Marchetteiras: Cariocas Candangos

Muita gente acha que Paralamas do Sucesso é uma banda de Brasília. Não, Paralamas é uma banda carioca. Herbert e Bi se conheceram em Brasília e conheciam toda a Turma da Colina e da 104 Sul, onde moravam, mas eles formaram a banda no Rio. Portanto, Paralamas é carioca. Digamos assim: carioca com fortes raízes candangas. “Os Paralamas do Sucesso vão tocar na capital” é o que Herbert diz na música “Vital e Sua Moto”, o 1º sucesso do PDS em 1983. Esse trecho mostra o quanto à banda gostaria de participar mais de perto de tudo o que acontecia em Brasília no início dos anos 1980. Enquanto Herbert e Bi no RJ sonhavam em poder tocar na capital; Legião, Plebe e Capital e Escola sonhavam tocar no RJ. No início de carreira do PDS ela ainda não conheciam muita gente no RJ, não era descolada da cidade, por isso, a ligação dela com Brasília era tão forte. Tanto é que em seu repertório inicial a banda tocava músicas como “Veraneio Vascaína” e “Ainda é Cedo”, entre outras.
Escrevo esse post para homenagear e lembrar que hoje, 30 de novembro, e também no dia 1º de dezembro de 1982, o Paralamas comemora seu 1º show como Os Paralamas do Sucesso. Ele aconteceu no Western Club (RJ).
O Rock de Brasília deve e muito a Herbert Vianna e Bi Ribeiro, pois eles sendo fãs das bandas amigas da capital, fizeram de tudo para ajudá-las. Eles não só levaram Legião e Plebe para EMI, como também, de certa forma, abriram as portas da gravadora para Escola de Escândalo, Arte no Escuro e Dentes Kentes. Além disso acolhiam Legião, Plebe, Capital e Escola entre outras bandas e amigos de Brasília quando todo mundo ia tocar no Circo Voador – datas que conseguiam também com a ajuda paralâmica.
Isso é que é amizade! Aproveito para deixar aqui registrada minha admiração pela banda e, principalmente, pelos discos Severino (1994), Os Grãos (1991) e Big Bang (1989) que eu adoro e sempre estou com um deles (ou todos) no meu iPod.


Tudo isso é para sua segurança

Não sei como os livros de História têm abordado o fim da ditadura militar no Brasil, mas pra mim um dos marcos dessa mudança de ares foi quando a música Proteção da Plebe Rude alcançou o status de hit nacional, lá pelos idos de 86.
E é incrível que os versos punks juvenis  "A PM nas ruas, nosso medo de viver. O consolo é que eles vão nos proteger. A única pergunta é: Nos proteger do quê?" foram feitos há cerca de 25 anos e mostram que infelizmente algumas instituições mudaram muito pouco nesse período. Abaixo, o vídeo da Plebe Rude ao vivo, em 1987.

O blog na 100,9

Aviso pros leitores do blog :
Hoje (quinta-feira) logo mais às 21 horas, participarei de uma entrevista sobre o blog Rock Brasília, desde 1964 no semanal Papo Firme, programa apresentado pelo Luciano Lima na Rádio Cultura de Brasília.
Pro pessoal do Distrito Federal basta sintonizar na 100,9 FM e pra galera de fora do quadrilátero tem o link embaixo para ouvir a rádio on-line, link que serve também pros internautas brasilienses, nunca é demais lembrar, hehehehe.
Só pra constar, a Rádio Cultura é atualmente a única do Distrito Federal que abre espaço em toda a sua programação para os artistas locais. Esse crédito não poderia deixar de ser lembrado neste blog.


Marchetteiras: O Coreto do Gilberto

A última vez que fui ao Gilberto Salomão, acho que em 2003, tomava uma cerveja com amigos num sábado ou domingo à tarde e resolvi ir a uma farmácia que ficava na parte de trás de lá. Quando cheguei tomei um susto quando vi que, onde havia uma área aberta e um coreto, tudo havia mudado e que lá agora era uma feira livre e todo o ambiente havia sido fechado. Lembro de um fliperama que havia ali. Não sei quando essa mudança foi feita e como está hoje. Pra mim, que estou fora há 20 anos, foi um choque. O fim de uma Era. Um filme passou em minha cabeça em longos 2 segundos.
Vi shows maravilhosos ali, em cada um, uma energia diferente. Legião, Capital, Plebe, Elite Sofisticada, Escola de Escândalo (XXX), Arte no Escuro... Alguns aconteciam à noite e outros à tarde. É difícil lembrar de detalhes de todos eles, mas teve um da Plebe em que Seabra rasgou a calça e ficou com a bunda de fora, foi bastante divertido apesar da tensão que rolava por causa dos playboys, cheiro de briga, mas nada aconteceu. Teve um do Capital que a banda foi “patrocinada” pela Yes Brazil e eu até tinha a fita cassete desse show, mas Loro passou a mão (cadê a fita Loro???).
Sempre rolava show e não era qualquer um que conseguia tocar lá.
Inclusive numa caça encontrei algumas fotos de um show do Escola exatamente no coreto do Gilberto.
Perguntei ao André Mueller, da Plebe, o que havia de especial nos shows do Coreto e ele respondeu...
“Eram muitas vezes a única opção de divertimento dos jovens brasilienses nos anos 80. O interessante é que, sem MP3, sem internet, sem discos gravados, todos conheciam as principais músicas das bandas. Lembro-me de um show, era um domingo, e estava prevista uma porrada entre os playboys e os punks (leia-se, tchurma).Todos foram armados com canos, paus, correntes e até cachorros. Ficou o tempo todo um clima de pré-violência, mas não rolou nada. Para a gente era estranho, pois ‘Gilberto Salomon’ era território inimigo. Shows divertidos numa época divertida.” 

PS: Mr. X, obrigado pela colaboração!


Fora dos Eixos: Camelo, Marketing e Pedofilia

Na semana passada um casal de músicos assumiu o seu romance publicamente, até aí nada demais, se não fosse o fato da dupla em questão ser formada pelos ícones da indiezada, Marcelo Camelo e Mallu Magalhães.
O primeiro é um cara que surgiu na mídia ao cantar os tocos que levara de uma tal Anna Julia e ao dizer que acha Ramones uma porcaria. E que depois de deixar a barba crescer, passou a compor coisas cada vez mais sérias, mais profundas e mais chatas. A segunda veio ao mundo pelo Myspace e até pouco tempo parecia representar bem o fim dos tempos de sucesso pré fabricado e jabá. Ele, um marmanjo de trinta e tantos anos e que agora estréia em carreira solo e é um sério candidato a herdeiro do Caetano Veloso no posto de babaca número um da MPB. Ela, uma talentosa garota de dezesseis anos que faz um esforço tremendo para não perder a mentalidade de nove.
Tudo bem que romances oportunistas não são novidades no Brasil. Desde que a Xuxa apareceu com o Pelé no início da década de 80 é recorrente ver artistas se utilizarem desse tipo de artifício para aparecer, e isso sempre repercute na nossa mídia sedenta e capaz de transformar toda a sorte de fofocas e banalidades em “notícias”.
Mas, nesse caso o que estarrece é que em uma época em que se discute tão seriamente os crimes de pedofilia, em uma época em que crianças e adolescentes são violentadas diariamente. É um absurdo que um homem adulto como Marcelo Camelo (que diga-se, é feio como a fome no sertão) que é de fato um formador da opinião de muitos descerebrados Brasil afora, utilize-se de um romance com uma adolescente que é considerada um prodígio, mas tem trejeitos e cacoetes mais próximos de uma retardada, como jogada publicitária rasteira. Um absurdo criminoso.
E mais um motivo para eu ignorar solenemente a vinda desse indíviduo para Brasília.


Marchetteiras: Entrevista com Tom Capone

Conheci Tom em 1984, quando fui ao 1º ensaio do Peter Perfeito na casa dele e de Ricardo, seu irmão e então baterista do Peter. Tom naquela época nem sabia como pegar uma guitarra, muito menos que se tornaria músico e produtor. A 1ª formação do Peter era Wagner e Cássio (vocais), Babu (guitarra), Ricardo (bateria) e Miltinho (baixo). Inclusive até hoje tenho uma fitinha de um dos 1º ensaios (Aaaaaahhhhh! Triangulo das bermudas... / Ainda me lembro, lá na beira da piscina sob o sol...). Uma de minhas primeiras letras foi musicada pela banda que a tocou nos primeiros shows. Se chamava Estado de Sítio.
Bem, mas o assunto é Tom Capone. Em 2000 fui ao Porão do Rock para tocar no Palco B com os Mengele e também para fazer matérias para o site onde eu era editor de música. Aliás, antes eu era sempre convidado pela produção para ir ao Porão, até porque fui um dos que ajudou a divulgar o festival pelo Brasil e articulei para que a MTV fizesse a cobertura jornalística anual. Será que um dia eu irei ser convidado novamente?

Bem, fato é que tinha muita gente das antigas pelo backstage e essa edição do Porão foi memorável. Por lá estava Tom e em algum momento eu o peguei para uma entrevista. É difícil entrevistar amigos muito próximos, mas acabou rolando um bom papo.

Paulo Marchetti – Quando você começou a trabalhar com produção de discos?
Tom Capone – Eu comecei fazendo o Peter Perfeito, em 93. Eu assumi a direção de um estúdio no Rio de Janeiro, o AR Estúdios, aí com esse puta estúdio, eu chamei os brothers pra gravar, e fizemos o Funk Rock Nervoso, do Peter Perfeito, que saiu pela Virgin. A partir daí foi uma avalanche de artistas.
Paulo – Como foi seu envolvimento nos dois últimos discos da Legião?
Tom – O Peter Perfeito era uma banda contratada da (gravadora) Rock It! do Dado Villa Lobos. Na verdade, quando eu entrei nesses projetos, eu entrei pra dar uma força pro Dado. Tanto que no Tempestade, não tem meus créditos, pois eu só produzi as guitarras, apesar de estar ligado em tudo que eles estavam fazendo. Aí, quando o Renato morreu, o Dado me chamou pra fazermos o outro disco.
Paulo – Mas, depois disso, você teve que batalhar trabalho ou eles vieram até você?
Tom – Começou a pintar um monte de convites. Inclusive de bandas que não vingaram, tipo Virna Lisi, Maria Bacana, Acabou La Tequila, Baia e os Rockboys, Pravda!, essas foram as mais alternativas… Aí comecei a pegar outras coisas, fui à Nova York trabalhar com Moraes Moreira e mixei o disco 40 Carnavais. Foi ai que meu horizonte começou a aumentar. Fiz o Carlinhos Brown, junto com a Marisa Monte…
Paulo – Como você foi virar produtor. Você era guitarrista…
Tom – Quando saí de Brasília, fui com minha guitarra e trabalhei, como músico, para o Lobão, Lulu Santos, Oswaldo Montenegro, Cássia Eller…
Paulo – Gal Costa…
Tom – A Gal não. Com ela eu vou trabalhar agora… Ficou essa coisa de que eu tenho a manha do Pop/Rock, mas também não sou odiado pela velha guarda da MPB. Esse respeito é importante, porque tudo é MPB e tem que haver alguém linkando os dois lados, e eu acho que eu tenho que ir nessa onda. Fiz o Na Pressão, do Lenine…
Paulo – Como você trabalha no estúdio. Você costuma mudar muito o som da banda?
Tom – Não! Eu pego o que já está feito e vamos trabalhando em cima, até achar o ponto certo pra música. 
Paulo – Qual de seus trabalhos você destacaria?
Tom – O Só no Forévis, do Raimundos. Tem gente que pode achar esse o mais fraco da banda, mas se você for ver a trajetória da banda, você verá que esse disco é totalmente Raimundos. O que aconteceu nele, é que o Raimundos fez uma produção, onde a voz aparece, coisa que nunca tinha rolado, onde as guitarras ficaram pesadas, mas não incomodam tanto. Nesse novo disco, o Ao Vivo, não refizemos nada em estúdio, as 44 músicas do disco entraram do jeito que foram tocadas. É ao vivo mesmo!!!
Paulo – Dentro de toda a produção, o que você mais gosta de fazer?
Tom – A primeira parte pra mim, é pegar a música com a banda, achar o ‘fio condutor’ dela… eu gosto de fazer música que dá vontade de sacudir. Tem música que a letra é legal, a levada é interessante, mas a música não rola, então eu e a banda tentamos achar o que ela tem de melhor e trabalhamos em cima disso e, como eu também toco, aí fica fácil de achar os caminhos. A única diferença minha pra outros produtores, é que eu também sou engenheiro de som. Então eu ajudo a arranjar a música, gravo e mixo. Faço tudo eu mesmo. 
Paulo – Esse gosto todo pela produção surgiu na época em que você ainda tocava com o Peter Perfeito, gravando as demos…
Tom – Eu sempre amei estúdio. Quando eu ainda morava em Brasília, ficava lá no (estúdio) Artimanha, de bicão, tava o tempo todo lá e tinha gente que até achava que o estúdio era meu (risos). Aí deu no que deu…
Paulo – Tem algum artista que você gostaria de trabalhar, mas que ainda não rolou?
Tom – Tem! O Gilberto Gil. Agora eu tô começando a fazer o novo da Fafá de Belém. Velho, é de chorar!!! Sem dúvida esse é o melhor disco que eu fiz na minha vida! Sério!!!!! Ela canta muito, apesar de ter ficado meio apagada por uns anos… É o seguinte: eu juntei uma orquestra, com arranjos de Chiquinho de Moraes, Leandro Motta entre outros feras. São músicas de 1950, clássicos da MPB. O repertório foi escolhido pela Fafá, por mim e pelo Zé Nilton. Esse disco é ouro!
Paulo – Você adora motocicletas. Qual foi a melhor balada que você fez?
Tom – Ainda vai ser. Tenho vontade de ir ao México. Já fui pro Uruguai, Chile, esse ano fui passar o reveillon em Garopaba e quase passamos à virada da meia noite na estrada. Chegamos lá às onze da noite e não havia lugar pra ficarmos, aí encontramos e fomos correndo pra praia. Esse foi a melhor balada. Fomos em cinco motos.


Seis meses


Vou confessar que quando comecei a publicar este blog, eu temi não conseguir material pra mantê-lo atualizado por mais de dois meses. Hoje o blog completa seis meses no ar e com fôlego pra seguir em frente por um bom tempo. E isso é algo que tenho que agradecer a todos que me ajudaram e se prontificaram desde o início.
Primeiro queria agradecer ao meu amigo Gabriel Thomaz, que é um cara extremamente zeloso com suas coisas, pelo material que ele escaneou e me enviou, foi uma verdadeira viagem no tempo para mim e uma contribuição imensa para o que se propõe este blog. Valeu, cara!
Ao comparsa Paulo Marchetti que passou de leitor a parceiro de empreitada rapidamente, nem pensou duas vezes para aceitar o convite pra colaborar, e já chegou cheio de disposição e idéias. Um cara fundamental pro fôlego que o blog pegou.
Ao Luciano Branco que não perdoa uma falha por aqui, hehehehehe, ao Zeca Domingos que tem me mandado uns textos muito bacanas sobre a década de noventa, mas estou segurando um pouco pra publicar, e à estudante Alê dos Santos, que chegou a contribuir com algumas dicas da cena independente nacional. E a toda a galera que tem comentado as postagens também e à galera das bandas de hoje e ontem que tem me dado uma força tremenda para continuar.
Eu comecei a ouvir o rock brasiliense em uma época em que se gravava coletâneas em fitas k7, eram horas pra se gravar 45 minutos de música. Hoje, como tudo está mais simples e rápido, resolvi gravar uma “fita coletânea” para os leitores do blog. E será assim daqui até o nosso aniversário de um ano. A cada dois meses publicarei uma coletânea com o Rock Brasília, desde 1964. Uma boa oportunidade para se conhecer um pouco do que foi produzido em Brasília ao longo dos anos.

Rock Brasília, desde 1964
1. Plebe Rude – Seu jogo
2. Suíte Super Luxo – Máquinas passionais
3. Maskavo Roots – Besta mole
4. Móveis Coloniais de Acaju – Perca peso
5. Raimundos – Cintura fina
6. ASKeS – A balada
7. Velhos e Usados – Meio céu
8. Little Quail and the Mad Birds – Pump up the bird
9. Lucy and the Popsonics – Garota rock inglês
10. Escola de Escândalo – Só mais uma canção
11. Nancy – Chaparral
12. Arte no Escuro – O Fim
13. Prot(o) – Onde os porcos pastam longe de mim
14. Oz – Shit bomb

O papo é pop

Com exceção dos famigerados rhythm’blues e pop rock suingado do cerrado, coisas que fazem o Jota Quest parecer com James Brown e o Barão Vermelho virar Rolling Stones, é difícil encontrar em Brasília bandas com perfil mais pop, que queiram ser apreciadas pelo maior número de pessoas possíveis e para tanto componham músicas, digamos, mais fáceis. O que de maneira alguma significa música menos qualificada. Sim, porque não devemos nos esquecer que é o público quem realmente consagra uma banda, e em Brasília, principalmente nos últimos anos, o que tem acontecido é que muitas bandas se esqueceram ou ignoraram esse detalhe.
Foram bandas mais preocupadas em conseguir elogios de jornalistas, convites de produtores, ou ambos já que por aqui se acumula as duas funções sem o menor pudor, do que tentar atingir, sim, o grande público. Porque a verdade é que não há mal ou pecado algum em se querer viver de sua própria música, ouvir sua banda tocando em rádios ou encontrar pessoas assobiando suas canções na estação do metrô. Ser pop é ser lixo? Queimem os discos dos Beatles, exorcisem os álbuns do Elvis. Porque o rock, por si só já é pop, nasceu assim e foi isso que até hoje impediu que o gênero se tornasse algo obsoleto como a orquestra do Ray Connif. O rock foi sempre se moldando ao gosto das gerações que se sucederam.
Aqui em Brasília existem duas bandas que fazem cada uma à sua maneira e com influências distintas um pop rock com qualidade e personalidade.
A primeira é uma banda que eu conheci após a divulgação do band list do Festival Na Rota do Rock Brasília, Os The Los.
Banda que faz um pop suave com vocal feminino, violões, solos de guitarra e um toque do clima folk que hoje está em evidência. Tudo está bem feitinho, inclusive os arranjos. Tem alguns hits potenciais como Existe uma Razão e Voar. Mas, acho faltou um pouco mais de cuidado na produção deste álbum virtual que baixei, principalmente na gravação e mixagem da voz, pois tudo ficou meio com “cara” de demo. Mas, isso é apenas um pequeno detalhe, pois o mais difícil que é compor boas canções, Os The Los já conseguiram.
A outra vem da Ceilândia. O trio Káustika faz um hard rock pop que em alguns momentos me lembrou algo da gaúcha Tequila Baby ou dos brasilienses ASKeS, mas com um toque de heavy metal que dá personalidade própria à banda. É um pop honesto, pronto pras FMs ou pra trilha da Malhação, e acho que essa é a proposta da banda, um rock para todos os ouvidos.
As letras têm um pouco da temática romântica dos sucessos radiofônicos e a música O Resgate da Mulher Maravilha é um hit pronto. Mas, não prejulgue, leitor(a), a banda não é Emo. Com seu instrumental coeso e encaixado, um bom vocal e uma dinâmica e pegada que funcionam bem pra se ouvir ao volante de um carro, por exemplo, o Káustika é uma banda que se trabalhar direito e der uma polida no repertório (um pouco irregular) pode cair na boca do povo.
Ainda não vi nenhuma das duas bandas em cima de um palco e sei que isso é algo fundamental para artistas com pretensões maiores. Mas também sei que é uma aspecto em que as bandas costumam evoluir na medida em que mais vezes se apresentam. Vamos esperar e ver o que acontece.

1, 2, 3, 4


Este álbum da banda de punk rock ASKeS é cercado de curiosidades. Uma é que o disco é uma raridae desde o lançamento por um pequeno selo paulistano, já que não foi distribuído no DF. As poucas cópias que chegaram em Brasília vieram pelas mãos da própria banda. Na verdade, foi uma banda mais reconhecidda fora do DF, principalmente no estado do Rio de Janeiro, norte do estado e Região dos Lagos, onde teve músicas entre as mais pedidas nos programas de rock da rádio Ondas FM, de Cabo Frio. Outra é que foi a primeira vez que o punk se uniu ao erudito em Bsb, com a presença de um duo de cordas na ramônica A Balada.
O álbum também traz a regravação de O Gato, música d’Os Primitivos e primeira canção autoral gravada no rock candango. Versão que traz o plebeu Philippe Seabra solando um piano à Jerry Lee Lewis. O ASKeS também foi uma das bandas recentes mais influenciadas pelo rock de seus conterrâneos de Brasília. As mais aparentes são da Plebe Rude e do Little Quail (O Zé Ovo foi uma das pessoas que elogiou esse álbum). Curiosamente, a banda se despediu em um show de abertura para a Plebe Rude no lançamento do R ao contrário, no aniversário do Lago Norte, em 2007.

Para o Assunto Resolver... foi produzido pela banda em 2004, teve Philippe Seabra como técnico de gravação e Gustavo Dreher como técnico de mixagem. Na parte musical, além do Seabra, participaram do álbum integrantes das bandas Vamoz!, Relespública, Prot(o) e o ex-vocalista e compositor do Bois de Gerião, o Toco.
Um disco em que a maioria das músicas mal chega aos três minutos mas que, apesar de alguns momentos descartáveis, é um belo álbum de punk rock com bons trabalhos vocais e instrumental potente e coeso, para se ouvir em volume bem alto.

ASKeS – Para o Assunto Resolver... (JT Records, 2005)

1. Sanguessugas
2. Carro Novo
3. Por um Fio
4. Feijão com Arroz
5. Ou eu ou a Garrafa
6. A Balada
7. Loira Tipo-Assim
8. Não me Bata mais com essa Corrente
9. Dominado
10. O Gato
11. Seja Real
12. O dia em que a Xuxa foi Assassinada com Requintes de Crueldade
13. Ela é Moderna Demais pra Mim

BAIXE AQUI ou AQUI

Marchetteiras: Filhos de Mengele no Núcleo Bandeirante

Era início de 1986 e nós do Filhos de Mengele tocávamos em qualquer lugar, independente de qualquer coisa. O negócio era divulgar a banda. Nunca, em momento algum, nos quase 3 anos que fiquei na banda chegamos a falar em gravar discos e sonhar com sucesso nacional. Queríamos mesmo era nos divertir e divertir os outros, por isso, a nossa única preocupação era saber onde seria o show do próximo final de semana.
O show que aconteceu no Núcleo Bandeirante ainda era com a formação original, ainda sem o Digão na bateria: Eu no vocal; Danilo na guitarra; Celso no baixo e Paulinho na bateria.
O show aconteceu num sábado à tarde, numa micro arena com um palco circular de concreto de uns cinco metros de diâmetro, imagino. E acho que um metro de altura. O equipamento, pra variar era uma coisa absolutamente tosca e nem retorno de palco havia. A bateria era mais tosca que a pior Pingüim imaginável (N.E.: Pinguim era uma bateria brasileira, pois naquela época, baterias importadas como Tama ou Mapex só podiam ser vistas em fotos de revistas) e só pra se ter uma idéia, o único pedestal de prato que havia, saia direto do bumbo e o prato, claro, era horroroso e rachado (Paulinho não tinha equipamento de bateria e, às vezes, pegava algo emprestado de seu irmão, Luis Kiss, que era baterista de fato. Paulinho só tinha dois pares de baquetas).
O Filhos de Mengele tocaria com duas outras bandas, uma delas era o Stuhlzapfchen e a outra não lembro. Sei que acabou não indo nenhuma das duas e o show que seria de umas 5 ou 6 músicas foi se esticando e acabamos tocando o repertório inteiro. Havia um punhado de gente, pois os Mengeles já estavam relativamente conhecidos e o legal foi que durante todo o show, os skatistas ficavam fazendo manobras no palco - teve um lá que até quebrou o skate pelo meio quando pulou do palco para o chão. Foi realmente bastante divertido e ali certamente conquistamos mais fãs. Os skatistas falavam que éramos a “banda do boy”, por causa de “Ele é Boy”, que eles se amarravam.
A gente ali tocava sem escutar nada do que estávamos fazendo e por quase todo o show eu fiquei ao lado do P.A. para eu poder escutar minha voz. As favas com a qualidade, queríamos nos divertir!
Mas esse show ficou memorável e marcado por causa da tremenda confusão que deu no final. A última música que tocamos foi “Religião”, uma crítica pesada à igreja católica.
Há alguns metros do palco havia uma igreja e pouco antes do final do show começou uma missa. E não é que, mesmo com o tosco som do show, a igreja se incomodou com o barulho e com a letra de “Religião”. Eu só me perguntava como o padre e os fiéis conseguiram entendê-la. A confusão, na verdade, tinha começado pouco antes do final do show, mas nós não havíamos percebido e alguns punks amigos foram lá bater boca com as beatas e o padre. Nós tocando, eu de olho na igreja e lá o bicho pegou feio, a discussão virou briga, a polícia foi chamada e antes dela chegar pediram para que nós déssemos o fora. Dessa parte final só me lembro de umas 7 ou 8 pessoas apertadas na Variant 76 de Celso e assim demos no pé. Comigo havia um amigo de São Paulo, que ficou estarrecido com toda a confusão. Depois nos falaram que até o padre apanhou (se é verdade nunca vou saber). Sacanagem. Mas que foi divertido, isso foi.

Rock For Fun!

PS: Na página da Trama Virtual há algumas músicas do Filhos de Mengele na apresentação do Porão do Rock de 2000. A qualidade é baixa.

Reaparecendo embaixo dos arquivos

Nenhum outro músico do rock nacional rendeu tantas histórias como o líder da Legião Urbana, Renato Manfredini.
Sua personalidade iconoclasta foi decisiva para a construção do mito Renato Russo, um híbrido de Johnny Rotten, Bukowski, Oscar Wilde e Ian Curtis. Não é tão exagerado afirmar que ele tenha desempenhado na cultura brasileira um papel muito parecido com o que os citados desempenharam em suas respectivas praças. Enfim, Renato Russo já xingou um público de milhares de pessoas e depois saiu do palco no meio do show. Já deu vexame bêbado no Gates Pub em show dos outros que ele transformou em show dele sem pedir permissão pro artista ou pro público, que só faltou expulsá-lo do lugar. Usou e abusou de sua sexualidade para afrontar os puritanos e até mesmo os malucos. Sem se esquecer que ele ainda gravou um disco brega em italiano antes de morrer jovem. Biografia digna de um Teseu ou outro herói grego.
Digo isso porque o personagem Renato Russo, que já rendeu inúmeros álbuns póstumos, um dueto espírita com o Paulo Ricardo, um musical no teatro e também um especial da TV Globo, além de um livro sobre a música Faroeste Caboclo. Agora dará as caras na telona.
O filme Somos tão Jovens está previsto para 2009 e contará a história do líder da Legião Urbana entre os anos de 1976 e 1982. O início com o Aborto Elétrico, sua fase recém-resgatada de Trovador Solitário, e o momento em que se juntou a Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha para formar uma banda que venderia milhões de discos. Para o papel do cantor estaria escalado o ator Thiago Mendonça que interpretou o irmão do Zezé di Camargo em 2 filhos de Francisco.
E o interessante é que talvez não seja o único longa relacionado ao Renato Russo nos cinemas em 2009. As filmagens de Faroeste Caboclo, filme que contará a história da canção (e do livro) e que terá o roteiro assinado por Paulo Lins (Cidade de Deus), foram enfim liberadas após uma longa batalha judicial entre os produtores, a família do artista e a editora fluminense, Edições Musicais Tapajós, que absurdamente é a detentora dos direitos autorais da canção. Agora é esperar para ver esses pedaços da rica história do rock de Brasília na tela grande.

Uma boa semana para todos!

1978

Encontrei um blog com poucas postagens mas muito bacana, chamado Canções e Revoluções.
Foi lá que achei esse registro histórico do Aborto Elétrico. O derradeiro show da banda que aconteceu na UnB em 1978. Lá, Renato Russo e os irmãos Flávio e Fê Lemos despejaram em versões mais toscas alguns dos futuros sucessos nacionais de Legião Urbana e Capital Inicial como Veraneio Vascaína, Fátima e Que país é esse?
Este talvez seja o único registro da banda.

Show do Aborto Elétrico na UnB

BAIXE AQUI

Obama nas alturas, pés no chão

Espero que a eleição de Barack Hussein Obama à Presidência dos EUA e a recente crise financeira internacional sejam realmente os marcos da mudança da postura humana em relação ao mundo e ao seus pares. Que o período de consumismo irresponsável, da perversa indústria da ignorância disfarçada de entretenimento, de indignidade humana e inversão total de valores éticos e morais, de esgotamento dos recursos naturais, de banalização da violência, de insensibilidade e irresponsabilidade social, de corrupção em todos os níveis ou do dinheiro sujo de sangue. Que isso esteja finalmente chegando ao fim e possamos em breve vislumbrar no horizonte um futuro mais digno e um mundo mais humano.

De Brasília para o mundo

Eu sempre reparei que existem bandas que acreditam que basta se vestir como bandas inglesas para que a harmonia musical e a criatividade de algumas delas baixem em seus corpos e façam com que suas músicas se tornem num passe de mágica, composições sublimes e sofisticadas. Tudo bem que isso pode até acontecer dentro da cabeça oca desses músicos ou dos ignorantes que endossam essa crença descabida. Mas, o fato é que a realidade é diferente e qualquer um que tenha um ouvido mais atento percebe que aquelas ladainhas discorrem sobre três, quatro acordes e ficariam bem melhor se fossem tocadas com mais velocidade e peso. Basicamente, porque o que essas bandas indie/rock inglês daqui fazem, e muito mal por sinal, é um punk rock lento e sem distorção. Em alguns casos até botam uns arranjinhos de cordas pra dar aquele clima de sofisticação, mas a estrutura musical continua simples como um Parabéns pra Você.
Não amigos, essa postagem não está sendo usada de mera desculpa pra malhar o britpop do cerrado. Eu disse tudo isso porque vou falar de uma banda que em meio a tanta pose e marketing, faz um som elaborado de verdade, de derrubar o queixo no chão e até duvidar que é uma banda brasileira, quiçá brasiliense, quiçá brasiliense desta década. Me refiro a banda Nancy, formada por Camila Zamith – Voz, Praxis – Guitarra, Fernando – Guitarra, Munha – Baixo, Dreaduardo – Bateria e Ivan Bicudo – Teclados.
Sensacional é o adjetivo imediato que me veio à cabeça quando escutei o sexteto. É uma banda com músicos extremamente talentosos e com as melhores influências possíveis (e não é exagero, fui tomado de lembranças de Brian Wilson à Black Sabbath, de Nirvana à João Gilberto ao ouvir o som da banda, e ainda Pink Floyd, Velvet Underground...) e um vocal de interpretação fantástica da vocalista Camila Zamith. O que só comprova que quando músicos estudados têm o mesmo espírito criativo dos autodidatas, o resultado beira a perfeição.
O Nancy é uma banda que dá gosto de ouvir, lava a alma de quem não agüenta mais tantas bandas conservadoras, que seguem “receitas de bolo” (Emo pra tocar em rádio ou Indie pra ganhar elogio de jornalista) O Nancy não é o tipo de banda que apenas pisa na pegada alheia. As harmonias, a voz de Camila, a cozinha (baixo e bateria) perfeita e a desenvoltura da banda na execução das canções dão a impressão de que o Nancy poderia tocar Iron Man ou Garota de Ipanema com a mesma propriedade.
A banda foi citada com destaque em publicações internacionais de respeito como USA Today ou as britânicas The Guardian e Uncut. Também se apresentou na BBC de Londres e teve músicas executadas em diversas rádios de cidades como Nova York e Tokyo. E ainda teve sua música Keep Cooler remixada e incluída em um ábum da banda canadense Born Ruffians. Ah sim, o Nancy toca no Brasil também. Em 2008 se apresentou no Motorola Motomix, em São Paulo, e no Porão do Rock, em Brasília.
O Nancy tem um EP lançado pelo selo paulista Peligro/Openfield e dois mp3 lançados pelo braço online da internacional Downtown Records, cujo cast tem, entre outros, a primeira-dama da França, Carla Bruni. Abaixo, a banda no programa Tramavirtual, do canal a cabo Multishow.

Série Pós-Punk: 9 – The Cure


Assim como o Joy Division, é super difícil falar de The Cure, uma das bandas mais fantásticas do mundo. Além disso é também uma das mais conhecidas e, por isso, não vou ficar aqui discorrendo a história da banda.
Fato é que muita gente vai dizer que Cure não é Pós-Punk, e sim gótico. Mas eu digo que a banda surgiu na cena Punk, sendo primeiramente tratada como tal, mas com o 1º disco passou a ser vista como uma banda PP, teve uma fase gótica como nenhuma outra teve, e após essa fase ela passou a intercalar discos pops e góticos.
Uma vez na MTV fiz um programa especial do Cure, de uma série chamada Arquivo MTV, onde eu contava a história da banda através de matérias misturadas com clipes.
Lembro de uma passagem onde Robert Smith falava sobre o início dos anos 1980, quando a banda estava numa ultra fase gótica com discos como Faith, Pornography e Seventeen Seconds. Smith disse que estava cansado de melodias tristes e aquela era uma época onde as bandas estavam fazendo músicas para cima – era o auge da New Wave, e ele queria provar para ele mesmo que era capaz de fazer boas canções Pops. O resultado foi o maravilhoso Japanese Whispers. Depois dele o Cure tomou outro rumo e chegou ao mainstream, principalmente dois anos depois, com o The Head on the Door.
Robert Smith é gênio e qualquer coisa que faça é, no mínimo, ok. Excelente guitarrista, letrista e vocalista.
Eu, particularmente, não ouço tudo dessa fase gótica do Cure, mesmo assim há coisas maravilhosas. Gosto mais do lado pop da banda. Lembro que muita gente, fã velho, torceu o nariz após o mega sucesso que a banda fez na segunda metade dos anos 1980, principalmente após a 1ª vinda dela ao Brasil, quando, incrivelmente, “Boys Don’t Cry”, música de 1979, fez tremendo sucesso em 1987. O fato é que The Head on the Door e Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me são obras primas (é só ouvir “The Kiss”, 1ª música do Kiss Me... que guitarra! que música!).
Aí depois desses discos, pra fechar os 80 com chave de ouro, vem Disintegration, outra obra prima, agora de volta com a sonoridade gótica. E aí para abrir os 90 veio Mixed Up, um disco de remixes produzido pelo próprio Smith que também é um petardo! Desde a primeira audição não larguei mais o disco e o uso muito, inclusive, para sonorizar programas de TV que faço.
Você que despreza o Cure mesmo sem conhecer a banda, deveria fazer um exercício de pelo menos escutar esses discos disponíveis abaixo. O Cure é assim: sempre haverá algo de bom que você acabará achando.
Bem, vamos a alguns dados históricos:
- The Cure surgiu em 1976, em Crawley, na Inglaterra. A princípio se chamava Easy Cure.
- Contando os atuais, a banda já teve 12 integrantes.
- Entre discos de estúdio e ao vivo são mais de 20 lançamentos desde 1979.
- Graças ao Cure toda uma geração de bandas surgiu. Além disso muitas bandas famosas tiveram sua forte influência como The Smiths, Bauhaus, Sisters of Mercy, Echo and The Bunnymen e Depeche Mode.
- Pela sua grande amizade com o pessoal do Siouxsie and The Banshees, Robert Smith chegou a fazer parte da banda gravando o disco Hyaena de 1984. Smith excursionou e participou de clipes. Essa amizade começou quando as duas bandas fizeram uma excursão em 1979.
- Essa grande amizade ainda rendeu o projeto paralelo The Glove, que lançou apenas um disco em 1983 chamado Blue Sunshine. Fazia parte Robert Smith e Steven Severin, baixista da Siouxsie.
- Sem dúvida alguma, os clipes do Cure estão entre os melhores do mundo.
- A banda acabou de lançar o mais novo disco chamado 4:13 Dream.
- Se Robert Smith é gay ou não isso é o que menos importa.

Discografia recomendada:

Three Imaginary Boys (1979 – Deluxe Edition) 1, 2

Japanese Whispers (1983) 1

The Head on the Door (1985 – Deluxe Edition) 1, 2

Kiss Me Kiss Me Kiss Me (1987 - Deluxe Edition) 1, 2, 3

Disintegration (1989) 1

Mixed Up (1990) 1

Staring at the Sea (singles) 1




Na Rota do Rock Brasília

Entre os dias 3 e 6 de dezembro acontecerá um festival itinerante bem interessante chamado Na Rota do Rock Brasília. Itinerante porque cada dia do festival será em uma casa diferente e interessante porque traz uma escalação bem variada que mescla bandas veteranas e novatas e, o mais importante, mescla bandas de todos os estilos.
A montagem do band list das etapas foi bem sacada, arriscada é verdade, mas escalar bandas bem diferentes no mesmo dia é sempre bom pra quebrar os preconceitos na cabeça da galera das tribos. Eu já conheço algumas das bandas que participarão, então farei uma breve resenha de cada uma e as que eu não comentar é porque não ouvi o suficiente para opinar.
As veteranas Detrito Federal e Bois de Gerião eu conheço bem. A primeira é veteraníssima, da geração dos 80, contemporânea de Plebe Rude, Legião e Capital, só pra constar as três nacionais. O Detrito Federal, hoje, faz o mesmo punk rock cru e engajado do início, com o folclórico vocalista Alex Podrão (O Tim Maia do rock brasiliense, pois também costuma “não ir” aos shows, hehehe) e o último dos punks vivos, o Bosco. O Bois de Gerião é uma veterana mais jovem, a primeira vez que os vi foi em 1995 em um lugar chamado Balakobako, e fiquei intrigado com aqueles moleques muito novos que tentavam misturar hardcore com ska, com naipe de metais inclusive. No ano seguinte eu formei uma banda com o mesmo baterista deles na época, o Jason, e pude acompanhar mais de perto o Bois, que chegou a ser apontado como a próxima banda a estourar, em 1996. Hoje eles fazem um som diferente do que faziam no início. A saída do lado punk da banda, o Jason e o vocalista e compositor Toco, fez com que eles, depois de se enveredar pelo pop, hoje se assemelhem mais ao Skank que ao Operation Ivy. Mas, independente do estilo ou época, o Bois de Gerião sempre foi bom de palco.
Das bandas pauleiras, o Galinha Preta, do meu chapa Frango, é uma insanidade do começo ao fim, uma psicopatodelia extrema. A música Parem de rir de Mim é o encontro do Frank Zappa com o Extreme Noise Terror, uma obra de arte. Hardcore rápido. O Quebraqueixo é a banda dos meus amigos de infância Evandro e Berma (ambos ex-Royal Street Flash) e tocam com eles o Paulinho Mattos (ex-Mel da Terra) na guitarra e o Herman no baixo, o som da banda é um hardcore old school, influenciado por Suicidal Tendencies, com uns momentos Beastie Boys, destaque pras letras muito boas. A mesma linha que segue o Macakongs 2099. E tem o Terror Revolucionário que segue a linha do Napalm Death e pra quem, como eu, não se assusta com som pesado, é uma banda muito boa.
Das bandas novatas o Festival Na Rota do Rock Brasília traz algumas bandas que eu também conheço. O Alcoopop faz um som que se parece muito com o das bandas brasilienses dos anos 80. É uma banda de vocal feminino com forte influência do pós-punk e um toque electro. O Superquadra é uma banda nova formada por veteranos como o vocalista Cláudio Bull (ex-Divine). E por isso é uma banda bem certa do que faz, um pop rock electro dançante, e o faz com competência. O Gilbertos Come Bacon, sobre a qual postei recentemente, é outra das revelações recentes escaladas para o festival.
A grande supresa do evento é o anunciado retorno d’Os Cabeloduro aos palcos com sua formação original. Uma boa oportunidade para os antigos fãs reencontrarem os clássicos dos anos 90 e para a galera nova conhecer a banda que sempre fez um dos shows mais dinâmicos da história do rock brasiliense. Podrinho, Ralph, Gazú e Daniel estarão juntos novamente depois de uma separação de anos, tempo em que a banda se rebatizou Cabeloduro e lançou em 2005 um bom disco (mas, renegado pelos antigos fãs) chamado Tudo o que a gente tem, o vocalista foi o Marcelo Vourakis (ex-Maskavo Roots).

Enfim, desejo sorte à organização do festival, em especial à Tamara Góes que é também responsável pelo site xará Rock Brasília.

Confira as datas, locais e bandas do Na Rota do Rock Brasília:

Dia 3 de dezembro no Uk Brasil Pub (411 sul):
The Pro
Galinha Preta
Watson
Bois de Gerião

Dia 4 de dezembro no Blues Pub (Taguatinga, QS 03, lote 13):
Brown-Há
Pelicanos da Lua
Quebraqueixo
ARD

Dia 5 de dezembro no Blackout Bar (904 sul, Clube da Asefe)
Os The Los
Terror Revolucionário
Superquadra
Rafael Cury and the Booze Bros
Detrito Federal
Etno

Dia 6 de dezembro no Gate´s Pub (403 sul)
Alcoopop
Bruto
Macakongs 2099
Gilbertos Come Bacon
Os Cabeloduro

Abaixo o clipe da música Pinga com Limão, com Os Cabeloduro

Fora dos Eixos: Vanguart no pipoco do trovão

O Vanguart é uma das melhores bandas da atualidade, seu hit Semáforo tem uma letra que remete às críticas existenciais do Renato Russo na Legião Urbana, mas foi ao tocar um cover de uma outra banda brasiliense que o Vanguart me surpreendeu. Numa atitude ousada que tem muito a ensinar a alguns cabeças ocas da nossa cidade, a banda queridinha dos indies de Brasília tem tocado em seus shows a música Nega Jurema, dos Raimundos.
Foi impossível não pensar nas produções brasilienses monotemáticas desta década e no desprezo que certos produtores nunca esconderam sentir pelo punk rock. Esse momento foi coroado com um esquisito tributo ao rock Brasília lançado há alguns anos e que trazia algumas bandas tocando cover umas das outras, bandas que representavam as produtoras (Porão do Rock, Senhor F e Prótons), uma outra banda que acho que só gravou isso na vida e também algumas (poucas) coisas bacanas.
Tem o Capotones com Molecada 666 do DFC, o Lucy and the Popsonics tocando Elianny (tem que ser com dois ênes e um ípsilom no final) do Radical Sem Dó, e mais uma ou outra coisa. Como Innocent Kids e o Galinha Preta que gravaram umas versões extremas que ficaram bacanas mas não faz sentido uma banda (BSB-H) ter duas músicas gravadas em um suposto tributo ao rock feito em Brasília. Como não faz nenhum sentido uma música ser gravada duas vezes (Volta pra mim do Beta Pictoris, gravada por Macakongs 2099 e Totem), preguiça das bandas ou do produtor do álbum?
O Vanguart mostrou que o inusitado ainda é um recurso quase infalível quando se trata de escolher um cover, algo que a galera dos anos 90 sabia bem, vide Cult Cover Demo. A qualidade do vídeo não está lá essas coisas, mas vale o registro de uma das bandas mais talentosas da atualidade resgatando a obra de uma das principais bandas brasilienses.
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