Mostrando postagens com marcador Meia Dúzia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meia Dúzia. Mostrar todas as postagens

25/11/2013

Meia dúzia: Tá todo mundo doido, oba!

Dia desses me deparei com uma postagem do Festival Goiânia Noise com uma foto de uma das bandas participantes e cuja legenda se encerrava com a seguinte frase: “E estes malucos estarão no 19º Goiânia Noise”. Malucos? Olhei novamente pra foto posada, integrantes com óculos Ray-ban, rostos maquiados para tirar o brilho do suor e olhando para o infinito com ar filosofal. Nada anormal, fronteiriço ou que remetesse a alguma modalidade de loucura.

Entretanto, depois de rir um pouco da forçada de barra, comecei a lembrar dos loucos de verdade que já deram o ar de sua graça no universo do rock’n’roll e da música pop. E não foram poucos. Decidi então, compartilhar com vocês e dedicar essa nova edição do Meia Dúzia aos loucos, geniais ou não, que marcaram, de alguma forma, o mainstream ou o underground do rock. Confira aí, maluco.

Keith Moon
1. Keith Moon (The Who) – Sua grande proeza foi quase ter causado uma surdez completa no seu companheiro de banda, Pete Townshend. Moon simplesmente explodiu sua bateria em um show sem ao menos avisar aos próprios colegas. Por sorte, ninguém se feriu com mais gravidade com o surto do doidão, que também gostava de vestir uniformes nazistas pra circular em bairros judeus.

Lou Reed
2. Lou Reed (Velvet Underground) – Recentemente falecido, devido ao que um colega meu batizou de overdose técnica, o velho Lou não teve moleza na vida. Logo na adolescência e pelas mãos dos próprios pais, foi submetido a várias sessões de eletrochoque para curar sua suposta homossexualidade. Adulto, gravou um disco em 1975 só com barulhos desconexos, obra que faz a Revolution 9 de John Lennon parecer cantiga de roda.

3. Arnaldo Baptista (Os Mutantes) – “Louco é quem me diz”. Sei. O genial líder dos Mutantes é também um dos artistas mais perturbados da história. Depois de uma tentativa frustrada de suicídio, retornou ao mundo dos vivos com uma inusitada compulsão por óvnis (objetos voadores não identificados), trocadilhos e desenhos com lápis de cor. Gravou, ainda debilitado, um controverso disco chamado Disco Voador.
Arnaldo Baptista

4. G.G. Allin – O finado coprófago que tomava drogas como se fosse suco de caju tinha uma performance única, que incluía espancamento de alguém da plateia, chuva de fezes no público, introdução anal de microfone e incêndio do palco. Prometia dar cabo da vida em um suicídio que seria cometido durante um show, mas acabou batendo as botas por overdose antes do sonhado grand finale.

Tim Maia
5. Tim Maia – Se houvesse uma frase pra definir a vida do síndico, seria: Pé na jaca o tempo todo. Tudo era exagerado. Os litros de birita, os quilos de cocaína ou os 12 sonhos de padaria que costumava comer enquanto assistia TV. Sem planejamento, quase conseguiu o que GG Allin sonhara, morrer no palco. Foi durante um show que começou a se sentir os primeiros sinais do ataque cardíaco que o vitimaria fatalmente.

Brian Wilson
6. Brian Wilson (Beach Boys) – O campeão dos campeões. De todos da lista, o gênio das harmonias é o único que pode dar carteirada de louco. Esquizofrênico de berço, acabou turbinando seu transtorno com bastante LSD durante os anos 1960, algo que proporcionou uma joia da música pop como o Pet Sounds, mas que também o levou para o hospício. Há uma história que diz que certa vez, Wilson se juntou ao Alice Cooper e Lou Reed numa bebedeira que terminou em sua casa, onde ele os colocou para cantar músicas infantis enquanto os regia. Vale dizer que os dois saíram de lá assustadíssimos....

25/06/2013

Meia-Dúzia: Mani (FESTA) ções e afins

Todo mundo, granadinha pro alto. E vai rolar a festa, vai rolar!
Não, este aqui não é mais um post de boas maneiras e todo blábláblá de chorume via redes sociais. Na verdade, trata-se de uma orientação sobre boas maneiras revolucionárias e confesso que a maioria delas eu já tinha sem sequer saber se eram boas, enquanto outras tão cretinas que não sei como foram se meter neste texto.

Quem é que decide, afinal, quais as boas ou más maneiras? Existem tantos "guias" nesse sentido que nunca se sabe se as maneiras que um ensina são as mesmas do outro. Isso pode causar confusão, pois a gente pode tomar atitudes que leu justamente pra pessoas que leram outras atitudes.

A zoeira e o direito constitucional andam lado a lado. E pra você, que não acompanhou os últimos acontecimentos nesse Brasil de meu Deus, se liga aí, que é hora do resumão: A manifestação contra tarifa de ônibus que virou algo maior que ninguém sabe e provocou uma Constituinte sem revolução. E é aí que entra o meia dúzia desta semana: Musicas que embalam as revoltas.

Num pais onde todo mundo sabe de tudo e o Google explica, tudo seria uma questão de convenção — porque basta se convencionar pra todo mundo se convencer. Um cavalheiro jamais mandaria um ramo de flores para a sua amada: mandaria uma bomba-relógio, que seria muito mais divertido —- depois de estourada a bomba, ela ainda ficaria com o relógio. Uma campanha bem orientada decidiria sobre as "boas maneiras" de cada ano, pra evitar as dúvidas. Assim como está, as boas maneiras se comparam à nossa ortografia: cada um escreve como sabe e ninguém se entende. É muito desconcertante fazer uma gentileza com "f" pra quem ainda acredita no "ph".


6 - TIRIRICA -Estou no Poder

Na primeira da lista, o palhaço dos palhaços e eterno Florentina. Com uma crítica aguçada, serviu de tema ( e inspiração) para outros palhaços como Patati/Patatá: Aguarde 2014 e me cobrem.





5 - LATINO - O Gigante 

O showman que não perde uma oportunidade de se dar bem às custas da desgraça alheia não perdeu a oportunidade. (Eu sou apenas um rapaz) Latino usou e abusou da sua famosa regularidade, produziu uma obra profunda, que traz uma agradável sensação de bem-estar que potencializa o raciocínio do ouvinte e o leva a um maior conhecimento de si mesmo e de seu país. Em certos casos, o efeito desta obra-prima é tão eficaz, que essa sensação de bem-estar pode se estender a outras pessoas que estejam próximas. Ou não.





4 - FALCÃO - A Besteira é a base da Sabedoria

Já o homem por traz da parafernalha colorida (com o telefone incluso!) ousou em dizer que a besteira é a base da sabedoria. E faço minhas, as palavras do nobre cavalheiro: “Já está provado por a + b que a + b não prova nada, e eu, pessoalmente, já mostrei que é tudo a mesma coisa”.
  
 




3- CAPITAL INICIAL -Viva a Revolução

Estamos num blog onde o tema é Brasilia. Claro que não poderia faltar um representante do quadradinho goiano. Dinho OURO Preto e sua trupe entraram na onda de gritar palavra de ordem (sem cair do palco, evidentemente!) e criaram o clichê de colocar “motorista,olha o poste” no chinelo.





2 - RAUL SEIXAS - Aluga-se

Antes de mais nada, é necessário que a pessoa conheça cada vez mais seu país, pra ir se amoldando ao próprio temperamento atual: até o chato pode protestar o bem, desde que aprenda a se aturar. O conceito de felicidade vai mudando dentro de nós, à medida que o tempo vai passando: o homem só consegue ser completamente feliz quando não se preocupa mais com isso. Se nada der certo, Aluga e vaza.




1 - GERALDO VANDRÉ - Pra não dizer que não falei das flores

Profissão ingrata é a do cronista, tem de dar certo logo na primeira. O médico receita remédios, depois recorre à operação, depois apela pra novos remédios, depois faz novas operações, depois consulta outros médicos, depois decide recomendar um especialista. O advogado também tem seus "depois", sabe que está metido numa guerra de inteligência e não de justiça: se perder, apela pra segunda instância, se perder de novo apela pro Tribunal Superior e, ainda assim, consegue um descontinho na pena do seu constituinte, que, mesmo condenado, tem a seu favor o indulto e a liberdade condicional. O cronista mete-se numa enrascada e não tem mais saída: ou todo mundo acha bom e ri, ou não ri e acha péssimo. Não é como o cantor, que faz sucesso com uma música e passa o resto da vida cantando a mesma.






 Pra não dizer que não falei das flores, lá vai: FLORES!

29/04/2013

Meia Dúzia: (per) Versões Brasileiras

Traduttore, traditore. Tradutor, traidor. A frase não deve ser muito mais nova do que o próprio ofício de tradutor. Imagine em tempos longínquos, qual não era a dimensão dos poderes de um. Enfim, qualquer pessoa que tenha brincado de telefone sem fio pode perceber o quão difícil é a manutenção da integridade de uma informação repassada na mesma língua. Imagine então as obras originadas de traduções de traduções de traduções. Há uma grande probabilidade de que abriguem um conteúdo completamente distinto da matriz, do texto original.

Na história da música pop brasileira há uma tradição curiosa e, até onde pude observar, exclusiva. Já que a tradução por si já é uma traição, por que não esculhambar tudo de vez e escrever outra letra completamente diferente da original? E não se trata de paródia, mas de uma presepada genuinamente brazuca, um meio de se burlar o pagamento dos direitos autorais das canções, etc.... Prática cujo nascimento até se confunde com o do próprio rock nacional. Hits seminais como Biquini de Bolinha Amarelinha ou Splish Splash foram alguns dos desbravadores desse caminho das versões infiéis.

Recentemente, uma constrangedora versão que o Latino fez para Gangnam Style, do coreano Psy, bateu recordes de dislikes no Youtube. Mas, não se engane, algumas das piores versões já gravadas foram executadas por artistas bem mais conceituados que o ex-marido da Kelly Key. O R64 traz a seguir 6 das piores “versões” brasileiras de sucessos internacionais, inaugurando a seção Meia Dúzia. Acompanhe.


6. Roberto Carlos - Splish Splash (Splish splash, de Bob Darin)

O rei Roberto Carlos está na comissão de frente da lista. Alguém aí já ouviu um beijo que tenha emitido tais ruídos? Chuac, smack, tudo bem, ainda vai. Mas, splish splash? Isso parece mais uma troca de bofetadas que qualquer outra coisa. Na letra verdadeira, o personagem está tomando banho....








5. Kiko Zambianchi - Hey Jude (Hey Jude, dos Beatles)

Paul McCartney escreveu essa letra para consolar o filho de John Lennon, Julian, e sua mãe, após a separação. Tio Paul batia a real pro moleque. Hey, Jude, don't make it bad. Take a sad song and make it better, um conselho que apontava caminhos. Não fique mal, faça da dor sua inspiração e siga. Já o Kiko Zambianchi faz o estilo ex-hippie frase-feita de auto-ajuda, e aconselha o garoto a ignorar a realidade e se alienar completamente: Hey Jude não fique assim. Sabe a vida ainda é bela. Esqueça de tudo que aconteceu. Amanhã será um novo dia. De embrulhar o estômago. Nanana é o diabo.








4. Renato e seus Blue Caps - Feche os Olhos (All my loving, também dos Beatles)

Essa canção de amor dos Beatles fala sobre saudade. A letra começa com um beijo de despedida de alguém que teve que partir, mas que escreverá todos os dias para a amada. Close your eyes and I'll kiss you. Tomorrow I'll miss you. Remember I'll always be true. And then while I'm away. I'll write home everyday. And I'll send all my loving to you. Mas, Renato e seus Blue Caps resolveram transformar o protagonista em um bobalhão infantilóide, inseguro, obsessivo e com complexo de inferioridade. Feche os olhos e sinta um beijinho agora. De alguém que não vive sem você. Que não pensa e não gosta de outra menina, e tem medo de lhe perder. Podre.









3. Leo Jaime - Solange (So lonely, do Police)

Nos anos 80, a coisa tava realmente feia. E um dos grandes momentos vergonha alheia foi essa infame versão da música do Police, rebatizada de Solange por Leo Jaime. Solange, Solange, brada o refrão.







2. Juba & Lula - Surf é o que eu sei (Surfin’ USA, dos Beach Boys)

Mas, se fizeram bobagens nas versões acima, o que nossos replicantes brazucas conseguiriam fazer diante de uma canção originalmente bobinha como Surfin’ USA? A música eternizada pelos Beach Boys foi transformada em Surf é o que eu sei (aaargh) e regravada por Juba & Lula, personagens de Kadu Moliterno e André de Biasi que protagonizavam o seriado Armação Ilimitada, espécie de Malhação dos anos 1980s. Medonha.







1. Nenhum de Nós - Astronauta de Mármore (Starman, do David Bowie)

Pra encerrar com estilo. Pobre David Bowie, viu seu homem das estrelas ser transformado em um reles astronauta de mármore pela banda Nenhum de Nós. Além disso, nossa campeã merece uma menção honrosa por conseguir metamorfosear os versos There’s a starman waiting in the Sky. He'd like to come and meet us, but he thinks he'd blow our minds” no emblemático refrão Sempre estar lá e ver ele voltar. Não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar. Putz....



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts with Thumbnails