18/01/2013

The dream is over...


No último domingo, recebi com tristeza a notícia do fim daquela que foi pra mim a melhor banda brasileira dos últimos 15 anos.

Hoje foi o último show do Zumbi do Mato. Pelo menos, o último show dessa formação e o último show comigo. E foi muito legal. Parece verdadeiramente que o Garage Art Cult se materializou no Odisséia. Já tinha percebido isso da plateia, mas ver do palco é outra coisa.

A gente guardou a surpresa pro final, pra dar aquele efeito de Sexto Sentido (o filme) em que uma última informação ressignifica tudo que já estava guardado na memória de um jeito.

E também pra ser o contrário de uma autopromoção usando o término como mote.

A plateia foi incrível. Quero agradecer a todos que foram, às outras bandas, e principalmente ao Fabio Costa, cuja memória permitiu essa reunião emocionante.

Agora, seguimos nossos caminhos. Gustavo Jobim e eu temos nossos trabalhos solo, Sandro Rodrigues e eu temos o Digital Ameríndio, e tem ainda o Padaria Sinistra, com muita fornada boa por aí :)


Löis Lancaster

Zumbi do Mato foi um pé na porta, o caos, a anarquia, a subversão autoral. A perfeita personificação do não-pop, da não-estética. Seus discos recebiam títulos sensacionais. E suas letras absurdamente geniais, imortalizaram versos que são verdadeiros tesouros da música brasileira.

Vai chupar cocô
pra ver disco voador
Hecatombe intestinal
Boi zebu é maioral

Confesso que há anos perdi a inocência para ter ídolos na cultura pop. E a única banda com quem ainda tinha uma relação de era justamente o Zumbi do Mato. Tenho certeza de que os poucos e seletos fãs da banda também estão com esse sentimento de perda.

Game over. Acabou. A enfadonha música brasileira está ainda mais careta e previsível desde que o vocalista Löis Lancaster anunciou em seu Facebook que o sonho chegou ao fim.

Menorme (1997), Pesadelo na Discoteca (2000), Adorei a Mesinha (2005) e Toma Figurão (2008) formam a preciosa discografia daquela que, no fim das contas, foi a única banda dos últimos anos que realmente importou. Obrigado pelos momentos de alegria, Zumbi do Mato.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Rock Brasília, desde 1964 conta com sua ajuda e suas sugestões para se aperfeiçoar. Comenta aí!

ATENÇÃO! Como a moderação está ativada, pode ser que demore uns minutinhos pro comentário aparecer. Palavras de baixo calão e críticas que nada tenham a ver com o contexto da postagem serão limados sem dó.

Valeu pela participação.

Renato Nunes

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts with Thumbnails