O retorno da codorna, entrevista com Gabriel Thomaz

Eles já se despediram em Brasília e no Rio de Janeiro, faltava São Paulo.

Como foi informado aqui em primeira mão, a maior banda do underground brasileiro na década de 90, o Little Quail and the Mad Birds, está de volta neste domingo (01/02/09) para a apresentação de encerramento do Festival Power Trio DeLuxe. É a primeira vez desde o revival de 2004 que Gabriel Thomaz (hoje à frente do Autoramas), Zé Ovo e Bacalhau (as baquetas do Ultraje à Rigor) se reúnem, desta vez cercados de rumores de que o local ficará pequeno e de sugestões de uma segunda apresentação para atender a demanda dos fãs.

“Eu toparia, não sei se o CCSP topa”, escreveu Gabriel na comunidade do LQ no Orkut. Mas fica o recado pra quem for ao show, a única garantia é chegar bem cedo, pelo menos 90 minutos antes do horário, porque certeza mesmo só se tem de que a procura será muito grande. 

Abaixo, uma transcrição da entrevista concedida pelo Gabriel ao portal IG, onde ele também revela um dos maiores mistérios do rock nacional: por onde anda Zé Ovo?

O Little Quail acabou em 97. Como foi essa separação? Vocês continuaram amigos?

A gente continua amigo até hoje. Formamos a banda como uma coisa de turma, da galera com quem eu andava desde moleque. Eu tinha 14 anos de idade quando escrevi aquelas músicas. A gente era bem isso mesmo. A mãe do Zé Ovo levava a gente no cinema de carro, para você ter ideia.

O Bacalhau eu fui conhecer na sala de aula, no primeiro ano do segundo grau. Ele foi nosso segundo baterista, o Berma foi o primeiro - e ganhou até uma música, "Berma Is A Monster".

Naquela época vocês eram mais novos, não havia internet... O que você sente mais falta da época do Little Quail?

Acho que nada - risos. Se tem alguma coisa não me lembro agora, mas hoje tá muito melhor. A gente era meio resquício dos anos 80, com aquele padrão de como fazer um disco...

As bandas eram outras, mas os empresários eram os mesmos, as gravadoras eram as mesmas, tudo igual. Só depois que as coisas foram mudar. Com o Autoramas eu corri o Brasil tocando em capitais que ninguém nunca toca, lancei discos independentes que venderam pra caramba. Fomos premiados pela MTV, lotamos shows... Quando o Little Quail acabou nem tinha internet.

Existe alguma influência do Little Quail no Autoramas?

Claro. Total. A própria decepção de saber que quando fazíamos as coisas nos demos bem pra caramba, e quando dependíamos dos outros a gente se deu mal. Ficar esperando a boa vontade dos outros não dá, a vida na mãe de outra galera não dá.

Na época do Little Quail, em Brasília, a gente botava duas mil pessoas num show só com uma fita demo. A banda era muito famosa na cidade e era frustrante pra gente, que era pop star regional, não conseguir repetir a coisa em outras cidades.

Isso fez a gente entender várias coisas. Em Brasília nunca precisamos de gravadoras, empresário, e isso eu apliquei anos depois no Autoramas.

Nesse meio tempo o Bacalhau acabou no Ultraje a Rigor, você está firme no Autoramas, mas a pergunta que todo mundo faz é: Cadê o Zé Ovo? Que fim ele levou?

A história do Zé é a seguinte: Ele era o mais indignado com esse lance de indústria, ele era o mais revoltado. E quando a banda acabou ele disse "eu nunca mais vou tocar, nunca mais vou trabalhar com essa porcaria."

Depois o Roger até o convidou para entrar no Ultraje, mas ele não quis. E hoje em dia ele continua trabalhando com música como roadie profissional, diretor de palco, cuidando de festivais grandes...

Ele sempre me conta fofocas, eu tô sempre por dentro. Ele já trabalhou com o Pepeu Gomes, Orquestra de São Paulo, sei lá o que mais... Natiruts, Porão do Rock, festival de heavy metal...

Já houve outros reencontros do Little Quail de 97 para cá?

Nós fizemos um no Rio, em 2002, pois era a cidade onde mais tínhamos público depois de Brasília. Tínhamos um carinho muito grande pela cidade. E era muito legal fazer show no Rio. Sempre lotava. Por isso escolhemos o Rio para tocar em 2002.

Depois lançaram um tributo ao Little Quail em Brasília e a gente foi tocar lá em 2004. E foi lindo! Fizemos o show no ginásio de um clube que ficou lotado. Não sei quantas mil pessoas.

E como surgiu esse convite para tocar em São Paulo?

A culpa é do Alan, do Rock Rockets. Ele é um grande fã da banda e se você olhar o Rock Rockets é o Little Quail de hoje, tem tudo a ver. Ele tava organizando um evento de power trios no Centro Cultural e fez o convite.

Pedi para não marcar nem sexta nem sábado, pois sempre tenho shows do Autoramas nesses dias. Por isso domingo. Agora o mais difícil foi armar com o Zé. Eu falei por Alan "se o Zé topar eu topo." E aí aconteceu.

Qual a expectativa para esse reencontro?

Eu não sei, é engraçado, depois que comecei com o Autoramas é que as pessoas começaram a vir falar do Little Quail. A galera que a gente conquistou com os clipes não tinha idade para sair naquela época, era gente que via na TV e não ia nos shows.

Há um ano e meio atrás a coletânea do Little Quail vendeu muito mais disco do que os álbuns da época, mesmo com esse papo de acabou o CD.

Quando eu saí de Brasília para fazer show em São Paulo tive que ir com a minha mãe na rodoviária para fazer uma autorização do Juizado de Menores - risos.

O lance é para valer, vocês pretender voltar a gravar?

Não há nenhuma vontade. É passado total. O que é mais legal do Little Quail que eu ainda tenho no coração são os meus amigos. Já fiz músicas muito melhores, com músicos muito melhores... já foi. Acabou na hora certa.

O que o pessoal pode esperar desse show? Todas as músicas, alguma coisa diferente?

Vamos tocar todas as músicas. Vai ser o que couber em 1h20 de show. Agora a hora que o pessoal do Centro Cultural mandar a gente vai parar.

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O Festival Power Trio DeLuxe começa hoje no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 - Sala Adoniram Barbosa), no dia 1º de fevereiro, às 18h00. Os ingressos custam R$ 12 e só são vendidos na bilheteria do local.

A programação completa:

30 de janeiro: Faichecleres e Zefirina Bomba

31 de janeiro: Rock Rocket e Bad Luck Gamblers

1º de fevereiro: Little Quail & The Mad Birds e The Dead Rocks

Marchetteiras: Elite Sofisticada

O nome Elite Sofisticada surgiu de uma brincadeira com o nome Plebe Rude.
Se o Escola de Escândalo ficou marcada, de alguma forma, como a próxima banda a estourar, a Elite Sofisticada, pra mim, ficou marcada como a próxima banda a estourar depois de EE. Infelizmente nada aconteceu para nenhuma das duas.
A Elite Sofisticada, que surgiu junto com Legião, Capital... mas que era a ‘menor’ de todas elas, claro, que pelo fato de os integrantes da banda serem mais jovens que os integrantes das outras bandas, mas seu som era do mesmo nível das outras (o baterista era Rogério Lopes, irmão mais novo de Loro Jones do Capital e Geraldo Ribeiro, do Escola). Rogério era um monstro na bateria, pra mim, o melhor de toda essa geração brasiliense dos 1980 (e sei que não sou o único a pensar assim).
No início Elite era uma banda punk, 100% Ramones, mas sempre com boas letras. Com o tempo ela foi, claro, mantendo a influência Punk, mas incorporando outras sonoridades. Certo é que o melhor momento da banda foi na volta do Gastão – ele ficou um tempo fora da banda e foi substituído por Ricardo Junqueira**.
É difícil falar de Elite, banda que sou muito fã, mas fato é que Tonho foi cada vez mais aprimorando seus timbres e riffs, o Marcelo tocava daquela forma simples, ‘Pilastrão’, mas também criador de boas frases; e Gastão que fazia a parte instrumental funcionar bem melhor do que sem ele. Aquela coisa de química sabe?
Assim como as outras bandas de sua geração, a Elite tinha uma sonoridade própria e era respeitada por todos. Renato Russo também gostava da banda.
O que está gravado no Rumores, que dá pra escutar na LastFM, não diz o que realmente era a banda, apesar de eu achar tudo no Rumores muito bom, mesmo gravado do jeito que foi.
O registro na coletânea Rock Brasília, Explode Brasil também é muito bom, mas ali houve muita confusão quanto às gravações, participação de bandas horrorosas, num projeto mal executado e mal explicado. O que acabou, infelizmente, apagando a participação da Elite Sofisticada, principal atração desse pau de sebo fracassado. Uma pena.
Não dá pra dizer se a Elite Sofisticada iria cair na boca do povo, fato é que, tanto ela, quanto Escola de Escândalo merecia ter gravado um disco e de ter tido uma chance.
Tentei procurar, de todas as formas que conheço algum áudio da banda além do que foi gravado no Rumores, mas não encontrei nada. Fica aqui meu apelo para que alguém da Elite Sofisticada coloque na rede as demos e apresentações ao vivo. Eu mesmo tenho bastante coisa da banda, mas não serei eu a liberar o material. Nem foto da banda existe!
Desordem & Regresso!
** Ricardo Junqueira, para os amigos, Bolinha, foi e é um grande fotografo. Resumindo sua história, ele fazia fotos de toda aquela cena brasiliense dos anos 80 (toda ela!) e é dele a capa do 3º disco da Legião e da famosa camisa da Company também com a foto da Legião. Se não me engano ele ficou por volta de um ano como vocalista da banda.

N.E.: Eu tenho as gravações ao vivo que saíram no Rock Brasília, Explode Brasil. Publicarei na próxima coletânea do blog, na semana que vem! (RN)


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