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27/02/2014

Retornando das cinzas

Uma das tarefas mais difíceis para uma banda é a de conseguir produzir algo que não soe como uma reciclagem caricata e datada, mesmo sendo ser fortemente influenciada pela música ou estética de determinada época. Uma das melhores bandas brasileiras da primeira década dos anos 2000, a brasiliense The Pro é um bom exemplo disso.

O post punk dos 80s está no seu DNA, não só nas composições mas no âmago da concepção conceitual e filosófica da banda. Esse espírito é perfeitamente ilustrado pelo título do disco de estreia, “Isso é o fim”, de 2011. E não era blefe. A banda realmente acabou pouco tempo depois.

O vocalista Zé Roberto se mudou para Nova York, os demais integrantes seguiram em outros projetos e o The Pro virou história. Mas, agora está de volta. E pra não fugir das raízes, o retorno está sendo anunciado como uma despedida definitiva.

Para ele, a Brasília que reencontrou está menos receptiva ao inédito. “O que vemos agora são festas só com DJs e bandas covers fazendo o sucesso que os projetos autorais nunca conseguiram. Não me surpreende ver que as bandas covers são formadas pelos mesmos integrantes que formavam as bandas autorais da cidade. O que antes era só uma reunião de amigos, agora é o que recebe mais demanda do público”, e prossegue.

“Sim, isso não é só sobre as bandas, mas também sobre o público que preferiu assim e não se preocupa tanto com músicas inéditas. Tempos modernos, realidade moderna. A facilidade em conseguir música fez com que ela perdesse um pouco da magia. Vi bandas incríveis surgirem quase que ao mesmo tempo em Brasília. Fico honrado de ter feito parte dessa onda mesmo com todas as dificuldades.
Acho que o The Pro deixou sua marca e a música ficará aí pra sempre. E é a música que importa”.


O reencontro do The Pro acontece nessa sexta (28), às 23 horas, no Velvet Pub – 102 Norte, em Brasília. A banda também está presente no volume 1 da coletânea com 30 hits dos anos 2000 que você possivelmente não conhece.

28/12/2013

Popdollkiller: O rock está morto. Longa vida ao rock.

Li, há alguns dias, que o rock saiu do top 30 brasileiro pela primeira vez desde o ano 2000. Tá, mas que bandas eram essas? Rappa, Charlie Brown, Jota Quest, Pitty? Surpresa! Nenhuma nascida de 2000 para cá, né? Qual foi a última banda de rock que nossos pais, tios ou primos que não curtem rock ouviram e sabem pronunciar o nome? Provavelmente, eles não se lembram nem da Pitty. Talvez do Charlie Brown, mas aí não foi por causa da música, mas sim das tragédias ocorridas neste ano. Jota Quest nem deve entrar na categoria rock para quem é menos entendido no assunto.

No meio independente, existe sim muitas bandas de rock produzindo coisas novas e legais. E quem ouve? O público independente que busca coisas novas, oras! A massa mesmo, sempre vai se ligar e ouvir o que está na rádio ou nos programas de auditório. E rádios vivem de publicidade, assim como qualquer veículo de mídia ou casas de shows. Uma pequena porcentagem de rádios topa colocar coisas novas. As maiores preferem não arriscar muito e jogam baixo mesmo. Elas preferem repetir a mesma seqüência de 10 músicas que garantem algum público do que inovar e acabar perdendo alguns de seus ouvintes.

E quem são os ouvintes? Pessoas que querem ouvir músicas fáceis, que falem sua língua, com seus erros, e que se identifique com seus sentimentos. Algo "para cima",  para ouvir enquanto trabalha, tipo Michel Teló, ou canções com palavras bonitas que os faça chorar, como a de Luan Santana. Não precisa pensar muito. Conhecer o público brasileiro é fácil. Basta ligar a TV aberta em qualquer horário, em qualquer dia. Achar que um artista independente do rock nacional fará sucesso entre o grande público é no mínimo ingenuidade.

A minha geração não vingou neste sentido. Nem o CSS, que fazia sucesso internacional, está mais tão bem assim. Tudo bem, acho que a gente não pensava mesmo no grande público. Nunca pegamos o caminho de fazer algo mais radiofônico. Algo que não significa que não havia banda alguma que pegasse bem em rádio. Superquadra, por exemplo, era a banda mais radiofônica de Brasília. Tocava em rádio, a Cultura, quando era comandada por Marcos Pinheiro, que sempre tem um programa de rock na cidade.

Li algumas matérias sobre o assunto e a que me chamou mais a atenção, foi a do Marcos Bragatto, intitulada: A viagem é outra. Nesse texto, acabei encontrando o que não chamaria de erros, mas de certa empolgação exagerada de músicos e produtores. Pode-se sim se manter como banda no meio independente. Neste caso, abra mão de toda e qualquer possibilidade de receber um salário razoável, pensar na aposentadoria, de pensar e falar o que bem entender e de produzir o que bem entender. Parece carreira de esportista. No início pode até pegar. Por alguns anos a coisa pode ser sustentável. Depois vem a corrida para o financiamento público, produção musical, propaganda para outras marcas e até propaganda política. Obviamente, não estou incluindo todos os artistas nesse rol, mas diria com folga que pelo menos 95% acaba assim.

Agora temos um marco histórico, o rock saiu do Top 30 Brasil. Mas isso é apenas o diagnóstico de um sintoma do que vem ocorrendo há tempos. Não sei se aquele rock de fm voltará. Pra mim, nunca fez nem fará falta. Aqueles Top 30 nunca estiveram na minha lista e assim como o grande público eu não sei dizer o nome de uma música sequer do Charlie Brown, do Jota Quest ou do Rappa. Nunca fui a nenhum show deles e ficaria tão aborrecida em ter de assisti-los até a atração principal aparecer quanto se fossem Claudia Leitte. Não uso mais a rádio para buscar coisas novas. Nem assisto a programas de televisão.

Em 2005, quando começamos a tocar com o Lucy and the Popsonics, percebemos que ficar sentados em porta de rádio que toca sertanejo era perda de tempo. Construímos nosso caminho por outro lado. Da mesma forma que outras tantas bandas ou músicos. Não precisamos lamentar a saída do Top 30. Ela só representa a massa que não vai escutar rock. O rock não morreu. Nem morrerá tão breve. Não existe qualquer outra vertente musical com tantas possibilidades para se reinventar. E assim continuará. Se reinventando e persistindo.


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08/08/2013

Especial: Todo esse brilho é reflexo do suor? de quem?

por Fernanda Popsonic*

Já há um tempo que alguns amigos vem me pedindo para falar sobre Pablo Capilé e o Fora do Eixo também. Resolvi há muitos anos deixar isso para lá. Afinal, não é porque eu havia tido problemas, que eu enxergava algo que não gostava, não era uma garantida de que aquilo não fosse bom realmente. Talvez fosse bom para alguém, né? Então, resolvi seguir a minha vida independentemente de qualquer coisa. Afinal, já haviamos nascido assim. Somos a geração Myspace, DIY. Já haviamos chutado um baterista e o substituído por um computador. Haviamos também gravado um disco todo em casa com um microfone de brinquedo e a guitarra desafinada ligada no computador. Nada mais seria um impedimento maior.

Eu vi o Roda Viva dessa segunda-feira. Acho sim que o mídia NINJA tem feito coisas legais e o Bruno sabia o que falava ali. Precisamos sim democratizar nossos meios de comunicação. Mas ali também vi uma organização que não conseguia explicar como era financiada. Era uma contabilidade super-mega-ultra-criativa. Isso não é intriga da oposição, coisa da Veja, do capeta pintado de roxo, golpistas, PIG ou whatever! Tem muita gente que não recebe ali. Eu já passei por isso! Já vi o Pablo Capilé também milhares de vezes pregando o fim dos caches. Artista tem de ser pedreiro! Nada contra os pedreiros, ok? Apenas acho injusto trabalhar de graça, doar trabalhos para uma organização se apresentar em meios políticos e se gabar com meu esforço e sem meu consentimento.

Mas voltando à minha história…

Sim, atrasaram cachês, ou melhor dizendo ajuda de custo. Resolvi no grito, depois fizemos as pazes e coisa e tal. Sempre que ia a Cuiabá era super bem tratada, as pessoas eram sempre super legais e já até dormi em uma Casa Fora do Eixo em um colchão jogado no chão. Sempre achei aquelas pessoas super trabalhadoras e devotas daquele serviço para cultura. Quando você pensa nisso num lugar que fica longe de muitas coisas… vc acha bem interessante. Isso te conquista.

Não preciso de mordomias. Esta não é a questão. Já dormimos em estoque de bebidas de casa de show. Já fugimos de furadas com medo de termos os rins roubados e coisa e tal, rsrs. Ninguém aqui está falando de um camarim com maçanetas de ouro e um quadro do Matisse na parede.

Não posso falar muito do Cubo Card, além dos relatos de pessoas do FDE que diziam que realmente funcionava em Cuiabá. Segundo elas, você pode estudar inglês, fazer compras no supermercado e pessoas viviam de cubo cards. Eu apenas comprei alguns refrigerantes na própria casa, hehehe. Tudo bem, o que importa é que as pessoas sejam mais felizes mesmo e se a coisa funciona é porque está cobrindo a lacuna que faltava. Pelo menos era o que parecia. Quem trabalha com artes sabe muito bem que até numa grande capital temos carências culturais sérias. O que dizer daquelas pessoas que estavam trazendo música e todo tipo de artes para sua casa e pelo menos no discurso a ideia era levar boa música para o resto do Brasil? Justo, não?

Aquilo ali era legal! O Capilé parecia ser alguém muito interessante. Aliás, a qualquer um que me perguntar até hoje eu repetirei a mesma coisa: não concordo com muitas das coisas que ele fala, prega e faz, mas o acho um cara carismático realmente.

Eu discordava de muitas coisas ali. Artistas devem ser pagos sim! Técnicos de som também! Acredito que no Brasil se inflacionam tudo, mas um cachê em reais deve ser pago. Especialmente quando o produtor recebe para fazer um evento. Eles também usam nosso nome, nossa marca, nosso esforço para chamar as pessoas, para movimentar as empresas patrocinadoras e os governos. Se deu pouca gente na casa, dá um pouco, se a Petrobras colocou muito ali, paga-se mais e por aí vai.

As bandas que circulavam… tinham qualidade musical discutível, mas eram politicamente bem articulados. Os melhores tocariam em breve com cachês muito melhores em grandes eventos já comandados pelos caciques do FDE. Eles engoliram a Abrafin. Eles engoliram muitos outros festivais, casas, coletivos, selos, pessoas que trabalhavam há tempos ou foram motivadas pelo mesmos. Mas quem colocava seu suor ali? O FDE colocava sua marca e eles vinham aqui apresentar nos ministérios, os incríveis trabalhos que estavam fazendo pelo Brasil inteiro.

Sim, se não fosse o Espaço Cubo e Fora do Eixo, TALVEZ nem saberíamos que existia alguma banda super legal no Acre ainda. Porém, tenho em mente que o FDE não produz nada. Quem fica 10 horas por dia dentro de um estúdio por um mês somos nós! Quem quase vai a loucura para conseguir fazer alguma coisa somos nós. Quem paga o nosso próprio trabalho independente somos nós, os artistas!

Não posso falar pelos produtores, mas acredito que muitos deles passem pelo mesmo ou perrengues ainda maiores. Li até um post recente do Fernando Rosa. Ele dizia mais ou menos o seguinte: a forma como Capilé fala do que fez pela cena independente é uma afronta a todos nós que estamos trabalhando diariamente para construir isso.

Lendo o relato de amigos eu fico cada dia que passa mais impressionada, mais chocada. Quando eu saquei que o lance era você fazer os trabalhos e colocarem o selo do FDE para sua autopromoção cai fora. Isso há mais de 6 anos atrás.

Em 2007, eu desabafei para um jornalista em um show nosso em São Paulo. Por incrível que pareça foi a primeira vez que não me senti sozinha. Uma outra pessoa me disse “nossa, então você é chamada para tocar num esquema que tem dinheiro público, edital, patrocínio, entrada e não recebe?” Bom, por incrível que pareça esta era uma prática até comum entre os festivais pelo Brasil. A Rolling Stone me ligou e fizeram uma entrevista comigo. Eu respondi.

Num outro dia fui para a aula e comecei a receber ligações de forma muito insistente de fora de Brasília. Sai da sala até meio assustada. Atendi e me falaram o seguinte: se essa entrevista for publicada você pode considerar sua banda enterrada. Enfim, liguei pro Pil (N.E.: Companheiro de banda e cônjuge) e resolvemos conversar com o Pablo Miyazawa que  foi super gentil e super compreendeu. Minha entrevista não foi publicada, mas outras pessoas começaram a dar depoimentos anonimamente e rolou alguma repercussão. Os festivais começaram a pagar caches nesta época. Fiquei com um bom sentimento no fim das contas e resolvi encerrar meu mimimi por ali.

Realmente não queria escrever sobre isso e me aborrecer novamente. Escrevo porque meus amigos acham que pode colaborar a melhorar a discussão em torno de toda essa história. Muita gente se sente trapaceada como eu me senti por algum tempo.

Àqueles que ainda pretendem entrar no ramo, não desistam! Tem muita gente boa produzindo, abrindo casas, pagando direitinho. Tem muito artista novo, o que é bom… oxigena! É isso aê… vamos discutir e melhorar. Depois, bola pra frente, galera! ,)








*Fernanda Popsonic é vocalista e baixista da banda Lucy and the Popsonics

23/04/2013

A década que matou o rock brasileiro

Os últimos grandes hits do rock brasileiro foram Mulher de Fases e Ana Júlia. Músicas que ultrapassaram e muito a barreira das AM, FM e dos elevadores, no Brasil inteiro. Isso foi em 1999, no século passado.

Vários fatores contribuíram para isso. As novidades digitais, ou seja, as inúmeras plataformas e formatos que subverteram de forma inédita o nosso acesso à música e quebraram a perna das gravadoras. Empresas cujos executivos, acomodados em suas fórmulas viciadas, somente se deram conta de sua incompetência quando o novo mundo já havia chegado, metendo o pé na porta.

Banda de rock, que sempre foi um investimento de risco, se tornou inviável. Mas, o que muita gente se esquece é de que eram essas mesmas corporações que faziam o trabalho sujo, de enfiar a mão e os ouvidos na lama, o da triagem.

Paralelamente a isso, começava a tomar forma a rede de festivais independentes, a finada Abrafin. Ora, que maravilha! As malditas gravadoras capitalistas imundas foram finalmente derrotadas. Prenunciava-se, inclusive, o fim do inescrupuloso jabá nas rádios. Um marco na história da música brasileira. Só que não.

Estes festivais, custeados com dinheiro público, tomaram o lugar das gravadoras, que investiam seu próprio dinheiro. A triagem, que antes tinha que buscar algo com potencial para gerar retorno financeiro e compensar o investimento, passou para a mão das curadorias dos festivais. Função remunerada que era rateada entre os próprios produtores da patota, um dava a curadoria pro outro. O público passou a ser mero detalhe dentro de uma alardeada Cadeia Produtiva. Surgia o indie estatal.

O jabá? Sumiu nada. Tomou uma nova forma, ainda mais mesquinha, mais amadora. Era o jabá da conveniência. Os festivais viraram as vitrines para as bandas dos produtores associados da entidade, de amigos de produtores, de irmão de produtor, do amigo do estagiário que vai cobrir o festival pelo jornal X. Tudo isso com muita empada, kibe, cerveja liberada pra todo mundo nos backstages. A festa era mais animada nos bastidores que na frente do palco. Pura alegria, todo mundo bêbado e feliz. O Atacadão das Gravadoras fora substituído pelo Feirão Indie e nós levamos as tomatadas na cabeça. Festivais que deveriam ser meio, passam a ser fim.

E esse pessoal recebia antecipadamente os cachês de produtor ou de curador, não precisavam nem encher seus festivais. Um empreendedorismo risco zero. Pegavam o dinheiro público e garantiam sua parte antes mesmo de vender ingresso. Sem compromisso com nada além de si mesmos, uma infinidade de bandas e artistas ruins, arrogantes, presunçosos, foram repetidamente superestimados pela rede de comunicação cooptada, espécie de puxadinho das editorias de cultura de alguns jornais.

Nessa vala comum, da qualidade duvidosa e da completa falta de critérios, bandas realmente diferenciadas como Charme Chulo ou Superguidis acabaram não recebendo o devido reconhecimento. Outras, como Los Porongas, Móveis Coloniais de Acaju e Lucy and the Popsonics conseguiram pavimentar um caminho próprio, paralelo ao da estrutura indie oficial. E a principal banda do período foi o Autoramas, self-made e independente até os ossos.

Mas, foi pouco. O prejuízo causado pela confraria da boca-livre, ou seja, os produtores e jornalistas agregados da finada Abrafin (e, posteriormente, do Fora do Eixo), foi enorme, irremediável.

Esse bando conseguiu quebrar o vínculo afetivo de toda uma geração com um gênero musical. Aqueles últimos hits nacionais, do Raimundos e Los Hermanos, tem quase 15 anos de idade. Se hoje, esse tal de sertanejo universitário está na boca da garotada, 95% da culpa foi dessa estrutura viciada, incompetente e cega pela própria arrogância. Que conseguiu reunir em si, o que existe de pior no sindicalismo e o que há de mais podre na política. E mais, estão aí até hoje. Mais fracos, irrelevantes, mas ainda estão comendo quietos, farejando oportunidades.

Apesar disso ou até por isso, não deixa de ser interessante observar que a banda que vem lotando seus shows Brasil afora, com público formado em esmagadora maioria pela molecada, seja o Raimundos. Shows cheios, musicas cantadas em coro pela plateia, do começo ao fim. Provavelmente, será a última a consegui-lo. O rock nacional está clinicamente morto.

21/12/2012

Depois do Fim do Mundo


Pois é, chegou 21/12/12, a penúltima data piadinha do século (a derradeira será 11/12/13). Chegou e o mundo não acabou. E já que a vida segue, não poderia deixar de publicar a nova coletânea do blog. Publicação que ao lado do Especial do Roberto Carlos, da Simone “Então é Natal” e dos deslizamentos de terra nas serras, já é uma tradição de fim-de-ano.

Esta é a primeira das coletâneas do R64 que resolvi dar um nome. Também é a primeira com um encarte mais elaborado, com ilustrações do grande artista plástico brasiliense Tiago Botelho, que gentilmente cedeu duas imagens. Merece até uma impressão caprichada, hein?

Nesta edição, participam a revelação gaúcha O Curinga, as cariocas Los Bife, O Padre dos Balões, Os Pazuzus e Lispector. Do centro-oeste, vem a goiana Shakemakers, a cuiabana Imitáveis (que já participou de outra seleção, ainda com o nome de Inimitáveis) e as brasilienses Rebel Shot Party, OS~ (Ostil), Suíte Super Luxo e Mais que Palavras. D Mingus comparece representando Pernambuco. Fechando o disco, uma pauleira-baixaria de 40 segundos e politicamente incorreta dos Gonorants, também de Brasília.

Um recorte bem sortido do atual rock brasileiro. De surf music instrumental ao hardcore vigoroso, passando pela psicodelia, pelo rock’n’roll clássico, pela linha mais pop, além das experimentações e dos crossovers inusitados, cuidadosamente selecionados para se ouvir o "disco" do início ao fim.

Então é isso. Até 2013!

Depois do Fim do Mundo - Vários

1.      O Curinga (RS) – Suspirando ao acordar
2.      Los Bife (RJ) – Rindo de mim
3.      Ostil (DF) – O jacaré e o curió
4.      Rebel Shot Party (DF) – Bombom
5.      O Padre dos Balões (RJ) – Xerazade
6.      Shakemakers (GO) – Nunca mais
7.      Imitáveis (MT) – Telefone
8.      Suíte Super Luxo (DF) – A estação
9.      Os Pazuzus (RJ) – La Diabolica
10.   Lispector (RJ) – Rockstar
11.   D Mingus (PE) – Pra não desesperar
12.   Mais que Palavras (DF) – Um só
13.   Bônus: Gonorants

13/10/2012

Carimbadores Malucos

Uma das coisas mais engraçadas da crítica musical é a dinâmica com que se cria ou se batiza novos estilos. Não que eu acredite que mesmo o rock’n’roll tenha representado, fatidicamente, alguma ruptura definitiva com o que já vinha sendo feito havia décadas. Mas como é inegável que o gênero foi, pelo menos, um dos primeiros fenômenos populares globais produzidos pela cultura humana. Vá lá.

Então. Há um tempo, conversava com um amigo músico quando ele, aos risos, disse que tinha acabado de descobrir, depois de ler uma resenha sobre seu trabalho publicada em um jornal, que tocava em uma banda cujo estilo era stoner rock. Lembrei disso porque tenho uma antipatia muito grande por este estilo, em especial. É muito tosco. Você vê bandas que não tem absolutamente nada a ver umas com as outras, mas a chancela de “stoner rock” está lá, toda satisfeita. Por quê?

Eu comecei a ouvir rock numa época que foi quase o big bang do universo dos rótulos. Punk, pós-punk, new wave, hard core, heavy metal, fora a infinidade de subgêneros, principalmente, dos dois últimos.

Só que naquele tempo, havia um cuidado mínimo na identificação de uma estética comum entre as bandas carimbadas como isso ou aquilo. Hoje não. Virou esculhambação. Preguiça mental ao extremo. Mas, ok, se vivemos o apogeu da “pequena generalização”, devemos reconhecer que esta mostrou a verdadeira cara a partir daquilo que se chamou de grunge. Ou pra ser mais claro, depois do estouro do Nirvana.

As semelhanças entre as bandas definidas com tal, se restringiam basicamente aos cabelos grandes, às guitarras distorcidas e àquelas camisas de flanela xadrez, por sinal, datadas de quase 10 anos antes.... Ali, pela primeira vez, a indústria fonográfica, com a complacência e ajuda cordial do jornalismo musical, escancarou que esse negócio de rótulo serve é pra vender discos mesmo. A banda X é o novo fenômeno de vendas? Dê um nome para esse novo estilo e garanta que um bocado de outras tenham as vendas puxadas por este barbante.

Nos 1990, além do grunge, teve outro. O alternativo. Esse também era muito engraçado porque em um determinado momento, 90% das bandas se diziam alternativas. Pô, alternativa a quê? Como assim??

No final da mesma década, quando o Oasis estourou mundialmente, apareceu um novo estilo nas linhas perspicazes da crítica musical internacional. O britpop. Traduzindo, Pop Britânico. Nossa, que inovador. Ora pipocas, quer dizer que não havia pop na terra dos Beatles e do Elton John? Que incrível!

Os anos 2000 foram inaugurados pelo tal de indie rock. Ah, o indie rock. Os principais nomes desse estilo revolucionário foram/são Radiohead e Strokes. Como assim? O que diabos Radiohead e Strokes tem em comum, senão o fato de serem bandas cujos integrantes jamais entraram em coma ou sobrevireram a um ataque nuclear.... Além disso, ambas eram contratadas de grandes gravadoras, frequentadoras do mainsntream....  Perfil bem distinto daquilo que sugere o nome “indie”, abreviação de independent, não?

A verdade é que, hoje, essa mania é apenas um resíduo das ações de marketing das grandes gravadoras. Entretanto, apesar disso ser tão claro, nossa a crítica especializada ainda os utiliza generosamente. O motivo é muito simples, rótulos são muito úteis para mascarar a ignorância técnica do articulista (e facilitar a corrupção de valores do jornalismo musical em geral). O camarada sente-se desobrigado de fazer tudo aquilo que se espera que ele, de fato, faça. Liberado, por exemplo, da obrigação da análise da construção autoral e estética do artista. É algo que, de cara, já determina o quão rasa, superficial e publicitária será sua crítica. Aí fica fácil demais.

Como disse um velho sábio, após ver seu time ser impiedosamente goleado por um rival. Refrescatus culum patoro, lacuna est.

02/08/2012

Um pelo outro

Acho que desde que comecei este blog  não ficava tanto tempo sem atualizá-lo. Bom, desculpem aí, mas o tempo anda escasso, o blog não é a minha atividade remunerada e tal....enfim. Vamos lá.

Duas das principais bandas do rock brasileiro, e que também assinaram boa parte dos grandes hits de suas respectivas gerações resolveram gravar um split bem sacado onde uma banda regravou músicas da outra.

Teve gente que torceu o nariz, e até blogs que escreveram que o projeto não passava de "caça-níquel".

Chega a ser engraçado quando o cara usa esse manjado termo pejorativo. Ora, qualquer atividade profissional é, em síntese, um caça-níquel. Isso é demérito? Galera se esquece de que Ultraje à Rigor e Raimundos estão no restrito rol dos artistas que ultrapassaram a barreira das AM, FM e dos elevadores (só pra pontuar uma citação infame) sem perder a dignidade ou ofender a inteligência alheia.

Eu achei bem legal, as bandas são muito afiadas, e os hits são todos certeiros. Agrada aos fãs de ambas e apresenta 15 clássicos do rock brasileiro aos mais jovens.


A playlist do álbum é a seguinte

01. Ultraje A Rigor – Puteiro Em João Pessoa
02. Ultraje A Rigor – O Pão Da Minha Prima
03. Ultraje A Rigor – Eu Quero Ver O Oco
04. Ultraje A Rigor – I Saw You Saying (That You Say That You Saw)
05. Ultraje A Rigor – Me Lambe
06. Ultraje A Rigor – Papeau Nuky Doe
07. Ultraje A Rigor – Selim

08. Raimundos – Rebelde Sem Causa
09. Raimundos – Nós Vamos Invadir Sua Praia
10. Raimundos – Ciúme
11. Raimundos – Mim Quer Tocar
12. Raimundos – Inútil
13. Raimundos – Eu Gosto De Mulher
14. Raimundos – Nada A Declarar

Abaixo, as versões de I saw you saying e Rebelde sem Causa. Detalhe interessante é que o baterista do Ultraje à Rigor (Bacalhau) tocava junto com um dos autores da música regravada (Gabriel Thomaz) no Little Quail and the Mad Birds. Tudo em casa.



08/06/2012

Demo R64: Bife à Bolonhesa, da cozinha aos ouvidos em alguns versos


Talvez o prato principal seja servido em alguns instantes. Nada que um bom aperitivo possa ser degustado pelas quase 200 pernas no chão de pubs brasilienses. Não. Esse não é mais um quadro culinário da Ana Maria Braga ou um especial ao estilo "na cozinha com fulano”. Trata-se do inusitado som da Bife à Bolonhesa.

A trupe formada por amigos em encontros casuais no longínquo ano de 2007, fez com que tomasse corpo o entrosamento entre Felipe Moreira (Vocal, Guitarra, Baixo), Ítalo Oliveira (Back Vocal, Baixo, Guitarra),Údine Oliveira (Guitarra) e Wanderson Ferreira (Bateria) .

E se inicialmente eram o “Olho de Vidro”, deixaram a visão de lado e partiram para a gastronomia musical. Com os shows interativos, a gurizada se torna aos poucos o prato principal da música candanga nestes últimos meses.

A curiosidade deste que vos escreve ficou maior ainda ao descobrir o porquê de ser “Bife à Bolonhesa”. O baterista tratou de esclarecer: quando a fome e um amigo contador de vantagens se juntam e fazem parte do teu cotidiano, tudo pode ser um bom mote para um nome.  Nesta ligação, quando se propuseram a tocar a sentença estava dada: “Tudo bem, mas só se o nome for Bife à Bolonhesa no restaurante do pai do Jonathan" (sim esse já foi o nome da banda). Foi ai que as abreviações vieram até chegar ao molde atual, sem a alcunha de refeitório paterno do pequeno guri.

De acordo com Wanderson, a busca pelo entrosamento foi surgindo com o tempo. “Os integrantes foram se encontrando através da vida, nunca foram feitas audições ou buscas desesperadas para completar as lacunas na banda, talvez por isso os garotos se sintam tão confortáveis quando sobem ao palco. Foi criado um vinculo de fraternidade tão forte, que nenhum capricho é capaz de enfraquecer”, afirma.

As influências vão de Jimmy Hendrix aos Beatles passando efetivamente por Mutantes e Raul entre outras bandas que marcam a história dos músicos. As composições refletem o cotidiano e os dilemas joviais, nada mais atual do que cantar em coro: “Você pode mudar de idéia e não ir naquela festa” como afirmam em “Resposta” ou até mesmo na rauzistica “Abstinência não dá certo”: “Eu só quero ver o que a vida me reserva”.  Enquanto o prato principal da Bife não chega aos ouvidos, os petiscos soltos pelas redes sociais tampam o buraco deixado pela lombriga de “quero mais”.

Em breve, você também saberá que Bife à Bolonhesa  não é só aquela iguaria italiana. E sim, um bom motivo para colocar um headphone e ouvir a criatividade juvenil!

Ouça: http://tnb.art.br/rede/bifeabolonhesa
Curta: https://www.facebook.com/Bifeabolonhesa

04/06/2012

InstaMoveis

Acabou de sair o clipe da música Vejo em teu olhar, da banda Móveis Coloniais de Acaju. Produzido com a colaboração dos fãs, o vídeo é todo feito com fotos enviadas por internautas durante campanha promovida pela banda.

O diretor Steve ePonto rompe com o lugar comum dos clipes de montagens com fotos, e faz um dos audiovisuais mais interessantes (e visivelmente trabalhoso) que tive a oportunidade de ver nos últimos tempos, vale a pena assistir. Foram utilizadas mais de 6 mil fotos do Instagram.
 

09/12/2011

Coletânea R64 2011


Os leitores mais antigos já estavam estranhando. Mas a verdade, é que em 2011, não tive tempo para garimpar bandas como fazia antes, quando publicava 4, 5 coletâneas no decorrer do ano. A sorte é que como a audiência por aqui mais que triplicou nos últimos tempos - em 2011, tive picos de mais de 90 mil acessos/mês, o que é pouco se comparado a muitos sites porém inimaginável pra mim quando comecei a editar o blog - muitas bandas enviaram material e isso facilitou muito a seleção para esta nova coletânea, a única do ano.

Participam o Lucy and the Popsonics, banda que vem se destacando no cenário nacional e cujo último disco, Fred Astaire, figura facilmente entre os melhores lançamentos do rock brasileiro nos últimos anos. A revelação cearense Selvagens à procura de Lei, vencedora do concurso para abrir o festival Planeta Terra 2011, e uma banda de grande potencial radiofônico. Também retorna às copilações com um single inédito, a Sociedade Bico de Luz, hoje a melhor banda do Rio Grande do Sul e cujo disco, Doe rock ao Emocentro, é um verdadeiro caminhão de hits.

As brasilienses Enema Noise, The Neves e Mary Stuart, a paulista The Snobs, além dos Gametas (RJ) e da Helvéticos, de Santa Catarina, completam essa coletânea.

Uma amostra do rock de qualidade produzido no Brasil, mas ainda desconhecido do grande público.


Coletânea R64 2011

1. Selvagens à Procura de Lei (CE)  – Mocambo Cafundó
2. The Snobs (SP) – Sublime à espera do inferno
3. Sociedade Bico de Luz (RS) – Sou feio e moro longe (mas tenho uma banda)
4. Gametas (RJ) – Carne de segunda
5. Helveticos (SC) – Mais uma dose de você
6. Enema Noise (DF) – Dangerous desire
7. Lucy and the Popsonics (DF) – Fred Astaire
8. Mary Stuart (DF) – Love submission
9. The Neves (DF) – Doce saudade

>>>BAIXE AQUI<<< ou >>>OUÇA NA ÍNTEGRA<<<

29/09/2011

R64 Brasil: Bela independência, hein?

Há muito tempo venho falando do descabimento que é a existência de uma rede política abastecida e alimentada por recursos públicos originalmente destinados à cultura.

Essa panelinha, que começou a tomar forma nos idos de 2000 e que no fim da década havia se transformado em um monstrengo voraz, não conseguiu revelar sequer uma banda ou artista minimamente relevante em mais de dez anos de atividades. Mas, isso não é empecilho para que os eventos ligados ao circuito Fora do Eixo continuem a ser contemplados generosamente pelos editais da vida.

A verdade é que se criou uma rede obscura formada basicamente por produtores, seus agregados e por uma dedicada rede de comunicação formada pelo que costumo chamar de Série B das editorias de cultura dos jornais. Aqueles jornalistas cuja opinião é trocada por rango e birita nos backstages desses festivais (rango e birita financiados também por recursos públicos, diga-se) ou por credenciais, discotecagens e entradas francas em festas promovidas pelos mesmos produtores.

Mas, o que me assusta de verdade é que aquilo que antes era apenas insinuado, hoje é assumido e divulgado sem o menor pudor. A foto da postagem, em que o gestor do Fora do Eixo, uma beldade chamada Pablo Capilé aparece ao lado do ilibado José Dirceu, foi publicada pelo próprio em seu twitter e ilustra bem o que é esse circuito Fora do Eixo.

Não, amigos, não é uma associação mecenas que procura difundir a cultura nacional de forma abnegada como dizem. É um grupo político, apesar de financiado por leis de incentivo à cultura, com objetivos que passam longe das demandas do setor cultural. Simplesmente, porque não há preocupação nenhuma com a cultura. Como todo grupo político, o que o Fora do Eixo faz é brigar por frações de poder e por dinheiro.

Formô, mano, é nóis
A minha pergunta é a seguinte. Até quando essa cena indie-estatal continuará sendo financiada pelo Estado brasileiro? Até quando essas pessoas continuarão a ser tratadas como bastiões da cultura?

Em 2011, algumas das principais bandas independentes brasileiras encerraram as atividades por necessidades financeiras. No entanto, os produtores ligados ao esquemão indie-estatal continuam firmes, fortes e sorridentes, sem dar sinal nenhum de insatisfação com o quadro atual. A dúvida é: Até quando?

28/09/2011

R64 Brasil: Punk rock brasileiro perde seu ícone

Cólera em ação, nos idos de 82. Ícone do punk rock brasileiro
Hoje (28/9), recebi com muita tristeza a notícia do falecimento do Redson, líder da maior banda do punk rock brasileiro, a paulistana Cólera.

Não consigo expressar em palavras toda a importância que o Cólera teve em minha formação como pessoa. Impossível. Provavelmente, eu nem teria este blog ou mesmo as preocupações e indignações que norteiam as postagens mais críticas.

O Cólera era a banda que dizia, tente mudar o amanhã. O amanhã chegou. Nosso mundo mecânico, mundo eletrônico cada vez mais nos faz esquecer de que somos vivos, mas nascemos sempre que erramos.

Uma banda que publicou em um encarte de disco, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Que tentava nos lembrar de que nós não nascemos para guerrear, que às vezes temos medo e que muita gente mente, que muita gente dá a mão só para empurrar.

Nas ruas, os vira-latas continuam se mordendo porque não sabem conversar. Então, deixe sua cabeça funcionar, dê uma olhada para essas vidas largadas ao crack nas calçadas das cidades, e descubra onde estão os direitos de viver. Eles não existem mais.

Mas, ainda assim, precisamos nos preocupar com toda a humanidade, com todas as vidas em geral. E devemos ter cuidado para não nos tornarmos homens bobos controlados, pra seguir, pra parar.

Tive o privilégio de assistir a alguns shows do Cólera, em fases distintas da carreira. Sempre em ritmo alucinante. Hoje, o rock brasileiro perdeu seu grande herói e o punk nacional, seu ícone. Obrigado, Redson.



P.s.: Os trechos grifados são referências ou trechos de algumas letras do Cólera. Quem conhece, sabe quais.

28/07/2011

Gatas de Porão (do Rock) - 15 Faixas

A edição de 2011 do festival Porão do Rock acontece nesta sexta e sábado, em Brasília. O 15 Faixas especial de hoje traz duas garotas “papo firme” que estão entre as principais atrações nacionais do line up.

Érika Martins, que também é a voz feminina do Lafayette & Os Tremendões (com o marido Gabriel Thomaz, do Autoramas e Little Quail). Ex-líder da banda Penélope, é dona de uma das melhores vozes da música brasileira.

Também participa, a Fernanda Popsonic, vocalista do trio Lucy and the Popsonics, uma das principais bandas independentes do Brasil.

Cada uma escolheu 15 faixas entre as favoritas de seus players e comentaram para a gente.

Fernanda Popsonic


1. High School Lover - Air
Essa faixa é do filme Virgens Suicidas, dirigido por Sofia Coppola. Não sei por quem me apaixonei primeiro, pelo filme ou por esta música.
2. The Lucky One - Au Revoir Simone
Foi por causa desta música que comecei a gostar de Au Revoir Simone. "So let the sunshine let it come to show us that tomorrow is eventual". Também acho!
3. Modern Drift - Efterklang
Gosto de tomar café-da-manhã escutando essa música. Conheço pouco sobre a banda, mas esse disco é ótimo para ser deliciado com café e um pão quentinho.
4. Isobel - Björk
Quando eu tinha 13 anos fui impactada pela Björk e Michel Gondry com este clipe, dentre vários outros, claro!
5. Get Some - Lykke Li
Se depender de mim eu danço uma noite inteira com esta música em Loop. Que voz é essa? Obrigada Lykke Li, por existir!
6. When I Grow Up - Fever Ray
Projeto solo da Karin Dreijer, uma das partes do The Knife. Gosto de the Knife. Foi difícil parar de escutar esse disco.
7. Iron Man - The Cardigans
Gosto de versões inusitadas. Essa é uma. Foi minha inspiração para Refuse/Resist do Sepultura.
8. Feather - Little Dragon
Amo esta banda. Eu a escuto há uns 2 anos e meio. Já a vi tocar nos EUA, os conheci pessoalmente e ainda não me cansei.
9. Ooh La La - Goldfrapp
Essa banda é uma das mais Pops que eu conheço. Sempre a escuto e seria injusto deixá-la de fora dessa lista.
10. No Future Shock - TV on The Radio
Há um tempo tenho andado num estado muito TV on the Radio se é que me entende, hehehe.
11. Sun is Down - Yoko Ono Plastic Ono Band
Música eletrônica experimental. Assisti no SXSW 2011, em Austin, Texas. Troquei umas palavras com a Yoko Ono e só posso dizer que ela é sensacional!!!
12. Heart of Glass - Blondie
I Love you Debbie Harry!!! Essa faixa tocou no meu casamento. Antes disso, já a amava desde sempre!
13. Pareço Moderno - Cérebro Eletrônico
Cérebro Eletrônico é uma das bandas mais interessantes do Brasil. Gosto muito de seus discos, shows e de cada um deles.
14. Bitter Breakfast - Wry
Conheci o Wry quando entramos para a Monstro Discos. O Fabrício Nobre sempre falava muito bem. Acabei me encantando.
15. Office-Boy - Bonde do Rolê
Essa é com certeza uma das músicas brasileiras mais sacanas que já ouvi. Eu a acho divertida.


Érika Martins


1. The fairest of the seasons - Nico
Cantava na banda acústica que eu tinha antes da Penélope. Amo o timbre da voz dela.

2. Suzy is a headbanger - Ramones
Obrigatória numa discotecagem.
3. Debaser - Pixies
Clássico! Dá sempre vontade de sair dançando quando escuto.
4. Candy - Iggy Pop & Kate Pierson
O dueto mais incrível de toda a história do rock. As duas vozes se entrelaçaram, combinando perfeitamente.
5. Birthday - Sugarcubes
Foi a primeira música que escutei a Bjork cantar e me apaixonei na hora!

6. In My Life - The Beatles
Letra linda! sempre me emociona.
7. Luz - Perrosky
Uma das últimas músicas que ouvi e que me tocou muito...acho que estou vivendo bem este momento na minha vida...Luz;)
8. Low down man - Squirrel Nut Zippers
Quem me mostrou pela primeira vez foi o Tom Capone e eu gostei tanto da banda que ele me deu o disco na hora!
9. A História da Vida de Cada Um - Autoramas
Acho a letra ótima, todo mundo se identifica, né?
10. Amor - Tom Bloch
Canção linda da banda gaúcha. E sou uma fãzaça das letras do Pedro veríssimo.
11. 100% -  Sonic Youth
As guitarras mais bacanas da história do rock!
12. Grilos - Erasmo Carlos
Adoro muitas canções dele, mas essa foi minha preferida durante muito tempo.
13. Eu e Você - Brazilian Bitles
Gravei para a trilha do filme da Grande Família e passou a fazer parte do que escuto com frequência.
14. Hanging on the telephone - Blondie
Debbie Harry é uma deusa do Rock!!!!
15. Só Penso no Meu Bem - Ecos Falsos
Gravei com eles essa música excelente.

Érika Martins e Lucy and the Popsonics se apresentam no palco Chili Beans, do festival Porão do Rock, no sábado (30). A programação completa está aqui.

20/04/2011

15 Faixas: Sociedade Bico de Luz

Sociedade Bico de Luz
O 15 Faixas de hoje é com a guaibense Sociedade Bico de Luz, uma das maiores promessas do novo rock brasileiro cujo álbum de estreia já tem mais de 1.000 downloads no blog, atrás apenas do Little Quail ao vivo no Porão 2009, que foi baixado mais de 2.000 vezes por aqui.

A banda fez um show bastante comentado no festival El Mapa de Todos, que rolou em Porto Alegre entre os dias 12 e 14 de abril. Uma apresentação que contou com participação ativa do público presente, que cantou junto em quase todas as músicas.

O vocalista Igor Almeida revela boa parte das influências da mais nova fábrica de hits do rock brasileiro. A banda se completa com Thomas Nasário (gt), Orley Taege Jr. (gt), Cláudio Busatto (bx) e Ádamo Ovalhe (bt).

Clique no título das músicas para ouvi-las.


Vera Loca - Meus Amigos
Acho que essa música resume muito bem a fase que estou passando. Depois que a gente passa dos 30, tudo fica mais calmo, mais tranquilo e creio que (pra mim) essa música passa essa mensagem de que mesmo atochado de merda até o pescoço, estando um pouco muito acima do peso, sendo feio, essas coisas já não soam mais como preocupação.
Autoramas

Charme Chulo - Mazzaropi Incriminado
Cresci com o meu vô e ele vendo filmes do Mazzaropi na TV Cultura, nos sábados à tarde. Mesmo depois de muitas décadas, creio que ainda seja o melhor/maior comediante brasileiro. Só isso, acho que o Mazzaropi, a Charme Chulo, tem tudo a ver.


No Brasil, na minha ignorante opinião, existe o Autoramas e o resto. Ninguém consegue transformar o cotidiano em canção melhor do que eles (sem imitar ninguém ou seguir modinha indie/emo/hype cagada).

Autoramas - Já cansei de te ouvir falar
"Eu quero ser o que nunca existiu, ter ambição pelo que nunca ninguém viu, imitar alguém que eu nunca conheci. Ter inveja do que eu nunca ouvi falar, ter algo que eu não sei o que é mais que eu possa usar, pra me ensinar o que eu nunca aprendi."
Bidê ou Balde

Autoramas - Gente boa
Só porque estamos cercados por pessoas que só querem usar o teus ombros de escada não quer dizer que no mundo ainda não exista gente boa.

Bidê ou Balde - O Antipático
Muitas pessoas interpretam a verdade não como aprendizado, mas como ofensa. Mentira hehehehe, às vezes é válido ofender também, ainda mais quem não valoriza valores e se auto-crema na vida em si, no dia-a-dia.

Dead Fish - Zero e Um
Existe a vida virtual, existe a vida real. Sempre é bom dosar.

Frank Jorge - Vida de Verdade
A melhor música, do melhor compositor gaúcho de todos os tempos. Essa canção soa pra mim como um "pense alto, pois mesmo não atingindo o objetivo já é muito mais longe do que ter ficado no mesmo lugar". Passei longe, @FrankJorge?

Fresno - Seu namorado é um Idiota (demo)
Essa música prova que QUALQUER pessoa, desde que acredite no sonho, foque um objetivo, aprimore-se, possa ter uma banda de sucesso.

Maria do Relento - Ritmo de Festa
Um sonho meu de criança sempre foi ir no programa Silvio Santos, mas né... só entra mulher. Essa música da Maria do Relento te dá dicas para burlar o sistema e tentar ganhar um aviãozinho de 50 reais no auditório do Topa Tudo por Dinheiro.

Milionário e José Rico - O Tropeiro
Uma das minhas maiores influências musicais. Cresci ouvindo sertanejo roots e qualquer música do M & JR me emociona, mais por me remeter à infância do que pelas letras. "O Tropeiro" caga a pau qualquer rockeiro que pensa que vive uma vida libertina (de pau mole).

Cascavelletes - Menstruada
"Menstruada, mas mesmo assim eu vou transar". Quem aqui, né amigo?
Érika Martins (ex-vocal da Penélope)

Penélope - Ciranda da Bailarina

A bailarina é perfeita. Os seres humanos não.

Teixeirinha - Tordilho Negro
O Faroeste Caboclo gaudério. Junto com Canto Alegretense e Castelhana, formam a trilogia musical gaudéria equivalente a Blitzkrieg Bop. Desde a criança mais nova até o ancião mais velho da família devem saber pelo menos cantarolar umas duas frases.

Fugueti Luz - Nosso Lado Animal
Eis aí o cara que plantou a semente do rock no Estado do Rio Grande do Sul. Fundador das primeiras bandas do RS, se preocupou mais em tocar rock, falar do dia-a-dia, do que ficar fazendo musiquinha de amor pra ficar famoso. Fundador da Bicho da Seda e da Bandaliera, é autor de clássicos do Rock Gaúcho como Campo Minado, Rockinho, Viva a Nossa Vontade. Ele sim é o pai do rock no RS. Aquela cambada rockstar de bairro lá da Av. Independência deveria agracedecer aos céus por ter existido esse vivente. (onde ele anda? Ninguém sabe, uns dizem que vive em um sítio no interior de Camaquã).

03/03/2011

R64 Brasil: 15 Faixas - Mombojó

Mombojó
Hoje, o blog inaugura a seção 15 faixas, onde uma banda, artista ou alguém ligado à música apresenta e comenta a sua lista com 15 músicas do rock brasileiro. Na estreia, a banda recifense Mombojó. Uma das carreiras mais consolidadas da música independente atual, com quase dez anos de trabalho, três álbuns nas costas (o último, Amigo do Tempo, foi lançado em 2010) e muitas histórias na bagagem.

Abaixo, a lista comentada de Chiquinho (teclado e sampler), Felipe (vocal e guitarra), Marcelo (guitarra),  Samuel (baixo) e Vicente (bateria), o Mombojó. Exclusivo para o RockBsb64.

Clique no título das músicas para ouvi-las.

Eu tenho pressa - Devotos
Eu acho que 9 de 10 bandas que surgiram em Recife no final dos anos 90 abriam seus ensaios tocando essa música. Na época, todo mundo conseguia tocá-la por conta das suas 3 notas. Poucas notas, grande música.
Devotos do Ódio

Punk Rock, Hardcore Alto Zé Do Pinho - Devotos
Essa é meio que um hino da nossa geração em Pernambuco. Fala de um bairro do Recife que na época eu nem imaginava direito do que se tratava. Sempre associei o Alto Ze do Pinho como mais um bairro violento da periferia do Recife. Hoje em dia a gente fica de cara como o movimento das bandas do alto conseguiu mudar a cara do bairro todo. Há tempos que o Alto Zé do Pinho é sempre associado a coisas muito boas.

O Vento - Los Hermanos
Eu acho que essa é a grande musica do Los Hermanos. Sabe aquelas coisas que você pensa: "porra, queria ter feito essa musica antes"?

A Bola do jogo - Mundo Livre S/A
No meio do movimento mangue tinha que ter uma balada romântica. Era massa ouvir música com a linguagem e ótica da nossa região.

O Carimbó/Côco Assassins (Bailado Capenga) - Nação Zumbi
Essa musica é foda... das melhores da Nação. Marca muito uma época de reafirmação da banda sem Chico. Aponta pra frente.
Roberto Carlos

Você não serve pra mim - Roberto Carlos
Essa é uma música que foi imortalizada pelo Rei Roberto Carlos, isso já justifica sua entrada nessa lista. Um rock de primeira que faz parte da cultura passada pelos nossos pais.

Anarquia – Ronnie Von
Uma música muito boa que nos conquistou pela sua letra e pela versão gravada por Ronnie. Gostamos tanto dessa música que ela entrou no nosso repertório.

A minha menina - Mutantes
Poderia botar bem mais de 15 musicas dos Mutantes nessa lista. Apesar da musica ser de Jorge Ben, acho que ficou muito marcado ao som dos "doidões". Os timbres são todos bons pra caralho.
Chico Science

Manguetown – Chico Science e Nação Zumbi
Um dos maiores clássicos da música pernambucana, pode botar pra tocar que a turma vai pular....

Macô – Chico Science e Nação Zumbi
Música muito boa, procura uma figura muito bacana e importante pra Pernambuco: Rogê!

Da Lama ao Caos – Chico Science e Nação Zumbi
Sem dúvida a música que mais vibramos vendo shows da Nação Zumbi.

Meu erro – Paralamas do Sucesso
Esse é o famoso: "Respeite os clássicos!"... Quem nunca tocou essa música quando começou a tocar violão ou guitarra? hehehe. Às vezes eu penso como é doida essa vida de músico. A gente viaja por ai, às vezes tocando as mesmas músicas, todo dia num lugar diferente, pra um público diferente. Imagine quantas vezes Herbert Viana já cantou: "eu quis dizer/ você não quis escutar... hehehe.

Umbabarauma – Soulfly
Essa já era um rock muito bacana e bem brasileiro na voz de Jorge Ben, nada como um rock falando de futebol. Ganhou mais força ainda quando foi gravada por Soulfly.

Refuse/ Resist – Sepultura
Perdi a conta de quantas vezes ouvi e gritei essa música. Metal do bom.

Mantenha o respeito – Planet Hemp
Com riff e refrão marcantes, abriu nossa cabeça sobre um assunto bem importante. Clássico!

24/12/2010

Que venha 2011

Não sei pra vocês, mas 2010 passou voando por mim. Foi um ano que marcou a entrada definitiva de Brasília no circuito de shows internacionais, apesar dos preços absurdamente abusivos.

Um ano bom também para os independentes. Os coletivos de banda se consolidaram, o festival Rolla Pedra se afirmou como o segundo grande festival do DF, ao lado do Porão do Rock. Este mostra sinais claros de decadência e sua curadoria deveria repensar seus obscuros critérios de seleção (fundamentados desde o início no QI – Quem Indica – das bandas). O resultado é que duas das bandas mais promissoras e de certa repercussão no meio independente, como Velhos & Usados e Gonorants, se dissolveram em 2010 sem nunca ter tocado naquele que se proclama o “maior festival de música independente do Brasil”. Incapaz de uma autocrítica, o Porão do Rock vai se confirmando como um dos principais desmotivadores do rock brasiliense.

2010 foi também o ano em que o Rock Brasília, desde 1964 se nacionalizou definitivamente. Foram três coletâneas com bandas de vários estados, muito bem recebidas, diga-se. O blog fecha o ano com mais do dobro da audiência do mesmo período de 2009.

Então, agora farei uma pequena pausa para as férias. Aproveitem para conhecer as 10 músicas nacionais de 2010, os 10 discos internacionais e as últimas coletâneas. Além, é claro, de relembrar algumas histórias do rock brasiliense ou baixar uns discos novos ou clássicos.

Desejo para todos que passam por aqui boas festas e um 2011 repleto de belas surpresas para todos nós!

Valeu, até o ano que vem!

21/12/2010

10 músicas de 2010

As 10 músicas que mais curti em 2010 sem ordem de preferência. Para ouvir, clique no nome da música. Lá vai:


Vice – Enema Noise
O Enema Noise é uma das melhores bandas de rock pesado do Brasil. Guitarras arrasadoras, vocais saturados de efeitos, bateria porrada. Esse é o lado B do single Barbwire. Pauleira, mas que roda com desenvoltura tanto no player de casa, quanto no palco de um show ou na pista de uma balada. Ponto para Lamim e seus comparsas de maldade.

Good old Johnny – Turrón Presidencial
Banda que descobri no apagar das luzes de 2010. Rock eletroacústico sessentista com pé no folk. Sonoridade agradável, instrumental redondinho, ótimos arranjos e vocais muito bem trabalhados. Ótima surpresa que incluo sem medo entre as minhas músicas preferidas de 2010.

Virtual Vinil – Casa de areia
É legal quando uma banda resolve seguir um caminho totalmente distinto da regra mainstream e da regrinha indie. Nessa música a banda faz um sopão de referências que vão de Jesus and Mary Chain, passa pelo pré-grunge do Sonic Youth. Bom BG para tuítadas insones.

Indivíduo – Velhos e Usados
O Velhos e Usados tinha um diferencial interessante. Gostavam de experimentalismos de estúdio, aquela coisa de laboratório mesmo. O resultado foi um hard rock com elementos eletrônicos, de guitarras poderosas, cozinha arrasadora e vocais muito bons. A banda acabou no fim do ano, mas a obra fica.

Tereza – Todo começo tem um fim
Quem acha que não existe banda com potencial pop no meio independente, está redondamente enganado. A niteroiense Tereza é um dos exemplos mais claros disso. Rock despretensioso, dançante e de refrões que pegam.

Superguidis – Não fosse o bom humor
Instrumental poderoso valorizado pela excelente produção de Philippe Seabra e, à frente, um vocalista excelente. A letra pode não ser daquelas que se sai cantando de primeira, mas tem simpatia pop e honestidade rocker.

Sociedade Bico de Luz – Eu tenho uma banda que quer ser Strokes
A maior fábrica de hits do rock independente brasileiro. A música é sensacional. A interpretação do Igor Almeida e a brincadeira com os arranjos são geniais, na falta de outra palavra.

Lucy and the Popsonics – Multitarefa
Nervosismo, ansiedade, tensão, urgência urbana. A banda retrata esse cotidiano terrível fazendo piada consigo mesma nessa música. Guitarras distorcidas, letra angustiada e refrão cuidadosamente açucarado. Sem perder o vigor.

Cassino Supernova – Deustch Küshen
Outro single lançado no finzinho do ano. Rockão, com pé nos 1970, com bom refrão, instrumental afiadíssimo e vocal diferenciado. Banda promissora.

Cabeza de Panda – Café e pasta de dente
A música é quase uma “A day in the life” versão tropical. As referências à psicodelia sessentista, de Beatles e Brian Wilson, no entanto, não deixam que esse lamento urbano pós-ressaca caia na vala comum das cópias.

20/12/2010

10 discos internacionais de 2010

por André X*

Fim de ano e é uma enxurrada de listas de top 10 daquilo, top 100 de outro. Não vou ficar de fora dessa e inicio aqui, no Feiçebuke, meus discos favoritos lançados em 2010. A maioria que tenho lido me deram a impressão que o ano foi muito fraco. Vide a do Estadão, por exemplo, totalmente tendenciosa, com um monte de obviedades pseudo-souls e escolhas padrões para jornalistas que querem se mostrar ligados.

Aliás, que bom que não sou jornalista, assim não tenho a obrigação de colocar o Arcade Fire em nenhuma lista a não ser naquela onde eu anoto o que não comprar. Mas, cada lista é reflexo da pessoa que a escreve, então não vale criticar muito. O que seria do amarelo se todos fossem daltônicos, né? Seguem, os top 10 de dois mil e 10.

1. Shit Robot – From the Cradle to the Grave.
Mesmo se a música não estivesse à altura da capa e do nome do disco, esse lançamento do DFA mereceria entrar na lista pela capa e o título. Sons analógicos, vocais secos, dançante, mas sem soar maçante. Foi um dos discos que mais usei para dirigir por Brasília em 2010. Nada de alegrinho, mesmo destinado às pistas. Tenho certeza que agradaria aos old-school electro freaks.

‎2. LCD Soundsystem – This is Happening.
Ok, esse tá em qualquer lista de fim de ano. Vi a menção tanto no Estadão, como no NME e no blog do Zé das Couves. Porém, contrariando Nelson Rodrigues, o disco é bom. Consigo ouvir muito Eno, da fase Here Come the Warm Jets, em todas as músicas e arranjos, mas deve ser paranóia minha, pois mais ninguém faz essa ligação.

3. Grinderman - 2. Segundo disco da banda paralela do Nick Cave. Parece um Jam session de roqueiros antigos tocando pelas suas vidas. Tudo coroado pelas excelentes e bem boladas letras no mestre cavernoso. Algum dia o Nick Cave ainda vai me decepcionar, mas por enquanto só tem acertado em cheio.

4. Time and Space Machine – Volume 3. Como os outros discos que trazem re-edits de músicas psicodélicas e malucas, esse é uma pérola. Guitarras distorcidas, barulhinhos esquisitos, vocais hipnotizantes e, ainda por cima, feito para animar festas, manter os malucos na pista de dança. Altamente recomendado.

‎5. The Phanthom Band – The Wants. O segundo disco dessa banda escocesa que teima em elevar o nível do indie rock. Para ser ouvido bebendo um bom scotch. Dessa vez, acertaram em cheio com a utilização de umas bases programadas, mas sem perder o ar highlander. Fica melhor a cada ouvida.

‎6. The Soft Pack. Esses americanos se chamavam The Musslims. Por razões óbvias, mudaram de nome. Não se deixe enganar por esses carinhas vestidos como caretas, com direito a suéter sobre os ombros (arg!). Indie rock americano como não se fazia desde Husker Dü.

‎7. Moon Duo – Escape. Sonic guitar trip para aqueles que gostam de um mantra sônico e barulhento. Repetitivo somente se você não estiver na onda certa. Só quatro músicas? Não! Quatro viagens pelo cosmo de seu consciente.

‎8. Aeroplane – We Cant’t Fly. Depois de remixar muita gente < (Grace Jones ("William's Blood"), Friendly Fires ("Paris"), Sebastien Tellier ("Kilometer"), entre outros>, ganhando destaque como mestres produtores, esse duo belga lança seu primeiro LP. É eletrônico, sim, mas tem umas guitarras que deixariam o David Gilmore com vontade de voltar ao primário.
 9. Jamaica – No Problem. Uma banda que lança uma música chamada I Love U2, que não tem nada a ver com a banda irlandesa e ainda coloca um sósia do Bono no clipe merece um destaque aqui. São franceses, beberam na fonte do Ed Banger e Daft Punks, mas tem um quê de rock.


10. Silver Columns – Yes, and Dance. Esse é um dos discos eletrônicos mais bem produzidos que ouvi recentemente. Muitos detalhes, muito cuidado nos arranjos, muita diversão.







* André X é, entre outras coisas, baixista-fundador da Plebe Rude e DJ.
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