29/10/2008

Tesouros Perdidos BR: Clássico da Psicodelia Brasileira

Resolvi criar essa seção Tesouros Perdidos BR, para sempre que for possível eu escrever sobre artistas ou obras nacionais que não têm o valor reconhecido ou que caíram no esquecimento completo. Hoje eu vou falar sobre um disco que não é exatamente rock'n'roll mas tem um espírito contestador bem punk, por mais que seja difícil acreditar apenas pelo que digo, você tem que ouvi-lo. E este é um álbum que merece ser escutado por muita gente.
Hoje eu resolvi escrever sobre uma jóia perdida da música brasileira, e que pra mim é a maior obra da psicodelia brazuca. Amiguinhos, se esperam que eu vá falar sobre algum álbum dos Mutantes ou obras obscuras como o Trilha de Sumé do Zé Ramalho ou algo de Tom Zé ou Jards Macalé, ou se estão achando que vou falar do Júpiter Maçã, erraram feio. O grande álbum da psicodelia brasileira, o nosso Sgt. Peppers, o We only in it for Money dos trópicos é Os Saltimbancos Trapalhões.


Não é piada, a trilha sonora da película de 1982 é daquelas que independe do filme pra ter valor, o disco é uma obra-prima de verdade. Ali, o maior compositor brasileiro, Chico Buarque de Hollanda (ele mesmo, o cara com quem o Marcelo Camelo aprendeu a fazer música e que, por isso, virou referência dos indies), fez uma adaptação da trilha sonora clássica de sua peça Os Saltimbancos para o filme da trupe liderada pelo Renato Aragão, também conhecido como Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgina Mufumbo. Só que não foi uma mera adaptação apenas.
Esse disco traz um Chico Buarque inspiradíssimo e com uma liberdade criativa que a sua carreira formal jamais permitiria. E com exceção da capa, nada é infantil nesse álbum. A temática social da peça de 1977(mais punk impossível) está de novo presente na poesia das canções, e que canções! Da trilha original vieram A história de uma gata e o hino revolucionário Todos juntos que traz o belo verso: “todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco/todos nós no mesmo barco, não há nada pra temer”. Mas, ao lado delas há as músicas que Chico compôs especialmente pro filme, as fantásticas Hollywood e Minha Canção (ambas interpretadas por Lucinha Lins), Alô Liberdade (um baião floydianamente psicodélico. interpretado por Bebel Gilberto), Cidade dos Artistas (letra sensacional) e Piruetas e Meu Caro Barão (ambas interpretadas pelo Chico sendo que segunda traz uma absurda percussão feita com uma maquina datilográfica manual). Ah sim, o tema principal da peça, Bicharada (au-au- au, hi-hó, hi- hó, miau, miau, miau, cocorocó) empresta o refrão famoso para uma bela releitura batizada Rebichada.

Sem dúvida, o fato de ser uma trilha sonora de filme popular fez com que alguns intelectuaizinhos ou nossos mestres do bom gosto ignorassem a obra. Mas, não se engane, amigo leitor, nem deixe a cara do Didi Mocó na capa te assustar. Os Saltimbancos Trapalhões é um discaço mesmo, pra ouvir e se inspirar por toda a vida. Vai por mim.

28/10/2008

Série Pós-Punk: 8 – Talking Heads

David Byrne - Voz, Guitarra, Violão
Chris Frantz - Bateria
Tina Weymouth - Baixo, Teclado
Jerry Harrison - Guitarra, Teclado

Aaaaaaaaah! Taí outra banda que é de suma importância para o rock e pop. Como já disse no post do Pil, se você não conhece Talking Heads, não diga a ninguém, baixe os discos e escute exaustivamente. Existem algumas poucas e boas bandas em que tudo que fizeram vale a pena. Tudo! Talking Heads é uma delas.

Americana de Nova Iorque, o TH surgiu em setembro de 74 (o Stranglers também). A banda existiu até 1991 e lançou 11 discos.

No início de tudo eram apenas David Byrne e Chris Frantz*, que se conheceram na escola de Design que estudavam. Nesse período a banda se chamava The Artistics. Na seqüência entrou Tina Weymouth* que já namorava Chris (eles se casaram em 1977 e tem dois filhos). Com os três a banda mudou de nome para Talking Heads.
O 1º show da banda aconteceu em 1975, no CBGB’s, abrindo show para Ramones. É dessa turma que o Talking Heads faz parte: Ramones, Blondie, Television, Patti Smith, Richard Hell. E também como muitos nomes dessa turma, o Talking Heads assinou contrato com a Sire Records.

David Byrne, conhecido como intelectual, experimentador, era (e é) bem relacionado. O 1º disco da banda saiu em 1977 e, pra mim, todos os discos lançados até 1985, são clássicos.
Apesar de ser uma turma enorme e unida essa galera que freqüentava o CBGB’s, entre outros clubes, as bandas tinham diferenças brutais entre elas. No caso do Talking Heads, misturava o rock, o Punk Rock (nas letras e no "faça você mesmo"), com sons africanos, swingue, percussão, world music e muito experimentalismo, principalmente nos timbres de guitarra. Diferente da maioria das bandas amigas, o TH não usava tanta distorção nas guitarras e, como a Plebe, tinha um discurso cínico, político, cutucava na ferida.
A partir dos anos 1980 David Byrne passou a dividir o Talking Heads com outros projetos: fez discos solos, compôs trilhas sonoras para cinema e até dirigiu a filme True Stories (que vale a pena assistir).

Em 1984 a banda lançou o disco ao vivo Stop Making Sense, que também saiu em vídeo (hoje DVD) dirigido por Jonathan Demme (que anos mais tarde ganhou Oscar pelo filme O Silêncio dos Inocentes). O show é espetacular, começa sem cenário algum, sem iluminação apropriada, apenas com Byrne, um violão, um microfone e um rádio gravador. A medida que o show corre, os integrantes vão surgindo no palco e outros elementos vão sendo postos: percussão, backing vocais, teclados, cenário, iluminação, figurino. É de tirar o chapéu. Hoje é fácil encontrar Stop Making Sense em DVD. É obrigatório assistí-lo.
Bem, já a essa altura o Talking Heads era um super grupo com super colaboradores como Brian Eno (que produziu vários discos) e o grande guitarrsita Adrian Belew**, que gravou e acompanhou a banda em algumas turnês.

Talking Heads é item obrigatório, fundamental! Aqui deixo três ótimos discos para download e mais uma apresentação ao vivo tirada do You Tube. Se não quiser baixar os três discos, sugiro o ao vivo The Name of This Band is Talking Heads.

Chris Frantz e Tina Weymouth, em 1980, formaram o Tom Tom Club e também colaboram com o Gorillaz.

** Adrian Belew também era do King Crimson (sua banda principal) e Tom Tom Club.
PS: No disco True Stories há a música “Radio Head”, que inspirou o nome da banda inglesa Radiohead. (PM)

Discografia:
1979 - Fear of Music
1980 - Remain in Light
1983 - Speaking in Tongues
1984 - Stop Making Sense (Live)
1985 - Little Creatures
1986 - Sounds Of True Stories
1986 - True Stories
1988 - Naked

27/10/2008

Ué, cadê todo mundo?


Foi na primeira metade dos 2000’s que começaram a pipocar festivais por Brasília. Nunca tantos eventos com nome e sobrenome aconteceram por aqui como nos últimos dez anos. Se na década de 80 tínhamos um Projeto Cabeças aqui e um Rolla Pedra acolá e nos anos 90 era na Feira de Música ou no projeto Meia-sola que artistas e público se encontravam, no início desta década a história foi bem diferente. Aconteceram muitos festivais ou shows periódicos e não deixa de ser intrigante observar que neste período, em que também quase todos os shows são produções bem profissionais, o público tenha deixado gradativamente de prestigiar as bandas locais.
O Festival Porão do Rock, as Noites Senhor F, o Brasília FestRock, o Carnarock, os festivais Cult 22 e Prótons e até um projeto mensal da Secretaria de Cultura chamado Arte por toda Parte foram alguns dos eventos periódicos que aconteceram principalmente na primeira metade da década. Parafraseando o Luís Inácio, nunca antes na história do rock brasiliense tivemos tantos festivais e mídia (até o Correio Braziliense publicou durante uns anos uma seção semanal com resenhas de demos e de shows locais em seu caderno de cultura). De fato, nunca dispusemos antes de tantos meios para promover a nossa produção independente, já que essa foi também a primeira geração de bandas na era da internet. Mas o que aconteceu foi o inverso, o público foi minguando, minguando e perdendo o interesse em conhecer novos artistas. Até que os próprios eventos começaram a desaparecer também. E o mais incrível é que os produtores do início da década nem sequer cogitam a possibilidade de terem falhado em algum aspecto durante todos esses anos.

Como dizem por aí que o que não mata, fortalece. Eu espero que o ocorrido nesses últimos dez(!) anos tenha sido reflexo de uma fase de aprendizagem, um momento de adaptação entre uma época mais romântica e idealista como foram os anos 80 e 90, e uma época mais profissional, articulada, independente e multimidiática como se exige hoje em dia. Principalmente porque hoje as produções musicais, audiovisuais e literárias de Brasília estão cada vez mais ativas e convergentes.

Pra entender mais claramente, pensem no seguinte, se o Rio de Janeiro tivesse tratado o seu samba como nós temos tratado a principal expressão musical de Brasília, hoje ninguém saberia quem é Cartola ou Noel Rosa. E se o Cachorro Grande tem se destacado tanto nacionalmente, um dos motivos é que qualquer piá gaúcho que se aventura no rock já o faz conhecendo bem TNT, Cascavelettes, Replicantes, Graforréia Xilarmônica ou qualquer outra banda do também fértil rock dos pampas....
Abaixo, um vídeo que não tem nada a ver com a postagem, mas é muito massa, hehehe.

Uma boa semana para todos!

24/10/2008

Nem com a Plebe de joelhos...

A Plebe Rude se apresentou no Espaço Brasil Telecom na última quinta-feira (23/10), mas não é sobre o excelente show que a banda realizou que vou falar. É sobre um absurdo que ouvi na entrevista que o Seabra concedeu à Rádio Cultura antes do show.
Pelo que entendi a EMI simplesmente se nega a relançar ou liberar os direitos dos álbuns da Plebe lançados sob a bandeira deles. Ou seja, o patrimônio cultural brasileiro está e sempre esteve nas mãos dessas empresas gringas que optam simplesmente por ignorá-lo solenemente e empurrar o que já vem pronto de fora, com a condescendência ou empenho de muitos jornalistas de camisa do Coldplay. 
Ainda bem que tanto a grande indústria do entretenimento quanto o jornalismo de agradinhos estão amargando um doloroso ocaso, assim espero pelo menos.
Também ouvi o líder da Plebe falar sobre o projeto de regravar todo o material da banda. O que seria uma excelente idéia e deveria começar não pelo Concreto, mas pelo Nunca Fomos tão Brasileiros cuja produção sofreu mais com o desgaste do tempo que o antecessor. Apesar de não substituir as produções originais, a idéia de uma releitura de uma obra tão importante tanto em seu contexto histórico (a música Proteção é pra mim o marco zero do fim da ditadura militar e da censura) como na influência no rock nacional, é no mínimo instigante. Eu mesmo já exercito o chutômetro: Herbert produzindo de novo? Jander gravando uns vocais? 
Abaixo, o show no Espaço Brasil Telecom e o clipe de Até quando Esperar, de 1986.


20/10/2008

O ET da Esplanada

Vi no blog do Evandro (Esfolando Weblog) um post sobre um Ovni (Ovo Voador Não Identificado) que foi avistado no céu de Brasília, lá na Esplanada dos Ministérios (Podem ser uns ETs Moscas-Varejeiras atraídos pelo cheiro).

Daí, me lembrei de uma post engraçado que vi no blog Olhômetro. Sobre o que aconteceria com o mundo se a existência de vida alienígena fosse de fato comprovada:

...e com a nave alienígena no céu, a crise se agravaria.

Num surto de crise existencial, diante da revelação universal e certeira de que não estamos sós, as pessoas reconheceriam que dinheiro não tem valor nenhum.

Os grandes sites de tráfego de informações na internet não agüentariam o tranco. Seria um dia sem site de notícias, sem Youtube e até sem Orkut ou Msn.

Os governos divulgariam todos os casos de UFOs ocultados todos esses anos. Área 51? ETs. Triângulo das Bermudas? ETs. Pé Grande? Um ET. Iggy Pop? ET. Steve Jobs? ET. Canetas BIC? Ets.

Todos os ufólogos e abduzidos, classes desacreditadas todos esses anos, que lutaram por reconhecimento e credibilidade, seriam imediatamente alçados à condição de visionários e incompreendidos. Uma vitória das minorias.

A notícia se espalharia no boca-a-boca. E como no dia em que o PCC tomou São Paulo, muitas mentiras se tornariam verdades. Em poucos minutos, todo mundo já estaria trancado em casa, sob ameaça do boato de que os ETs já tinham descido da nave e estavam levando geral para o espaço.

O número de suicídios cresceria um bocado. Muita gente não ia suportar esse tapa na cara da raça humana.

Os controladores de vôo de todo o país entrariam em greve. "Já tá difícil só com os aviões", protestariam. E com razão.

O Guia do Mochileiro das Galáxias venderia como banana.

Na televisão, todos os canais ficariam povoados com análises de ufólogos e temas extraterréstricos. À tarde, no programa da Márcia Goldschimdt, a pauta seria algo como ‘Ela me trocou por um ser de outro planeta!’ 


E no Superpop, mais à noite, assistiríamos empolgados à seguinte atração: Exclusivo: O homem que foi camareiro na nave conta TUDO!

18/10/2008

Pequi com Bacon


O Gilbertos Come Bacon é, pra mim, ao lado do Velhos e Usados, uma das melhores bandas brasilienses desde a cena da segunda metade dos 90, a mesma que consagrou Os Cabeloduro e revelou o Bois de Gerião.

Definir o som da Gilbertada não é tão simples como parece. Pra começar, se percebe o quanto uma banda com várias referências musicais se diferencia de imediato daquelas acomodadas na mesmice do momento (seja ela o pop emo das FMs ou o indie das viúvas dos Los Hermanos). Na verdade, até mesmo no contexto nacional, não é comum ouvir uma banda como o Gilbertos Come Bacon, que remete à artistas aparentemente tão díspares como Zé Ramalho ou Naked City. A salada de referências passeia ainda por Nação Zumbi, Nirvana, Rage Against the Machine, tem também umas gaitas de blues, um naipe de metais, ufa. A banda de Planaltina também tem músicos extremamente competentes e consegue aliar peso, apelo pop e criatividade na medida certa. Se não for mais uma das ignoradas pela nossa mídia oficial, acho bem provável que ainda se ouça falar muito do Gilbertos Come Bacon.

Eles se apresentaram no Pequi Rock, um festival independente sensacional que aconteceu na cidade de Montes Claros-MG cuja programação incluía também oficinas, palestras, performances e uma mostra de curtas. Só pra constar, o formato desse festival tem muito a ensinar aos nossos infalíveis produtores.

17/10/2008

Série Pós-Punk: 7 – The Stranglers

Formação clássica:

Hugh Cornwell - voz e guitarra
Jean-Jacques Burnel - baixo
Jet Black - bateria
Dave Greenfield - teclados

Essa é mais uma banda importantíssima que a imprensa brasileira especializada não escreve e nunca escreveu sequer uma linha sobre....

Talvez você conheça o Stranglers pela música “Golden Brown” que faz parte da trilha sonora do filme Porcos e Diamantes. Mas esqueça, pois isso não significa nada.

Stranglers é, disparada, uma das minhas bandas preferidas ao lado de Clash. É Também uma banda que caracterizou bastante a Turma da Colina, pois a maioria dessa Turma também tem o Stranglers no coração. Poderia citar uma lista imensa de nomes amantes da banda, mas fico com apenas um, que pra mim é bastante significativo: André Mueller, baixista e fundador da Plebe Rude. (André, apesar de já tê-la baixado da internet, a caixa Old Testament ainda é meu objeto de desejo e até hoje ainda não a encontrei). Resumindo, o Stranglers é uma das principais influências do Rock candango dos 80.
Bem, o maravilhoso The Stranglers foi formado em 1974 e passou a fazer shows nos Pubs londrinos, por isso, é uma das bandas caracterizadas como Pub Rock (Ian Dury, Eddie and The Hot Rods e Dr. Feelgood são outras boas bandas de Pub Rock).

Em 1976 todos sabem que Ramones foi para Londres para uma série de shows e que desses shows surgiram Clash, Sex Pistols e outras tantas bandas que mudaram o rumo do punk Rock. Esses shows do Ramones tinham a abertura do Stranglers.

Muitas são as denominações que a imprensa dá ao som da banda: Pub Rock, Punk Rock, Punk Experimental e New Wave são algumas delas, mas a denominação correta sem dúvida é o Pós-Punk, até porque engloba mais a estranha sonoridade do Stranglers.
Inclusive as duas principais fortes características da sonoridade da banda é o baixo grave, denso e distorcido de J.J. Burnel e os teclados de Dave Greenfield que são deveras estranho, cada música um timbre diferente. Outro lance que chamou a atenção de todos é que o Stranglers não foi formado por 4 jovens rapazes, pelo contrário, quando a banda surgiu, todos eles já beiravam a casa dos 30 anos. E venhamos e convenhamos, Punk Rock com forte presença de teclados não é nada normal.

A trajetória da banda é marcada por incidentes tanto com a imprensa especializada quanto com o público. Com seu humor negro, a banda volta e meia é acusada de sexista. Durante anos seus shows foram marcados por terem prostitutas nuas no palco. Aí era aquela coisa de todo mundo tirar a roupa e a coisa toda descambar para a orgia. Por conta disso a banda era sempre perseguida pela polícia e seus integrantes presos, a maioria das vezes por porte de drogas.

Hoje, infelizmente, o vocalista e guitarrista Hugh Cornwell deixou a banda, mas ela continua firme e forte, lançando discos e sempre em turnê. Por conta desse artigo cheguei inclusive a entrar no site oficial da banda e enviei um e-mail exigindo a vinda dela ao Brasil!
VIVA STRANGLERS!!!
PS1: Stranglers é tão bom que me tira a concentração. Estava eu escutando The Raven para me inspirar no texto, mas tive que tirar o som, pois não conseguia escrever... hehe.
PS2: A discografia da banda é extensa, com mais de 20 títulos, mas deixo aqui três ótimos discos para download, além de um Best Of. Ouçam no volume máximo!
PS3: Deixo aqui minha propaganda. Toda 5ª feira no Multishow (NET) rola a 2ª temporada do programa Que Rock é Esse? para o qual fiz a pesquisa e o roteiro.
PS4: VIVA STRANGLERS!!!! (PM)

16/10/2008

Pedra 90, o prelúdio

por Zeca Domingos

Falar sobre rock brasiliense é sempre um prazer. Um clichê, claro, mas também é um fato. Mas o que escrever logo de início? Taí um grande problema. Na verdade eu tenho vontade de falar tudo que me vem em mente, sobre o que eu lembro e o que eu ouvi falar desde de moleque sobre a coisa. Caras, eu tenho que ter um mínimo de orientação....
Aí o Renato veio com uma proposta de falar um pouco, e de vez em quando, sobre a movimentação de som nos anos 90. Ok, pensei, estou fudido de tempo, mas ainda assim, vou tentar. Por que? Ora, eu já disse antes. É um prazer.
Então deixe eu tentar por uns parâmetros no que eu vou escrever (assim como o Renato o fez no início do blog ) Vou tentar por alguma coisa das minhas memórias pra funcionar. No meu caso, vou concentrar entre 1990 a 1996 que eu participei mais ativamente e, na medida do possível falar um pouco do período 96 a 2000. Mas tem um outro problema. Eu também escrevi sobre o assunto, academicamente falando. Então me dêem um desconto se eu falar besteiras intelectualóides de vez em quando (N.E.: Tá desculpado, hehehe) .
Mas quem esse cara pensa que é, Renato? Pode perguntar algum leitor. Certo, certo deixe-me apresentar: Sou Zeca, tenho alguns cabelos brancos, e toquei baixo em algumas bandas dos anos 90 de Bsb, e ainda toco: Os Animais dos Espelhos, Divine, Succulent Fly (com quem voltei recentemente. O Anderson ainda tem muito ódio no coração!), Câmbio Negro, Neuras Planetóides, Móbile (posteriormente Superquadra); quebrei até um galho pro Podrão, a uns anos atrás tocando com o BSB-H..!
Ah, sim Renato, fui também baterista dos seus inimigos mortais o Cultura Inútil (N.E.: Eu tocava numa banda do mesmo nome na mesma época) do Guará.
Tocar com pessoas legais e ficar um pouco mais velho tem lá suas vantagens: Não muitas, mas bastante agradáveis. Uma delas, por exemplo, é não temer ser um pouco sincero sobre algumas coisas passadas e reconhecer algumas besteiras que a gente já fez. Vamos falar um pouco do que interessa, os anos 90.
Caras, foi uma época muito interessante. Pra começo de conversa, era bem clara a diferença das bandas do início daquela década em relação às do período anterior, mais precisamente as bandas da galera da Colina - que como muitos de vocês já sabem, não eram as únicas da cidade. As diferenças eram evidentes.
Dá uma olhada, por exemplo, nos nomes das bandas. Nos anos 80, quase sempre eram trocadilhos relacionados com o poder ( Legião Urbana, Capital Inicial e por aí vai); com temáticas bastante recorrentes ao momento de redomocratização. É claro, não todas; mas para a memória coletiva, era geral esta sacação. Quem canta esta pedra, não sou eu; Esta constatação foi de uma socióloga lá da UnB, Angélica Madeira.
Neste sentido, a diferença entre as duas gerações ficou clara nos anos 90. Os nomes das bandas não arrogavam contestações à ordem política vigente, ou pelo menos, não de forma tão explícita. E a influência gringa manifestou-se de maneira forte em algumas bandas: Maskavo Roots; Low Dream; Sunburst; Estas últimas, junto com Os Animais dos Espelhos, e a Oz eram tachadas (em alguns casos, auto-intituladas) como Guitar Bands, o siginificava ter forte influência do indie rock britânico e da cena independente norte americana - mais precisamente bandas como os Pixies, Sonic Youth e a barulheira de Seattle. Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains? Isso ia pegar mesmo, lá pra 1992.
A temática era, pelo menos aparentemente, algo desvinculada da política. Claro que sempre houve a atitude rock - vide Sunburst, Succulent Fly, ou (na minha opinião a mais legal ) Oz. Mas, convenhamos, onde havia política em músicas como Shitbomb ou Spacecake??? hahahahahaa, o Marcelo era, e ainda é, muito comédia. Fala sério, gente, o cara virou DJ e mudou o nome pra Nego Moçambique(??). Ele tem um excelente senso de humor, daquele tipo que pega. Claro, ele é um ótimo DJ, antes que a galerinha fã fique criando intriga.... Mas esta falta de vínculo com os 80's nunca foi problemático para os intergrantes daquela primeira leva de bandas dos anos 90.
Semana que vem vou ver o que eu vou contar mais pra vocês. Aliás, falar de algumas das bandas que eu creio que influenciaram a gente naquela época, algumas piratarias e outras merdas.

14/10/2008

Voilá

O rock brasiliense roubou a cena no festival canadense Pop Montréal que aconteceu entre os dias 7 e 11 de outubro na cidade de mesmo nome. O duo Lucy and the Popsonics foi um dos destaques nesse festival independente a ponto de ser considerada a revelação do evento pela revista Voir.
A revista é a principal publicação do gênero por lá e a participação do descolado casal e sua bateria eletrônica foi descrita assim pelo jornalista Patrick Baillargeon,
...Contudo o Pop Montreal é também um festival onde se faz muitas descobertas. A revelação desta sétima edição foi para mim o duo pop-punk com bateria eletrônica do Brasil (Brasília) Lucy And The Popsonics (Foto). Um rapaz na guitarra e uma menina que tenta tocar baixo ao mesmo tempo que canta. Três ou quatro acordes no máximo por música – a maioria cantada em português, mas também em inglês e francês – e um prazer contagioso que foi suficiente para nos seduzir. Esses meninos não devem ter mais de 20 anos, mas sua energia e paixão pelo que eles estão fazendo é tocante. Punk-Rock de verdade. Porque? Porque na minha na minha opinião, isso é punk: um desejo de fazer música apesar da pouca experiência e destreza. Não precisa ser um As, apenas se divertir e ter idéias, e isso é exatamente o que o Lucy And The Popsonics tem."
Parabéns, garotos!

13/10/2008

Tributo ao Little Quail - 2004

obs.: Esse post foi publicado antes do Little Quail retomar suas apresentações esporádicas em 2009.

O Little Quail and the Mad Birds fez seu último show em 1996, no Teatro Garagem superlotado. Eu me lembro que tive que entrar pela janela do banheiro da academia do Sesc, já que a lotação já havia ultrapassado, e muito, o que se supunha caber naquele lugar. Mas, como o Little Quail foi uma banda que vi fazer o primeiro ensaio, eu não poderia jamais deixar de assistir à sua despedida.

Depois da separação, os pássaros loucos seguiram caminhos bem distintos. O Gabriel após rápida passagem pela banda carioca Acabou La Tequila, lançou logo em 1997 os seus Autoramas. Banda que trazia a estilosa baixista Simone do Valle (ex-integrante da banda Dash) e o baterista Nervoso (ex-Beach Lizard, banda que já tocara com o Little Quail em Brasília, em um famoso show no Bronx nos anos 90, onde o Bacalhau improvisou um longo solo de bateria durante uma falta de energia). O Bacalhau foi estudar bateria e o Zé Ovo se tornou roadie em São Paulo.

Em 2004, existia um site de rock por aqui chamado Alucináticos, era uma revista virtual que tinha o excelente Bruno Cavalcanti como principal resenhista. Foi esse site que conseguiu um improvável revival do LQ naquele ano. Improvável porque àquela altura, o Bacalhau já era baterista do Ultraje à Rigor, o Zé Ovo um técnico/roadie/fotógrafo/motorista de agenda lotada em São Paulo e o Autoramas do Gabriel já era a maior banda independente do Brasil.

Mas, o improvável aconteceu e o Little Quail fez um show ainda maior e mais lotado do que o da despedida oficial, como se o número de fãs só tivesse aumentado após seu fim. O sucesso foi tão grande que houve um começo de boataria na net sobre uma possível turnê dos Codornas. Na ocasião foi lançada a coletânea virtual Paga-Pau, Tributo ao Little Quail, onde bandas independentes do Brasil renderam uma merecida homenagem à banda underground mais mainstream que o país já teve. No vídeo, um pouco do que foi o evento e abaixo, a coletânea tributo para download.



Pagapau – Tributo ao Little Quail (2004, lançado originalmente pelo site Alucináticos)

01. Superego Elvis – A Alegria está contagiando o meu coração
02. ASKeS – Mamma Mia
03. Los Canos – Azarar na W3
04. Capotones – Cigarette
05. The Feitos – Composição de Sucesso
06. Os Queras do Ieieiê – Galera do Fundão
07. Julio Igrejas – Essa Menina
08. Diego Medina & Kassim – Pump up the Bird
09. Loki Pimenta – Silly Billy
10. Super Stereo Surf – Stock Car

BAIXE AQUI

10/10/2008

Arte no Escuro


Depois do estouro nacional de Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, as gravadoras voltaram seus olhos para a produção brasiliense e acabaram metendo os pés pelas mãos. Não que as bandas que ingressaram nos grandes selos no rastro das três citadas não tivessem suas qualidades, mas ao contrário da trinca que tinha inegável apelo pop, Finis Africae, Detrito Federal e Arte no Escuro não se encaixavam no formato que a mídia exigia na época. Hoje vou falar do caso específico do Arte no Escuro, de longe a menos pop de todas.

Vamos à época. Nos idos de 1986, existia no Gilbertinho (QI 11 do Lago Sul), um bar chamado Rainbow , cujo porão era o point de encontro dos darks. Dark era como os góticos costumavam ser chamados. O Arte no Escuro era uma banda dark, bem gótica, à Bauhaus. Tinha uma sonoridade bem antagônica à das FMs naquele momento. Algo que o incompetente produtor do disco achou que resolveria com uma mixagem pop, com aquela caixa de bateria estalada dos anos 80, um lance meio Lulu Santos. O resultado? O disco saiu pior que a demo caseira gravada pela banda, onde o clima sombrio das composições era até realçado pela sujeira da gravação precária.

Mas, está aí o disco do Arte no Escuro, lançado pela EMI em 1987. A demo, eu espero publicar em breve!

Arte no Escuro – Arte no Escuro (EMI, 1987)

01- Beije-me Cowboy
02- Na noite
03- Celebrações
04- Entre as aves de rapina
05- Vencidos
06- Boro
07- O fim
08- Rosas


09/10/2008

Série Pós-Punk: 6 – Joy Division

Não é só de bandas pouco conhecidas que vive o Pós-Punk. Nele há muita banda conhecida como, por exemplo, o Joy Division.

Muita gente coloca o Joy como banda gótica. Um erro. Joy é Pós-Punk e a primeira a lidar com temas melancólicos. Suas primeiras composições eram bem calcadas no Punk, nos três acordes bem ao estilo Ramones. É só ouvir a ótima coletânea Still.

Bom, falar de Joy Division é super ultra difícil, exatamente por ser uma banda muito conhecida. A influência dela é gritante na maioria das bandas dos 80 do Brasil e do mundo. Plebe, Capital e Legião não são diferentes. Inclusive a performance de Renato Russo ao vivo tem muito de Ian Curtis. Ao invés de escrever sobre o Joy, colocarei alguns pontos importantes e curiosos:

Ian Curtis - vocal
Bernard Sumner - guitarra
Peter Hook - baixo
Stephen Morris – bateria

- Foi após um show de Sex Pistols em Manchester, em 20 de julho de 1976, que o Joy Disivion foi formado.

- Ian Curtis foi o último a entrar para a banda.

- Antes de se chamar Joy Division a banda teve dois outros nomes: Stiff Kittens (usado apenas uma vez) e Warsaw (inspirado numa música de David Bowie).

- Antes de Stephen Morris, o Joy Division (ou Warsaw) teve dois bateristas: Terry Mason e Tony Tabac. Além de não ficar por muito tempo na banda, Tony ainda tentou levar Curtis para sua outra banda, a Panik.

- Em outubro de 1977 foi lançada a coletânea ao vivo Short Circuit que é o primeiro registro de Warsaw. Nesta coletânea também tem The FallBuzzcocks, entre outros da cena de Manchester.

- Em dezembro de 1977 a banda lançou o 1º EP An Ideal For Living já assinando Joy Division. Porém esse nome só foi oficializado um mês depois, em janeiro de 1978.

- Esse nome foi inspirado numa divisão feita nos campos de concentração nazistas. Joy Division era onde as judias que eram abusadas pelos nazistas ficavam. Esse nome gerou muita dor de cabeça para a banda. Mas essa era uma época punk e esse tipo de coisa era bem comum.

- Em 25 de janeiro de 1978 aconteceu o 1º show do agora Joy Division.

- Em maio de 1978 o Joy gravou o 1º disco, mas o resultado final não agradou a banda e ele foi lançado como sendo disco do Warsaw. Com a mesma capa de Unknown Pleasures (de fato o 1º de Joy), ele se tornou raridade entre os fãs.

- A famosa gravadora Factory começou como um clube noturno, onde toda a nova cena musical de Manchester se apresentava. Era quase como um coletivo de amigos.

- O 1º lançamento de Joy Division, também foi o 1º lançamento da recém formada Factory Records. Se trata da coletânea A Factory Sample. Lá também tem Durutti Column, John Dowie e Cabaret Voltaire. Essa coletânea vale principalmente pelos registros de Durutti Column.

- Em 27 de dezembro Joy Division tocou em Londres pela primeira vez. Segundo relatos, ele foi bem ruim e com apenas 30 pagantes.

- Na capa da NME de janeiro de 1979 estava Ian Curtis. Nesse mesmo mês ele foi diagnosticado com epilepsia, doença que atrapalhou muito sua carreira. Ian tomava vários remédios, além de não poder ficar exposto a luzes stroboscópicas, sempre presentes nas casas de shows. She Lost Control é sobre a experiência de Ian com sua doença.

- Em 14 de fevereiro de 1979 Joy tocou no aclamado programa de John Peel, o que deu boa visibilidade à banda. No início de março abriram um show para o The Cure.
- Em junho de 1979 Unknown Pleasures (edição de colecionador: parte 1 e parte 2), 1º disco do Joy Division, foi lançado.

Buzzcocks sempre foi grande amiga de Joy Division. Em outubro e novembro de 1979 o Joy saiu em turnê abrindo os shows Buzzcocks. A essa altura o Joy já tinha ótima fama e tocava por toda o Reino Unido. Em muitos desses shows da turnê o Joy era mais aclamado que Buzzcocks.

- No início de 80 abanda fez uma turnê por Holanda, Bélgica e Alemanha. A fama só aumentava, os shows ficavam cada vez mais disputados.

- Também em 1980 o relacionamento extra conjugal de Ian Curtis com Annik Honoré começava a atrapalhar seu casamento com Deborah.

- Em março de 80 o Joy lançou o 2º disco Closer. Em abril deu 4 shows em 3 dias. Num desses shows Ian teve um ataque epilético em pleno palco. A fama da banda era enorme e a expectativa do lançamento de Closer já era grande meses antes do lançamento. Em 7 de abril de 1980 Ian Curtis tomou uma overdose de seu remédio, talvez por estar cansado da doença.

- Por causa de muito trabalho a banda deu uma pequena pausa nas atividades logo após o incidente com Ian. Descanso geral.

- Em dois de maio o Joy Division fez seu último show e aconteceu na Birmigham University. Esse show foi gravado e parte dele está registrado no disco Still. Neste show e disco também estão o único registro de “Ceremony”.

- Em 18 de maio de 1980, dias antes de Joy Division viajar para os EUA em turnê e dois meses antes de seu 24º aniversário, Ian Curtis cometeu suicídio. Ele fez Deborah ir dormir na casa dos pais e quando voltou pela manhã, ela o encontrou enforcado na cozinha.

- Meses depois da morte de Ian, Closer ficou entre os 10 primeiros discos da parada.

- Apesar do grande sucesso de Joy Division, nenhum integrante da banda ficou rico. Deborah Curtis teve que trabalhar para pagar as contas de casa.

- A história do Joy Division terminou em 29 de julho de 1980, data de estréia de New order.
Até hoje volta e meia é lançada uma coletânea, um livro, um documentário e um filme sobre Joy Division. Tudo isso é válido. Control, filme que conta a história de Ian Curtis é muito bom e vale a pena ser visto. Esse filme foi baseado no livro de Deborah Curtis chamado Carícias Distantes, lançado no Brasil no final dos anos 90. Um outro filme legal é o 24 Hour Party People, que relembra a cena de Manchester. Fora isso há caixas de CDs e todos os ótimos registros de Joy Division no John Peel. Aqui nesse post deixo links para ótimos downloads.

Discografia:
Unknown Pleasures (1979)
Closer (1980)

07/10/2008

Inspirado pela Crise do Sistema Financeiro

Essa quebradeira dos bancos que está em curso comprova da maneira mais dramática possível toda a fragilidade do liberalismo. No momento, são gastos milhões de dólares do dinheiro público mundo afora para salvar os banqueiros e por conseqüência a economia mundial, que é extremamente dependente desse sistema viciado. Me lembrei de um filme que tinha assistido no finado blog do Montana chamado Zeitgeist (não deixe de assistir). Creio que tenha sido um dos primeiros longas-metragens lançados direto na Internet. É bom esperar até que carregue uma boa parte, para assistir sem trancos. É um documentário bem bacana que serve, no mínimo, pra se levantar questionamentos importantes numa época em que certezas seculares começam a desmoronar bem à nossa frente. Isso também me fez recordar da banda Dead Kennedys, que foi nos anos 80 a voz que denunciava os abusos dos EUA, tal qual o cineasta Michael Moore costuma fazer atualmente, embora com uma ferramenta distinta. E o álbum do DK mais influente por aqui foi, sem dúvida, o Bedtime for Democracy.
No álbum anterior, o polêmico Frankenchrist, o Dead Kennedys já tinha alçado o punk rock ao status de arte, mostrando composições que beiravam o experimentalismo e que traziam todas as nuances psicodélicas inspiradíssimas do guitarrista Bay Ray, o George Harrison do Punk. No Bedtime, o DK aparece com a mesma riqueza musical do Frankenchrist, só que na velocidade tradicional dos primeiros discos, ou seja, aqui o Dead Kennedys aparece no auge. Clássicos como One-way ticket to Pluto, I Spy ou Chickenshit Conformist são acompanhados de mais dezoito faixas e uma reprodução da bela capa dupla.

Dead Kennedys - Bedtime for Democracy (1986)

01 Take This Job And Shove It
02 Hop With The Jet Set
03 Dear Abby
04 Rambozo The Clown
05 Fleshdunce
06 The Great Wall
07 Shrink
08 Triumph Of The Swill
09 Macho Insecurity
10 I Spy
11 Cesspools In Eden
12 One-Way Ticket To Pluto
13 Do The Slag
14 A Commercial
15 Gone With My Wind
16 Anarchy For Sale
17 Chickenshit Coformist
18 Where Do Ya Draw The Line
19 Potshot Heard Round The World
20 D-M-S-O
21 Lie Detector

Novo colaborador

A partir da próxima quinta-feira, este blog contará com a força do Zeca Domingos, baixista de inúmeras bandas dos anos 90, como Animais dos Espelhos, Câmbio Negro, Divine, Bsb-H e algumas outras(!).
Hoje ele está de volta ao Succulent Fly (Foto ao lado. É o bicho com cara de Exterminador do Futuro ao fundo), banda que lançou um novo álbum há pouco tempo. O Zeca, que é historiador, também concluiu recentemente um trabalho acadêmico sobre o rock brasiliense.
Seja bem-vindo, meu chapa!


06/10/2008

É por isso que o marujo nunca deve se casar


...e o resto da estória não precisa nem falar, maconheiro nordestino que queria encaretar, e é por isso que o Raimundos nunca vai se acabar.
Esses versos quase proféticos são da canção Marujo, dos Raimundos. Uma banda com uma das trajetórias mais interessantes no rock brasileiro. Isso porque quase tudo que se refere aos Raimundos tem um quê de novelão.
Eram uns amigos que tocavam apenas pra zoar, já que todos ali tinham as bandas “sérias”. A banda ainda foi ressuscitada pelo baterista Fred, que nunca havia sido membro. Fato que foi fundamental na carreira do Raimundos, que sem isso sequer existiria. Pelo menos não da forma como conhecemos ou mesmo com a obra que produziu. Seria uma banda sobrevivente apenas na memória dos mais empolgados com rock brasiliense.
Abaixo vocês podem ver o programa MTV+ no qual seus integrantes falam sobre sua trajetória cercada de peculiaridades e que botou a banda, sem dúvida alguma, entre as cinco maiores do rock nacional em todos os tempos, basta que a lista seja séria.

04/10/2008

Esfolando


O livro Esfolando Ouvidos fala sobre uma época e sobre fatos que vivi e presenciei de muito perto também. As lembranças daquela época ainda estão na minha memória, enevoadas, mas ainda vivas.

A turma base, aquela formada pela galera que morava mais perto e ensaiava na casa do Berma (is a monster) era a seguinte, Gabriel, eu e o Franco Andrey que formávamos o Axbax. E o Evandro, Rodolfo, Zé Ovo e o Berma que formavam o Sansculottes. Um dos lances que a gente gostava de fazer era ir aos domingos à tarde para a porta da discoteca Zoom (hoje é Trend Lounge) no Gilberto Salomão onde o Natinho (Dente-de-Ouro) e o Tupi penduravam para vender, as camisetas da serigrafia deles com estampas de bandas brasilienses e das bandas punks mais famosas (Pistols, Dead Kennedys, Ratos de Porão, Cólera...).

Os punks do Guará, Phú, Gazú, Daniel e outros também começaram a aparecer por lá. Na verdade, no começo eles queriam era dar porrada na gente, porque éramos punks do Lago, hehehe. Mas, o Telo, então vocalista dos Filhos de Mengele, intermediou a aproximação dos dois grupos, criamos laços e até hoje todos se falam, uns mais outros menos, mas mesmo que fiquem tempos sem se ver, creio que todos se consideram bastante também.

Tinha também uma galera mais velha (o que quando se tem 14 anos não significa grandes coisas), mais para a geração da turma do brother Marchetti, mas que de vez em quando estava na mesma onda da molecada mais nova. O Zander (ilustrador dos álbuns do DFC), por exemplo, tinha um rato branco que morava entre o forro e o tecido de uma jaqueta do Exploited que ele usava até na escola, com o rato junto. Um belo dia ele fez uma troca que envolveu a jaqueta/rato, com o Franco Andrey, um dos bichos mais loucos da época. Poucos dias depois, o novo dono do roedor acordou de madrugada e ao se levantar pisou em cima do rato branco e, segundo ele disse na época, só deu pra ouvir o crect. Eram os idos de 1986, 87, 88. Época da inocência.

Digo isso porque essa postagem é pra saudar o autor dos livros Esfolando Ouvidos e Grosseria Refinada, o meu amigo Evandro Vieira, que finalmente se rendeu à internet e estreou o seu Esfolando Weblog, onde ele registra todas as suas andanças pelo mundo da cultura independente. E o bicho anda bastante. Blog que eu recomendo mesmo, tá inclusive no meu blogroll .
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