18/12/2008

Retrospectiva 2008 e pausa para as férias!


A temporada 2008 chegou ao seu final com um saldo bem positivo para o rock brasiliense. E os motivos para isso são vários. Acho que pela primeira vez em muito tempo houve um esforço coletivo, mesmo que involuntário ou não organizado, para recuperar o rock de Brasília.
Tivemos a volta da Cultura FM, que após anos de “programação popular” reabriu suas portas para a produção local e passou a ser transmitida também na internet. Além do eterno Cult 22, novos programas como o Conexão DF da Paola Antony, que vai ao ar aos sábados, ou a Parada 061, uma parada diária com as músicas locais mais pedidas, serviram para começar a diminuir a distância entre os artistas e o público.
Na internet a coisa também esquentou. E além deste humilde blog, 2008 foi também o ano em que o site Rock Brasília e o Esfolando Weblog entraram no ar. O web programa Synergia também começou a cobrir alguns eventos. Enfim, o rock de Brasília voltou a receber a atenção que lhe foi negada por tanto tempo. E como sempre acontece quando se olha para algo com mais atenção, os resultados apareceram. 

E nesse novo cenário, algumas bandas se destacaram de alguma forma. O Velhos e Usados lançou um álbum excepcional de produção muito bem cuidada, chamado Híbrido. Traz um rock pulsante com muita identidade e qualidade musical. Inovou ao disponibilizá-lo na íntegra em seu site.
Algo que o Gilbertos Come Bacon não pôde fazer. Mas ter suas músicas confinadas à bolachinha não impediu a Gilbertada de participar de vários festivais fora do DF e de outros inúmeros shows por aqui, se houve uma “campeã dos flyers”, acho que foi a banda de Planaltina.

A banda Gonorants foi ousada e acabou pagando de certa forma por isso. O show de lançamento de seu álbum foi produzido por eles. Foi o Festival Cuca de Copas, que teve participação do Gilbertos e dos cariocas Autoramas e Matanza. Sua apresentação, espremida entre os gigantes do Rio, foi marcada pela ansiedade dos fãs da banda do Jimmy. Mas, tanto o álbum como a banda são promissores para 2009. 

Lançamento com estilo também fez a banda Trampa. Seu álbum de estréia, o vigoroso Te presenteio com a Fúria!, foi apresentado ao público no primeiro semestre, em um concerto ao lado da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. O show, que se chamou Trampa Sinfônica, aconteceu diante de uma Sala Villa-Lobos lotada no mês de maio.

Já os destaques internacionais foram  Nancy e Lucy and the Popsonics. O duo Lucy and the Popsonics, que já é cidadão do mundo, foi considerada a revelação em um festival independente no Canadá, chamado Pop Montreal. Com a banda Nancy aconteceu algo curioso. Ao mesmo tempo em que foi elogiada até no USA Today, o único veículo de Brasília que falou algo sobre a banda foi o Rock Brasília, desde 1964. Ponto pros leitores, que puderam ver em primeira mão o que o Jornal da Globo só mostraria um mês depois.

2008 também foi marcado por novas produções e projetos, como os semanais do Rayuela Bistrô ou o Festival Na Rota do Rock Brasília, que reuniu 19 bandas e teve como ponto alto o emocionante revival d’Os Cabeloduro no Gates Pub. Agora é aperfeiçoar porque os caminhos para 2009 já estão apontados, basta segui-los.

Bom, é isso amigos, o Rock Brasília, desde 1964 entrará em férias até a segunda quinzena de janeiro. Enquanto isso, aproveitem para olhar as postagens antigas, relembrar a HISTÓRIA, redescobrir os ÁLBUNS, viajar nos anos 60, 70, 80, 90 ou 2000 ou conhecer as histórias que acompanham o rock de Brasília desde 1964.


Feliz 2009!

17/12/2008

15 anos de hardcore


No dia 9 de dezembro, o DFC fez um show pouco divulgado, no UK Brasil. No palco, eles comemoraram os 15 anos "oficiais" da banda. Vou explicar as aspas, é que muita gente desconhece o fato do DFC ter surgido em 1987, com o nome de DF Caos.


Foi a primeira banda da nova geração naquela época a fazer e distribuir uns patches com o nome da banda pros punks pregarem nas calças ou jaquetas. Era a banda dos punks do Guará, e tinha o Phú (Macakongs 2099), o Pernão, o Gazú e o Daniel (ambos d'Os Cabeloduro) e o Ulixo. Depois, essa banda se dividiria em duas (Total Punx - futura Os Cabeloduro, e DFC).
Mas, voltando à data festiva, o DFC que comemorou no UK Brasil seus 15 anos de pauleira, veio ao mundo em 1993, pela demo Erramos tudo ao mesmo tempo agora. Fitinha que trazia no lado B, a demo do Sunburst. Na capa, uma ilustração do Túlio, que viria a ser também o criador do mascote d'Os Cabeloduro.


09/12/2008

Quem foi rei...

Depois da volta d’Os Cabeloduro (show que infelizmente não pude ver), encerrando a primeira edição do Festival Na Rota do Rock Brasília, outras duas bandas veteranas também darão as caras novamente.
A primeira é uma que figura em qualquer lista séria das bandas mais importantes do rock brasileiro. E é também a única banda nacional de hardcore com alguns milhões de discos vendidos. O Raimundos volta a se apresentar na cidade no próximo sábado (dia 13), no Blackout Bar da 904 Sul. A formação é nova (Digão – vz e gt, Canisso – bx , Marquim – gt  e Caio – bt), mas o repertório é o construído ao longo da carreira da banda, incluindo aí o caminhão de hits da época do Rodolfo.
A outra é o Little Quail and the Mad Birds, com o Gabriel Thomaz, o Bacalhau e o Zé Ovo, que fará a apresentação de encerramento de um festival de power trios que acontecerá em São Paulo, no Centro Cultural Vergueiro no em fevereiro de 2009. Um show que promete muito e sobre o qual com toda a certeza falarei mais, lá na frente.
Como diz o ditado, quem foi rei...

03/12/2008

Semana agitada

A semana está bem servida de shows. Começa hoje (quarta-feira, 03/12) e vai até sábado, o Festival Na Rota do Rock Brasília, que acontece em diferentes casas e cuja programação sofreu uma pequena mudança com a entrada da histórica ARD, um hardcore à Discharge, e banda do meu chapa Gilmar (que foi dono da Devil Discos, uma loja que ficava no Conic e era ponto de encontro dos punks nos idos de 88), no lugar da banda de heavy metal Khallice.
E na sexta-feira tem o Cuca de Copas, um festival que trará o Matanza (que eu não acho lá grandes coisas, mas enfim) e o Autoramas, do Gabriel Thomaz. Além de duas bandas brasilienses bem bacanas da nova geração, o Gilbertos Come Bacon (parabéns, galera, estão em todas!) e a impagável Gonorants, de quem vou falar especificamente em uma postagem futura. É isso, desejo sucesso para todos os eventos que, pelo menos, já demonstram que esses novos produtores não querem repetir os erros do passado recente.
Para obter maiores informações clique nos flyers.

02/12/2008

Pedra 90: 1 - Introdução aos 90's

Por Zeca Domingos
Vamos ver.... Sim, fiquei de falar sobre influências nos anos 90.
É meio foda afirmar que esta ou aquela banda era mais ou menos influente na década passada; Vou tomar como foco a minha banda do começo, Os Animais dos Espelhos e partir dela fazer algumas considerações sobre o que o povo ouvia. Mas não tudo! Até porque este povo me encontra na rua e me mete o cacete se eu afirmar que eles ouviam com certeza tais grupos.
Os Animais eram descaradamente 80's. A banda que me perdoe, mas pelo menos eram as minhas influências mais diretas naquele momento: Sisters of Mercy, Echo and the Bunnymen, Jesus and Mary Chain (estas duas últimas bem associadas ao guitarrista Bizerril); Siouxie and the Banshees (influência natural da Raquel); Dead Kennedys e outras coisas de hardcore legal, especialmente o norte-americano tipo Minor Threat. E é claro todo tipo de música pesada: de Slayer a Einstuarzende Neubauten. Este último, aliás, era, junto com DK, dos preferidos dos Snevols (hahahahahaha... depois eu conto esta história!).
Mas o link dos Animais com os anos 90 e a sintonia com as bandas concentrava-se, em meu ponto de vista, em pelo menos três bandas: Pixies, Sonic Youth e mais pra metade da década, Ministry.
Como eu disse existiam e ainda existem uma porrada de bandas que o povo ouvia nos anos 90. Só vou citar algumas pra nego não ficar depois falando que eu só tenho papo: Bad Brains, DRI, Agnostic Front e Sucidal Tendencies pra galera HC/punk rock da linha DFC e Os Cabeloduro - grandes representantes da cena porrada da época mas de forma alguma os únicos; Babes in Toyland (que era uma banda do chamado Riot grrls do underground norte americano), por exemplo era cover das minas do Kaos Klitoriano;
Na linha das guitar bands, o forte era o chamado indie rock inglês com bandas do naipe do My Bloody Valebntine (que marcou bastante as guitarras do Milani dos Políbias e do Bizerril dos Animais), Ride, SlowDive e tantas outras que muita gente tentava imitar...
Música eletrônica, no início era muito pouco bem quista entre os roqueiros - que aliás tem uma receptividade muito mais diferente hoje em dia. Bandas que usavam artíficios eletro-eletrônicos sempre foram mal aceitas. É claro que eu não estou falando de bandas como Nine Inch Nails e a bola da vez deste texto, o Ministry.
É bem verdade que o Ministry começou meio fresquinho - se me permitem esta pequena comparação homofóbica - no início dos anos 80: Lançou uns albuns na linha EBM (eletronic body music - vide caras tipo FRONT 242 e Front Line Assembly). O bicho pega mesmo em 88 quando eles lançam o Land the Rape and Honey, mmmuuuuiiiitttto mais pesado mesmo. Baixa aí um som chamado STIGMATA pra vocês entenderem o que eu estou falando. Era o que os americanos chamavam de Industrial - um rótulo que abrangia tudo que era porrada, pesado e com uso de novidades eletroincas. O pessoal do Neubauten, dizia-se, achava este rótulo ridículo como todos os outros mais. E convenhamos, se você já ouviu Hermeto Pascoal e Neubauten, saca que experimentações com lixo industrial é um pouco mais que Ministry.
Mas estavamos falando de Stigmata. O som é totalmente eletrônico, com rufadas de bumbo num pitch altíssimo e samplings ( pedaços retirados de outras composições e mexidas ) de várias procedências. Este modelo de som ficou - sempre na minha opinião - mais conhecido com More Human Than Human do White Zombie de 1995. O grande lance do Ministry ficou na minha impressão que todo mundo começou a adimitir que sons pesados e metálicos eram legais. Tanto é que as bandas de guitar tinham suas músicas com acelerações de ritmo e aumento de peso: Succulent Fly em Lesbian; Sunbusrt em Speed Racer; Oz em sua versão de Walk Like an Egypcian e Tres bien mon ami; Divine em Exu Beat; e por aí vai...
Mas o pior , ou melhor, do Ministry ainda estava por vir: A Mind is a Terrible Thing to Taste e PSALM 69, respectivamente de 89 e 92. Putaquepariu. A vida tornou-se muito mais divertida. Imagine que no começo dos anos noventa a popularização do som pesado veio de tal forma que, tocava-se Thieves do Ministry em boatezinhas na rua do Gates. E todo mundo dançava e pogava. Algo hoje inimaginável graças crescente frescurização das pistas de dança alternativas - as pessoas vão pra azarar e não vão ouvir coisas novas e divertidas....
O disco de 89 tinha só pedras: Thieves; Burning Inside; e é claro So What, com um baixo poderosísimo!
Mas em 1992 o fim do mundo chegou: PSALM 69 com tres lindas coisas: Jesus Built my Hotrod, TV 2 e New World Order. Impagáveis obras- primas de som pesado nas paradas de sucesso. hahahahaah. 
Jesus Built tinha a participação do vocalista de outra banda bastante ouvida por alguns daquela época, Butthole Surffers .Como é a música? Bem, foi -se comentado que a tal composição era o Ace of Spades dos anos 90.
Acho que eu falei demais! Semana que vem vou falar sobre o Sonic Youth e, na medida do posível, falar mais de bandas daquela época. Um abração!

Não fique só lendo essas besteiras, baixe estes sons!!!!!!!!

N.E.: As fotos que ilustram a postagem são do Sonic Youth, Pixies, Dead Kennedys, do segundo álbum do Lard (formado por integrantes do Ministry e Dead Kennedys) e da banda Babes in Toyland.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts with Thumbnails