30/05/2009

Os ~

Não, o título da postagem não está errado. O nome de grafia esquisita é de uma banda, e é uma brincadeira com a palavra hostil e com a idade dos integrantes (Os tio).
Nessa primeira demo divulgada na net, a banda se apresenta como uma espécie de irmã bastarda do Raimundos. E esse parentesco não é força de expressão, entre os "tios" que compõem a banda, estão o vocalista Telo (autor de várias músicas do RMDS , entre elas clássicos como Marujo e Palhas do Coqueiro) e o baixista Canisso. O quarteto se completa com o gutarrista McBenzi e o baterista Pagy.

A demo foi bem lançada no Myspace e as músicas em poucos dias chegaram a mais de 24 mil execuções. A média diária tem sido superior a 4 mil acessos. São apenas três faixas de um hardcore com sotaque brasileiro (que um dia foi chamado de forró core) que é bem familiar. Mas o quase deja vu está mais para a continuidade de um trabalho do que para uma cópia banal. Há sinceridade e personalidade no Os ~, mas não sei se essa semelhança com a banda mais famosa é algo positivo ou negativo para eles. A estrada e os palcos responderão isso.

24/05/2009

Pedra 90: Snevols e porrada no Guará


por Zeca Domingos

Na verdade, tudo começou mesmo com uma brincadeira. Éramos uma turma, o Animais dos Espelhos já existia e, se não me engano, o Políbias também; isto por volta do início dos anos 90 talvez 93 , 94.

Claro que é muito mais glamourento dizer que éramos uma gangue de caras maus que dava porrada em todo mundo. Mas não, éramos somente uma turma de amigos (quem se encaixava mais no perfil de galera porradeira era o povo do Guará, leia-se: DFC e Os Cabeloduro; mas eu conto isto mais pro final, hehehehe).

O lance dos Snevols, como eu disse, era associado a uma turma qualquer daquela época. Claro que a nossa turma não era igual as outras, mas eu acho que nínguem estava preocupado em exclusividade naquele momento. Existiam algumas coisas em comum com aquelas figuras. Tipo, gostávamos de algumas coisas como: Einstuarzende Neubauten, Dead Kennedys eram unânimdades com certeza. Toy Dolls era ótimo e outras coisas pogantes de nossas festas, como Ministry, Suicidal Tendencies e por aí ia. Como eu disse em um post anterior, no início dos anos 90 som porrada era o que rolava nas festas.
A própria galera – que iria ser mais tarde chamada de Snevols – foi sendo montada ao longo de um certo tempo, pelo menos dentro de minha perspectiva. Tinha umas figuras que eu conhecia ainda dos anos 80, da minha idade e alguns mais novos (era o caso, por exemplo, da Mariana baixista e fundadora dos Políbias, irmã do Zé Ovo. Talvez ela nem tivesse 17 anos em 93).

Nós gostávamos de jogar RPG. Uns, como o Milani e o Bizerril, guitarristas do Políbias e dos Animais respectivamente, gostavam muito mais que os outros. E, diz a lenda que o nome Snevols aparaceu em um destes jogos, ou seja, a droga da palavra não significava absolutamente nada. (pros meus amigos daquela época: Só estou citando o povo das bandas, pois este blog é sobre bandas, não esqueci vocês!!!!!!)

Sabem aquelas gírias que só fazem sentido dentro de uma galera? Pois é. O termo Snevols era isso. E nós a utilizávamos para nos referir como algo sem significado ou sentido, era assim, era Snevols. No entanto, como Carlos Marcelo, o jornalista de rock da época, comprou esta briga, o lance ficou mais engraçado.

No ano do Burning Garage (um minifestival que tocou Animais dos Espelhos, Oz, Sunburst e o malfadado Low Dream) tinha um bar na 314 norte que era de um motociclista chamado Johnny. Um lugar extremamente agradável, de excelente frequência, ótimo som e cerva a preço justo. Perfeito para universitários e secundaristas sem grana. Lá, numa noite qualquer, batendo papo sobre rótulos, pois volta e meia tínhamos que nos explicar para o anarcopunk, pros metais o que nós éramos ( e, pombas, a gente tinha de ser alguma coisa? ), decidimos inventar um movimento – tipo Pistols e M. McLaren – pra responder quem éramos. Snevols. E depois, saiu no Correio Braziliense que erámos o primeiro movimento genuínamente de Bsb, tipo o grunge de Seattle! É mole?

Eu antes falei do pessoal d'Os Cabeloduro e DFC. Estes caras, sim, eram da pesada. A diferença é que hoje eles estão mais responsáveis (???) . Naquela época, não. Por exemplo, tinha um lugar que a gente tocou, antes do Burning Garage, lá no Guará, chamado Lord Dim Pub (Lorde Pudim, para alguns muito íntimos...). Conseguimos entrar no esquema de um show, praticamente com a mesma escalação do show que iria rolar na Escola Parque meses depois ( após um típico lance de escolinha americana de sessão da tarde, coagimos o Marcelo da Oz a nos incluir no show....). Enfim, fomos a primeira banda e a Raquel, depois do show, achou que tinha ido muito mal; saímos para conversar com ela na rua e, eis que de repente, todo mundo sai correndo de dentro do tal lugar.

Antes, tenho que fazer uma consideração: Nós, uma banda do Plano Piloto, estávamos em um buraco lá no fim do Guará, há quinze anos! Meu amigo, o Guará tinha uma fama, para nós do Plano, semelhante a uma daquelas satélites do mal. E foi aí que, ainda com os nossos instrumentos no porão do tal do pub, estourou uma porrada.

Descemos correndo pra ver se conseguíamos salvar nossas coisas. Quando chegamos lá embaixo, descobrimos que estávamos mais bonitos na fita que imaginávamos. Ocorreu o seguinte: O Daniel, dos Cabeloduro, foi cumprimentar o Marcelo, da Oz. O BigHead, sem olhar, xingou o baterista da banda punk de playboy. E o pau comeu.

Mas o mais engraçado é que, do nada, nego da banda do Daniel deu um sacode no Marcelo e, na sequência, foram atrás do pessoal do Low Dream, que nada tinha a ver com a confusão e estavam só assistindo o show. E ENFIARAM A PORRADA NELES, tipo briga de bar de filme, que o pau come pra todo lado.
Mas como eu disse, estávamos bonitos na fita. Não sobrou nem pra gente, nem pro Sunburst. Só pro Low Dream. E foi pouco.

Tempos depois, encontrei o Podrinho e ele me contou que, naquele dia eles saíram do bar batendo e perseguindo os caras do Low Dream pela parte de trás do comércio do Lord Dim. E aconteceu que os coroas do bar – aqueles aposentados que passam o dia tomando cachaça e detestavam o movimento de malucos de preto na vizinhança deles - ficaram putos e começaram a dar cadeiradas em todo mundo??????
Cara, essa cena de Bsb tem cada uma. Por isso que muitos caras mais velhos acham esta nova geração meio bundona. Nada pessoal, mas naquela época, nego não levava desaforo pra casa. Depois  os caras do Low Dream falaram em um jornal, que foram agredidos por nazistas. No Guará? Não. Naquela terra, quem mandava eram Os Cabeloduro, com todo amor e carinho. Um abração pra eles!

20/05/2009

Like a rolling stone

O Teatro Rolla Pedra, em Taguatinga, foi um dos principais espaços pra divulgação das bandas e outros artistas brasilienses nos anos 80. E é com esse mesmo espírito que será realizado o Festival Rolla Pedra - Música do Brasil, entre os dias 29 e 31 de maio na Torre de TV e com entrada franca.

Serão 40 bandas, sendo 35 do Distrito Federal e 5 de outros estados que se apresentarão em dois palcos. E apesar da ausência de bandas que na minha opinião são as mais diferenciadas da novíssima geração (Velhos e Usados, Gilbertos Come Bacon, Lucy and the Popsonics e Nancy), o festival traz um line up equilibrado e com algumas atrações de renome como Célia Porto, B Negão e os Seletores de Frequência e Raimundos. Desde os primeiros Porão do Rock, não se via um festival gratuito de tal tamanho.

E antes disso, no dia 26, última terça-feira do mês, acontecerá o retorno d'Os Cabeloduro ao Teatro Garagem, pelo projeto Rock sem Fronteiras (flyer abaixo). Um show hardcore que terá a participação da insana Galinha Preta e da veteraníssima ARD e que, assim como o Festival Rolla Pedra, também terá entrada franca.

Pra encerrar, correm rumores de que o Maskavo Roots estaria prestes a retornar aos palcos, o que, se confirmado, seria assunto para uma postagem exclusiva. Vamos aguardar.


19/05/2009

Cai Caê



Patrocinado pelos Tapetes Stabacow. Só pra constar: A tal "Força Estranha" foi descoberta por Sir Isaac Newton em 1687.


12/05/2009

Velho Mundo Popsônico

O duo Lucy and the Popsonics é, atualmente, a mais internacional das bandas brasilienses. Há também o DFC, mas eles são uma banda bem estabelecida e têm uma discografia bem influente. Já o Lucy é uma banda nova, porém nascida na era da aldeia global da net. O seu punk rock eletrônico é quase rudimentar, mas é executado com tal tesão e carisma que não sobra espaço para que uma suposta fragilidade técnica atrapalhe alguma coisa.

O circuito independente europeu tem se mostrado uma opção para as bandas brasileiras desde a década de 80, quando a paulistana Cólera fez sua primeira european tour. Daí em diante abriu-se um canal que funciona bem até hoje. E o Lucy and the Popsonics está na Europa pela terceira vez, se não me engano.

As pessoas se interessam muito pelo fato de sermos brasilienses. Inclusive no flyer do Festival Printemps des Bourges estava escrito com todas as letras que depois de São Paulo, Brasilia era a cidade musicalmente mais interessante do Brasil. Tudo bem, só acho que é a primeira mesmo. Na entrevista nos perguntaram se Brasilia tem historico de punk rock ou eramos a primeira banda. hehehe. Tivemos que contar rapidamente a historia de Brasilia com o rock, disse a vocalista e baixista, Fernanda, sobre o primeiro show da turnê que seguiu por cinco cidades francesas, entre os dias 21 e 25 de abril.

É engraçado ver que as duas bandas mais bem sucedidas da década são quase antíteses. O Móveis é uma big band com nove integrantes, todos músicos estudados e o Lucy é formado por um casalzinho punk rocker que toca no peito e na raça. Em comum, o talento e a personalidade de seus trabalhos.

10/05/2009

Bronze (breve comentário sobre a F1)

Ainda não foi dessa vez, nessa temporada, que o Rubens Barrichello conseguiu chegar em terceiro lugar.

O piloto que mais frequentou o degrau mais baixo do pódio na história da Fórmula 1, foi apenas o segundo colocado no GP da Espanha e bateu na trave mais uma vez. Como já havia acontecido no GP da Austrália, onde também foi segundo, e no GP da China, onde chegou em quarto, Rubens viu mais um bronze escapar de suas mãos. Uma pena.

Mas, na classificação geral, nosso piloto, em segundo lugar, está com apenas 4 pontos de vantagem sobre o alemão Vettel e segue firme na briga pela terceira colocação. Acerola, Rubinho!


03/05/2009

R64 Brasil: Entrevista Los Porongas


Eles saíram de Rio Branco, capital do Acre, para gravar em Brasília o seu primeiro álbum. Sob a produção do Phillipe Seabra, que a cada trabalho reafirma sua capacidade incomum de captar toda a essência de uma banda em suas gravações, e sob a chancela do selo Senhor F, o Los Porongas lançou seu excelente álbum de estréia com bastante personalidade musical e se apresenta como uma das bandas independentes mais promissoras de sua geração. 
Tão promissora que em 2007, após o lançamento desse álbum (disponível no site da banda) e já vivendo em São Paulo, assinou seu primeiro contrato com uma boa produtora paulistana para agenciar seus shows. Algo que foi considerado um pecado grave pelo selo Senhor F, que os dispensou de modo quase grosseiro, sem ao menos avisá-los da decisão - eles souberam da “demissão” pela internet
O vocalista Diogo Soares, que é também um excelente letrista, conversou comigo pela net e falou sobre essa polêmica e sobre a carreira da banda que, assim como a geração dos 80 fez com Brasília, colocou o Acre no mapa do rock brasileiro.

Antes de tudo, por que o nome Los Porongas?
Poronga é a luminária que o seringueiro usava sobre a cabeça quando saía pra cortar seringa durante a madrugada. Los é uma referência à fronteira com o Peru e a Bolívia, hermanos vizinhos. 
Por aqui se conhece muito pouco sobre o Acre, há uma história cultural no estado ou vocês fazem parte da geração pioneira no rock acreano?
A gente só botou pra frente um espírito de do it yourself que já rolava no Acre quando começamos a organizar eventos com bandas de rock que tinham um trabalho autoral. Muito do que acontece hoje lá se intensificou e pegou corpo nos últimos cinco anos, tempo de existência da banda. Mas outras coisas já rolavam, apesar de esporadicamente. Durante a década de oitenta um festival competitivo chamado FAMP revelou alguns artistas que flertavam com o rock, como o grupo Capú. Em 89 houve um festival importante o RB Rock; durante a década de 90 tinha uma galera do PCdoB que organizou o Fábrica, que teve umas três edições. Mas em termos de estrutura e alcance de público, mídia e interação com o resto do país nada se compara ao que hoje é o Festival Varadaouro que acontece por lá todos os anos. 
O primeiro álbum de vocês saiu pelo selo brasiliense Senhor F, como foi a gravação?
Foram 15 dias no Lago Norte na casa do Phillipe Seabra. Foi um período muito importante na nossa carreira, onde aprendemos muita coisa em relação à gravação de um trabalho. Até então nunca tínhamos trabalhado com um produtor. Apesar disso, chegamos com as músicas praticamente prontas. Ele fez poucas e muito boas observações quanto à estrutura das músicas. Quando discordamos esteticamente, prevaleceu a vontade da banda. Mas as contribuições dele quase sempre foram aceitas por serem invariavelmente muito pertinentes. Gravamos rápido. Dois dias pra bateria, dois dias pra gravar o baixo, uma semana pra todo trabalho de guitarras, que teve uma dedicação especial do Seabra e mais alguns dias para gravar a voz. Com direito à beliche, refeições e um convívio massa com a família Seabra. 
E Brasília, tiveram tempo para conhecer algo da cidade?
Cara, o Lago Norte não é bem aí como se diz no Acre, então ficava meio difícil de sair e como todos já conheciam a cidade, acabamos saindo muito pouco. O que me lembro mesmo é de um consultório odontológico na Asa Sul onde fui parar numa madrugada com a pior dor de dente que tive na vida. 
A saída de vocês do selo Senhor F foi meio conturbada, o que houve de fato?
Houve um mal entendido por falta de compreensão. Nunca quisemos sair do Senhor F, nem era necessário, mas o selo entendeu que assinar contrato com uma produtora em São Paulo era uma ação equivocada e premeditada. Soubemos da nossa saída pela internet. 
Em um comunicado o selo dizia algo como vocês terem traído “príncipios que norteiam o circuito independente”, o que ele quis dizer com isso?
Se querer trabalhar numa produtora que vai vender shows e articular a carreira em parceria for trair os princípios que norteiam a cena independente, significa que todos os princípios que nortearam a criação do Festival Varadouro, do Circuito Fora do Eixo e mesmo da Abrafin estão equivocados. Essa cena é feita por muitas pessoas, por muitas mãos e por muitos músicos. Músicos também precisam pagar as contas. Não há desonestidade em viver da música que se aprendeu a fazer. 
Como está a carreira de vocês depois do rompimento com o selo?
Rolaram bastante coisas bacanas. Fizemos o Altas Horas e começamos a fazer os shows de lançamento do DVD gravado no Itaú Cultural. Voltamos a dois dos melhores palcos de São Paulo, a Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo e a Chopperia do Sesc Pompéia. Temos tocado com artistas que admiramos e em projetos conceituados, como o Rock no Santa Cruz, onde tocamos com o Cérebro Eletrônico.  Fomos selecionados pelo Projeto Pixinguinha que vai financiar o segundo disco e uma tour em três cidades do Acre. E o foco mesmo é o nosso segundo álbum. Estamos fazendo a pré-produção em casa o que dá mais tempo para trabalharmos nas músicas e são elas é que vão ficar, porque o resto passa. 
Já que você citou o Altas Horas, como foi se apresentar na TV aberta?
Aconteceu num momento muito bom. Estávamos prestes a lançar o DVD no Acre, voltando pra casa e aquilo repercurtiu em Rio Branco, no nosso Myspace e entre os fãs de um jeito muito positivo. Tem uma coisa muito legal que é o fato de pessoas que jamais conheceriam a banda passam a conhecer e gostar. É só mais uma janela. Uma grande janela, mas não mudou a vida de ninguém. 
Quais serão os próximos passos da banda?
Temos os shows do Pixinguinha pra fazer no Acre entre julho e agosto, devemos continuar fazendo os shows do DVD e é claro, trabalhar no próximo disco. 
Quando voltarão a Brasília?
Esperamos que seja logo.
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Uma boa semana para todos!
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