11/11/08

Marchetteiras: Filhos de Mengele no Núcleo Bandeirante

Era início de 1986 e nós do Filhos de Mengele tocávamos em qualquer lugar, independente de qualquer coisa. O negócio era divulgar a banda. Nunca, em momento algum, nos quase 3 anos que fiquei na banda chegamos a falar em gravar discos e sonhar com sucesso nacional. Queríamos mesmo era nos divertir e divertir os outros, por isso, a nossa única preocupação era saber onde seria o show do próximo final de semana.
O show que aconteceu no Núcleo Bandeirante ainda era com a formação original, ainda sem o Digão na bateria: Eu no vocal; Danilo na guitarra; Celso no baixo e Paulinho na bateria.
O show aconteceu num sábado à tarde, numa micro arena com um palco circular de concreto de uns cinco metros de diâmetro, imagino. E acho que um metro de altura. O equipamento, pra variar era uma coisa absolutamente tosca e nem retorno de palco havia. A bateria era mais tosca que a pior Pingüim imaginável (N.E.: Pinguim era uma bateria brasileira, pois naquela época, baterias importadas como Tama ou Mapex só podiam ser vistas em fotos de revistas) e só pra se ter uma idéia, o único pedestal de prato que havia, saia direto do bumbo e o prato, claro, era horroroso e rachado (Paulinho não tinha equipamento de bateria e, às vezes, pegava algo emprestado de seu irmão, Luis Kiss, que era baterista de fato. Paulinho só tinha dois pares de baquetas).
O Filhos de Mengele tocaria com duas outras bandas, uma delas era o Stuhlzapfchen e a outra não lembro. Sei que acabou não indo nenhuma das duas e o show que seria de umas 5 ou 6 músicas foi se esticando e acabamos tocando o repertório inteiro. Havia um punhado de gente, pois os Mengeles já estavam relativamente conhecidos e o legal foi que durante todo o show, os skatistas ficavam fazendo manobras no palco - teve um lá que até quebrou o skate pelo meio quando pulou do palco para o chão. Foi realmente bastante divertido e ali certamente conquistamos mais fãs. Os skatistas falavam que éramos a “banda do boy”, por causa de “Ele é Boy”, que eles se amarravam.
A gente ali tocava sem escutar nada do que estávamos fazendo e por quase todo o show eu fiquei ao lado do P.A. para eu poder escutar minha voz. As favas com a qualidade, queríamos nos divertir!
Mas esse show ficou memorável e marcado por causa da tremenda confusão que deu no final. A última música que tocamos foi “Religião”, uma crítica pesada à igreja católica.
Há alguns metros do palco havia uma igreja e pouco antes do final do show começou uma missa. E não é que, mesmo com o tosco som do show, a igreja se incomodou com o barulho e com a letra de “Religião”. Eu só me perguntava como o padre e os fiéis conseguiram entendê-la. A confusão, na verdade, tinha começado pouco antes do final do show, mas nós não havíamos percebido e alguns punks amigos foram lá bater boca com as beatas e o padre. Nós tocando, eu de olho na igreja e lá o bicho pegou feio, a discussão virou briga, a polícia foi chamada e antes dela chegar pediram para que nós déssemos o fora. Dessa parte final só me lembro de umas 7 ou 8 pessoas apertadas na Variant 76 de Celso e assim demos no pé. Comigo havia um amigo de São Paulo, que ficou estarrecido com toda a confusão. Depois nos falaram que até o padre apanhou (se é verdade nunca vou saber). Sacanagem. Mas que foi divertido, isso foi.

Rock For Fun!

PS: Na página da Trama Virtual há algumas músicas do Filhos de Mengele na apresentação do Porão do Rock de 2000. A qualidade é baixa.

7 comentários:

  1. Filhos de Mengele foi a primeira banda de Brasília que eu gostei. Fico puto deles nunca terem lançado um disco. Todas as músicas são clássicos do punk brasiliense e juro que sei cantar quase todas. FDM faz falta!

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  2. Verdade Evandro, o Filhos de Mengele era tão foda que neguinho cantava junto nos shows, sendo que eles nem tinham nada gravado. Como também é foda os Filhos não terem nenhum disco. Acho que todo moleque daquela época queria ter uma banda igual aos FDM.

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  3. Graaande Evandro! Desde 2000 quando nos juntamos para a 1ª tentativa de gravar um disco póstumo essa idéia não foi abandonada... desejamos muito deixar registrado o pq repertório da banda...

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  4. Cras eu estava nesse show por causa do Stuthlzapfchen Von N, caralhoooooooooo lembro perfeitamente desse dia, lembro do epsódio da Igreja o "Sid" Ulixo batendo boca com os fieis........puts maravilha, essa foi a melhor formação do Filhos de menguele oq vei depois não servia nem pra cover.......

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  5. Um dos momentos memoraveis para mim (e eu ja fui em show do sepultura, raimundos, ratos e outras bandas classicas) foi quando ouvi infeliz natal pela primeira vez no show dos Raimundos de dezembro de 1999 em Tagauatinga.

    Era um hardcore atraz do outro ate qye todos ergueram as maos para cima e veio aquele canto gregoriano e eles anunciando o natal que chegava e a banda que tocava a musica e depois veio uma porradaria sonora que so quem esteve nauqle show sabe do que se tratou.

    Só tempos depois vim escutar o cesta básica, mas aquele momento ja estava eternizado.

    Eu estava no porao de 2000 e pude acompanhar aqueles longos 15 minutos de som tosco e otimo, rsrsrsr

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  6. Caras!! eu já conheci a banda com o Telo...eu achava uma boa banda...aliás uma das melhores...até montei uma banda também que tinha o mesmo espirito...até hoje tenho uma fita demo...com todos os classsicos...e ainda sei tocar alguamas....

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  7. Sou moradora do Núcleo Bandeirante desde 1980, vivia metida em shows de rock na cidade, me aventurava ao canto ...
    Nesse palco improvisado que vc comentou passou nada mais nada menos que a Legião Urbana, não me lembro de já era Legião...
    Nesse mesmo dia apresentaram-se uma banda local com o nome de DC 10 e Contra-Capa uma banda do Guará, cujo baixista com o nome de Samuca eu admirava muito...
    E pela sua descrição a bateria Pinguim era a bateria que meu pai havia deixado para o meu irmão, bem tosca é verdade e diga-se de passagem a única da cidade rss

    Tempos bons!!

    Marinir

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