Na segunda metade dos anos 90, uma banda curiosa começou a se apresentar pela cidade, era tão numerosa quanto arrojada. Formada por oito moleques, era uma big band de ska hardcore na linha Operation Ivy e Voodoo Glow Skulls, com naipe de metais inclusive. Isso foi em 1995 e o Bois de Gerião estava apenas começando a abrir a estrada que seria pavimentada anos depois pelos Móveis Coloniais de Acaju.Em pouco tempo, a banda se tornaria a preferida dos skatistas da época, que acabaram formando a base do seu público. A banda era diferente do que é hoje. Parece que desse tempo apenas o Rafinha continua. No início, tinha mais um guitarrista, Guto, tinha o Toco, um vocalista frontman solto e um baterista pedreiro chamado Jason. Uma banda tão diferenciada que acabou até gerando uma cena ska posterior. Muita gente, e eu estou incluído aí, achava que o Bois de Gerião estouraria ali mesmo em 96/97 e levaria junto uma terceira geração brasiliense ao mainstream nacional. Mas apesar da banda ter conseguido uma carreira sólida e um público fiel no Distrito Federal, o tal sucesso nacional não veio.
Mas, o legado de uma banda não pode ser medido apenas pelo fato dela ter passado ou não pelo mainstream. O Bois de Gerião foi uma banda que quebrou paradigmas, antes deles só havia por Brasília bandas no tradicional guitarra-baixo-bateria. Os Bois mostraram que era possível agregar mais e mais elementos em uma banda, que era possível e preciso reinventar formatos e performances. E se hoje, bandas como os Móveis Coloniais de Acaju ou o Gilbertos Come Bacon sobem nos palcos com seu exército de instrumentistas, isso se deve muito ao arrojo dessa molecada, que eu conheço de uma época em que os ensaios eram quase caóticos. Rafinha, Foca, Tell, Toco, Jason (um batera de mão pesada que vivia estressado e parava de tocar as músicas no meio do ensaio pra afinar a caixa), todos boa gente. Quem também passou pela banda foi o baterista Txotxa, ex-Maskavo Roots e que hoje toca na Plebe Rude.

O Bois de Gerião tem dois álbuns, o primeiro é muito bom e o segundo, regular. Ambos foram lançados pelo selo brasiliense Prótons, sendo que o de estréia teve a produção do Philippe Seabra da Plebe Rude. Uma banda que ainda está na ativa e que foi, sem dúvida, uma das protagonistas da segunda metade dos anos 90 (ao lado d’Os Cabeloduro) e uma das mais importantes do rock brasiliense.







