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Essa semana dou uma pausa na Série Pós-Punk para falar de Capital Inicial. Quem me conhece bem sabe que tenho já há 3 anos o blog As Efemérides do Rock Brasileiro. E esse mês há algumas datas significativas sobre o Capital.
No meio de tudo isso estava o Capital em plena crise. Crise pesada e triste. Durante anos, em São Paulo, morei próximo ao Loro e durante um período vivia na casa dele onde sempre estava Fejão. Nessa época Loro, Fê e Flávio continuaram com a banda na garra, abriram um escritório para vender os shows e gravar seus discos. 



E a influência gringa manifestou-se de maneira forte em algumas bandas: Maskavo Roots; Low Dream; Sunburst; Estas últimas, junto com Os Animais dos Espelhos, e a Oz eram tachadas (em alguns casos, auto-intituladas) como Guitar Bands, o siginificava ter forte influência do indie rock britânico e da cena independente norte americana - mais precisamente bandas como os Pixies, Sonic Youth e a barulheira de Seattle. Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains? Isso ia pegar mesmo, lá pra 1992.
O Little Quail and the Mad Birds fez seu último show em 1996, no Teatro Garagem superlotado. Eu me lembro que tive que entrar pela janela do banheiro da academia do Sesc, já que a lotação já havia ultrapassado, e muito, o que se supunha caber naquele lugar. Mas, como o Little Quail foi uma banda que vi fazer o primeiro ensaio, eu não poderia jamais deixar de assistir à sua despedida.
Depois da separação, os pássaros loucos seguiram caminhos bem distintos. O Gabriel após rápida passagem pela banda carioca Acabou La Tequila, lançou logo em 1997 os seus Autoramas. Banda que trazia a estilosa baixista Simone do Valle (ex-integrante da banda Dash) e o baterista Nervoso (ex-Beach Lizard, banda que já tocara com o Little Quail em Brasília, em um famoso show no Bronx nos anos 90, onde o Bacalhau improvisou um longo solo de bateria durante uma falta de energia). O Bacalhau foi estudar bateria e o Zé Ovo se tornou roadie em São Paulo.
Em 2004, existia um site de rock por aqui chamado Alucináticos, era uma revista virtual que tinha o excelente Bruno Cavalcanti como principal resenhista. Foi esse site que conseguiu um improvável revival do LQ naquele ano. Improvável porque àquela altura, o Bacalhau já era baterista do Ultraje à Rigor, o Zé Ovo um técnico/roadie/fotógrafo/motorista de agenda lotada em São Paulo e o Autoramas do Gabriel já era a maior banda independente do Brasil.
Mas, o improvável aconteceu e o Little Quail fez um show ainda maior e mais lotado do que o da despedida oficial, como se o número de fãs só tivesse aumentado após seu fim. O sucesso foi tão grande que houve um começo de boataria na net sobre uma possível turnê dos Codornas. Na ocasião foi lançada a coletânea virtual Paga-Pau, Tributo ao Little Quail, onde bandas independentes do Brasil renderam uma merecida homenagem à banda underground mais mainstream que o país já teve. No vídeo, um pouco do que foi o evento e abaixo, a coletânea tributo para download.
Pagapau – Tributo ao Little Quail (2004, lançado originalmente pelo site Alucináticos)
01. Superego Elvis – A Alegria está contagiando o meu coração
02. ASKeS – Mamma Mia
03. Los Canos – Azarar na W3
04. Capotones – Cigarette
05. The Feitos – Composição de Sucesso
06. Os Queras do Ieieiê – Galera do Fundão
07. Julio Igrejas – Essa Menina
08. Diego Medina & Kassim – Pump up the Bird
09. Loki Pimenta – Silly Billy
10. Super Stereo Surf – Stock Car
BAIXE AQUI ou AQUI
Uma boa semana para todos!

Muita gente coloca o Joy como banda gótica. Um erro. Joy é Pós-Punk e a primeira a lidar com temas melancólicos. Suas primeiras composições eram bem calcadas no Punk, nos três acordes bem ao estilo Ramones. É só ouvir a ótima coletânea Still.
Bom, falar de Joy Division é super ultra difícil, exatamente por ser uma banda muito conhecida. A influência dela é gritante na maioria das bandas dos 80 do Brasil e do mundo. Plebe, Capital e Legião não são diferentes. Inclusive a performance de Renato Russo ao vivo tem muito de Ian Curtis. Ao invés de escrever sobre o Joy, colocarei alguns pontos importantes e curiosos:
Ian Curtis - vocal
Bernard Sumner - guitarra
Peter Hook - baixo
Stephen Morris – bateria
- Foi após um show de Sex Pistols em Manchester, em 20 de julho de 1976, que o Joy Disivion foi formado.
- Ian Curtis foi o último a entrar para a banda.
- Antes de se chamar Joy Division a banda teve dois outros nomes: Stiff Kittens (usado apenas uma vez) e Warsaw (inspirado numa música de David Bowie).
- Antes de Stephen Morris, o Joy Division (ou Warsaw) teve dois bateristas: Terry Mason e Tony Tabac. Além de não ficar por muito tempo na banda, Tony ainda tentou levar Curtis para sua outra banda, a Panik.
- Em outubro de 1977 foi lançada a coletânea ao vivo Short Circuit que é o primeiro registro de Warsaw. Nesta coletânea também tem The Fall, Buzzcocks, entre outros da cena de Manchester.
- Em dezembro de 1977 a banda lançou o 1º EP An Ideal For Living já assinando Joy Division. Porém esse nome só foi oficializado um mês depois, em janeiro de 1978.
- Esse nome foi inspirado numa divisão feita nos campos de concentração nazistas. Joy Division era onde as judias que eram abusadas pelos nazistas ficavam. Esse nome gerou muita dor de cabeça para a banda. Mas essa era uma época punk e esse tipo de coisa era bem comum.
- Em 25 de janeiro de 1978 aconteceu o 1º show do agora Joy Division.
- Em maio de 1978 o Joy gravou o 1º disco, mas o resultado final não agradou a banda e ele foi lançado como sendo disco do Warsaw. Com a mesma capa de Unknown Pleasures (de fato o 1º de Joy), ele se tornou raridade entre os fãs.
- A famosa gravadora Factory começou como um clube noturno, onde toda a nova cena musical de Manchester se apresentava. Era quase como um coletivo de amigos.
- O 1º lançamento de Joy Division, também foi o 1º lançamento da recém formada Factory Records. Se trata da coletânea A Factory Sample. Lá também tem Durutti Column, John Dowie e Cabaret Voltaire. Essa coletânea vale principalmente pelos registros de Durutti Column.
- Em 27 de dezembro Joy Division tocou em Londres pela primeira vez. Segundo relatos, ele foi bem ruim e com apenas 30 pagantes.
- Na capa da NME de janeiro de 1979 estava Ian Curtis. Nesse mesmo mês ele foi diagnosticado com epilepsia, doença que atrapalhou muito sua carreira. Ian tomava vários remédios, além de não poder ficar exposto a luzes stroboscópicas, sempre presentes nas casas de shows. She Lost Control é sobre a experiência de Ian com sua doença.
- Em 14 de fevereiro de 1979 Joy tocou no aclamado programa de John Peel, o que deu boa visibilidade à banda. No início de março abriram um show para o The Cure.
- Em junho de 1979 Unknown Pleasures (edição de colecionador: parte 1 e parte 2), 1º disco do Joy Division, foi lançado.
- Buzzcocks sempre foi grande amiga de Joy Division. Em outubro e novembro de 1979 o Joy saiu em turnê abrindo os shows Buzzcocks. A essa altura o Joy já tinha ótima fama e tocava por toda o Reino Unido. Em muitos desses shows da turnê o Joy era mais aclamado que Buzzcocks.
- No início de 80 abanda fez uma turnê por Holanda, Bélgica e Alemanha. A fama só aumentava, os shows ficavam cada vez mais disputados.
- Também em 1980 o relacionamento extra conjugal de Ian Curtis com Annik Honoré começava a atrapalhar seu casamento com Deborah.
- Em março de 80 o Joy lançou o 2º disco Closer. Em abril deu 4 shows em 3 dias. Num desses shows Ian teve um ataque epilético em pleno palco. A fama da banda era enorme e a expectativa do lançamento de Closer já era grande meses antes do lançamento. Em 7 de abril de 1980 Ian Curtis tomou uma overdose de seu remédio, talvez por estar cansado da doença.
- Por causa de muito trabalho a banda deu uma pequena pausa nas atividades logo após o incidente com Ian. Descanso geral.
- Em dois de maio o Joy Division fez seu último show e aconteceu na Birmigham University. Esse show foi gravado e parte dele está registrado no disco Still. Neste show e disco também estão o único registro de “Ceremony”.
- Em 18 de maio de 1980, dias antes de Joy Division viajar para os EUA em turnê e dois meses antes de seu 24º aniversário, Ian Curtis cometeu suicídio. Ele fez Deborah ir dormir na casa dos pais e quando voltou pela manhã, ela o encontrou enforcado na cozinha.
- Meses depois da morte de Ian, Closer ficou entre os 10 primeiros discos da parada.
- Apesar do grande sucesso de Joy Division, nenhum integrante da banda ficou rico. Deborah Curtis teve que trabalhar para pagar as contas de casa.
- A história do Joy Division terminou em 29 de julho de 1980, data de estréia de New order.
Até hoje volta e meia é lançada uma coletânea, um livro, um documentário e um filme sobre Joy Division. Tudo isso é válido. Control, filme que conta a história de Ian Curtis é muito bom e vale a pena ser visto. Esse filme foi baseado no livro de Deborah Curtis chamado Carícias Distantes, lançado no Brasil no final dos anos 90. Um outro filme legal é o 24 Hour Party People, que relembra a cena de Manchester. Fora isso há caixas de CDs e todos os ótimos registros de Joy Division no John Peel. Aqui nesse post deixo links para ótimos downloads.
Discografia:
Unknown Pleasures (1979)
Closer (1980)
Dead Kennedys - Bedtime for Democracy (1986)02 Hop With The Jet Set
03 Dear Abby
04 Rambozo The Clown
05 Fleshdunce
06 The Great Wall
07 Shrink
08 Triumph Of The Swill
09 Macho Insecurity
10 I Spy
11 Cesspools In
12 One-Way Ticket To Pluto
13 Do The Slag
15 Gone With My Wind
16 Anarchy For
17 Chickenshit Coformist
18 Where Do Ya Draw The Line
19 Potshot Heard Round The World
20 D-M-S-O
21 Lie Detector


...e o resto da estória não precisa nem falar, maconheiro nordestino que queria encaretar, e é por isso que o Raimundos nunca vai se acabar.
Esses versos quase proféticos são da canção Marujo, dos Raimundos. Uma banda com uma das trajetórias mais interessantes no rock brasileiro. Isso porque quase tudo que se refere aos Raimundos tem um quê de novelão.
Eram uns amigos que tocavam apenas pra zoar, já que todos ali tinham as bandas “sérias”. A banda ainda foi ressuscitada pelo baterista Fred, que nunca havia sido membro. Fato que foi fundamental na carreira do Raimundos, que sem isso sequer existiria. Pelo menos não da forma como conhecemos ou mesmo com a obra que produziu. Seria uma banda sobrevivente apenas na memória dos mais empolgados com rock brasiliense.
Abaixo vocês podem ver o programa MTV+ no qual seus integrantes falam sobre sua trajetória cercada de peculiaridades e que botou a banda, sem dúvida alguma, entre as cinco maiores do rock nacional em todos os tempos, basta que a lista seja séria.

O livro Esfolando Ouvidos fala sobre uma época e sobre fatos que vivi e presenciei de muito perto também. As lembranças daquela época ainda estão na minha memória, enevoadas, mas ainda vivas.
A turma base, aquela formada pela galera que morava mais perto e ensaiava na casa do Berma (is a monster) era a seguinte, Gabriel, eu e o Franco Andrey que formávamos o Axbax. E o Evandro, Rodolfo, Zé Ovo e o Berma que formavam o Sansculottes. Um dos lances que a gente gostava de fazer era ir aos domingos à tarde para a porta da discoteca Zoom (hoje é Trend Lounge) no Gilberto Salomão onde o Natinho (Dente-de-Ouro) e o Tupi penduravam para vender, as camisetas da serigrafia deles com estampas de bandas brasilienses e das bandas punks mais famosas (Pistols, Dead Kennedys, Ratos de Porão, Cólera...).
Os punks do Guará, Phú, Gazú, Daniel e outros também começaram a aparecer por lá. Na verdade, no começo eles queriam era dar porrada na gente, porque éramos punks do Lago, hehehe. Mas, o Telo, então vocalista dos Filhos de Mengele, intermediou a aproximação dos dois grupos, criamos laços e até hoje todos se falam, uns mais outros menos, mas mesmo que fiquem tempos sem se ver, creio que todos se consideram bastante também.
Tinha também uma galera mais velha (o que quando se tem 14 anos não significa grandes coisas), mais para a geração da turma do brother Marchetti, mas que de vez em quando estava na mesma onda da molecada mais nova. O Zander (ilustrador dos álbuns do DFC), por exemplo, tinha um rato branco que morava entre o forro e o tecido de uma jaqueta do Exploited que ele usava até na escola, com o rato junto. Um belo dia ele fez uma troca que envolveu a jaqueta/rato, com o Franco Andrey, um dos bichos mais loucos da época. Poucos dias depois, o novo dono do roedor acordou de madrugada e ao se levantar pisou em cima do rato branco e, segundo ele disse na época, só deu pra ouvir o crect. Eram os idos de 1986, 87, 88. Época da inocência.
Digo isso porque essa postagem é pra saudar o autor dos livros Esfolando Ouvidos e Grosseria Refinada, o meu amigo Evandro Vieira, que finalmente se rendeu à internet e estreou o seu Esfolando Weblog, onde ele registra todas as suas andanças pelo mundo da cultura independente. E o bicho anda bastante. Blog que eu recomendo mesmo, tá inclusive no meu blogroll .

