Mobília nova chegando

A banda brasiliense mais bem sucedida desta década também está à frente da produção independente de maior sucesso no mesmo período. Falo da big band Móveis Coloniais de Acaju e de seu projeto Convida. Pelos palcos do Móveis Convida passaram as principais bandas independentes de Brasília e do Brasil, e invariavelmente suas edições têm sido sucesso absoluto de público desde o lançamento do álbum Idem, em 2005.
No próximo dia 3 de abril, após uma breve pausa, o Móveis Coloniais de Acaju retorna ao seu evento para um show inédito e com entrada franca no Centro Comunitário da UnB, para apresentar seu mais novo álbum, C_MPL_TE. Álbum que será disponibilizado para download gratuito no Trama e sobre o qual falarei especificamente em uma próxima postagem.
Na programação, reafirmando o caráter eclético que sempre marcou o Móveis Convida, estarão o grunge goiano do Black Drawing Chalks, o quase experimentalismo dos sulmatogrossenses do Macaco Bong e o hardcore insano dos brasilienses do Galinha Preta. Além, é claro, dos anfitriões. A abertura do show está marcada para as 22 horas.
Como eu ainda não havia postado nada da banda (apenas o compacto Vai Thomaz no Acaju), vou aproveitar a deixa pra disponibilizar o álbum Idem, de 2005.

Móveis Coloniais de Acaju – Idem (2005)

01 - Perca Peso
02 - Seria o Rolex?
03 - Aluga-se-vende
04 - Copacabana
05 - Menina Moça
06 - Cego
07 - Esquilo Não Samba
08 - E Agora, Gregório?
09 - Swing Hum e Meio
10 - Do Mesmo Ar
11 - Sadô-Masô
12 - Receio do Remorso


E uma boa semana para todos!

Por onde anda Antônio Carlos?

1986...
Lembro de AC no Gilbertinho. O conhecia dos shows e das noitadas. Aparecia sempre de moto ou camelinho e sua gaita no bolso. Tinha um adesivo AC em sua moto e gostava de brincar com seu apelido – AC – que é a alcunha dada para ácido.
O que ele fazia era fora do comum. A moto trial só chegou no Brasil por volta de 1983 e, em 1986, AC já era fera, um verdadeiro trapezista. Era incrível, quando ele começava a brincar logo uma roda se fazia em volta dele e se fosse possível ficaríamos lá horas. Ele era o Fejão da moto/bike trial (naquela época ninguém conhecia esse nome e nem sabia que existia essa modalidade).
Não sei onde ele morava e de onde aparecia, mas éramos bem amigos, ele ia aos shows dos Mengele e das outras bandas.
Bem, acabei vindo para SP em 1987 e um ano depois, andando pela Rua Augusta em pleno sábado (indo para algum boteco) nos cruzamos. Ficamos surpresos, ele estava com seu camelinho, fez algumas manobras incríveis na calçada (que a galera babou), nos sentamos para conversar, ele tocou uma gaita e disse que estava aprendendo tocar saxofone e levava um som com alguns amigos. Depois nos vimos mais uma vez, acho que em frente ao Aeroanta, me disse que tinha organizado um encontro dos adeptos de manobras/trial de motos e bikes na rua da TV Cultura, me convidou pra ir lá ver, mas nunca fui. Teve até matéria na televisão sobre essa galera. AC estava pensando em ir para a Espanha por que lá esse esporte era mais valorizado. Talentosíssimo, tinha o dom da coisa. Dava pra ver que ele ia se dar bem, mas nunca mais o vi.
Por onde anda Antônio Carlos?

Experimenta

A total despretensão comercial e uma boa dose de ousadia criativa são algumas das principais características dos projetos que envolvem experimentalismo musical. E em Brasília existem alguns trabalhos que merecem uma atenção especial.
Há desde a erudição do Satanique Samba Trio à autointitulada parapsicodelia nuclear, do Debtus Dallas. Tem a viagem introspectiva do Sons de Quarto e até um lado mais pop, se é que dá para se chamar assim, representado pelo som do Seu Dreher.
O Satanique Samba Trio é, na verdade, um quinteto formado em 2002 por músicos eruditos graduados na Universidade de Brasília. É impossível não se lembrar do Naked City (N.R.: Uma banda novaiorquina cujo som une jazz, rock pesado, músicos virtuosos, vinhetas, trilhas sonoras incidentais e gritos ininteligíveis e que passa a quilômetros do popular esquema estrofe-estrofe-refrão-estrofe-estrofe-refrão) e tal como os gringos, o SST também faz músicas (algumas com poucos segundos de duração) bem quebradas, bem complicadas e, sim, bem bacanas.
Profetas cuja missão na Terra é transmitir o conhecimento por meio das partículas elementais ods que são transmitidas por suas paramúsicas. Assim se apresenta o Debtus Dallas, formado em 1997. Basta ver os títulos das canções(?) como Processo de Reprogramação Mental, O Fim dos Trapalhões foi o Circo de Horrores do Gentileza pra mim (Trapa´s End) ou The Dark Side of the Earth para perceber que esse conceito messiânico é levado às raias da demência completa. Um prato cheio para se achar mensagens subliminares propositais. Um pouco perturbador para ouvidos mais sensíveis.
O Sons de Quarto é um projeto do guitarrista Pedro Oliveira (ex-Mobilee) que começou em 2008 e traz músicas instrumentais carregadas de sentimentos. Não há letras, mas os acordes são densos. O clima de solidão está bem destacado e os efeitos nas guitarras foram muito bem escolhidos. É o tipo do som que faz valer a máxima de que onde falta pretensão comercial, sobra capacidade criativa.
O multinstrumentista e produtor gaúcho Gustavo Dreher, que hoje mora em Brasília e é tecladista do Bois de Gerião, já trabalhou na produção de álbuns de artistas como Júpiter Maçã, Ultramen e Armandinho, além dos brasilienses Bois de Gerião e ASKeS. É ele quem assina o projeto Seu Dreher.
É difícil de encontrar alguém que faça música influenciada pela psicodelia sessentista mas que não pareça reciclagem mal feita. O Seu Dreher é assim, todos os elementos dos álbuns de 1967 estão lá, mas o resultado tem cheiro de novo. Percebi também um pouco da surf music brazuca da banda gaúcha dele, o Argonautas. É muito bom mesmo. Em 2008, o Seu Dreher recebeu aquele beleza que o site Trama concede aos destaques por lá.
As dicas ficam aí. Para quem quer fugir um pouco da música convencional, passear pelos links dos artistas da postagem é diversão garantida.


Marchetteiras: Do Fundo do Baú...

Remexendo meus arquivos e back ups acabei achando algumas poucas preciosidades que aos poucos publicarei aqui. A primeira delas é essa matéria do Jornal de BsB, de 1984. Nessa época as bandas já tocavam em SP e RJ, mas ainda não tinham público em Brasília, apenas os amigos e curiosos iam aos shows, que eram constantes.
PS: Não ligue para os nº dados nesta matéria pois são todos absurdamente exagerados.

JORNAL DE BRASÍLIA – 04/05/84
PUNKS À VISTA. A CIVILIZAÇÃO CHEGA À CAPITAL DO PODER
Hoje e amanhã a partir das 21 horas, no colégio Alvorada, na 916 Sul, Brasília assistirá a um fenômeno que ainda dará o que falar: a explosão do rock-punk. São três bandas – Capital Inicial, Plebe Rude e Legião Urbana – apresentando músicas vibrantes com letras-lâminas que retalham a realidade cruel do mundo de hoje. Na platéia se reunirão mais de 2.000 jovens que, ao contrário dos universitários politizados, querem transformar o mundo através da música. Vale a pena não perder. O repórter e poeta Luis Turiba conversou com vários membros dessas bandas e saiu do papo totalmente “punkeado”. Eis aqui o seu relato
“A gente tá pegando de onde os Mutantes largaram. E não vamos fazer por menos”. As palavras de Renato, um roqueiro de 23 anos, líder da banda Legião Urbana, podem ser encaradas como um compromisso de honra, um ponto programático, uma não-concessão ao estilo meloso alienado radiofônico das Sons Livres da vida. Rock é rock mesmo. Rock pesado, rude, rústico, social, crítico, carnal, fatal. Um grito de vida. Rock não é isso que tocam por aí e o marketing diz e vende como rock... Rock é rock mesmo!
Yes, habemos punks!
Punk é uma terceira geração do rock, depois dos beatnicks pós-guerra, dos hippies power flower do ácido psicodélico. O rock da era nuclear, da época do lixo. Os ratos não cooptáveis. Nem pelo Capitalismo nem pelo Comunismo. Abaixo os Ismos.
Sagrada cidade a de Brasília onde tribos do “Rock é rock mesmo” proliferam e prometem infernizar a calmaria classe média. Nenhum país pode se transformar, fazer uma revolução humanística e musical sem os acordes das guitarras de rock, força viva de uma juventude que não se rende. Os roqueiros e os poetas são irmãos da transformação mundana. 
Agora chega de papo e vamos a algumas informações fundamentais para quem quer entrar nessa onda:
- Há um ano atrás, no simpático teatrinho da ABO, 916 Sul, várias bandas de rock-punk, se reuniram para um festival. Pouca gente prestou atenção ao fenômeno que nascia ali, mas eu e Luis Eduardo Resende (o Resa) estávamos lá.
- Agora, pra comemorar o primeiro aniversário da tribal rapaziada, estarão se apresentando hoje e amanhã, a partir das 21 horas, no Colégio Alvorada, também na 916 Sul, três bandas de rock que sobreviveram, cresceram, aperfeiçoaram o repertório e algumas já estão prestes a gravar o primeiro disco. São elas: CAPITAL INICIAL, LEGIÃO URBANA e PLEBE RUDE.
- Em torno dessas três bandas trabalham mais ou menos 50 pessoas, poucas com idade superior a 25 anos. Na realidade, porém, eles são uma tribo com mais de 400 membros, todos com um estilo próprio de cabelo (não cumprido, não curto, não penteado) e roupas nada convencionais. São lindos revolucionários.
- “O que nos uniu foi à idéia de fazer música, rock. O movimento nasceu na Inglaterra, onde a juventude se negou prosseguir cantando odes para os Roll Royces e o Rei Henrique VII e passou a cantar o dia a dia do tédio, sexo e drogas”. (declaração de Fê, 22 anos, do grupo Capital Inicial).
- “Não é preciso estudar 10 anos os conceitos musicais do poeta John Cage para se fazer rock. A gente não é músico. A gente está aprendendo música ao fazer música”. (declaração de Renato Russo, da Legião Urbana).
- Brasília nunca produziu nada tão forte. Nem o Oswaldo Montenegro, aquele chato”. (declaração de Zé Renato, sem banda).
- “Me pediram para ser paciente. Falhei, então gritaram: cresça e apareça/ Cresci e apareci e não vi nada / Aprendi o que era certo com a pessoa errada / assistia o jornal da TV / E aprendi a roubar pra vencer / Vocês venceram esta batalha / Quanto à guerra vamos ver”. (Trecho da música “O Reggae” da Legião Urbana).
- Emilinha Borba? Quem foi? Já está morta? O voto é secreto e não revelo o meu. Além disso, sou menor. Newton Cruz para presidente. Que isso. Para de brincadeira! (papo de um grupo punk sentado à mesa do Beirute).
- Estamos procurando uma linguagem nossa, nova. Nossas bandas se apresentaram com sucesso de Rose Bom Bom, em São Paulo; no Circo Voador, do Rio; da Fábrica do Som, de São Paulo; e nossas músicas tocam com sucesso na Rádio Fluminense. Mas aqui em Brasília, quando passamos nas ruas, os idiotas ainda dizem gracinhas. Agora, a Legião Urbana vai gravar um disco na Odeon. (declaração de , baterista do Capital Inicial).
10˚ - “Punk da periferia é uma bosta, mas Gilberto Gil é muito bonito”. (declaração de um menino punk).


Entrevista exclusiva: Canisso

Os Raimundos fizeram seus primeiros e despretensiosos ensaios em 1988, lá se vão mais de vinte anos. Nessa época o Canisso era “o cara mais velho” que tinha carteira de motorista e sabia tocar as músicas dos Dead Kennedys, duas características que o deixavam alguns degraus acima dos demais moleques que ensaiavam na Mad House do André Bermak. O Canisso era um cara que tinha mais afinidades com a molecada hardcore que começava a esfolar ouvidos por Brasília do que com a rapaziada pós-punk de sua idade.
Em 2007, ele retornou ao Raimundos depois de 5 anos afastado, período em que tocou no Rodox e no Quebraqueixo. E em 2008 a banda retornou à mídia após longa data, isso foi no Altas Horas (onde ele até aconselhou a então futura medalhista, Maureen Maggi) e participou de dois grandes shows em Brasília, no aniversário da cidade e no reveillon – ambos na Esplanada dos Ministérios.
O ano passado marcou também a volta da banda ao circuito independente nacional, um cenário bem diferente daquele da época do Festival Juntatribo, quando o forró-core brasiliense foi apresentado para o resto do Brasil, no início da década de 90. O Canisso concedeu uma entrevista exclusiva para o Rock Brasília, desde 1964 onde fala um pouco sobre a história e o momento atual da maior banda brasileira dos anos 90.

Canisso, o Raimundos parece estar vivendo o melhor momento desde a saída do Rodolfo, é uma impressão que procede?
Não tenho como avaliar ao certo, pois fiquei quase 5 anos fora da banda, mas esse último ano foi bastante proveitoso, tomamos a tarefa de empresariar a banda pra nós mesmos, e com isso o leque de shows aumentou bastante...a entrada do Caio na bateria tbm deu um gás a mais e isso se reflete nos shows.


O que foi mais difícil, superar a saída do do Rodolfo ou superar o fato da banda ter figurado no topo do mainstream?
A saída do Rodolfo nunca foi superada totalmente, ainda trás sequelas e mágoas até hoje.... Quanto o mainstream, ao meu ver foi a pior época da banda, musicalmente e em termos de relacionamento entre os componentes, e o público mainstream é volúvel, sou muito mais passar 10 anos como banda pequena (mas com um público fiel) do que 5 sendo sucesso nas paradas, apesar da grana e fama...


Cara, aqui em Brasília se diz vários absurdos, como por exemplo, afirmar que o Digão nunca tocou guitarra ao vivo e que dependia do Guiminha para quase tudo nos shows da época áurea, o que você tem a dizer sobre isso? 
O Guiminha sempre foi um trunfo escondido (injustamente). Ele possibilitava trazer partes das músicas que nunca conseguiríamos reproduzir ao vivo pra cada show, tocava teclado, dobrava a voz do Rodolfo, fazia backing vocals e durante muito tempo foi nosso técnico de som (hoje em dia ele está de volta!!!), mas não dublava o Digão, às vezes fazia uma segunda ou terceira guitarra junto. Pra adcionar, nunca pra substituir.


Eu costumo definir o Raimundos como o Beastie Boys brasileiro. Eles também começaram com letras bem adolescentes e foram amadurecendo com o passar dos anos. Você acha que os Raimundos ficaram escravos de alguma “fórmula de sucesso” que impediu que as temáticas das músicas fossem se modificando conforme vocês fossem amadurecendo?
Engraçado, as pessoas pensam dessa forma mesmo, porque o único disco que nos afastamos um pouco da temática mais escrachada (o Lapadas do Povo) foi justamente aquele que teve a sua divulgação prejudicada por aquele acidente com o público em Santos, ficou a impressão que houve uma tentativa de amadurecimento do trabalho que não deu certo.... Mas nunca houve uma fórmula mágica do sucesso, cada disco é uma fotografia fiel de cada fase que estávamos passando....

Que diferenças você percebeu entre o circuito independente de hoje e o da época do Juntatribo?
Hoje a parada é bem mais "profissa" veja a quantidade de festivais independentes , a Abrafin, o Myspace..., pra uma banda hoje em dia é muito mais fácil mostrar seu trabalho. Na época do Juntatribo o "corre" era muito pior, não tinha nem internet, era na base dos fanzines, correio, fitas demo....

Não podia deixar de falar no Rodolfo. Você, Digão e ele foram amigos durante muitos anos e compartilharam muitas coisas durante uma boa parte da vida, a separação não permitiu que restasse nada dessa amizade?
Cara, de minha parte a amizade continua, mas o contato é difícil, ele parece que encontrou outros caminhos que não se cruzam mais com os nossos...enfim, sorte pra ele nesse caminho que ele escolheu.

Canisso, valeu pela entrevista, gostaria de saber se vocês pretendem gravar coisas inéditas e que você fizesse suas considerações finais!
Estou sempre compondo, nesse momento tenho algumas músicas que ainda não sei se estão boas o bastante pra colocar na roda pra banda fuçar e terminar, o resto da banda também. O certo é que enquanto não passarem no meu "controle de qualidade" eu não deixo saírem, está nos planos da banda lançar material novo sim, em breve....

Um abração pra você e pra todos do blog, Renato, Zeca, Paulo Marchetti, eu viajei de volta ao passado vendo os posts no blog, é o documento do Rock candango...


Gonorância

Existe uma forma muito comum de se depreciar uma banda, que é chamá-la de engraçadinha. Até hoje não consigo entender esse conceito, que de tão vago comportaria desde Beatles, Ramones ou Mutantes até Ultraje à Rigor, Mamonas Assassinas, Little Quail, Móveis Coloniais de Acaju ou Raimundos. E o que todas essas bandas têm em comum são músicas em que o humor está presente de algum modo, quer seja no escracho explícito, nas letras ou nas interpretações. Mas reconheço que são poucos que conseguem unir rock e humor de forma eficiente e equilibrada. E a banda brasiliense Gonorants consegue isso com correção.
Banda de instrumental potente e encaixado, com um bom vocalista e algumas músicas que são (e não apenas tentam ser) engraçadas de fato – destaque para Marciana, Joana e Pinto no Lixo. Percebo boas influências do rock brasiliense de bandas como Little Quail e Raimundos no som do Gonorants, eu até chamaria a baixista Vanessa de Canisso de saias. Mas, tudo feito com muita personalidade e passa longe de ser mera cópia.
Ao vivo, a banda funciona muito bem (ressalto o figurino de camisetas listradas estilo indie cor sim, cor não, segundo as palavras do vocalista e guitarrista Éder - o terceiro integrante é o baterista Rafael.), e se revela muito carismática também. Vale dizer que eles fizeram o melhor show da etapa tocantinense do Grito Rock 2009, e são cogitados como atração em um próximo festival em Palmas.
No fim do ano passado eles lançaram seu primeiro e homônimo álbum no Festival Cuca de Copas, que contou com a presença de Autoramas e Matanza, além dos brasilienses do Gilbertos Come Bacon. Nesse disco, a energia do rock dos Gonorants está muito bem registrada, com uma produção impecável e participação especial de Roger Moreira, do Ultraje a Rigor. Um lançamento que agora também está disponível aqui no Rock Brasília, desde 1964.

Gonorant$ - Gonorant$ (2008)

1. Marciana
2. Eu quero voltar pro saco do meu pai
3. As que dão dão
4. Gaivota manca
5. O cabra macho
6. Pinto no lixo
7. Joana
8. O urso panda
9. Quero muito ser abduzido
10. Caranguejo
11. Mordi um pedaço do fogão
12. Traficante de rapadura
13. Atocha
14. Capeta do jornal
15. Você gosta de fofoca
16. Papagaio lauper


Uma boa semana para todos!


1993

Antes de gravar primeiro álbum, o  Little Quail, ao lado de Graforréia Xilarmônica, Neanderthal, Pitbulls on Crack e Rip Monsters, participou de uma coletânea da rádio paulistana 89 FM chamada A Vez do Brasil. Esse álbum rendeu o clipe de 1, 2, 3, 4 e abriu as portas da MTV para o LQ.

Abaixo, a banda participa do programa Gás Total, apresentado pelo Gastão Moreira nos idos de 93. Tem um momento histórico que é quando o Zé Ovo dá um tapa no saco do Gastão no fim da entrevista.




Fora dos Eixos: Zumbi do Mato morde a mente do planeta

Finalmente o ano começou. E o carnaval sempre me faz lembrar de uma banda que faz parte do seleto grupo das inclassificáveis, no melhor sentido da palavra. O Zumbi do Mato, do Rio de Janeiro. Como já tinha um bom tempo que não escrevia sobre bandas independentes de fora do Distrito Federal, aproveitei o enredo.
Hoje ela até está mais domesticada do que no início, é verdade. Época das demos e do seu primeiro álbum, Menorme - onde eles chegaram ao cúmulo de incluir uma música de mais de vinte minutos chamada As Primeira Células da Vida.
Veio o segundo, o conceitual Pesadelo na Discoteca. Uma ópera psicótica sobre um cara chamado Tonho que vivenciou uma hipotética Revolução Islâmica no Brasil, pais do carnaval onde o hit do momento seria a Dança da B*c*tinha Arreganhada, como diz o refrão da música Peidão.
E quando até mesmo os (poucos, mas ardorosos - e eu estou incluído aí) fãs se davam como satisfeitos por eles terem conseguido a façanha de lançar dois discos, eles ainda lançaram Adorei a Mesinha, que fechou muito bem a sua trinca de cds.
A anarquia musical do Zumbi do Mato não tem precedentes na música brasileira. É algo tão radical que muitas vezes parece uma troça com quem ouve. E pra complicar, isso acontece de fato algumas vezes. Mas na grande maioria das faixas, são os estudados instumentistas da banda subvertendo a forma de se (de)compor uma música. A interpretação genial do vocalista Lois Lancaster (que também "toca" trombone) e as sensacionais letras da banda são impossíveis de passar batido por quem quer que ouça. O Zumbi do Mato consegue ser engraçado sem ser bobo e inteligente sem ser babaca, coisa muito difícil. Quase tão difícil quanto a digestão de suas músicas por ouvidos mais habituados com a música pop.
Hoje, quem segura as baquetas no Zumbi do Mato é o Renzo, ex-DFC (a formação se completa com Zé Felipe no baixo e Gustavo Jobim no teclado) e eles acabaram de lançar um álbum virtual chamado Toma Figurão (com regravações, versões ao vivo e inéditas) que pode ser baixado na íntegra no site deles.

Só pra lembrar que não é todo torcedor que pode comemorar título vendo o técnico do time tocar rock ao vivo na TV.

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