerantes na própria casa, hehehe. Tudo bem, o que importa é que as pessoas sejam mais felizes mesmo e se a coisa funciona é porque está cobrindo a lacuna que faltava. Pelo menos era o que parecia. Quem trabalha com artes sabe muito bem que até numa grande capital temos carências culturais sérias. O que dizer daquelas pessoas que estavam trazendo música e todo tipo de artes para sua casa e pelo menos no discurso a ideia era levar boa música para o resto do Brasil? Justo, não?

Aquilo ali era legal! O Capilé parecia ser alguém muito interessante. Aliás, a qualquer um que me perguntar até hoje eu repetirei a mesma coisa: não concordo com muitas das coisas que ele fala, prega e faz, mas o acho um cara carismático realmente.

Eu discordava de muitas coisas ali. Artistas devem ser pagos sim! Técnicos de som também! Acredito que no Brasil se inflacionam tudo, mas um cachê em reais deve ser pago. Especialmente quando o produtor recebe para fazer um evento. Eles também usam nosso nome, nossa marca, nosso esforço para chamar as pessoas, para movimentar as empresas patrocinadoras e os governos. Se deu pouca gente na casa, dá um pouco, se a Petrobras colocou muito ali, paga-se mais e por aí vai.

As bandas que circulavam… tinham qualidade musical discutível, mas eram politicamente bem articulados. Os melhores tocariam em breve com cachês muito melhores em grandes eventos já comandados pelos caciques do FDE. Eles engoliram a Abrafin. Eles engoliram muitos outros festivais, casas, coletivos, selos, pessoas que trabalhavam há tempos ou foram motivadas pelo mesmos. Mas quem colocava seu suor ali? O FDE colocava sua marca e eles vinham aqui apresentar nos ministérios, os incríveis trabalhos que estavam fazendo pelo Brasil inteiro.

Sim, se não fosse o Espaço Cubo e Fora do Eixo, TALVEZ nem saberíamos que existia alguma banda super legal no Acre ainda. Porém, tenho em mente que o FDE não produz nada. Quem fica 10 horas por dia dentro de um estúdio por um mês somos nós! Quem quase vai a loucura para conseguir fazer alguma coisa somos nós. Quem paga o nosso próprio trabalho independente somos nós, os artistas!

Não posso falar pelos produtores, mas acredito que muitos deles passem pelo mesmo ou perrengues ainda maiores. Li até um post recente do Fernando Rosa. Ele dizia mais ou menos o seguinte: a forma como Capilé fala do que fez pela cena independente é uma afronta a todos nós que estamos trabalhando diariamente para construir isso.

Lendo o relato de amigos eu fico cada dia que passa mais impressionada, mais chocada. Quando eu saquei que o lance era você fazer os trabalhos e colocarem o selo do FDE para sua autopromoção cai fora. Isso há mais de 6 anos atrás.

Em 2007, eu desabafei para um jornalista em um show nosso em São Paulo. Por incrível que pareça foi a primeira vez que não me senti sozinha. Uma outra pessoa me disse “nossa, então você é chamada para tocar num esquema que tem dinheiro público, edital, patrocínio, entrada e não recebe?” Bom, por incrível que pareça esta era uma prática até comum entre os festivais pelo Brasil. A Rolling Stone me ligou e fizeram uma entrevista comigo. Eu respondi.

Num outro dia fui para a aula e comecei a receber ligações de forma muito insistente de fora de Brasília. Sai da sala até meio assustada. Atendi e me falaram o seguinte: se essa entrevista for publicada você pode considerar sua banda enterrada. Enfim, liguei pro Pil (N.E.: Companheiro de banda e cônjuge) e resolvemos conversar com o Pablo Miyazawa que  foi super gentil e super compreendeu. Minha entrevista não foi publicada, mas outras pessoas começaram a dar depoimentos anonimamente e rolou alguma repercussão. Os festivais começaram a pagar caches nesta época. Fiquei com um bom sentimento no fim das contas e resolvi encerrar meu mimimi por ali.

Realmente não queria escrever sobre isso e me aborrecer novamente. Escrevo porque meus amigos acham que pode colaborar a melhorar a discussão em torno de toda essa história. Muita gente se sente trapaceada como eu me senti por algum tempo.

Àqueles que ainda pretendem entrar no ramo, não desistam! Tem muita gente boa produzindo, abrindo casas, pagando direitinho. Tem muito artista novo, o que é bom… oxigena! É isso aê… vamos discutir e melhorar. Depois, bola pra frente, galera! ,)








*Fernanda Popsonic é vocalista e baixista da banda Lucy and the Popsonics

25/06/2013

Meia-Dúzia: Mani (FESTA) ções e afins

Todo mundo, granadinha pro alto. E vai rolar a festa, vai rolar!
Não, este aqui não é mais um post de boas maneiras e todo blábláblá de chorume via redes sociais. Na verdade, trata-se de uma orientação sobre boas maneiras revolucionárias e confesso que a maioria delas eu já tinha sem sequer saber se eram boas, enquanto outras tão cretinas que não sei como foram se meter neste texto.

Quem é que decide, afinal, quais as boas ou más maneiras? Existem tantos "guias" nesse sentido que nunca se sabe se as maneiras que um ensina são as mesmas do outro. Isso pode causar confusão, pois a gente pode tomar atitudes que leu justamente pra pessoas que leram outras atitudes.

A zoeira e o direito constitucional andam lado a lado. E pra você, que não acompanhou os últimos acontecimentos nesse Brasil de meu Deus, se liga aí, que é hora do resumão: A manifestação contra tarifa de ônibus que virou algo maior que ninguém sabe e provocou uma Constituinte sem revolução. E é aí que entra o meia dúzia desta semana: Musicas que embalam as revoltas.

Num pais onde todo mundo sabe de tudo e o Google explica, tudo seria uma questão de convenção — porque basta se convencionar pra todo mundo se convencer. Um cavalheiro jamais mandaria um ramo de flores para a sua amada: mandaria uma bomba-relógio, que seria muito mais divertido —- depois de estourada a bomba, ela ainda ficaria com o relógio. Uma campanha bem orientada decidiria sobre as "boas maneiras" de cada ano, pra evitar as dúvidas. Assim como está, as boas maneiras se comparam à nossa ortografia: cada um escreve como sabe e ninguém se entende. É muito desconcertante fazer uma gentileza com "f" pra quem ainda acredita no "ph".


6 - TIRIRICA -Estou no Poder

Na primeira da lista, o palhaço dos palhaços e eterno Florentina. Com uma crítica aguçada, serviu de tema ( e inspiração) para outros palhaços como Patati/Patatá: Aguarde 2014 e me cobrem.





5 - LATINO - O Gigante 

O showman que não perde uma oportunidade de se dar bem às custas da desgraça alheia não perdeu a oportunidade. (Eu sou apenas um rapaz) Latino usou e abusou da sua famosa regularidade, produziu uma obra profunda, que traz uma agradável sensação de bem-estar que potencializa o raciocínio do ouvinte e o leva a um maior conhecimento de si mesmo e de seu país. Em certos casos, o efeito desta obra-prima é tão eficaz, que essa sensação de bem-estar pode se estender a outras pessoas que estejam próximas. Ou não.





4 - FALCÃO - A Besteira é a base da Sabedoria

Já o homem por traz da parafernalha colorida (com o telefone incluso!) ousou em dizer que a besteira é a base da sabedoria. E faço minhas, as palavras do nobre cavalheiro: “Já está provado por a + b que a + b não prova nada, e eu, pessoalmente, já mostrei que é tudo a mesma coisa”.
  
 




3- CAPITAL INICIAL -Viva a Revolução

Estamos num blog onde o tema é Brasilia. Claro que não poderia faltar um representante do quadradinho goiano. Dinho OURO Preto e sua trupe entraram na onda de gritar palavra de ordem (sem cair do palco, evidentemente!) e criaram o clichê de colocar “motorista,olha o poste” no chinelo.





2 - RAUL SEIXAS - Aluga-se

Antes de mais nada, é necessário que a pessoa conheça cada vez mais seu país, pra ir se amoldando ao próprio temperamento atual: até o chato pode protestar o bem, desde que aprenda a se aturar. O conceito de felicidade vai mudando dentro de nós, à medida que o tempo vai passando: o homem só consegue ser completamente feliz quando não se preocupa mais com isso. Se nada der certo, Aluga e vaza.




1 - GERALDO VANDRÉ - Pra não dizer que não falei das flores

Profissão ingrata é a do cronista, tem de dar certo logo na primeira. O médico receita remédios, depois recorre à operação, depois apela pra novos remédios, depois faz novas operações, depois consulta outros médicos, depois decide recomendar um especialista. O advogado também tem seus "depois", sabe que está metido numa guerra de inteligência e não de justiça: se perder, apela pra segunda instância, se perder de novo apela pro Tribunal Superior e, ainda assim, consegue um descontinho na pena do seu constituinte, que, mesmo condenado, tem a seu favor o indulto e a liberdade condicional. O cronista mete-se numa enrascada e não tem mais saída: ou todo mundo acha bom e ri, ou não ri e acha péssimo. Não é como o cantor, que faz sucesso com uma música e passa o resto da vida cantando a mesma.






 Pra não dizer que não falei das flores, lá vai: FLORES!

21/04/2013

Brasilia: Cinco ponto três

"Estou perdido no Planalto Central eu moro aqui no Centro -Oeste do Brasil, tenho tantos planos(...) Já me cansei dessa visão horizontal e desse papo que está tudo vertical. Eu me sinto estrangeiro, vivo sempre sem dinheiro(...) Pelas praças de Brasilia ando assim sem garantia me sentindo em Sevilha, nessa moderna arquitetura e a frieza pelas ruas: já perdi meus documentos, meu emprego no cimento. Aí meu Deus, meu casamento!"
(M.V.L)

Essa pode ser a realidade de muitos que vieram pra cá em 1960, quando a terra era vermelha e batida nas velhas vitrolas que entoavam sem parar o hino "Só deixo o meu cariri no último pau-de-arara". Hoje, cinquenta e três anos de sons, cores, luzes que piscam, gritam e avisam aos seus habitantes que o tempo trouxe a maturidade de uma jovem senhora, e seus filhos, com o orgulho misturado com vergonha (pelos atos de corrupção que aqui se vê com frequência) , lhe dá os parabéns.

Felicito Brasilia, não porque as principais decisões da Nação começam por aqui, mas sim por seus diamantes que brindaram os brasileiros com sua genialidade. A história do Rock Nacional está intimamente ligada aos braços de nossa capital. Renato Manfredini Jr, Hebert Viana, Dinho Ouro-Preto e sua trupe cantaram seus versos aos quatro cantos do país, declarando a gratidão por essa cidade que reúne cada uma das 27 pátrias desse nosso imenso Brasil.

Mas, como diz o poeta GOG “Quem mora fora do avião/Bate palma e pede diversão.” A rima fala da Brasília que existe fora do Plano Piloto e que não é ornada com monumentos e palácios daqui.

Se acaso quiser mesmo saber “o que se tornou Brasília” deve ir muito além deste “intramuros”, muito além dos limites oficiais da cidade planejada, dos cartões postais, que só mostram as imagens da arquitetura modernista, sobretudo o eixo monumental com as obras realizadas por Oscar Niemeyer e os edifícios-sede do poder central.

As grades, tão visíveis e presentes pelas cidades-satélites do Distrito Federal,devem ser compreendidas nesse universo de símbolos e valores, de conteúdo nacional, mas que, na capital do País, ganham um sentido mais específico.

Convém lembrar que os moradores das cidades-satélites vieram para Brasília, por sua própria vontade, não tanto para construir a nova capital,mas sobretudo para construir uma vida nova para si mesmos. O espírito pioneiro confunde-se com o espírito de colono e essas casas com grades em ferro parecem constituir uma parte visível dessa “vitória”: a conquista de um pequeno território para si, dentro de um projeto inteiramente diverso daquele imaginado pelo urbanista Lúcio Costa.

Que venham outros sopros de bons ventos, Brasilia! Parabéns!

31/03/2013

Discoteca Nacional: Loucos são os outros, até duas vezes

Como todo bom gaúcho, além do churrasco e chimarrão, a música regionalista sempre foi um dos grandes trunfos deste que vos escreve. Seja por influência paterna ou ou só pelo simples fato de cantarolar
"Deu pra ti/baixo astral/vou pra Porto Alegre, tchau" (daquela dupla que todo mundo dizia ser meus pais, Kleiton & Kledir) e matar a saudade da capital riograndense.


Fato é que, pela primeira vez na história deste país (eu sei que você já ouviu isso um milhão de vezes, enfim!), a produção do rock gaúcho apresentou suas influências locais, regionais e internacionais reunidas em um só bendito long play, sabiamente chamado de Coisa de Louco II.

O álbum teve uma repercussão muito positiva e saiu de catálogo tão logo entrou, tornou-se raridade muito por conta da estrutura do selo Banguela, que naquele ano, 1995, mais se preocupava em lançar bandas interessantes do que trabalhar os lançamentos, muitos ficaram apenas na tiragem inicial. Isto para a Graforréia Xilarmônica foi bastante prejudicial, afinal a banda já era um nome conhecido no Rio Grande do Sul e mesmo no underground brasileiro. O projeto gráfico de “Coisa de Louco II” é bastante trabalhado e traz fotos da banda, todas as letras e ficha técnica.

É hora de descobrir os encantos que essa mistura da chinelagem adquirida com supra-sumo concentrado e aperfeiçoado disseminada psicodelicamente em papeletes de jovem guarda underground cuidadosamente mesclada com música regionalista gaúcha e pitadas de rock'n roll gringo dos anos sessenta.

Com 18 faixas, a banda que hoje faz cover de si mesma trouxe uma experiência única na vida deste jovem mequetrefe:  um disco que não cansa de tocar na minha vitrola. Só fico preocupado com o fato de, se
ele realmente gastar, como vou encontrar outro, já que está esgotado nas lojas? Acho que preciso me agilizar e providenciar uma cópia de segurança e uma outra em arquivos .flac/mp3 e o caramba por garantia.

Formada por Frank Jorge, Marcelo Birck e Alexandre "Ograndi" Birck em 1987, A Graforréia Xilarmônica tornou-se cult em Porto Alegre em função de uma fita demo lançada em 1988 chamada “Com Amor, Muito Carinho”. As guitarras cacarejadas de Carlo Pianta dão o charme necessário para se fazer a musica atonal também proposta pelo grupo.

Eis que chega, "Literatura Brasileira". Já de cara, Mutley faça alguma coisa e Slave to Love de Bryan Ferry se misturam numa crítica ferrenha aos bananas que escrevem livros de auto-ajuda e afins e tem cadeira cativa na Acadêmia de Letras Brasileira (Pasmem! Até o Sarney está lá! Isso explica muita coisa!).  Ok. Depois de raios duplos e triplos, logo começam as linhas de baixo de "Bagaceiro Chinelão", a narrativa
de um pedinte e a burguesia portoalegrense judaico-mão-de-vaca.  O hit "Você foi Embora", que acabou virando videoclip e tocou bastante na MTV Brasil, coisa meio que miraculosa para uma banda como a Graforréia.

As desventuras da vida a dois e as aflições amorosas como as do Sofrimentos do Jovem Werther de Goethe, estão presentes em todas as partes do disco, sejam elas "Tive Teu nome", "Grito de Tarzan", "Empregada"( você ainda vai repetir: "“Raú Ped'i Lara” pelos alto-falantes da cidade!) , "Minha Picardia", "Patê", "Denis", "Nunca diga" e "Se arrependimento matasse" e "Se você não quis".

Até os Bitous foram lembrados em uma das mais engraçadas sagas adolescentes já presenciadas: Twist é a prova-viva da depressão juvenil bem humorada. Falando em Fab-Four, mais especificamente em George Harrison, a enigmática "Hare" traz o clima intimista ao disco.

Benga velha Companheira é o começo de uma trilogia proposta pela gurizada que conta a fatídica história de um  bon-vivant em suas andanças pelo mundo.

Parem as máquinas. É hora do segundo hino oficial da república riograndense. Ah! parem com essa onda de bairrismo e sejam agraciados com o mezzo milonga mezzo tradicionalismo escancaradamente cômico
traduzido em versos como " O meu destino é Woodstock mas eu chego". Simplesmente sensacional. E viciante! Amigo Punk.

Para fechar com chave de ouro, os tchês fazem um convite um tanto perigoso em tempos de assaltos: (Vamos para o) "Rancho" traz o clima gostoso do interior. O único problema é que além de ti como convidado, tu tem a Xuxa e o Bonamigo na mesma festa. Seja bom ou ruim,  pelo menos tem pizza e limonada! Sim oh! Yes! Meu amor,coração!

A curta discografia da Graforréia Xilarmônica é uma ofensa a criatividade da banda e a boa discografia do rock nacional. “Coisa de Louco II” é um álbum imperdível, pelo menos não tem firulas e nem virtuoses. É simples e direto como todo disco deveria ser e como a gente sempre quis que fosse.

A curiosidade matou o gato!
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