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28/12/2013

Popdollkiller: O rock está morto. Longa vida ao rock.

Li, há alguns dias, que o rock saiu do top 30 brasileiro pela primeira vez desde o ano 2000. Tá, mas que bandas eram essas? Rappa, Charlie Brown, Jota Quest, Pitty? Surpresa! Nenhuma nascida de 2000 para cá, né? Qual foi a última banda de rock que nossos pais, tios ou primos que não curtem rock ouviram e sabem pronunciar o nome? Provavelmente, eles não se lembram nem da Pitty. Talvez do Charlie Brown, mas aí não foi por causa da música, mas sim das tragédias ocorridas neste ano. Jota Quest nem deve entrar na categoria rock para quem é menos entendido no assunto.

No meio independente, existe sim muitas bandas de rock produzindo coisas novas e legais. E quem ouve? O público independente que busca coisas novas, oras! A massa mesmo, sempre vai se ligar e ouvir o que está na rádio ou nos programas de auditório. E rádios vivem de publicidade, assim como qualquer veículo de mídia ou casas de shows. Uma pequena porcentagem de rádios topa colocar coisas novas. As maiores preferem não arriscar muito e jogam baixo mesmo. Elas preferem repetir a mesma seqüência de 10 músicas que garantem algum público do que inovar e acabar perdendo alguns de seus ouvintes.

E quem são os ouvintes? Pessoas que querem ouvir músicas fáceis, que falem sua língua, com seus erros, e que se identifique com seus sentimentos. Algo "para cima",  para ouvir enquanto trabalha, tipo Michel Teló, ou canções com palavras bonitas que os faça chorar, como a de Luan Santana. Não precisa pensar muito. Conhecer o público brasileiro é fácil. Basta ligar a TV aberta em qualquer horário, em qualquer dia. Achar que um artista independente do rock nacional fará sucesso entre o grande público é no mínimo ingenuidade.

A minha geração não vingou neste sentido. Nem o CSS, que fazia sucesso internacional, está mais tão bem assim. Tudo bem, acho que a gente não pensava mesmo no grande público. Nunca pegamos o caminho de fazer algo mais radiofônico. Algo que não significa que não havia banda alguma que pegasse bem em rádio. Superquadra, por exemplo, era a banda mais radiofônica de Brasília. Tocava em rádio, a Cultura, quando era comandada por Marcos Pinheiro, que sempre tem um programa de rock na cidade.

Li algumas matérias sobre o assunto e a que me chamou mais a atenção, foi a do Marcos Bragatto, intitulada: A viagem é outra. Nesse texto, acabei encontrando o que não chamaria de erros, mas de certa empolgação exagerada de músicos e produtores. Pode-se sim se manter como banda no meio independente. Neste caso, abra mão de toda e qualquer possibilidade de receber um salário razoável, pensar na aposentadoria, de pensar e falar o que bem entender e de produzir o que bem entender. Parece carreira de esportista. No início pode até pegar. Por alguns anos a coisa pode ser sustentável. Depois vem a corrida para o financiamento público, produção musical, propaganda para outras marcas e até propaganda política. Obviamente, não estou incluindo todos os artistas nesse rol, mas diria com folga que pelo menos 95% acaba assim.

Agora temos um marco histórico, o rock saiu do Top 30 Brasil. Mas isso é apenas o diagnóstico de um sintoma do que vem ocorrendo há tempos. Não sei se aquele rock de fm voltará. Pra mim, nunca fez nem fará falta. Aqueles Top 30 nunca estiveram na minha lista e assim como o grande público eu não sei dizer o nome de uma música sequer do Charlie Brown, do Jota Quest ou do Rappa. Nunca fui a nenhum show deles e ficaria tão aborrecida em ter de assisti-los até a atração principal aparecer quanto se fossem Claudia Leitte. Não uso mais a rádio para buscar coisas novas. Nem assisto a programas de televisão.

Em 2005, quando começamos a tocar com o Lucy and the Popsonics, percebemos que ficar sentados em porta de rádio que toca sertanejo era perda de tempo. Construímos nosso caminho por outro lado. Da mesma forma que outras tantas bandas ou músicos. Não precisamos lamentar a saída do Top 30. Ela só representa a massa que não vai escutar rock. O rock não morreu. Nem morrerá tão breve. Não existe qualquer outra vertente musical com tantas possibilidades para se reinventar. E assim continuará. Se reinventando e persistindo.


g

27/09/2013

Popdollkiller: Eu, meu walkman e minha Music Television

Em 1994, eu comprei meu primeiro walkman. Meu pai colocou algumas 80 cédulas na minha mão e disse “faça uma pesquisa e compre o que tiver o melhor custo-benefício!“. Eu achei um walkman style por 28 reais, mas a gente não pagava com reais porque ele não existia ainda. Era URV (unidade real de valor, espécie de moeda transitória), tá? Fui para casa e finalmente poderia colocar as minhas fitas K7 gravadas do Cult 22 da semana passada. A minha diversão musical da semana era escutar aquelas fitas. Sim, porque os discos dos meus pais, por melhor que fossem, não era o que eu queria mais.

Não demorou muito. Algum tempo depois, meu pai chega em casa e me fala que tinha assinado uma tv a cabo. Massa! Lembro de pegar o controle e começar a passar os canais. Eu parei na MTV e lá fiquei a tarde toda. O Kurt Cobain já tinha morrido, mas eu ainda não tinha assistido o Smells Like Teen Spirit. Pois é, no outro dia eu roubei o lápis de olho da minha mãe e fui pra escola com o olho pretinho. Meus colegas me perguntavam: nossa, o que aconteceu? Eu respondi: - Escuto rock agora!

Era sagrado. Todos os dias ligava na MTV. Tinha de tudo: rap, pop, rock, indie, disco, boy band, tudo. Era 24 horas por dia. Tinha música em qualquer horário. Era Faith no More, Smashing Pumpkings, NWA, Sepultura, Blondie, Rolling Stones, L7, Chico Science, Stone Temple Pilots, Cindy Lauper, Madonna, Michael Jackson, Beastie Boys… Eu não tinha nem terminado meu primeiro grau, mas já cantava e falava sobre música, e de todo tipo de música.

Dois anos depois, eu ganharia meu primeiro baixo e montaria minha primeira banda. Claro, era só de mulheres, tipo L7, rs. Não durou muito e meio que inspirada pelos clipes do Joy Division, NIN, resolvi montar uma banda industrial. O Pil (N.E.: marido e companheiro na banda Lucy and the Popsonics) foi guitarrista desta banda e foi nessa época que começamos a namorar.

Como se não bastasse, eu não devorava apenas a MTV Brasil. Eu tinha a MTV latina também. Eu não tinha grana para comprar discos, forma como as pessoas descobriam música na época, fora os poucos programas de rock que existiam, mas eu consumia insandecidamente música. Descobri Superchunk pelo Massari. Não lembro bem se foi o Kid Vinil quem os entrevistou no Brasil. Superchunk em Brasília foi meu primeiro show internacional, foi minha primeira invasão de camarim, para entregar minha primeira fita demo. Eles provavelmente ouviram essa fita… coitados!

Pois é… é uma coisa meio louca mesmo. Acho que nunca fui nada, mas tudo ao mesmo tempo. Tentava tocar uma coisa parecida com NIN, mas amava Prince e Gary Numan. Também ficava admirada quando assistia Sepultura, Talking Heads, Madonna, Cindy Lauper.

Ah, não se baixava música pela internet, ok?

Às vezes, você até conseguia juntar algum dinheiro que daria para pagar UM disco na Redley Records (N.E.: lendária loja de discos de Brasília). No meu caso, até fiz amizade na Discoteca 2001 do Conjunto Nacional para conseguir algumas fitas pirateadas por quem tinha acesso àqueles discos que eu tanto queria. Conseguia uma ou outra. Pode acreditar, ter um disco de rock até o início dos anos 2000 ainda era extremamente difícil. Normalmente quem tinha acesso era quem viajava para o exterior ou quem tinha amigos que viajavam. Mas nos anos 90, graças a MTV, isso mudou. Todos se lambuzavam com muita música, clipes, acústicos, informação, apresentações, entrevistas, shows....

Obrigada, minha Music Television! Obrigada, Fábio Massari, Kid Vinil, Edgard Piccoli, Astrid, Rodrigo, Marina Person, Gastão Moreira, Thunderbird, Cuca, Sabrina Parlatore! Obrigada por terem me ensinado tanto! Meu iPod agradece!

*Fernanda Popsonic é vocalista e baixista da banda Lucy and the Popsonics.
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