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31/07/2015

Dramaturgia jornalistica do dia-a-dia nos dai hoje

Já notaram que os programas jornalísticos-culturais estão virando novelas? E as as novelas do mundinho sub-celebridade-indie-hippie estão se transformando em programas jornalísticos?
Memória de brasileiro é mais curta que a grana. Todavia, não faz muito tempo, Gugu (aquele) criou (maneira de dizer) um blefe com o PCC de matar Manoel Carlos de inveja.

As novelas, por seu lado, estão funcionando agora como informativos sobre direitos civis, homossexualidade, saúde, higiene etc. A qualquer momento, portanto, poderemos ver William Bonner fazendo par romântico com Carolina Dieckmann na novela das oito. Ou Francisco Cuoco virando correspondente, em Nova York, do Jornal da Globo. Nota-se esta inversão de valores quando a maior notícia é uma banda dita de rock ser julgada num programa televisivo cheio de playbacks e celebridades sábias com o google à mão, E tive certeza de tudo quando vi a empregada da vizinha chorando convulsivamente ao assistir uma fala de da Filha de Xororó sobre a pobreza da nossa produção musical.  Não demora muito, ela abre um fã-clube do Eri Johnson e faz stand-up ou vira concorrente nos show de horrores de calouros. Claro, isso muda muita coisa na televisão brasileira.

A ideia de Fernanda Lima virar editora-chefe do Jornal Nacional e a de Andre Marques ser colunista da editoria musical parecia longínqüa. Mas pode acontecer muito antes do esperado.  Não esqueçamos que esses formatos enlatados hoje são a melhor vitrine do país. E todo bom jornalista sem diploma e opinioso cheio de si, quer mesmo é informar, não importa o meio, e sim a mensagem.

Já os telejornais contam com apresentadores cada vez mais ricos, vaidosos e totalmente neuróticos com a fama.  A mania de contratar produtores de pegadinhas para fazer pautas jornalísticas é outra coisa que tem trazido fortes mudanças na telinha. Alguns comunicólogos acreditam que Lula vestido de tirolês, dançando embriagado no último Oktoberfest, não passou de mais uma armação da “Casa de Criação” da Plim(2x). Analisado assim, o conceito de grandes coberturas ao vivo também se alterará com o tempo.

Se permanece esta tendência, devem demitir seu Núcleo de Jornalismo Esportivo. E mandar o elenco de “Malhação” cobrir as próximas Olimpíadas. Galvão Bueno e Casagrande podem ser aproveitados no Núcleo de Dramaturgia, graças ao grande carisma, fazendo “Carga Pesada”. Até porque, ao que tudo indica, Stênio Garcia e Antônio Fagundes devem ser os novos apresentadores do “Globo Rural”.  Se o Louro José não aceitar o cachê de 60 mil reais por mês oferecido pelo pessoal do Jardim Botânico, é óbvio.

PS: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

18/11/2013

A arte está está nas ruas e (quase) nada vai detê-la


Depois de longas décadas sem escrever por aqui, não pude me furtar a análise dos tempos atuais. O que se observa é que hoje, as produções que visivelmente são feitas apenas como meio de lucrar através de um sistema, que não preza pela arte e sim pela saúde mercantilista, me incomodam.  

O que me motivou a escrever sobre isso? Ver tantos artistas produzindo apenas repetição. Poemas e músicas chatas, sem sentido, que não transcendem. Poemas que não dizem músicas que sempre se parecem com alguma outra por aí. Na arte pictórica então, vish. Milhões de quadros de barcos tortos com a perspectiva errada. Milhões de imagens que não dizem nada, não expressam sentimento ou pensamento, ainda que sejam só aparentes rabiscos. Concordo quando definem a arte como; Originalidade.

Será que poderíamos por a prova a arte de muitos desses que defendem a arte? Confesso que meus ouvidos andam cansados de alguns músicos por aí.  Porquê? Porque eles fazem mais e muito mais do mesmo. Reproduzem as mesmas soluções musicais, as mesmas combinações... que cansativo. Ouvir um CD inteiro é quase um martírio.  Então, depois da formação psicológica que o currículo acadêmico me proporcionou (e o tema da mono ser Musicoterapia, reinclusão de deficientes através da percepção musical) percebi que, podemos dividir estas inquietações em quatro itens:   

Excelência Técnica, Validade,Conteúdo intelectual (visão cosmológica do artista) e Integração entre conteúdo e veículo . Neste primeiro tópico já eliminaríamos grande parte do músicos e outros artistas por aí. Até bem pouco tempo, o modus operandi" era fazer tudo pelo feeling, sem estudo, na base da vontade.  Não digo que não foram feitas coisas boas. Foram sim.  Mas penso que hoje as coisas mudaram bastante e quem não tem um conhecimento mais aprofundado de sua arte, vai se repetir, vai ficar chato e cansativo.

O que se vê por aí, cada vez mais que quantidade não é sinônimo de qualidade. Ao contrário. Quanto melhor a arte mais tempo e reflexão ela pede. A produção fica reduzida.  E digo. Lá fora os artistas são monstros. Para ser ouvido, será necessário muito arroz com feijão. Talvez isso seja um tiro no pé. Sem a Excelência Técnica não diremos artisticamente nada a ninguém. Esse tempo já foi. Os caras que no passado fizeram isso, esgotaram o assunto. Se sendo bons, muitos já estão à margem. Quando digo de excelência técnica não digo só de virtuosismo. Mas também cabe a ele.    

Quanto a Validade até nem questiono tanto.  Pois os assuntos, os valores são quase sempre os mesmo abordados em toda a história. Mas valeria um comentário. Que pena que a arte sacra se foi. E que pena que não temos mais os "Rembrandts" pintando FIlhos Pródigos e Jeremias. Tentando ver a arte ainda na sacralidade

Com isso, vejo um problemão no próximo tópico:

Conteúdo intelectual (visão cosmológica do artista). Toda arte expressa a cosmovisão do artista. O que ele crê ? Quais as suas convicções? Não era a toa que Picasso colocava uma pessoa de perfil e ainda assim você via o olho que deveria estar escondido. Isso mostrava seu pensamento filosófico, sua visão de vida. A mesma coisa com o Salvador Dali e quase todos os grandes. Em todos os períodos, temos artistas defendendo posicionamentos, pensamentos filosóficos e etc. E eis  um grande colapso. Sobre o que diz a nossa arte? Aliás, queremos falar do quê? Penso que ainda teremos um longo caminho a percorrer antes de ousarmos responder essas questões.

O próximo tópico também é bem complicado. Como escolher a melhor maneira de dizer o que preciso se minha cosmovisão e excelência técnica estão em colapso? Com certeza este tópico será destruído, pela ausência dos valores anteriores. Pra se escolher a melhor maneira de dizer com o melhor caminho, escolhendo as melhores ferramentas; é preciso ter as ferramentas e os recursos. 

Sem conhecimento, habilidades e convicções cosmológicas, nunca se fará Arte de verdade. Serão apenas tentativas chatas de fazer alguma coisa. E o público? Aplaudiu! Meus amigos, se o artista que é o grande preocupado em estudar, se aprimorar, pensar o modo de criar, o que dizer e etc... está falhando e está em colapso, como o público conseguirá avaliar?

Porém os expectadores sim, terão  direito de usar o feeling na avaliação. Vejo que é bonito você parecer cult, assistir milhões de filmes e ver inúmeros espetáculos, assistir orquestras e etc. Essa imagem de conhecedor de Arte pode ser sim, muito falsa. E os aplausos recebidos podem ser de completos ignorantes no assunto. Por isso o critério do artista deve sobrepujar os aplausos e as palavras doces no final da apresentação. Sua arte deve estar em constante prova e a busca pela inovação e originalidade incansáveis.

Se o artista cansar de buscar a originalidade, sua arte morreu.

15/08/2013

A tristeza do artista quando jovem


Era uma vez, um evento cheio de banda autoral num pub bacana, dia de semana e cerveja gelada no freezer. Quando olhou o camarim reservado, se alegrou. Instrumentos musicais se misturavam ao cheio forte da urina no banheiro acoplado. Depois de anos de anonimato, esnobação dos críticos e completa inexistência na lembrança da mídia gorda, aquilo era a prova de que havia certa justiça “nesse mundo de meu D´us”. O autoral, enfim, tinha voz (e vez!).

Numa algaravia, os auxiliares perguntavam coisas sobre a tonalidade da mesa de som, sobre o roteiro, os convidados “vip”, as canjas. Mas seus ouvidos não acompanhavam mais nada do que vinha de fora. Só as orelhas de dentro funcionavam agora. As orelhas e os olhos internos.

Lembrava-se com grande clareza de seu longo calvário, as temporadas no circuito alternativo das cidades-satélites de Brasília. Muitas vezes tocando sem cachê algum, apenas para tentar imprimir suas ideias revolucionárias a um grupo pequeno, mas interessado no novo. Por outro lado, não havia meio do trabalho dele decolar, parecia uma sina. Quanto mais tentava divulgá-lo, buscar pacientemente espaços, mais era esquecido pelos que controlavam as programações de rádio e tevê. O acaso começava a jogar a favor. Agora vai.

Um assistente avisou que faltavam dois minutos para o início do show. Fez uma pequena prece, memorizou o repertório. Ouvindo o ruído dos primeiros ruídos de rock da noite, ergueu-se, dirigindo-se altivo à boca do palco, e, como sempre, à espera de um show que nunca começava.

Nesse instante, o último ônibus para sua casa tinha acabado de passar. Sua volta pra a tão aguardada cama quente há 50 km dali, era apenas um desejo distante. Seu dinheiro mal dava pra pegar as outras 4 conduções até chegar no tão sonhado lar doce lar. 

E, em seu momento mais triste, parou – olhou – refletiu: Para que serve o atraso?500 anos nos fazemos esta pergunta. E, antes de nós, os portugueses também a faziam. Só que, para eles, a resposta era bastante curta e grossa: "Pindorama serve para levarmos ouro e deixarmos padarias”.

Para Dom Pedro I, foi amplamente divulgado, o atraso serviu para arrumar rabos-de-saia. E, para seu pai, serviu para tirar umas fotografias a mais (ou a menos!) em preto e branco. A realidade é que cada um tem uma resposta para o enigma. Se fizéssemos a mesma pergunta para formadores de opinião contemporâneos teríamos muitas surpresas. Neoliberais de raiz, por exemplo, provavelmente responderiam, com sotaque ianque: "serve pra eu continuar empregado do George Soros. Já Gisele Bündchen, grande musa, diria: “Atraso”? Mas o que é isso?”.

Sim, sempre foi difícil definir, quanto mais uma mega-comunhão de raças, credos e times de futebol. Há quem diga que o ele não existe, que é apenas mais uma novela da Globo, transmitida 24 horas por dia, com direção do Roberto Talma e roteiro da família Marinho.


Há os que juram de pés juntos que o relógio é que é o culpado. Talvez, até por causa desta falta de definição, a pergunta continue latejando em nossas testas por séculos e séculos: pra que servem eventos com esperançosas almas, artistas multifacetados e uma dívida infinitamente menor que a paciência da sua população? Serve para o trabalho (quando há trabalho), em vez de dignificar, danificar o Homem? Serve para enriquecer meia centena de produtores? Serve pra escrever crônicas interrogativas como essa? Talvez fosse melhor pensar para o que não serve esta falta de respeito.

Por isso, é tão importante se fazer esta pergunta. Ao dormir, ao acordar, ao fazer as refeições (se houver refeições), na fila do INSS, na carteira escolar, no banho (se houver água). Afinal de contas, para que serve o horário estabelecido nas casas de shows? Os velhacos mandatários da nossa política já devem ter se feito esta pergunta antes. E muitos já teriam mesmo uma resposta pronta, na ponta da língua, há muito tempo: "o relógio serve pra me servir”.

E, como tudo o que escrevi aqui é ficção, pode ser que eu esteja fingindo ou mentindo.

15/05/2012

Fã de Internet é o novo punk de boutique


A cultura do fã foi reformatada na era da tecnologia digital  e produziu uma diversidade de tipos de conhecimento diferentes em nossos ambientes musicais, até então.

Essas participações que emergem nas redes estão entre as tendências atuais.

A possibilidade que os consumidores têm de arquivar, anotar, se apropriar e re-circular o conteúdo a partir de novas ferramentas e tecnologias; Ou promoção do "Do it toguether" ( proposta pelos coletivos culturais) e promovida por uma variedade de subculturas na web, são bons exemplos.

Por meio dos fóruns on­line e sites de relacionamento, as audiências interativas tornam visíveis o “trabalho dos fãs”, que antes era invisível às mídias massivas, ou então possuía uma visibilidade mínima por meio de correspondências, ou de fanzines e meios alternativos.

A interatividade das tecnologias, as interações que ocorrem entre os consumidores de mídias, os textos e os produtores, uma vez que as fronteiras entre esses papéis encontram se embaralhadas.

Os fãs de rock, rap, música eletrônica, apenas para citar três gêneros musicais de grande apelo às culturas juvenis (e as cada vez mais comuns hibridizações entre eles), identificam-se com uma cada vez maior amplitude de subgêneros e estilos derivados dessas matrizes, que surgiram ainda no século passado em algum lugar entre a cultura de massa e a contracultura.

Em relação aos fãs de música e suas experiências on­line, duas tendências podem ser distintas ou associadas: o fã-colecionador, aquele que divide seus registros (obtém vídeos, gravações raras etc. e as compartilha nas redes).

O colecionador pode se apropriar de uma determinada materialidade tecnológica e transformá-­la de acordo com seu próprio gosto e identidade, ou ampliar o repertório de artefatos culturais em uma ressignificação das práticas de consumo.

O fã-produtor, aquele que se torna também parte do cenário produzindo material próprio a partir de suas referências musicais.Nesse contexto de popularização das ferramentas tecnológicas de produção, gravação e distribuição da música. Quem ganha são vocês, antenados e descolados virtuais. Aproveitem porque em tempos de S.O.P.A, mosca não pode pousar!

28/11/2011

Xuxa e o Xatanás

por Pedro Pial*

Uma das lendas mais enigmáticas do show business brasileiro é aquela que fala do suposto pacto firmado entre a Rainha dos Baixinhos e o Tinhoso Capiroto. Diz a lenda que ao se girar os antigos discos de vinil da Xuxa no sentido contrário, era possível ouvir mensagens e orações satânicas. Houve até um especial no Programa do Ratinho, há alguns anos, cujo tema foi exatamente a comunicação do inferno com os homens via discos girados ao contrário. Um marco no jornalismo investigativo televisivo.

Mas, vejamos. Por que cargas d’água o cramulhão, sabidamente apreciador de heavy metal, resolvera se comunicar com os brasileiros nos discos da Xuxa?? Um misto de axé e lambada com letras ainda mais infanto-retardadas e aparentemente inofensivo? Simples. A rainha seria simplesmente a própria personificação do tinhoso e seus discos e músicas o instrumento de dominação intelectual.

Vamos lá. A mulher se chama Maria da Graça MenegHELL, o que por si já entrega a identidade nas entrelinhas. Mas, tem mais. A música “Marquei um X” delata as reais intenções de sua autoria e faz uma flagrante menção ao claro objetivo de dominar a alma do ouvinte. Pois sim, caros leitores, todos sabemos que o número do Pé de Cabra é o 666. Ou six-six-six, em inglês, o idioma internacional. E quando a música diz “Marquei um x (que ao contrário fica, vejam bem, six), um x, um x no seu coração”, ela, na verdade, está narrando, em tempo real e com fina ironia, o processo de dominação ao qual está sendo submetido o ouvinte.

Seu segundo disco, Xou da Xuxa 2, de 1987, é um desfile de heresias. Com direito a uma diabólica troça com a chegada do Juízo Final e as epidemias que assolariam a humanidade. "O dengue na guitarra/A praga no tambor/O xuxo a latir/Essa banda é um terror!" E aqui, os quatro Cavaleiros do Apocalipse entram em cena: "Quatro paquitas botando pra quebrar/Todos pulando juntos/Não vai dar para parar!" Realmente, Xuxa, não vai dar para parar mesmo....

E no terceiro disco, Xou da Xuxa 3, de 1988, então? As coisas chegam ao ponto do exagero, com Xuxa convocando Lúcifer na cara dura, com os versos do Necromancium (Livro dos Mortos): "Eu quero ver tindolelê yecoyeco chiquechiquebalancê".

Pra encerrar, a última e mais contundente das provas. No DVD Xuxa para baixinhos, um verdadeiro sabbath é comandado pela rainha. Onde as crianças, em transe, entoam mantras de louvor e obediência ao cão.

Mexe a cintura com o Txutxucão
Mexe a cabeça com o Txutxucão
Mexendo as mãos e o joelho assim
Dançando com o Txutxucão

Levante as mãos com o Txutxucão
Abaixe as mãos e a cabeça assim
Sai do lugar nessa posição
Dançando com o Txutxucão



*Pedro Pial, 76, é ex-junkie, ufólogo profissional e neurocirurgião amador.
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