Coletânea 3 - Punk Rock

A partir desta postagem as coletâneas serão definidas por estilo. Hoje é dia do Punk Rock e suas variações.

Rock Brasília, desde 1964 - Punk Rock

1. Oz - Sky of Potato Ships
2. ASKeS - Não me bata mais com essa corrente
3. Detrito Federal - Angra (A dança das ogivas)
4. Capotones - A Morte da Supermodelo
5. DFC - Molecada 666
6. FMs Band - Alegria
7. Filhos de Mengele - O entediado
8. Os Cabeloduro - Pinga com limão
9. Nomes Feios - Doente
10. Capital Inicial - Psicopata
11. Legião Urbana - Metrópole


Estatísticas - TOP 10 Downloads


Os álbuns das bandas brasilienses postados aqui atingiram a marca de algumas boas centenas de downloads. Eu conferi as estatísticas no Mediafire e no Badongo e os Top 10 até o momento são estes:

ASKeS6%
Realmente me surpreendi ao não encontrar entre os dez mais baixados, clássicos como O concreto já rachou ou os primeiros do Capital Inicial ou do Raimundos. e também pelo fato do Lost Tapes do Escola de Escândalo ter sido publicado tão recentemente e já ter atropelado outros postados há meses.
No próximo semestre faço um novo balanço e publico aqui novamente.

Marchetteiras: Sub-Divisão x Legião Urbana

Na década de 1980 eram ótimas as festas que a Arquitetura da UnB dava em seu C.A. Sempre música ao vivo e birinights.

De todas que fui lembro de uma que rolou no 2º semestre de 1984. Iria tocar Finis Africae, Banda 69, Sub-Divisão e uma outra banda que minha memória apagou. Nas festas da UnB lembro também que era costume ter “pré-festas” até chegar ao local exato. Começava no estacionamento, continuava no corredor e finalmente chegava-se ao local determinado.

Essa não foi diferente. Com muita gente conversando e bebendo no corredor, de repente, aparece a Legião Urbana de surpresa. Estavam todos chegando do RJ, onde a banda gravava o 1º disco. Se não me engano eles tinham acabado de gravar o 1º disco e voltaram para a cidade para um descanso, algo assim. Fato é que Renato, Bonfá, Dado e Negrete apareceram na festa de surpresa.

Bem, continuando a busca no meu já baleado HD, lembro do show do Finis, que foi muito bom. Adorava o Finis com Rodrigo no vocal. Era mais punk, mais ao estilo Joy Division nervoso: “Foi decretado feriado nacional...”. Com Eduardo também era bom, mas era outra coisa.

Fim do show do Finis (Ah! Talvez tenha sido Escola ou Elite ou Plebe a outra banda que tocaria naquela noite... não sei) o programado era tocar o Sub-Divisão. Banda de pequeno porte, o SD tinha seus méritos e em sua formação estavam Paulinho e Danilo que mais tarde formariam o Filhos de Mengele.

Combinado entre os amigos, a Legião subiu no palco para dar uma canja, mas com tudo pra virar show. Sem saber de nada, pelo outro lado do palco, entrou o pessoal do Sub-Divisão. As bandas se trombaram e o SD não abriu mão de tocar. Era algo do tipo: “Se querem fazer um som, esperem nossa apresentação”. Com razão ou não, fato é que o SD tinha se preparado para o show e, de repente, sem qualquer aviso, teria que abrir mão daquela boa oportunidade?!? A Legião aceitou os argumentos do SD e saiu do palco. O que poderia ser o 1º e divertido show da Legião pós-gravação de 1º disco, acabou sendo um discreto show do Sub-Divisão.


Como nos bons tempos

Parecia uma viagem no tempo. Mais precisamente para o início dos anos noventa, quando a Feira de Música era a opção mais interessante para os roqueiros independentes. O Teatro Garagem do SESC foi palco para bandas e artistas que escreveram a história da música e da dramaturgia da cidade, sempre trazendo novidades para o público numeroso. Um templo da cultura candanga. A primeira noite do projeto Rock Sem Fronteiras, que acontecerá sempre na terceira terça-feira de cada mês, e que abrigou no teatro cerca de 150 pessoas. Dois ônibus ofereceram transporte gratuito de São Sebastião e Ceilândia, tudo parte do projeto.

A primeira apresentação da noite ficou por conta da banda Ravenna, mas o público ainda era tímido até a banda Etno entrar em cena. O clima esquentou e cada vez chegava mais gente. Até o momento em que a última banda da noite, Trampa, subiu ao palco e parecia liderar a pequena multidão de fãs declarados. A noite teve seu ápice quando Tiago Freitas (Etno) subiu ao palco com André Noblat (Trampa) e cantaram juntos a versão da música Haiti de Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Claro que todos sentem falta da época em que o Teatro Garagem tinha um barzinho e a moçada podia assistir aos shows tomando cerveja, mas nada ofuscou o brilho da festa. Sorte do tio que vende birita e cachorro-quente do lado de fora.

Com ou sem cerveja havia uma felicidade no ar, uma sensação de conquista de um espaço que já foi nosso e que agora volta para nossas mãos. É muito bom saber que em tempos de portas fechadas um lugar tão importante para a alma cultural do brasiliense foi reaberto para nossas bandas, e que logo no primeiro dia o público compareceu e prestigiou.

por Penny Lane, do Rock Brasilia.com.br

The lost tapes - 1985

Reza uma lenda urbana, que o Escola de Escândalo chegou a gravar as músicas de um disco que nunca foi lançado. Eu não sei como foi esse história e tampouco me arrisco a especular algo.
O fato é que existem gravações da banda que nunca foram lançadas oficialmente e algumas delas foram copiladas em uma coletânea não-oficial chamada The lost tapes. São versões ao vivo, demo e outras que seriam do disco e as faixas do Rumores. Uma boa oportunidade pra se conhecer uma das bandas mais populares na década de 80, que tinha em sua formação o fantástico guitarrista Fejão e que chegou a ser apontada como a próxima banda da cidade a estourar nacionalmente.

Escola de Escândalo - The lost tapes, 1985

01- Complexos
02- Deuses e Demônios
03- O grande vazio
04- Luzes
05- Atrás das palavras
06- Só mais uma canção
07- Perolas sem valor
08- Popularidade (ao vivo no Robin Hood Pub)



Marchetteiras: 23 Anos de O Concreto Já Rachou

Hoje faz 23 anos que a Plebe Rude lançou seu 1º disco, um clássico do rock brasileiro e um clássico absoluto do rock de Brasília. Para comemorar posto hoje um pacotão da Plebe com entrevista que a banda deu em 1986, além de um texto que o grande André Mueller fez para mim, especialmente para uma matéria que escrevi para a Rolling Stone nº 2 a respeito dos clássicos nacionais lançados em 1986 e nesse texto Mueller, um dos pais do rock de Bsb, fala um pouco sobre os bastidores da gravação. 
Rock For Fun! 
PS: No final da entrevista há o ‘quadro’ Cabra Cega, onde a Bizz tocava músicas para os artistas descobrirem e falarem a respeito do que estava tocando. 
Revista Bizz – Nº 16 – nov/1986 – Cópia tirada do CD 2 da “Bizz Coleção Completa”.

Plebe Rude - Os filhos bastardos de Brasília, por Tom Leão:

A turma de Brasília mudou-se quase toda para o Rio e a maioria escolheu como base o aprazível bairro da Gávea, na extrema zona sul. Já andam até dizendo que o rock de Brasília mudou de nome e virou "rock da Gávea".
Numa tarde gostosa de primavera, Tom Leão esteve reunido com a Plebe Rude, que é composta por André (baixo), Philippe (guitarra solo e voz), Jander Bilaphra (guitarra base e vocais) e Gutje (bateria e vocais), na casa do André, que fica onde? Na Gávea. Depois de um papo que girou em torno de passado, presente e futuro de uma banda em ascensão, foram todos jogar fliperama num shopping próximo, onde uma máquina de pinball chamada Atlantis cismava em não deixar Philippe marcar mais que 50 pontos.

BIZZ - Falem da proposta inicial do seu trabalho; visualizando os horizontes de Brasília na época...
Philippe - Bem, no começo nós tínhamos a proposta de nos divertir, de colocar algo pra fora, exprimir os sentimentos... mas não era algo assim sério em termos de profissão. Mas era algo legal, muito sincero, porque a gente realmente sentia aquilo, vivia aquilo. Essa era a nossa proposta.
André - O que fez tudo começar é que Brasília foi um ponto de encontro de várias pessoas com o mesmo interesse, que era o que tava acontecendo de punk na Inglaterra naquela época.

BIZZ - Quando pintou a decisão de descer para o eixo Rio-São Paulo, como foi sair de casa?
Philippe - Tudo começou com o disco, óbvio. Havia rumores, já há uns cinco anos atrás, que o Plebe iria gravar. Lembro o André um dia dizendo pra mim: "Esse ano ainda a gente vai gravar um compacto. Senão gravarmos um compacto este ano a gente vai acabar" (André ri). E isso há quatro anos atrás. Aí a gente foi levando, até as coisas ficarem mais sérias...
Jander - Quando a gente veio para gravar o disco, já veio procurando apartamento, já decididos a ficar e a trabalhar aqui.
André - Infelizmente no Brasil os únicos lugares são Rio ou São Paulo, para divulgar o trabalho...
Philippe - Mas é legal porque foi um passo super importante na nossa carreira e na vida de cada um, pois afinal não é todo dia que todo mundo sai de casa.
Gutje - Só eu já era casado e morava sozinho.
Philippe - Mas para nós três... mudar de cidade, viver de seu próprio trabalho, acho que aumenta bastante as responsabilidades e é um lance super legal. Eu e o Jander estamos morando juntos. Posso dizer que foi o passo mais importante da minha vida até agora. Uma vez que você sai de casa não volta mais. Não que seja ruim em casa, mas quando você mora sozinho é outra coisa. E teu espaço.

BIZZ - No disco, o som da Plebe Rude apresenta-se mais elaborado que nos shows. Expliquem.
André - Deixa a gente fazer um show com uma aparelhagem ótima...
Philippe - Hummm. Sabe que não tem muita diferença? A diferença é que tem alguns overdubs atrás, uns cellos em "Até Quando".
Jander - A diferença é que no disco você consegue ouvir as três vozes sem embolar, as guitarras limpas, o baixo, a bateria.
Philippe - Isso porque a gente não tá viajando com toda a aparelhagem, mas daqui a um tempinho, logo, se Deus quiser, a gente vai começar a viajar com toda a nossa aparelhagem...... Todo mundo vai poder ouvir melhor o som. A gente já está viajando com técnico. Acho o disco superfiel. Mas acho que para alguém realmente conhecer o Plebe, além de comprar o disco, tem de ir ver o show. Tudo bem, a gente não tem sax ao vivo, não vai levar um naipe de metais para o palco, rebocar a Fernandinha (da Blitz, que faz backing vocais em "Sexo & Karatê", N.R.). O André até queria rebocar a Fernandinha. O violoncelo, o André faz no baixo.

BIZZ - Vocês se consideram filhos legítimos do punk?
André - Pra mim o punk não deixou nenhum filho legítimo não, cara. São todos bastardos! (risos).
Philippe - Puuuta! Eu vou levar porrada por causa disso.
Jander - Estou quase concordando com isso. Estou pensando um pouquinho sobre essa proposta nova.
Philippe - O que é um filho legítimo? (gritando) Roar! Argh! É isso que é um filho legítimo do punk? Influenciou pacas, influenciou muito, motivou.
Jander - E a legitimidade de punk não era isso (referindo-se aos gritos). Era ser agressivo da maneira que fosse. O cara do Buzzcocks, o Pete Shelley, cantava totalmente diferente de Johnny Rotten e nem por isso era menos punk.
André - A gente não pode negar as influências, mas o importante é que a ideologia se mantenha, fique no trabalho. Isso nós sempre levaremos dentro da nossa música.

BIZZ - O mini-LP de vocês está sendo um sucesso desde o lançamento. Foi aclamado por toda a crítica. Como é sair do gueto e ir para a grande mídia? Preocupa?
André - Preocupa é entrar na grande máquina...
Philippe - Mas a grande máquina está aí para ser usada. O problema é que não está sendo muito bem usada. Ela está usando. Você tem, por exemplo, o Chacrinha (N.RckBsb64: equivalente ao Gugu ou Faustão da época). E legal porque o Brasil inteiro vê o Chacrinha e isso é uma responsabilidade muito grande. Todo mundo vê o Chacrinha. A gente vai lá e as pessoas ficam dizendo aquelas palhaçadas, "ah, vocês estão vendidos". Ser vendido é ter seu trabalho divulgado para o resto do Brasil? Então eu acho legal, ao invés do esquema te usar, você usar o esquema, usar as rádios, as televisões.
André - Mas eu acho que tem que se ter muito cuidado. De repente, você vira outro... sei lá. Você não pode sair na rua, não pode fazer nada. Teu cachê é tão alto que você não pode mais dar shows nos lugares que gostava, tem que se superproduzir. Chega um certo ponto que você não sabe se seu trabalho vai ser superior ao último. Acho que tem que se tocar para gente que quer te ouvir, que queria te ouvir naturalmente, sem imposições da mídia, sem irem a seu show só porque você é superfalado.
Philippe - Teve uma vez, quando a gente deu um show no Clube Caiçaras, que eu pensei comigo: "Cara, se eu tocar nesse show para o resto de minha vida está ótimo, porque você está tocando para pessoas interessadas no teu trabalho. E teu público. Isso é legal. Agora, para as pessoas ficarem conhecendo, é aquele lance, tem que ser pelas rádios. A partir do momento em que todo mundo te conhece, fica fiel, já conhece o trabalho, sabe quem vocês são, vão ao show não pelo balanço, pelo fato de ser uma música de rádio, vão por gostar, por se identificar, isso é legal. Acho que o caminho que os Paralamas estão seguindo é ótimo. Eles estão fazendo o que estão a fim, num esquema de shows legais para eles e estão indo super-bem. O Legião já está nessa também, de fazer o que está a fim. Não entrar no esquema de vinte shows por semana, sete shows por dia, mil shows em não sei quantos meses, aí você passa a tocar de má vontade, cansado. E melhor tocar um pouco menos, mas cheio de tesão, para pessoas que tem a ver com você. Não tocar em buracos. Eu acho que você chega a um certo ponto em que pode escolher o que vai fazer. Não tem que ficar abrindo as pernas para tudo. Isso é o que está começando a acontecer com o Plebe.

BIZZ - Vocês sentem que, à medida que a quantidade de shows vai aumentando, o som do grupo vai se renovando, a atuação do repertório varia, músicas tomam novas formas?
Philippe - Cada show nosso é totalmente diferente do outro e as interpretações das músicas também variam dependendo de muitos fatores. Pra começar temos mesmo um repertório definido. A lista é feita dez minutos antes do show, no camarim. Tem dias que não estou a fim de cantar determinada música.
André - É. Também, mudamos muito os começos e fins de músicas, dependendo do show. As vezes fazemos "Proteção" com fim funk. E bom sempre renovar para não enjoar.
Philippe - Tem uma filosofia que a gente segue de testar músicas novas com o público. Eu particularmente não acho legal fazer uma música num quarto fechado e por no disco. Acho legal sentir a troca, a reação do público, sentir o que tem mais pique ao vivo antes de registrar no disco que será uma coisa que vai ficar para sempre.
Gutje - E um saco ficar tocando exatamente as mesmas músicas na mesma ordem sempre. E bom variar.

BIZZ - Já tem alguma coisa delineada para o próximo disco?
Gutje - Estamos exatamente com a metade de um novo disco, com bastante impulso para outra metade.
Jander - Agora, temos acumulado um material que dá para uns dois Sandinista! (o álbum triplo do Clash). Temos quilos de letras antigas para serem musicadas, acabadas.
André - Possivelmente alguma coisa, fragmentos desse trabalho antigo, entre, algumas frases.
Philippe - De repente tem algumas idéias minhas, mas tem mil coisas velhas que continuam atuais..

BIZZ - A propósito, será que em quatro, cinco anos apresentando o mesmo repertório ele não caducou?
André - Pega um exemplo, a música "Censura". Viu quantas músicas já foram censuradas este ano, sem falar nos filmes? Pô, tá ultra-atual.

BIZZ - Que vocês dizem quando alguém comenta que uma música da Plebe lembra o Buzzcocks, outra o Joy Division, Gang of Four etc.?
Philippe - Isso é coisa de críticos, não? Em vez de respeitar a música no seu contexto, pegam uma partezinha parecida e pronto. Taí, parecida com Joy Division: que Joy Division o quê!
André - lsso é um escândalo. Nenhuma é parecida. Nossa consciência está limpa quanto a isso. A gente não pára e diz: "Aí, vamos fazer uma música tipo Buzzcocks". Nunca. Acho bom que se denuncie quando uma coisa for plágio descarado. Tem muita coisa por aí que é cópia mesmo.
Philippe - Digamos, uma cópia servil. Aí é foda.

BIZZ - Como uma banda de filhos de diplomatas chama-se Plebe Rude?
André - Ninguém é filho de diplomata aqui. Rumores vindos de São Paulo. Meu pai é professor, o do Gutje é professor, o de Jander, bancário e o de Philippe, tradutor.
Philippe - Teve um show que gritaram pra gente: "Voltem para casa, filhos de ministros!" E um saco.
Jander - Filhos de diplomatas e de ministros também podem se revoltar.,. 

Gutje - Ser filho de diplomata é pejorativo? Você não é gente, não?

BIZZ - Vocês acham que fazem, trazem realmente algo de novo?
Jander - Eu acho novas as coisas que fazemos. Pelo menos para mim são.
Philippe - Se é novo novo, não sei. Para mim tanto faz. A gente está adorando o que está fazendo e isso é importante. Se um cara fica em casa tocando Beatles e isso é o que lhe motiva, está ótimo.

BIZZ - Qual a opinião de vocês quanto ao trabalho dos outros da turma de Brasília, como o Legião, Capital Inicial, Finis Africae?
Jander - O novo disco do Legião deve ser muito bom, mas por enquanto eu só ouvi "Eduardo & Mónica", que toca o dia todo na rádio. O do Capital eu achei legal, mas o resultado final de som, mixagem, não gostei muito.
André - Eu esperava mais deles.
Philippe - O Capital fez o contrário da gente, que fez um disco super fiel. Eles botaram mil arranjos em cima.
Jander - Finis eu acho um trabalho super legal e íntegro.
André - E da turma inicial de Brasília só restam duas bandas que ainda não gravaram, Escola de Escândalo e Elite Sofisticada.
Jander - E o Arte no Escuro.

BIZZ - Há bandas que não sejam dessa turma que vocês curtem? As novíssimas de Brasília?
Jander - O Detrito Federal, hoje em dia, eu acho super legal.
Philippe - E tem mil outras que continuam surgindo, boas e ruins.

BIZZ - E do exterior, tem alguma que bata tão forte atualmente quanto aquelas de 77/78?
Jander - Estou achando tudo muito normal demais. Prefiro Ramones.
André - A única coisa que me empolgou esse ano foi o Jesus & Mary Chain. Ouvi direto várias vezes. Mas ainda espero o último disco dos Stranglers com a mesma ânsia.
Philippe - Eu vou fazer uma confissão aqui. Eu tenho um poster do Yngwie Malmsteem pendurado no meu quarto. Mas só entre nós, viu?
Gutje - Eu acho que as coisas estão ficando iguaizinhas ao tempo em que o punk teve 
que surgir. Todos se acham o máximo e não são.

Cabra-cega com Plebe Rude

"Why Theory?", Gang of Four
André (certeiro) - Gang of Four.
Philippe - Não sei o nome da música, mas isso é do Solid Gold. É muito bom, cara! Adoro esse baterista. Andy Gill é um dos guitarristas que me influenciaram.

"Maracatu", Egberto Gismonti
André - Que é isso? Frankenstein? Eu não gosto de música assim. Everything but the Girl...
Jander - "A Volta de E.T. à Terra dos Smurfs."
Philippe - Esse piano parece Capital Inicial no começo...

"Happiness is Easy", Talk Talk
Jander - Isso é "Aprenda a Programar sua Bateria Eletrônica", com Tantão e Satanésio, do Black Future.
Philippe - Isso parece Weather Report, ou algo assim, com aquele baterista do Sting, Omar Hakin...
André - O que estragou a música foi esse vocal. Horrível!
Philippe - Peraí. Já ouvi isso em algum lugar. Isso é aquele cara do "It´s My Life", como é o nome?
André - "Broken Wings"?
Philippe - A voz desse cara marca que nem a voz do John Lydon, só não consigo lembrar o nome dele.

"Corridor", Massacre
Philippe - Violeta de Outono?
André - Jimi Hendrix?
Jander - Se não for Black Flag, é Jesus & Mary Chain.
André - Eu acho legal isso.
Philippe - Essas guitarras lembram Robert Fripp. Isso poderia ser a primeira formação do, Zero, com duas guitarras, ou Herbert Vianna experimentando o Mesa Boogie novo.
André - É Durutti Column? Obviamente é uma guitarra sintetizada.

"Brother", Jorge Ben
Philippe - Renato Russo.
Jander - Geraldo (Escola de Escândalo) tocando pandeiro com Renato Russo.
André - Cara, isso é demais! Isso é altamente psicodélico. Estou sentindo ácido na voz dele. Aqueles hippies. Pô, é muito bom. Eu dava uma festa só com esse disco.
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por André Mueller, baixista da Plebe Rude
A Plebe Rude no início dos anos 1980 era a maior banda da ‘tchurma’ de Brasília. O Aborto Elétrico tinha se desintegrado, dando luz ao Capital Inicial e a Legião Urbana, nenhuma das quais havia se consolidado, ainda, no gosto do jovem alternativo brasiliense. Para azar da Plebe, seus membros nunca foram de fazer muito marketing, de apertar as mãos certas nas horas certas. Já suas bandas irmãs tinham de sobra esse dom. Aliado a esse fato, quando surgiu a oportunidade das bandas candangas tocarem no Rio de Janeiro, Philippe estava com viagem inadiável marcada para os Estados Unidos, para visitar os irmãos. Então Capital e Legião foram tocar no Circo Voador, fizeram merecido sucesso, impactando tudo que havia sendo feito em termos de rock carioca até o momento. Eu acompanhei tudo pensando: “se estivéssemos aqui, o impacto seria maior!”. Resultado: Capital Inicial contratado pela Polygram e Legião Urbana pela EMI.
Hebert Vianna já conhecia o trabalho da Plebe Rude, por meio de seu irmão, o antropólogo Hermano Vianna, que havia escrito uma reportagem bastante positiva sobre o novo rock de Brasília. Gostava tanto, que se propôs a batalhar dentro da EMI a contratação da banda, que seria produzida por ele. Depois de um festival no Parque Lage, no Rio, o diretor artístico da EMI ficou convencido, contratou a banda para gravar um novo produto criado pela gravadora: o mini-LP.
Em novembro de 1985, a Plebe passou todas as noites do mês enfurnada dentro do estúdio da EMI, gravando sete músicas para o mini-LP que viria a se chamar O Concreto Já Rachou. Devido a bagagem de estrada, ao excelente ouvido de Philippe, ao entusiasmo do Hebert e as habilidades do técnico de som Renatinho, foi uma sessão fácil e desafiante. O resultado foi um disco que soa como um importado, mas com letras em português.
A gravadora escolheu “Minha Renda” como música de trabalho. A mídia elegeu “Até Quando Esperar”, que estourou no país todo. O disco virou ouro antes de qualquer um da Legião ou Capital, só para se ter uma idéia do sucesso. Um clássico.


Teatro Garagem, o retorno

É impossível falar sobre o rock brasiliense e não citar o Teatro Garagem. Nenhum outro espaço foi tão importante como o teatrinho de arena no subsolo do edifício do SESC. Lá, bandas como Filhos de Mengele, Raimundos, Oz, Little Quail, Os Cabeloduro e Bois de Gerião marcaram gerações.
No caso dos shows d'Os Cabeloduro, o Garagem se tornava o uma verdadeira sucursal do La Bombonera em final de Libertadores, sem muito exagero. Não acredito que haja alguém que tenha vivido o rock de Brasília nos últimos 20 anos e não tenha lembranças do Teatro Garagem da 913 Sul.
Pois então, no dia 17 de fevereiro, o Teatro Garagem reabre suas portas para o rock com o projeto Rock sem Fronteiras, com entrada franca. Na programação, as excelentes Trampa e Etno e abertura da banda Ravenna. Mas, atenção, hoje em dia o espaço está mais civilizado, hehehe, e como qualquer outra sala de teatro, os eventos tem início pontualmente no horário marcado (ampliar imagem abaixo) e os lugares são limitados, portanto programe-se.


Brasília no Grito Rock América do Sul

O Festival Grito Rock América do Sul começou como um showzinho em Cuiabá-MT no carnaval de 2003. Hoje, faz parte do Circuito Fora do Eixo e é o maior festival independente de integração latino-americana, com etapas em 48 cidades.

A etapa brasiliense foi detonada com a interdição da casa que abrigaria o show, o Landscape Pub. Mas, nos dias 13 e 14 de fevereiro, as bandas Quebraqueixo e Gonorants representarão o rock brasiliense na etapa de Palmas-GO, cidade que tem uma cena bem ativa, e onde eles dividirão o palco com bandas tocantinenses e goianas.

É a região Centro-Oeste se firmando a cada ano como o grande pólo da música independente brasileira. E o novo rock de Brasília também vai encontrando seu espaço nesse novo cenário.


Marchetteiras: Rodox e o preconceito sem lógica

É difícil conhecer alguém que não goste de Bob Marley. O pai do reggae é quase unanimidade entre todas as idades. Minha mãe gosta de Bob Marley. Quando toca no rádio, o costume é dar aquela aumentadinha de leve, acompanhada daquela balançadinha de cabeça. Quantas músicas de Bob ele cita passagens bíblicas e idéias nela escritas?
Elvis Presley lançou lindos discos de música gospel. Você pode não saber, mas se eu tocar algumas delas, é capaz de você conhecer e até cantar o refrão junto. Adoro o Elvis dos anos 1970, aquelas costeletas e a toalhinha no ombro.
A maravilhosa soul music nasceu na igreja, música gospel é sua base, sua raiz. Se eu for listar os clássicos gospel da soul, ia precisar de mais um post só pra isso. E são canções que o mundo inteiro conhece, não importa a idade.
Cito esses dois artistas, mais esse gênero, só para ficar na borda.
Em 2003, bancando de nossos próprios bolsos fui, junto com minha grande amiga Carol Telles, fazer o making of da gravação do 2º disco do Rodox. Carol era casada com Fernandão, baterista da banda e é, como eu, diretora, documentarista e roteirista.
Era janeiro e o álbum foi gravado na Toca do Bandido, estúdio de Tom Capone. Captamos todo o processo e fomos além: cobrimos alguns shows que aconteceram durante as gravações, e outros que rolaram depois.
Nesse tempo deu pra conhecer bem o Rodox. Dali só conhecia mesmo Rodolfo e Fernandão. Marcão virou irmão em poucos dias.
Até hoje tenho contado com ele e cheguei a fazer dois clipes para sua nova banda, Tork. Também já conhecia um pouco o Bob, que filmou o show revival que o Filhos de Mengele fez no Aeroanta em 1996. Ele era o único que tinha digital naquele tempo.
Nesses meses que passei com a banda conversei bastante com Rodolfo e ele me contou os motivos de sua mudança, coisa que ele só foi divulgar anos depois.
Bem, fato é que vi muitos fãs fiéis, mas vi muito preconceito pelo fato de Rodolfo ter se tornado evangélico. Hoje ele está na Bola de Neve, mas na época era outra igreja.
A ignorância (no sentido literal, de ignorar) nos faz passar vergonha. Algumas vezes o que gera o preconceito é a falta de conhecimento. Nesses shows do Rodox que acompanhei, vi cenas de ignorância e preconceito de alguns. A mais marcante foi no festival Vibe Zone, em São Paulo.Eu estava encostado em uma grade ao lado do palco, de frente para a platéia. Quando acabou o show, Rodolfo disse algo como “tchau! Fiquem com Deus”. Na minha frente, que era um lugar vazio, pois era lateral do palco, havia uma roda com dois casais e um desses casais usava uma ‘bandeira’ do Bob Marley amarrada na cintura, como se fosse uma saia. Assim que Rodolfo se despediu, o cara que estava com a bandeira gritou em direção ao palco “vai tomar no c...”, mostrando o dedo em direção ao palco.
Claro que não falei nada, só fiquei medindo o moleque (deveria ter, no máximo, 17 anos) e pensando: “santa ignorância”. E olha que o Rodox ainda tocava “Exodus”, de Bob Marley.


Humor terceirizado: Como mifu no show do Los Hermanos

Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em bastante contato umas garotas legais, né?

Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez... Aí, acho que ela me deu um certo mole... Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava era mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.

Pensando bem, eu tinha ouvido falar sim alguma coisa sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras hoje no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish.Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito "vibrão" de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!

Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil "Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.", finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!
Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Um cara de macacão, de sandália de pneu e com ar professoral. Outro de colete, tênis adidas, óculos e também com ar professoral. Pareciam ser legais, do bem, como eles mesmo falam... Mas que não me deram muita conversa. Do bem, isso mesmo! Gíria nova... Todos aqui são do bem. E que nomes tão simples e idílicos! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu que já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington... Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!

Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí... acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música: "De quem você é fã?", perguntou. Pô, eu me amarro no George..." Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto: Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge! Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de "Seu"! Seu Jorge! Isso é que é fã! "Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!", ela emendou. Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison? Essa eu não entendi...

Logo ela perguntou quais bandas que eu gostava. "Eu curtia aquela banda da Bahia...".
"Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!" "Não, Camisa de Vênus! "Silvia! Piranha!" cantei, rindo. A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar: "Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?" Óbvio que não funcionou... Aí, acho que dei um fora...
Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles promovem um resgate da boa música brasileira. "Tipo Os Raimundos com o forró?", perguntei. "Claro que não!", disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Hermanos com nada porque "eles são únicos", apesar de hoje existirem outros excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, Paulinho Moska, O Rappa, Ed Motta, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também "Marginalia" ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles... Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já tinha ouvido, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber sobre essa nova onda musical pois quando saí do Brasil o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit "Mintchura". Ainda bem que tudo mudou, né?

Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam Os Irmãos? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou no Brasil!

Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos Hermanos, ela usou a expressão do bem umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição solidificada nos tempos medievais que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá... Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo! Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco na conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda... Cacete...! O que era mesmo?

De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela: "Eles são todo irmãos, né, tipo o Hanson?" Ela disse um "não" esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam Los Hermanos! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam muito bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Pô, as músicas são boas! Dá pra ver uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento "Dark", como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de The Cure, Bauhaus, Sister of Mercy, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista "Dark" brasileiro... Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: "Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego" ou "O tempo passou na janela é só Carolina não viu". "Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue" ou "Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni". Tudo alegrão, né? Aí, se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!

Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada: Mas ele não é da banda! Como eu ia saber? O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada...

Adiante, ela me disse que o cara que ela mais gostava na banda era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local hoje. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: Os Irmãos! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento...

Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou mais acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos: "Aí, trouxe umas coca-colas pra vocês!" Ouvi a seguinte resposta: "Coca-Cola? Isso é muito imperialista... Guaraná é que é brasileiro!" Puxa, que pessoal politizado... Isso mesmo, viva o Brasil! "Yankees, go home", rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o "Janelas"? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra burro, então bebi tudo sob o olhar meio atravessado de todos eles... fazer o quê?

Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá: Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer! Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse: "Que Weezer o quê? O nome dessa música é Cara Estranho". Já vi que não gostou de novo... Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles... Só não consigo dizer qual...

Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada pra descontrair, que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei: "Filha da putaaaaaaaaaa!" Pra que? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada monstra na costela que me fez enxergar em preto e branco uns 5 minutos! Pô, todo show alguém grita isso! É quase uma tradição até! Eu me amarro no cara! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho... Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo: "Aí, Tainazão, se tu se animar, eu tô preparado!", mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera...

O tempo tava passando e nada de eu ficar com minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer outra coisa do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora! Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Jandaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi: "Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência..." Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É "do bem". É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Aqui, não. Rapaz, onde fui me meter?

Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo: "...e esse mala aí sem camisa..." Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho... E, afinal, o que significa "mala"?

Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-aríete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força absurda pra achar as lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também... Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta! "Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas?"

"Que sinal?? Que sinal??", respondi, assustado!

"De buceta, palhaço!", apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado. "Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?", gritou o tal hipponga na minha cara.

Que viado, eu não tava fazendo nada! Parecia uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas... (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! "Bento", que nome mais ridículo... Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?

Caramba, que noite infernal! Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando feio pra mim e cantando a seguinte frase: "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?" Aí foi demais! Eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera "do bem" que está aqui!

Apesar de tudo, a banda é realmente é muito boa! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv, tudo lindo e maravilhoso. "Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro!"? "Estamos realmente resgatando a nossa cultura!" ? Que exagero... Ei, é só música pop! MÚSICA POP!

Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres! Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto: "TOCA ANA JULIA!" Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsadas na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o "Seu" Jorge Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me bicar também. Do bem? Do bem é o cacete...
Aí, sinceramente, ainda prefiro o show do Camisa de Vênus...

por Adolar Gangorra, publicado originalmente em 2005 (e cada vez mais atual)


Grito Rock x Cidade Geriátrica

O primeiro dia da edição brasiliense do Grito Rock América do Sul, o principal festival independente de integração cultural, foi confirmado após problemas "com a vizinhança" enfrentados pela casa que abrigaria o evento, o Landscape Pub. Uma interdição que foi, na verdade, uma arbitrariedade judicial descabida, porque o local em que o Landscape funciona fica em uma área COMERCIAL, de nome CENTRO DE ATIVIDADES e que foi ocupada por residências de forma irregular ou aproveitando-se de brechas jurídicas ou falhas de fiscalização (como quase tudo em Brasília).
Mas, enfim, apesar de tudo isso, foi encontrado um novo local e depois de um acordo entre as produtoras Mosh e Torneira, ficou acertado que a apresentação da banda suiça de indie rock UnderSchool Element será no sábado, dia 7 de fevereiro, no Blackout Bar (904 Sul, dentro do Clube da Asceb). A programação, com início previsto para as 18 horas, contará ainda com Dissonicos, Firstations, Ilustra, Stock 32, Superantenas, Ass I Kill, Ms. Mary e Du Redis.
Os ingressos custam R$ 8,00 (até 20h) e R$ 10,00 (após).


Mel da Terra

Existiu uma banda do início dos anos 80 que nada tinha em comum com seus contemporâneos da “Colina”. Sua cabeça e alma ainda respiravam e transpiravam a marola dos bichos-grilos dos 70.

Essa banda foi o Mel da Terra, que até emplacou um hit com certa repercussão nacional, de melodia grudenta e assobiável, chamado Estrela Cadente. O integrante mais conhecido da banda é o Paulinho Mattos, um dos pioneiros em salas de ensaio na cidade e sócio do Beta Estúdio. Paulinho hoje toca com meus amigos de infância Berma e Evandro no Quebraqueixo.

Desde o começo do blog eu procuro pela net por algo referente ao Mel da Terra e nada.... Não existe uma música, quiçá o álbum da banda. Nada de fotos ou informações....

Mas, a leitora Dagmar Pereira, que já me arrumara uma foto do Fejão, me enviou uma imagem de uma parte de um cartaz de um show do Mel da Terra em 1982.

Quem sabe algum ex-integrante se inspire com esse trampo e se dê ao trabalho de publicar na web os registros de sua banda, algo que a galera do Elite deveria fazer também, ou mais cedo ou mais tarde os fungos e as intempéries climáticas darão cabo de suas fitas cassetes. 


Segunda Coletânea

Como eu havia dito na postagem de seis meses, aí vai a segunda coletânea Rock Brasília, desde 1964.

1. Tonton Macoute – A Bruxinha
2. Capotones – Baby, você não tem pudor
3. Elite Sofisticada – Tudo mal
4. Marciano Sodomita – História
5. Animais dos Espelhos – Me perco (Mercenárias)
6. Super Stereo Surf – Os Imperdoáveis
7. Os Primitivos – This diamond ring
8. Os Primitivos – Mulher Rendeira
9. Matuskela – Suza Suzana
10. Sunburst – Speed Racer
11. Peter Perfeito – Antonieta
12. Cabeloduro – Punk rock do mal
13. Finis Africae – Mentiras
14. Legião Urbana – Dado Viciado (ao vivo, raridade)

BAIXE AQUI


A volta da Legião Urbana (!?)

Na verdade, a banda brasiliense foi homenageada com um show-tributo realizado em Montevidéo, a capital uruguaia, há pouco mais de um mês.
Um show que acabou sendo o primeiro, em 16 anos, em que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá dividiram um palco para tocar músicas da Legião.
Abaixo, um vídeo com a música Índios, com Dado, Bonfá e músicos da banda uruguaia Bajofondo.




Little Quail em SP (upgrade em 03/02)

Abaixo, o clássico Família que briga unida, permanece unida no show do dia 1º de fevereiro de 2009, no encerramento do Festival Power Trio De Luxe em São Paulo.



Fiquei feliz ao vê-los tocando novamente. Destaque pro figurino "pijamão" do baixista, diretor de palco, roadie, motorista, fotógrafo, pai de cachorro, cicloroader, homem-trampo, sãopaulino e uma figura ímpar em cima de um palco, José Ovo Peixoto, o Armando Arruda. O cara cujo apelido de moleque (codorna) batizou a banda de silly billy candanga. Achei massa a ideia desse encontro. Crédito pro Alan, baterista da banda Rock Rockets, e produtor do evento.
Para assistir a outros vídeos da apresentação (o áudio de alguns está bem ruinzinho) é só clicar aqui. Abaixo mais um vídeo (áudio bom), feito por uns doentes mentais auto-intitulados La Conga Waynes.



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