(leia a primeira parte aqui)
por Zeca Domingos
Eu sei que eu já falei um pouco dos anos 1990, mas alguns detalhes, como o link deles com o início do século 21, são bem importantes e não poderiam ser esquecidos.
Como eu disse em meu último post, toquei em algumas bandas do cenário daquela década, e tive oportunidades únicas: Na época em que toquei com o Succulent Fly, o Anderson (vocal) junto com o Vítor – da primeira grande produtora de shows desta cidade a Look Like Produções, alguém se lembra? Eles trouxeram o Fugazi para tocar no Teatro Garagem, com a nossa banda de abertura.
Bandas de rock, para mim, são locais de aprendizagem. Sério, sem demagogia. Se você me perguntar sobre uma banda, pergunte o que aprendi que eu lhe conto. Com o Succulent Fly eu aprendi, por exemplo, que uma banda que quer tocar faz o seu próprio show, arma o seu próprio esquema. Aliás, isto ocorria também com os Animais dos Espelhos e com o Divine – esta última trouxe pra tocar em Brasília, o Superchunk, Fellini e Luna.
Ainda no primeiro lustro dos anos noventa (que chique! Lustro = 1/2 década! - NE.: Zeca, isso me lembra que tanto eu quanto vc tivemos uma banda chamada Cultura Inútil, hehehe) O rock de Brasília pós-Legião mostrava sua cara. Neste sentido a Rádio Cultura FM e seus programas – Cult 22 e Ideia Nova – serviram, e muito, para a manutenção da cena rock daquela época. Na verdade, tínhamos um espaço de circulação de idéias bem legal: rádios, jornais (suplementos semanais e a ousadíssima iniciativa do jornal Via-Skalla, especializadíssimo em rock ) e ainda os fanzines que tinham sua força, como o Tupanzine do Ricardo Tubá do Guará, o do Claúdio Bull e tantos outros.
Naquela mesma época tiveram vários grandes shows, e participei de alguns deles: Burning Garage e o show do Second Come – ambos produzidos pela Look Like e com participação das guitar bands ( eu mesmo não gostava muito desde rótulo, mas vá lá...): Animais dos Espelhos, Oz, Sunburst e Low Dream. Este mesmo grupo de bandas tocou algumas vezes no Guará no Lord Dim Pub, um espaço alternativo lá daqueles lados.
Ainda neste tema, é necessário lembrar do cassete coletânea Cult Cover Demo. Projeto originalíssimo da Cultura FM que reuniu as bandas mais significativas naquele momento e cada uma gravou um cover inusitado. O resultado foi interessantíssimo: DFC tocando Boys dont Cry; Little Quail tocando o tema de Stock Car e outras loucuras superlegais. O show de lançamento foi uma celebração com todas as bandas no Teatro Garagem entupido de gente, numa combinação louca: Guitar bands juntos com bandas de HC, metal e o Mata Hari! Foi um festival de moshs.
O rock em Brasília e no Brasil estava numa rota impossível. Em relação aos anos 1980, o cenário era promissor. Já rolava um intercâmbio de bandas - algumas que nem mais existem, mas que tiveram a função fundamental de trocar figurinhas com as bandas locais. Algumas iniciativas empresariais apostaram no rock. Vide o caso do Bronx, uma estrutura feita única e exclusivamente para shows; casas como o Sindicato e São Rock feitas especificamente para o público rocker.
A MTV, naquele momento, era um grande veículo de informação, solapando as fontes tradicionais – revistas, zines e mesmo as rádios estatais. Nesse contexto, a Cultura FM continuou atuante, mas com uma importância menor, mas ainda assim imprescindível até hoje. O advento da MTV ocorreu junto com uma série de coisas juntas. Eu defendo a tese que com a MTV nós começamos a tornar o rock nacional, de fato, nacional. Note que uma das tendências daquele momento eram os sons regionalizados com uma roupagem moderna e sofisticada – tais como Chico Science e Nação Zumbi, o álbum Roots do Sepultura e mesmo o primeiro dos Raimundos.
Isto aconteceu também, pela troca de informações entre as bandas, que ocorria, via shows ou via mídia. Meio que padronizamos a forma de fazer som – equipamentos e tal. Mas ainda assim, se manteve a originalidade de cada cidade, pois a especificidade de cada uma delas acaba sendo determinante para o seu tipo de produção. Tanto é que as grandes bandas daquele momento, foram as grandes bandas da MTV: Raimundos, Little Quail, Maskavo Roots. Bandas poderosas que tiveram a seu favor a estrutura da mídia como nunca antes. Ainda bem!
Esta padronização acabou descambando em estruturas como a Abrafin. Na virada do século, festivais do tamanho do Porão do Rock já faziam parte do calendário cultural de grandes cidades brasileiras. Um sonho que se tornou realidade. Como também se tornou real o sonho também de tocar no exeterior. Muitas bandas tocam mais lá do que aqui, sem que necessariamente tenham que se mudar para lá: viva a globalização.
Neste segundo momento da década de 1990, eu estive em três bandas: Câmbio Negro, Succulent Fly e, finalmente, Divine – até o encerramento da banda, no início do século 21. Em todos os grupos, tive a oportunidade de desfrutar bons momentos, alguns deles dignos da história da cidade e outros dignos somente de minha vida: Primeira Calourada da UnB – 10 mil pessoas tocando em casa! As já citadas aberturas para bandas gringas, Porão do Rock com os Divinos e 65 mil pessoas, e no Porão do Rock como DJ pra não sei quantas mil pessoas.
Alguns dos nossos ficaram no meio do caminho. E muitos ainda irão ficar. E merecem ser lembrados: Fejão (sem dúvida um dos mais originais guitarristas da cidade. Não o conheci pessoalmente, mas um texto sobre rock de Bsb sem ele, convenhamos....), Renato Russo e Cássia Eller. E a querida ex-baterista dos Flies, Berila.
Mostrando postagens com marcador Pedra 90. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedra 90. Mostrar todas as postagens
04/04/2010
21/09/2009
O domingo do Rock Brasília no Porão
por
Renato Nunes
em
80,
90,
Colaboradores,
Festivais,
Pedra 90,
Porão do Rock 2009
Neste ano, como todos sabem, a organização do festival convidou algumas das bandas mais significativas do rock de Brasília. Algumas bandas se mostraram impossíveis de se reunir, como ficou claro no caso do Escola de Escândalo. Colocaram o vocalista do Pravda para cantar as músicas do Bernardo e da Marielle e ainda tocar as guitrarras do Fejão, é mole? Fiquei meio sem graça pelos caras.
Detrito Federal e do Dungeon/Fallen Angel, foram bons, muito bons mesmo. No caso do primeiro – Cascão que me perdoe – o Alex Podrão é o Detrito em pessoa. No segundo, os músicos da banda do Alemão, são muito bons e ponto final. O negão (Fejão) é insubstituível, mas a banda remanescente tem competência de sobra.
Os Cabeloduro, foram simplesmente foda no palco dois. Qualquer coisa que eu fale a mais só vai estragar o que estava muito bom e agradável. O público então, nem se fala: pessoas de boa índole – famílias até! – desfrutando um momento de bom humor, diversão sadia sem violência. E versos como ‘estupra mas não mata, estupra e dá porrada’ ou “se eu tenho um ballantines e uma mulher gostosa, vou pra cama me fazer’ eram entoados em clima de colônia de férias.
Rolou até uma reunião surpresa, mas essa entra no rol das impossíveis, mesmo se os caras da banda o quisessem: Legião Urbana. Primeira grande baixa, Renato Russo. Outra ausência, estranhíssima para mim apesar de todo o folclore sobre o temperamento da figura, foi a do baixista Negrete. Talvez algum leitor saiba me explicar por que. Fizeram então uma formação com músicos desconhecidos e alguns meio que manjados.
Mas como eu já disse, é complicado falar de uma banda que vendeu mais discos que os Beatles no Brasil. E de todas aquelas pessoas que estavam lá, poucas viram a banda tocar. A banda tocaria sozinha que a galera faria o resto, como ocorreu em Pais e Filhos. Esta música foi cantada pelo Bonfá no início, mas na prática a platéia que cantou. Aliás, a escolha dos vocais foi muito mal feita, exceção dada ao Tony Platão.
Esta foi a primeira vez que o Legião toca aqui, desde o desastre de 1988. Tem noção que foi a primeira vez que eles puderam falar com Brasília, sem intermediários, desde então? Deixa então o Bonfá se emocionar e falar no microfone, de improviso, que está feliz. Nós também ficamos. E demoramos mais de vinte anos e mais de vinte milhões de discos para isto acontecer. E, sinceramente, gostaria que os caras do Legião soubessem disso.
Um outro show digno de nota: Paralamas do Sucesso. Não tenho palavras para explicar o que é ver aquela banda com tantos anos de carreira, que sem exagero, foi o catalizador da primeira geração de Bsb, tocar na Esplanada, mandando um hit atrás do outro. Fizeram uma parada sensacional em Meu Erro: começaram tocando ela tipo um ou dois tons abaixo, mas o suficiente para não descaracterizar a música e na parte ‘bastaria!’ entravam no tom da música mesmo (eu não estava bêbado; ou foi isso ou um pau nos monitores). Velho parecia que uma onda de adrenalina era despejada na galera de tal modo que a música crescia! Wow!!
Pra encerrar, os ícones dos anos 90 fizeram bonito. Maskavo Roots e Little Quail compareceram com apresetações deliciosamente memoráveis e com seus componentes originais. Os primeiros, com o line up poderosíssimo de cordas (PrataXPinduca) e uma cozinha muito precisa (MarraraXTxotxa). O Litlle Quail? Bem, só com figuras: o mestre dos palcos – Zé Ovo - a cozinha do Ultraje a Rigor – Bacalhau- e o sistema nervoso central dos Autoramas – Gabriel. Por fim, o Raimundos parece ter aprendido a usar seu arsenal de hits e estrapolou o tempo em 40 minutos, pra se ter uma noção. Grande festa da música brasiliense.
Texto: Zeca Domingos
17/09/2009
Pedra 90 - Porão 2009: Maskavo Roots
por
Renato Nunes
em
90,
Colaboradores,
Festivais,
História,
Pedra 90,
Porão do Rock 2009
Primeiro Cd da banda Maskavo Roots, que futuramente só se chamaria Maskavo. A banda foi formada em 1993 pelos ex-integrantes do Cravo Rastafari. Começaram em Brasília tocando no circuito undergroud da cidade, como por exemplo, Feira de Música, Projeto Made in Brasília do Teatro Nacional e em várias festas espalhadas pelo Distrito Federal. Influenciados pela cena cultural crescente no país e seguindo a trilha de bandas como Raimundos e Little Quail, começaram a compor e gravar sua Primeira Fita Demo.
A fita logo se expalhou pela cidade e pelo país, servindo de cartão de visitas ao mercado fonográfico. Caiu nas mãos do jornalista e produtor Carlos Eduardo Miranda, que na época foi o fundador do Selo Banguela junto com os Titãs. Gostaram tanto da fita demo que a banda não encontrou dificuldades para fazer parte do cast do selo. O contrato veio no inicio de 1994 e o lançamento do CD Maskavo Roots foi em 1995 com a produção do próprio Miranda e de Nando Reis. A primeira música de trabalho foi Tempestade, que de imediato figurou entre as mais executadas do país e da MTV.
Esta é a referência básica do Maskavo Roots na Wikipédia (!!!!). É mole?
Na verdade o geral é isto aí. Eles foram uma das bandas da geração de 90 que tinha um tipo de som bem diferenciado. Leve-se em conta que nesta época praticamente todas as bandas faziam um som mais pesado e o Maskavo Roots tocava, digamos assim, mais na manha, em termos de som. Era o que fazia deles uma banda bem particular naquela época.
A oportunidade de vê-los no Porão deste ano (que convidou alguns dos all stars dos últimos 25 anos de Rock Brasília) vai ser no mínimo interessante. Visto que os integrante rumaram por trajetórias distintas em suas carreiras musicais.
Prata: Ficou este tempo todo com o Maskavo e na ativa. Eu tenho uma teoria que a banda não precisa ser boa, tem é que dar show, pegar tarimba de palco. E isto o prata tem de sobra.
Txotxa: Este cara não tá na Plebe? Sem comentários.
Pinduca: Bem, o cara saiu do Maskavo para montar um dos grupos mais interessantes do cenário brasiliense dos últimos anos, o Prot(o) – sem rasgação de seda....
Salsicha: Cara, o sujeito sai do ska para encarar Os Cabeluduro por uns tempos. Tarefa hercúlea...
E o povo quer saber: Onde está a Joana? A vocalista da banda e musa daquela época. Ninguém disse que ser do rock tem que ser feio. Me lembro que saiu uma foto dela, tipo pôster na Bizz. Parece que estavam apostando nela como sex simbol ou algo do gênero. O fato era que ela cantava legal – mesmo – e essa história de musa meio que ofuscava o talento da cantora.
O M. Roots que se apresentará no Porão não será a banda Maskavo cuja formação mais recente mantém somente o guitarrista Prata. E é isto. o Maskavo Roots foi, sem dúvida alguma, uma das bandas com a trajetória mais longeva, e isto por si só, já é um puta mérito dos caras. Estarei lá no Porão para prestigiá-los. Não escondo de ninguém a minha adimiração pelos colegas que conseguem fazer do rock uma profissão! Dá-lhe Maskavo Roots! E eu quero ouvir Besta Mole!!!!!!!!!!
Texto: Zeca Domingos
Foto: Patrick Grosner
A fita logo se expalhou pela cidade e pelo país, servindo de cartão de visitas ao mercado fonográfico. Caiu nas mãos do jornalista e produtor Carlos Eduardo Miranda, que na época foi o fundador do Selo Banguela junto com os Titãs. Gostaram tanto da fita demo que a banda não encontrou dificuldades para fazer parte do cast do selo. O contrato veio no inicio de 1994 e o lançamento do CD Maskavo Roots foi em 1995 com a produção do próprio Miranda e de Nando Reis. A primeira música de trabalho foi Tempestade, que de imediato figurou entre as mais executadas do país e da MTV.
Esta é a referência básica do Maskavo Roots na Wikipédia (!!!!). É mole?
Na verdade o geral é isto aí. Eles foram uma das bandas da geração de 90 que tinha um tipo de som bem diferenciado. Leve-se em conta que nesta época praticamente todas as bandas faziam um som mais pesado e o Maskavo Roots tocava, digamos assim, mais na manha, em termos de som. Era o que fazia deles uma banda bem particular naquela época.
A oportunidade de vê-los no Porão deste ano (que convidou alguns dos all stars dos últimos 25 anos de Rock Brasília) vai ser no mínimo interessante. Visto que os integrante rumaram por trajetórias distintas em suas carreiras musicais.
Prata: Ficou este tempo todo com o Maskavo e na ativa. Eu tenho uma teoria que a banda não precisa ser boa, tem é que dar show, pegar tarimba de palco. E isto o prata tem de sobra.
Txotxa: Este cara não tá na Plebe? Sem comentários.
Pinduca: Bem, o cara saiu do Maskavo para montar um dos grupos mais interessantes do cenário brasiliense dos últimos anos, o Prot(o) – sem rasgação de seda....
Salsicha: Cara, o sujeito sai do ska para encarar Os Cabeluduro por uns tempos. Tarefa hercúlea...
E o povo quer saber: Onde está a Joana? A vocalista da banda e musa daquela época. Ninguém disse que ser do rock tem que ser feio. Me lembro que saiu uma foto dela, tipo pôster na Bizz. Parece que estavam apostando nela como sex simbol ou algo do gênero. O fato era que ela cantava legal – mesmo – e essa história de musa meio que ofuscava o talento da cantora.
O M. Roots que se apresentará no Porão não será a banda Maskavo cuja formação mais recente mantém somente o guitarrista Prata. E é isto. o Maskavo Roots foi, sem dúvida alguma, uma das bandas com a trajetória mais longeva, e isto por si só, já é um puta mérito dos caras. Estarei lá no Porão para prestigiá-los. Não escondo de ninguém a minha adimiração pelos colegas que conseguem fazer do rock uma profissão! Dá-lhe Maskavo Roots! E eu quero ouvir Besta Mole!!!!!!!!!!
Texto: Zeca Domingos
Foto: Patrick Grosner
24/05/2009
Pedra 90: Snevols e porrada no Guará
por
Renato Nunes
em
90,
Colaboradores,
História,
Pedra 90,
Top Postagens

por Zeca Domingos
Na verdade, tudo começou mesmo com uma brincadeira. Éramos uma turma, o Animais dos Espelhos já existia e, se não me engano, o Políbias também; isto por volta do início dos anos 90 talvez 93 , 94.
Claro que é muito mais glamourento dizer que éramos uma gangue de caras maus que dava porrada em todo mundo. Mas não, éramos somente uma turma de amigos (quem se encaixava mais no perfil de galera porradeira era o povo do Guará, leia-se: DFC e Os Cabeloduro; mas eu conto isto mais pro final, hehehehe).
Claro que é muito mais glamourento dizer que éramos uma gangue de caras maus que dava porrada em todo mundo. Mas não, éramos somente uma turma de amigos (quem se encaixava mais no perfil de galera porradeira era o povo do Guará, leia-se: DFC e Os Cabeloduro; mas eu conto isto mais pro final, hehehehe).
O lance dos Snevols, como eu disse, era associado a uma turma qualquer daquela época. Claro que a nossa turma não era igual as outras, mas eu acho que nínguem estava preocupado em exclusividade naquele momento. Existiam algumas coisas em comum com aquelas figuras. Tipo, gostávamos de algumas coisas como: Einstuarzende Neubauten, Dead Kennedys eram unânimdades com certeza. Toy Dolls era ótimo e outras coisas pogantes de nossas festas, como Ministry, Suicidal Tendencies e por aí ia. Como eu disse em um post anterior, no início dos anos 90 som porrada era o que rolava nas festas.
A própria galera – que iria ser mais tarde chamada de Snevols – foi sendo montada ao longo de um certo tempo, pelo menos dentro de minha perspectiva. Tinha umas figuras que eu conhecia ainda dos anos 80, da minha idade e alguns mais novos (era o caso, por exemplo, da Mariana baixista e fundadora dos Políbias, irmã do Zé Ovo. Talvez ela nem tivesse 17 anos em 93).Nós gostávamos de jogar RPG. Uns, como o Milani e o Bizerril, guitarristas do Políbias e dos Animais respectivamente, gostavam muito mais que os outros. E, diz a lenda que o nome Snevols aparaceu em um destes jogos, ou seja, a droga da palavra não significava absolutamente nada. (pros meus amigos daquela época: Só estou citando o povo das bandas, pois este blog é sobre bandas, não esqueci vocês!!!!!!)
Sabem aquelas gírias que só fazem sentido dentro de uma galera? Pois é. O termo Snevols era isso. E nós a utilizávamos para nos referir como algo sem significado ou sentido, era assim, era Snevols. No entanto, como Carlos Marcelo, o jornalista de rock da época, comprou esta briga, o lance ficou mais engraçado.
No ano do Burning Garage (um minifestival que tocou Animais dos Espelhos, Oz, Sunburst e o malfadado Low Dream) tinha um bar na 314 norte que era de um motociclista chamado Johnny. Um lugar extremamente agradável, de excelente frequência, ótimo som e cerva a preço justo. Perfeito para universitários e secundaristas sem grana. Lá, numa noite qualquer, batendo papo sobre rótulos, pois volta e meia tínhamos que nos explicar para o anarcopunk, pros metais o que nós éramos ( e, pombas, a gente tinha de ser alguma coisa? ), decidimos inventar um movimento – tipo Pistols e M. McLaren – pra responder quem éramos. Snevols. E depois, saiu no Correio Braziliense que erámos o primeiro movimento genuínamente de Bsb, tipo o grunge de Seattle! É mole?
Eu antes falei do pessoal d'Os Cabeloduro e DFC. Estes caras, sim, eram da pesada. A diferença é que hoje eles estão mais responsáveis (???) . Naquela época, não. Por exemplo, tinha um lugar que a gente tocou, antes do Burning Garage, lá no Guará, chamado Lord Dim Pub (Lorde Pudim, para alguns muito íntimos...). Conseguimos entrar no esquema de um show, praticamente com a mesma escalação do show que iria rolar na Escola Parque meses depois ( após um típico lance de escolinha americana de sessão da tarde, coagimos o Marcelo da Oz a nos incluir no show....). Enfim, fomos a primeira banda e a Raquel, depois do show, achou que tinha ido muito mal; saímos para conversar com ela na rua e, eis que de repente, todo mundo sai correndo de dentro do tal lugar.
Antes, tenho que fazer uma consideração: Nós, uma banda do Plano Piloto, estávamos em um buraco lá no fim do Guará, há quinze anos! Meu amigo, o Guará tinha uma fama, para nós do Plano, semelhante a uma daquelas satélites do mal. E foi aí que, ainda com os nossos instrumentos no porão do tal do pub, estourou uma porrada.
Descemos correndo pra ver se conseguíamos salvar nossas coisas. Quando chegamos lá embaixo, descobrimos que estávamos mais bonitos na fita que imaginávamos. Ocorreu o seguinte: O Daniel, dos Cabeloduro, foi cumprimentar o Marcelo, da Oz. O BigHead, sem olhar, xingou o baterista da banda punk de playboy. E o pau comeu.
Mas o mais engraçado é que, do nada, nego da banda do Daniel deu um sacode no Marcelo e, na sequência, foram atrás do pessoal do Low Dream, que nada tinha a ver com a confusão e estavam só assistindo o show. E ENFIARAM A PORRADA NELES, tipo briga de bar de filme, que o pau come pra todo lado.
Mas como eu disse, estávamos bonitos na fita. Não sobrou nem pra gente, nem pro Sunburst. Só pro Low Dream. E foi pouco.
Tempos depois, encontrei o Podrinho e ele me contou que, naquele dia eles saíram do bar batendo e perseguindo os caras do Low Dream pela parte de trás do comércio do Lord Dim. E aconteceu que os coroas do bar – aqueles aposentados que passam o dia tomando cachaça e detestavam o movimento de malucos de preto na vizinhança deles - ficaram putos e começaram a dar cadeiradas em todo mundo??????
Cara, essa cena de Bsb tem cada uma. Por isso que muitos caras mais velhos acham esta nova geração meio bundona. Nada pessoal, mas naquela época, nego não levava desaforo pra casa. Depois os caras do Low Dream falaram em um jornal, que foram agredidos por nazistas. No Guará? Não. Naquela terra, quem mandava eram Os Cabeloduro, com todo amor e carinho. Um abração pra eles!
02/12/2008
Pedra 90: 1 - Introdução aos 90's
por
Renato Nunes
em
90,
Colaboradores,
História,
Pedra 90

Por Zeca Domingos
Vamos ver.... Sim, fiquei de falar sobre influências nos anos 90.
É meio foda afirmar que esta ou aquela banda era mais ou menos influente na década passada; Vou tomar como foco a minha banda do começo, Os Animais dos Espelhos e partir dela fazer algumas considerações sobre o que o povo ouvia. Mas não tudo! Até porque este povo me encontra na rua e me mete o cacete se eu afirmar que eles ouviam com certeza tais grupos.
Os Animais eram descaradamente 80's. A banda que me perdoe, mas pelo menos eram as minhas influências mais diretas naquele momento: Sisters of Mercy, Echo and the Bunnymen, Jesus and Mary Chain (estas duas últimas bem associadas ao guitarrista Bizerril); Siouxie and the Banshees (influência natural da Raquel); Dead Kennedys e outras coisas de hardcore legal, especialmente o norte-americano tipo Minor Threat. E é claro todo tipo de música pesada: de Slayer a Einstuarzende Neubauten. Este último, aliás, era, junto com DK, dos preferidos dos Snevols (hahahahahaha... depois eu conto esta história!).

Mas o link dos Animais com os anos 90 e a sintonia com as bandas concentrava-se, em meu ponto de vista, em pelo menos três bandas: Pixies, Sonic Youth e mais pra metade da década, Ministry.
Como eu disse existiam e ainda existem uma porrada de bandas que o povo ouvia nos anos 90. Só vou citar algumas pra nego não ficar depois falando que eu só tenho papo: Bad Brains, DRI, Agnostic Front e Sucidal Tendencies pra galera HC/punk rock da linha DFC e Os Cabeloduro - grandes representantes da cena porrada da época mas de forma alguma os únicos; Babes in Toyland (que era uma banda do chamado Riot grrls do underground norte americano), por exemplo era cover das minas do Kaos Klitoriano;
Na linha das guitar bands, o forte era o chamado indie rock inglês com bandas do naipe do My Bloody Valebntine (que marcou bastante as guitarras do Milani dos Políbias e do Bizerril dos Animais), Ride, SlowDive e tantas outras que muita gente tentava imitar...

Música eletrônica, no início era muito pouco bem quista entre os roqueiros - que aliás tem uma receptividade muito mais diferente hoje em dia. Bandas que usavam artíficios eletro-eletrônicos sempre foram mal aceitas. É claro que eu não estou falando de bandas como Nine Inch Nails e a bola da vez deste texto, o Ministry.
É bem verdade que o Ministry começou meio fresquinho - se me permitem esta pequena comparação homofóbica - no início dos anos 80: Lançou uns albuns na linha EBM (eletronic body music - vide caras tipo FRONT 242 e Front Line Assembly). O bicho pega mesmo em 88 quando eles lançam o Land the Rape and Honey, mmmuuuuiiiitttto mais pesado mesmo. Baixa aí um som chamado STIGMATA pra vocês entenderem o que eu estou falando. Era o que os americanos chamavam de Industrial - um rótulo que abrangia tudo que era porrada, pesado e com uso de novidades eletroincas. O pessoal do Neubauten, dizia-se, achava este rótulo ridículo como todos os outros mais. E convenhamos, se você já ouviu Hermeto Pascoal e Neubauten, saca que experimentações com lixo industrial é um pouco mais que Ministry.

Mas estavamos falando de Stigmata. O som é totalmente eletrônico, com rufadas de bumbo num pitch altíssimo e samplings ( pedaços retirados de outras composições e mexidas ) de várias procedências. Este modelo de som ficou - sempre na minha opinião - mais conhecido com More Human Than Human do White Zombie de 1995. O grande lance do Ministry ficou na minha impressão que todo mundo começou a adimitir que sons pesados e metálicos eram legais. Tanto é que as bandas de guitar tinham suas músicas com acelerações de ritmo e aumento de peso: Succulent Fly em Lesbian; Sunbusrt em Speed Racer; Oz em sua versão de Walk Like an Egypcian e Tres bien mon ami; Divine em Exu Beat; e por aí vai...
Mas o pior , ou melhor, do Ministry ainda estava por vir: A Mind is a Terrible Thing to Taste e PSALM 69, respectivamente de 89 e 92. Putaquepariu. A vida tornou-se muito mais divertida. Imagine que no começo dos anos noventa a popularização do som pesado veio de tal forma que, tocava-se Thieves do Ministry em boatezinhas na rua do Gates. E todo mundo dançava e pogava. Algo hoje inimaginável graças crescente frescurização das pistas de dança alternativas - as pessoas vão pra azarar e não vão ouvir coisas novas e divertidas....

O disco de 89 tinha só pedras: Thieves; Burning Inside; e é claro So What, com um baixo poderosísimo!
Mas em 1992 o fim do mundo chegou: PSALM 69 com tres lindas coisas: Jesus Built my Hotrod, TV 2 e New World Order. Impagáveis obras- primas de som pesado nas paradas de sucesso. hahahahaah.
Jesus Built tinha a participação do vocalista de outra banda bastante ouvida por alguns daquela época, Butthole Surffers .Como é a música? Bem, foi -se comentado que a tal composição era o Ace of Spades dos anos 90.
Acho que eu falei demais! Semana que vem vou falar sobre o Sonic Youth e, na medida do posível, falar mais de bandas daquela época. Um abração!
Não fique só lendo essas besteiras, baixe estes sons!!!!!!!!
N.E.: As fotos que ilustram a postagem são do Sonic Youth, Pixies, Dead Kennedys, do segundo álbum do Lard (formado por integrantes do Ministry e Dead Kennedys) e da banda Babes in Toyland.
16/10/2008
Pedra 90, o prelúdio
por
Renato Nunes
em
90,
Colaboradores,
História,
Pedra 90
Falar sobre rock brasiliense é sempre um prazer. Um clichê, claro, mas também é um fato. Mas o que escrever logo de início? Taí um grande problema. Na verdade eu tenho vontade de falar tudo que me vem em mente, sobre o que eu lembro e o que eu ouvi falar desde de moleque sobre a coisa. Caras, eu tenho que ter um mínimo de orientação....
Aí o Renato veio com uma proposta de falar um pouco, e de vez em quando, sobre a movimentação de som nos anos 90. Ok, pensei, estou fudido de tempo, mas ainda assim, vou tentar. Por que? Ora, eu já disse antes. É um prazer.
Então deixe eu tentar por uns parâmetros no que eu vou escrever (assim como o Renato o fez no início do blog ) Vou tentar por alguma coisa das minhas memórias pra funcionar. No meu caso, vou concentrar entre 1990 a 1996 que eu participei mais ativamente e, na medida do possível falar um pouco do período 96 a 2000. Mas tem um outro problema. Eu também escrevi sobre o assunto, academicamente falando. Então me dêem um desconto se eu falar besteiras intelectualóides de vez em quando (N.E.: Tá desculpado, hehehe) .
Mas quem esse cara pensa que é, Renato? Pode perguntar algum leitor. Certo, certo deixe-me apresentar: Sou Zeca, tenho alguns cabelos brancos, e toquei baixo em algumas bandas dos anos 90 de Bsb, e ainda toco: Os Animais dos Espelhos, Divine, Succulent Fly (com quem voltei recentemente. O Anderson ainda tem muito ódio no coração!), Câmbio Negro, Neuras Planetóides, Móbile (posteriormente Superquadra); quebrei até um galho pro Podrão, a uns anos atrás tocando com o BSB-H..!

Ah, sim Renato, fui também baterista dos seus inimigos mortais o Cultura Inútil (N.E.: Eu tocava numa banda do mesmo nome na mesma época) do Guará.
Tocar com pessoas legais e ficar um pouco mais velho tem lá suas vantagens: Não muitas, mas bastante agradáveis. Uma delas, por exemplo, é não temer ser um pouco sincero sobre algumas coisas passadas e reconhecer algumas besteiras que a gente já fez. Vamos falar um pouco do que interessa, os anos 90.
Tocar com pessoas legais e ficar um pouco mais velho tem lá suas vantagens: Não muitas, mas bastante agradáveis. Uma delas, por exemplo, é não temer ser um pouco sincero sobre algumas coisas passadas e reconhecer algumas besteiras que a gente já fez. Vamos falar um pouco do que interessa, os anos 90.
Caras, foi uma época muito interessante. Pra começo de conversa, era bem clara a diferença das bandas do início daquela década em relação às do período anterior, mais precisamente as bandas da galera da Colina - que como muitos de vocês já sabem, não eram as únicas da cidade. As diferenças eram evidentes.
Dá uma olhada, por exemplo, nos nomes das bandas. Nos anos 80, quase sempre eram trocadilhos relacionados com o poder ( Legião Urbana, Capital Inicial e por aí vai); com temáticas bastante recorrentes ao momento de redomocratização. É claro, não todas; mas para a memória coletiva, era geral esta sacação. Quem canta esta pedra, não sou eu; Esta constatação foi de uma socióloga lá da UnB, Angélica Madeira.
Neste sentido, a diferença entre as duas gerações ficou clara nos anos 90. Os nomes das bandas não arrogavam contestações à ordem política vigente, ou pelo menos, não de forma tão explícita.
E a influência gringa manifestou-se de maneira forte em algumas bandas: Maskavo Roots; Low Dream; Sunburst; Estas últimas, junto com Os Animais dos Espelhos, e a Oz eram tachadas (em alguns casos, auto-intituladas) como Guitar Bands, o siginificava ter forte influência do indie rock britânico e da cena independente norte americana - mais precisamente bandas como os Pixies, Sonic Youth e a barulheira de Seattle. Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains? Isso ia pegar mesmo, lá pra 1992.
E a influência gringa manifestou-se de maneira forte em algumas bandas: Maskavo Roots; Low Dream; Sunburst; Estas últimas, junto com Os Animais dos Espelhos, e a Oz eram tachadas (em alguns casos, auto-intituladas) como Guitar Bands, o siginificava ter forte influência do indie rock britânico e da cena independente norte americana - mais precisamente bandas como os Pixies, Sonic Youth e a barulheira de Seattle. Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains? Isso ia pegar mesmo, lá pra 1992.A temática era, pelo menos aparentemente, algo desvinculada da política. Claro que sempre houve a atitude rock - vide Sunburst, Succulent Fly, ou (na minha opinião a mais legal ) Oz. Mas, convenhamos, onde havia política em músicas como Shitbomb ou Spacecake??? hahahahahaa, o Marcelo era, e ainda é, muito comédia. Fala sério, gente, o cara virou DJ e mudou o nome pra Nego Moçambique(??). Ele tem um excelente senso de humor, daquele tipo que pega. Claro, ele é um ótimo DJ, antes que a galerinha fã fique criando intriga.... Mas esta falta de vínculo com os 80's nunca foi problemático para os intergrantes daquela primeira leva de bandas dos anos 90.
Semana que vem vou ver o que eu vou contar mais pra vocês. Aliás, falar de algumas das bandas que eu creio que influenciaram a gente naquela época, algumas piratarias e outras merdas.
Assinar:
Postagens (Atom)





.jpg)
