28/04/2009

Depois que passou a boiada...

Na segunda metade dos anos 90, uma banda curiosa começou a se apresentar pela cidade, era tão numerosa quanto arrojada. Formada por oito moleques, era uma big band de ska hardcore na linha Operation Ivy e Voodoo Glow Skulls, com naipe de metais inclusive. Isso foi em 1995 e o Bois de Gerião estava apenas começando a abrir a estrada que seria pavimentada anos depois pelos Móveis Coloniais de Acaju.

Em pouco tempo, a banda se tornaria a preferida dos skatistas da época, que acabaram formando a base do seu público. A banda era diferente do que é hoje. Parece que desse tempo apenas o Rafinha continua. No início, tinha mais um guitarrista, Guto, tinha o Toco, um vocalista frontman solto e um baterista pedreiro chamado Jason. Uma banda tão diferenciada que acabou até gerando uma cena ska posterior. Muita gente, e eu estou incluído aí, achava que o Bois de Gerião estouraria ali mesmo em 96/97 e levaria junto uma terceira geração brasiliense ao mainstream nacional. Mas apesar da banda ter conseguido uma carreira sólida e um público fiel no Distrito Federal, o tal sucesso nacional não veio.

Mas, o legado de uma banda não pode ser medido apenas pelo fato dela ter passado ou não pelo mainstream. O Bois de Gerião foi uma banda que quebrou paradigmas, antes deles só havia por Brasília bandas no tradicional guitarra-baixo-bateria. Os Bois mostraram que era possível agregar mais e mais elementos em uma banda, que era possível e preciso reinventar formatos e performances. E se hoje, bandas como os Móveis Coloniais de Acaju ou o Gilbertos Come Bacon sobem nos palcos com seu exército de instrumentistas, isso se deve muito ao arrojo dessa molecada, que eu conheço de uma época em que os ensaios eram quase caóticos. Rafinha, Foca, Tell, Toco, Jason (um batera de mão pesada que vivia estressado e parava de tocar as músicas no meio do ensaio pra afinar a caixa), todos boa gente. Quem também passou pela banda foi o baterista Txotxa, ex-Maskavo Roots e que hoje toca na Plebe Rude.

O Bois de Gerião tem dois álbuns, o primeiro é muito bom e o segundo, regular. Ambos foram lançados pelo selo brasiliense Prótons, sendo que o de estréia teve a produção do Philippe Seabra da Plebe Rude. Uma banda que ainda está na ativa e que foi, sem dúvida, uma das protagonistas da segunda metade dos anos 90 (ao lado d’Os Cabeloduro) e uma das mais importantes do rock brasiliense.


26/04/2009

Billy from hell

Desde os tempos do Little Quail, a única banda brasiliense de rockabilly ou derivações que conseguiu fazer um trabalho que não soasse como cópia ou que não causasse sensações de deja vu em ouvidos mais esclarecidos foi o Capotones.

Ao contrário de seus contemporâneos, que não arriscam um centímetro além das fórmulas e arranjos mais que manjados, o Capotones inovou no visual, quase glitter, e nas músicas, um psychobilly com referências de rock pesado, do metal ao hardcore à Dead Kennedys.

Nos anos 90, o Little Quail mostrou para quem quisesse ver, que era possível unir os riffs e beats dançantes do rock 50’s com o vigor e a energia das guitarras distorcidas do seu tempo. O resultado foi uma das bandas independentes mais influentes do Brasil. O Capotones não chegou a ter tanto alcance nacional, mas na minha modesta opinião, foi a mais talentosa banda billy do Brasil nos últimos dez anos. E a única brasiliense do gênero que merece alguma menção, pelo menos pra mim.

Um detalhe curioso é que o líder e idealizador da banda, o guitarrista Rafael Lobo, usava uma guitarra que ele projetou exclusivamente para tocar com o Capotones. Além dele, formavam a banda os competentes Pablo Cebola (voz e guita), Leo Ofugi (baixo) e Rodrigo Pinto (bateria). A banda acabou em 2007.

Seu único álbum (há também um split póstumo) foi lançado pelo selo brasiliense Prótons em 2005. E apesar da (boa) produção ter deixado escapar a sujeira conceitual presente na demo, é um dos discos mais bacanas do rock brasiliense dos anos 2000.

CapotonesCapotones (Prótons, 2005)

1. Três
2. Jackie D
3. Opalão
4. Teoria do Caos
5. Balada do Assassino
6. Verão Químico
7. SM Blues
8. Hijo de la Muerte
9. Blues Traveco
10. 400 C.V.
11. Última Onda
12. Handsome Devil
13. Surf Rock Afegão


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21/04/2009

49 anos





Capital da esperança
(Brasília tem luz, Brasília tem carros)
Asas e eixos do Brasil
(Brasília tem mortes, tem até baratas)
Longe do mar, da poluição
(Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas)
mas um fim que ninguém previu
(Árvores nos eixos a polícia montada)
(Brasília), Brasília

Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais
(Muitos porteiros e pessoas normais)

As luzes iluminam os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam
(Utopia na mente de alguns...)
Os prédios se habitam as máquinas param
As árvores enfeitam e a polícia controla
(Utopia na mente de alguns...)

Oh.. O concreto já rachou!
Brasília....

Brasília tem luz, Brasília tem carros
(Carros pretos nos colégios)
Brasília tem mortes, tem até baratas
(em tráfego linear)
Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas
(Servidores Públicos ali)
Árvores nos eixos a polícia montada
(polindo chapas oficiais)
Brasília, (Brasília)

Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais
(Muitos porteiros e pessoas normais)

E a luz ilumina e os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam
(Utopia na mente de alguns...)
Os prédios se habitam as máquinas param
As árvores enfeitam e a polícia controla
(Utopia na mente de alguns...)

Oh... O concreto já rachou! rachou! rachou! rachou!
Rachou! O concreto já rachou!
Brasília....
Brasília.... Brasilia!

A luz ilumina, os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam
(Utopia na mente de alguns...)

Os prédios se habitam as máquinas param
As árvores enfeitam e a polícia controla
(Utopia na mente de alguns...)

Os comércios só vendem
e os porteiros só olham
E essas pessoas elas não fazem nada
mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! (Brasília...) Nada! (Brasília...)
Nada! (Brasília...) Nada! (Brasília...)


15/04/2009

Quarta coletânea - disco 2

Aí vai a segunda parte da Quarta coletânea:


Coletânea Rock Brasília, desde 1964 - Hits (disco 2)

15. Suíte Super Luxo – Idiota em 5050

16. Oz – Space cake

17. Escola de Escândalo – Luzes

18. Prot(o) – Encarando a face do mal

19. Detrito Federal – Se o tempo voltasse

20. Os Cabeloduro – Mãozinha

21. Lucy and the Popsonics – Quero ser seu Tamagotchi

22. Gilbertos Come Bacon – Sem verdade

23. Finis Africae – Armadilha

24. Capital Inicial – Leve desespero

25. Bois de Gerião – Dia de sábado

26. Etno – Revolução silenciosa

27. Arte no Escuro – Beije-me cowboy



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13/04/2009

Rock et Circensis


Dez anos antes do Teatro Mágico - um dos destaques independentes nacionais e que faz um espetáculo híbrido de música, circo e teatro mambembe, havia em Brasília uma banda chamada Os Wallaces que também convergia música e teatro nas suas apresentações.

Formada por futuros integrantes da Cia de Comédia Os Melhores do Mundo e por integrantes de outras bandas de estilo mais tradicional, os shows d’Os Wallaces eram autointitulados o maior espetáculo da Terra. O grande hit da banda era a breguíssima Pedra Pomes do Amor.]

Duas apresentações foram históricas, uma na Casa do Teatro Amador onde Wednesday Wallace, Wesley Wallace, Waterloo Wallace, Wally Wallace, Wilmington (que se transformava em Wanderglyse) Wallace, Wellington Wallace, Walt Disney Wallace e Bodó Cheiroso fizeram uma apresentação pirotécnica com direito à descida de rapel do teto (alto) da casa ao palco e participação da máquina mortífera do sexo infanto-juvenil, Michael Jackson.

O outro show memorável foi em frente à creperia Chez Michou, onde umas strippers chutaram o balde e fizeram um strip tease completo (não programado, diga-se) em pleno horário comercial. Uma banda que não deixou registro fonográficos ou filmagens, pelo menos não na net, uma pena.

Aqui vai uma foto d'Os Wallaces gentilmente cedida pelo fotógrafo Patrick Grosner.

Uma boa semana para todos!

09/04/2009

Um novo começo

O primeiro disco sem Rodolfo Abrantes

Kavookavala, de 2002, foi o primeiro álbum dos Raimundos sem a presença do Rodolfo. Há quem diga que é o único, por não considerar o álbum virtual (um dos pioneiríssimos no formato, vale dizer) Ponto Qq Coizah. Imagino como deve ter sido difícil para a banda concebê-lo.


Não é tão exagerado afirmar que o Raimundos foi construído à imagem e semelhança do seu vocalista original, dono de uma voz habilidosa e única. Não que o Digão cante mal, pelo contrário, é bem afinado. Mas, o Rodolfo tinha uma habilidade vocal digna de dubladores de desenho animado ou humoristas imitadores. E era essa voz que “contava (e criava) as estorinhas” dos Raimundos desde os tempos dos ensaios com os PR-200 da Ciclotron na garagem do Digão ou na Mad House do Berma.

Para compensar esse desfalque tremendo, o jeito foi recorrer a um antigo parceiro e quase mentor intelectual do Rodolfo nos idos de 1987. O Telo, ex-vocalista do Filhos de Mengele. Co-autor de boa parte das músicas do primeiro álbum e até de algumas do Só no forévis, último álbum com a formação original. Alegria foi feita para a banda relâmpago FM’s Band. Enfim, havia laços e entrosamento entre todos ali. 

O resultado foi um álbum muito bem feito tecnicamente e acho até que as mágoas da separação contribuíram para a pegada mais raivosa nas músicas pesadas, o que ficou muito bom. Mas, apesar das letras e dos riffs bem sacados como sempre e da presença de um hit radiofônico potencial, Vento Certo (Água da Mina). O antigo vocalista fez falta e Kavookavala não aconteceu.

Um dos problemas que afetaram esse álbum foi também o fato o seu lançamento ter coincidido com o da estreia solo do Rodolfo, com status de grande aposta da (mesma) gravadora. E é engraçado observar que ambos os trabalhos tinham faixas que poderiam seguir os passos do megahit Mulher de Fases, como Vento Certo (Raimundos) e De uma só vez (Rodox).

Um disco importante para que o Raimundos não acabasse por ali mesmo. E, mesmo com seus altos e baixos, é um trabalho que traz a marca de uma banda diferenciada.

RaimundosKavookavala (2002)

1. Fique! Fique! 
2. Crocodilo meio kilo
3. Joey
4. Vento certo (água da mina)
5. Kavookavala
6. El Mariachi
7. Mas vó
8. Princesinha
9. Uabarrêba
10. Atitude severa
11. Pegamutukalá
12. Baixo calão





02/04/2009

Quarta coletânea


A quarta coletânea do blog tem o tema hits que foram e que não foram. São músicas que foram, deveriam ou poderiam ter sido hits. Afinal de contas, se eu fosse escolher apenas hits de fato,  a matéria prima se reduziria a umas quatro ou cinco bandas e as músicas seriam aquelas que todos já estão meio saturados. Dito isso, acabou que a lista ficou tão grande que resolvi dividi-la em duas (o primeiro álbum duplo, hehehehe), aí vai a primeira:

Coletânea Rock Brasília, desde 1964 - Hits (disco 1)

  1. Little Quail and the Mad Birds – 1,2,3,4 (versão do A Vez do Brasil)
  2. Superquadra – Atlântico
  3. Plebe Rude – Brasília
  4. Velhos e Usados – Jeans
  5. Low Dream – Acid trip smile
  6. Legião Urbana – Perfeição
  7. Os Pioneiros da Borracha – Tema do Jaspion
  8. Gonorants – Joana
  9. Raimundos – Vento Certo (Água da mina)
  10. Os Primitivos – Fiz a cama na varanda
  11. Maskavo Roots – O copo (‘til it drop)
  12. Mel da Terra – Estrela cadente
  13. Nancy – Keep Cooler
  14. ASKeS – Por um fio

 

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