30/07/2008

Iniciativas de sucesso

O vazio existente entre a primeira cena jovem, no início dos anos 60 e a segunda, no final dos anos 70 é explicada pelo tenso momento de repressão, da ditadura militar assassina que governou o Brasil por vinte anos. Tanto que em 1978, ano em que a lenta, gradual e segura abertura política se consolidava, nasceu o Projeto Cabeças, criado por artistas da cidade, e que envolvia shows e diversas manifestações culturais ao ar livre, acontecia no que hoje é o Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.
Eclético desde o início, foi palco dos primeiros passos de gente variada, de Oswaldo Montenegro (que tinha na banda uma jovem vocalista chamada Cássia Eller) ao punk visceral do Detrito Federal, a rampa acústica do Parque da Cidade foi o grande palco independente de Brasília. Depois, foi a vez da Feira de Música do Sesc nos anos 90, por onde passaram todas as bandas relevantes daquela década.
Hoje em dia, o evento independente e de maior sucesso é, curiosamente, uma ousadia de uma banda, o Móveis Coloniais de Acaju. Por ser produzido por quem tem feeling, os músicos, o Móveis Convida (evento em que os anfitriões recebem bandas daqui e de outros estados, e que hoje tem até palco 2) é disparado a mais louvável iniciativa desde o primeiro Porão do Rock, na Concha Acústica em 1998.
Talvez nem eles mesmo tenham a dimensão da importância do evento, mas são produções assim que estimulam a formação de novas e melhores bandas, é isso que mantém pulsante a produção local. Entre todos os eventos contemporâneos, se há algum equivalente, em importância cultural ou sucesso de público, ao Cabeças ou à Feira de Música, esse evento é o Móveis Convida. A banda se apresentará no Porão do Rock 2008 juntamente com o Gabriel Thomaz (ex-Little Quail e que hoje lidera o trio carioca Autoramas) rebatizada excepcionalmente como Vai Thomaz no Acaju.

Abaixo uma matéria da Trama Virtual sobre o evento Móveis Convida.

28/07/2008

1967

A primeira banda brasiliense a gravar um LP, em 1967
Em Brasília, o primeiro programa de TV a abrir espaço para entrevistas com bandas locais, foi o Sociedade em TV, transmitido pela TV Alvorada (então repetidora da TV Excelsior, e que viraria TV Capital e hoje é a Record-DF), canal 8.

O programa era apresentado e produzido por Vera Lúcia, aqui fotografada momentos antes da entrevista com Os Primitivos.

Este programa foi ao ar em 14 de fevereiro de 1967, e registrou a partida da banda rumo ao Rio de Janeiro, onde gravaria Os Primitivos no Ie-ie-iê, o primeiro álbum do rock brasiliense.

25/07/2008

Finis Africae - 1985


A primeira banda lançada por um selo independente local foi o Finis Africae, em 1985. Este EP saiu pelo Sebo do Disco e é muito superior ao álbum lançado posteriormente pela EMI.

São apenas 6 faixas, mas o suficiente para mostrar uma banda de estilo curioso. Seu som era bastante peculiar, e essa produção reforçava isso. Era um crossover de pós-punk gótico com elementos de black music, um pé no Bauhaus outro no Tim Maia. Banda contemporânea de Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, era chamada, injustamente, de filhotes do Zero pela mídia especializada da época. Mas a banda acabou não correspondendo às expectativas criadas por este belo álbum, que agora está disponível para os ilustres visitantes deste blog.

Finis Africae – Finis Africae (1985, Sebo do Disco)

1- Armadilha
2- A Queda
3- Máquinas do Prazer
4- Mentiras
5- Atrás das Grades
6- Pretérito

23/07/2008

Novidades bacanas

Depois de uma primeira metade marcada por uma geração perdida (com exceção do Móveis Coloniais de Acaju, mas escreverei sobre eles especificamente adiante), começam a surgir bandas muito interessantes e bem resolvidas musicalmente nesta segunda metade de década.

Duas delas, Velhos e Usados e Gilbertos Come Bacon , me surpreenderam pela personalidade com que estrearam em seus álbuns. As composições e arranjos presentes são de quem realmente têm certeza do que está fazendo e se utiliza de todas suas influências musicais com convicção suficiente para não soar reciclado. E olha que são bandas de estilos em que a mesmice e a falta de imaginação imperam.

A primeira faz um rock de composições com um pé na MPB, seguindo a trilha aberta pelos Los Hermanos, mas as demais influências (do rock nova-iorquino ao rockabilly, passando pelo punk rock pulsante à Clash) dão um contrapeso que, de cara, os livra de ser mera cópia banal e os torna uma das melhores coisas que ouço ou ouvi neste rock nacional recente.

No caso do Gilbertos Come Bacon a situação é até mais difícil. Sua fórmula? Hardcore + ritmos brasileiros + letras desbocadas. Eu sempre achei que seria muito difícil alguma banda seguir esse modelo atualmente e conseguir ser original e autoral. O Gilbertos Come Bacon consegue essa façanha e ainda vai além, com excelentes músicas, arranjos conscientes e precisos, boas letras e tudo muito bem encaixado.

Soube depois que a banda é de Planaltina e fiquei muito feliz, porque desde o início da década existem bandas excelentes nas satélites e entorno, e que raramente chegavam ao público ou apareciam na mídia.

Aqui no blog você encontra o álbum de estréia do Velhos e Usados, Híbrido. Pretendo postar o do Gilbertos come Bacon em breve.


Velhos e Usados


Gilbertos Come Bacon

21/07/2008

Bom Demais

Na quadra 706 norte existia um bar chamado Bom Demais. Foi uma casa que abriu seu palco para muitos artistas renomados de Brasília, caso de Cassia Eller e Zelia Duncan. Mas, o lugar era tão democrático que em 1990 também abriu o espaço também para as novas bandas do rock da cidade.
O Little Quail se apresentou diversas vezes por lá e um dos shows mais curiosos, e que ilustra bem o quão eclético era o local, foi este em que dividiu o palco com a banda de metal Disgrace (acima, a arte-final do cartaz) e rendeu aos Codornas a primeira matéria em um jornal.

19/07/2008

Entre o foggy e a névoa seca


Formada por Giuliano Fernandez na voz e guitarra, Luiz Eduardo na outra guitarra, Samuel Lobo no baixo e Giovanni Fernandez na bateria, o Low Dream foi a primeira banda brasiliense de sonoridade e estética assumidamente inspirada no rock inglês, algo que a imprensa rotularia de britpop algum tempo depois. Isso a tornava tão deslocada entre as demais bandas contemporâneas quanto o foggy londrino se sentiria no árido Planalto Central.

Mas, superando essas adversidades, a banda lançou no frutífero ano de 1994, um inspirado álbum chamado Between My Dreams And The Real Things, com composições em inglês, pelo selo Rock It!. Álbum que rendeu elogios até do Renato Russo, que em uma entrevista chegou a dizer que o Low Dream era a melhor banda do Brasil naquele momento.

A banda se separou em 1997, após o lançamento de mais um álbum elogiado, Reaching for Balloons. Eles ainda participaram de um tributo ao Arnaldo Baptista, com a música Jesus come back to Earth. Giulliano Fernandez, aka DJ Hopper, se dedica à música eletrônica desde então.
.

18/07/2008

O Derek Riggs do cerrado

Zander Rocha é o artista responsável pelas ilustrações dos álbuns do DFC e de algumas outras bandas.

Em 1995, seu traço estava grafitado
nas paredes do Balakobako, uma das principais casas de shows na época.
















17/07/2008

O banquinho da bicicleta


O Raimundos foi a banda que, ao lado do Little Quail and the Mad Birds, eu vi surgir e fazer seus primeiros ensaios. Vem daí a relação afetiva que tenho com este álbum, que é um dos melhores e mais influentes discos da história do rock nacional.
Esta estréia fonográfica, de 1994, é uma obra-prima, o melhor de sua geração, com 14 faixas (mais duas reprised) de um crossover inédito entre forró/baião e hardcore/metal, com letras adolescentes boca-suja que deram voz a uma geração inteira. Eles cantavam o que a molecada gostaria de cantar, basta observar ou lembrar das canções entoadas nos ônibus de passeios escolares.
Vale destacar a importância do Telo, então vocalista do Filhos de Mengele, na formação da banda. Foram as músicas dele, renegadas pelos Filhos de Mengele, que estimularam a formação da banda e definiram o estilo dos Raimundos.
Um álbum fundamental do Rock de Brasíla e do Brasil.


Raimundos – Raimundos (1994, Banguela Records)


1 - Puteiro em João Pessoa
2 - Palhas do Coqueiro
3 - MM’s
4 - Minha Cunhada
5 - Rapante
6 - Carro Forte
7 - Nega Jurema
8 - Deixei de fumar/Cana Caiana
9 - Cajueiro/Rio das Pedras
10 - Bê a bá
11 - Bicharada
12 - Marujo
13 - Cintura Fina
14 - Selim
15 - Puteiro em João Pessoa
16 - Selim Acústico

BAIXE AQUI

16/07/2008

Podrão do Rock???

Não é um erro de digitação e nem uma referência ao vocalista do Detrito Federal. Em 2001, houve uma grande polêmica em torno dos critérios de seleção do conselho curador do Porão do Rock. Ainda não estava claro para todos que as bandas fundadoras do Festival tinham lugar cativo entre as atrações, e muitas bandas levantaram suspeitas de favorecimentos ou exigiam a transparência nos critérios de seleção. Isso acabou gerando uma mobilização muito positiva das bandas excluídas, uma espécie de MSP (Movimento dos Sem-Palco) que resultou em alguns eventos interessantes.

Um dos primeiros foi chamado ironicamente de Podrão do Rock. A produção foi fruto de uma inédita parceria entre as bandas e produtores, que no caso foram os editores do zine Reação Própria. Algo que antecipou em quase dez anos, o que fazem hoje os Coletivos. E olha que este modelo da parceria chegou a ser ironizado pelos "produtores/selos" da época.

Os destaques foram Jack Fluster, Tofu, Fora do Controle, Mentes Póstumas, Hartripe, Conflito Permanente e Os Askerosos (que mudaria o nome para ASKeS).

15/07/2008

Em cartaz

Se na década de oitenta as principais bandas, Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, surgiram a partir da fusão ou desmembramento de outras, Aborto Elétrico, Dado e o Reino Animal e XXX.
As duas principais bandas da década seguinte, Little Quail e Raimundos, foram formadas por integrantes das bandas Axbax, Sansculottes, Zona e Filhos de Mengele no fim dos anos oitenta.
Abaixo, o primeiro cartaz com um preview da futura logo do Little Quail. A arte do cartaz também já esboçava como seria o criativo trabalho gráfico do Gabriel Thomaz que seria o responsável pelos cartazes mais bacanas da década seguinte (segunda imagem).



14/07/2008

Porão do Rock, 10 anos


O Festival Porão do Rock completa 10 anos desde a primeira edição, com entrada livre, na Concha Acústica de Brasília. A história do festival tem alguns fatos curiosos, alguns até esquecidos pelos próprios organizadores em seu site oficial.

Foi na edição de 1998, a primeira, que ocorreu a volta da formação original do Capital Inicial, que inclusive fechou o evento com o cover de Até quando esperar. Foi também no Porão que, no ano seguinte, a Plebe Rude retornou aos palcos. E foi no festival que os Mad Birds Gabriel Thomaz e Bacalhau apresentaram à cidade os seus Autoramas e Rumbora, respectivamente.

Nessa mesma edição circulou o impagável zine A Verdade, uma pérola do humor crítico e editado por um autor que prefere continuar no anonimato.

Nos dias 01 e 02 de agosto, o festival acontecerá, como é habitual desde 2000, no estacionamento do Estádio Mané Garrincha, com entrada paga e algumas atrações internacionais.

13/07/2008

Que país é esse? 1978-2008

A letra de "Que país é esse?" foi feita há trinta anos e tornou-se conhecida do grande público há vinte, mas basta estar atento aos noticiários para perceber quão pouco o Brasil mudou nesse período.
Hoje vemos o Supremo Tribunal Federal afrontar a sociedade ao não permitir que um agente corruptor, como o banqueiro Daniel Dantas, permaneça na cadeia. Abaixo, a apresentação do Legião Urbana em um programa da TV Globo chamado Globo de Ouro, em 1987.

Uma banda chamada Oz

O Oz foi uma banda bastante popular nos anos 90 e para se ter uma idéia do quanto, o lançamento de seu álbum Sangre de Dios aconteceu em um ginásio de clube.
O Oz era formado por Marcelo Bighead na voz e baixo, Andrezão na guitarra e Andrezinho na bateria.
A curiosidade é que , hoje, o Marcelo Bighead se chama Nego Moçambique e é um dos grandes nomes da música eletrônica mundial. Abaixo, apresentação do Oz no Festival Juntatribo, em Campinas-SP no ano de 1994.

12/07/2008

Vítimas do Milagre

Em 1987, o Detrito Federal lançou o seu primeiro álbum pela Polydor, mesmo selo que lançara Os Primitivos e o Capital Inicial, e com uma formação bem diferente da que participou da coletânea Rumores. Musicalmente, a banda também mudou muito, elementos do pop, reggae e rap se juntaram ao punk rock cru. Havia também um tempero "metal" que vinha da guitarrista Si Young (referência ao Angus Young, do ACDC), também conhecida como Simone Death ou Syang da Casa dos Artistas. Foram a primeira banda local a ser chamada de "traidora" do movimento punk. Além da Simone, formavam a banda nesse álbum, PC Cascão no vocal, Mauro Manzolli na outra guitarra, Milton Medeiros no baixo e Deborah Derwish na bateria
Vítimas do Milagre foi produzido por Charles Gavin, e isso talvez explique porque neste trabalho em vários momentos a banda se assemelha tanto ao Titãs.

Detrito Federal - Vítimas do Milagre (1987, Polydor)

1 - Se o tempo voltasse
2 - Adolescência
3 - O Vírus do Ipiranga
4 - Sun City
5 - Bloco K
6 - Último Grito
7 - Dependentes do Circo
8 - Vítimas do Milagre
9 - Tá com nada
10 - Angra (a dança das ogivas)

11/07/2008

Que vença el toro


Conheci o Suíte Super Luxo por meio de sua primeira demo, quando ainda se chamava Megafone. A capa intrigante e o sugestivo nome “Ninguém acredita que eu sou paranormal “ (que é um verso da canção Heartcore – Merthiolate Hamlet) me convenceram a comprar a tal fitinha, que me revelou uma das bandas mais criativas e talentosas de sua geração e que já demonstrava uma sonoridade personalíssima em faixas excepcionais como Canção Sofisticação, Idiota em 5050 e A Fantástica Praia dos Leões, para citar apenas três, além de influências de quase tudo de bom que foi feito desde a década de 80, com algumas nuances lisérgicas à Pink Floyd.

Parece exagerado? O álbum “Que vença el Toro”, lançado pelo selo Prótons em 2004, e certamente um dos melhores discos brasileiros dos últimos dez anos, está disponível para que tirem suas conclusões sobre o trabalho da banda formada por Luc no vocal e guitarra, Laura no baixo e vocal, Fábio na guitarra e vocal e Beto na bateria.
Rock de primeira, pra lavar os ouvidos da pasmaceira pop das FMs e da onda reciclada do cenário independente.

Suíte Super Luxo – Que vença el toro (2004 - Protons, PRO 007)

1. Ad Hoc
2. A Fantástica Praia dos Leões
3. Monstro
4. Heartcore (Merthiolate Hamlet)
5. Máquinas Passionais
6. A Tia de Jurensait
7. Canção Sofisticação
8. Bety no Ar e a Fúria Genital
9. Depois dos Beatles Tudo é Decadência
10. Apetite
11. Aparelho
12. 2º Grau
13. Idiota em 5050
14. Refluxo

BAIXE AQUI

10/07/2008

Cult 22

O mais antigo programa de rock em rádios de Brasília é o Cult 22, da Rádio Cultura FM (100,9 MHz). E não é de hoje.
A primeira edição do programa foi ao ar no dia 4 de outubro de 1991, no mesmo dia e horário de hoje (22h) quando era apresentado pelos seus idealizadores e produtores, os jornalistas Carlos Marcelo e Marcos Pinheiro, este até hoje no programa.
A época não poderia ser mais adequada, Brasília voltara a respirar rock e os anos noventa foram sem dúvida o período mais produtivo do rock brasiliense. Pela primeira vez, havia uma cena com bandas de alto nível e de estilos bem variados, ao contrário dos anos 80 em que tanto as bandas boas como as ruins abordavam os mesmos temas e tinham as mesmas referências musicais.
Essa miscelânea de estilos está bem ilustrada na coletânea Cult Cover Demo (aquela que ao lado do Rumores é a única coletânea honesta do rock brasiliense), onde as principais bandas daquele momento gravaram covers inusitados, tal como Raimundos tocando Leandro e Leonardo ou o Little Quail com uma releitura genial da trilha do game Stock Car. O Cult 22 lançou também um álbum chamado Unculted, onde Maskavo Roots, Oz e Low Dream gravaram, ao vivo, versões acústicas de suas canções.
Em 2008, o programa ganhou mais uma hora e passou a ter três horas de duração, e vai ao ar todas as sextas-feiras, às 22 horas. Abaixo, um pequeno documentário sobre os dezesseis anos do Cult 22.

09/07/2008

Tom Capone

Tom Capone foi o primeiro produtor brasileiro de nível internacional. Ele começou do outro lado do “aquário”, como guitarrista do Peter Perfeito (a dos anos 80, e não a que retornou nos 90 com estilo completamente diferente). Mas foi na sua estréia como produtor que ele já mostrou a que veio.
Recordo bem da estupefação com que ouvi pela primeira vez o disco Igreja Quadrangular do Triangulo Redondo, do DFC. Pra ser sincero, foi a primeira vez em que ouvi um disco nacional soar como se fosse produção gringa.
Seu ouvido ímpar e seu feelling dedutivo preciso, tornaram-no um dos poucos produtores no mundo inteiro com capacidade de produzir com a mesma desenvoltura, trabalhos tão díspares como DFC e Maria Rita.
Em 2004, Tom Capone faleceu tragicamente em um acidente de moto em Los Angeles, após a cerimônia de entrega do Grammy Awards. Tom fora indicado em cinco categorias. Seus filhos Victoria e Khalid, frutos de sua união com Ana Cristina, vivem em Brasília.

08/07/2008

As Meninas Superpoderosas


A mais importante banda feminina do Brasil é de Brasília. Foi, melhor dizendo, pois a carreira do Bulimia, formado por Iéri no vocal, Bianca na guitarra, Naiana no Baixo e Berila na Bateria, foi interrompida antes mesmo do lançamento de seu álbum, por conta da trágica morte de sua baterista, Berila Gandolfo (fotos abaixo, no Succulent Fly e com o Zumbi do Mato), na Chapada dos Veadeiros.

Conheci a Berila nos idos de 88, fomos amigos e trocamos várias idéias, depois nos afastamos. Na época, ela era da mesma turma da qual faziam parte os futuros integrantes de Raimundos e Little Quail e namorava com o Gabriel Thomaz. Às vezes era chamada pelo apelido de Pica-pau, por conta de seus cabelos tingidos de vermelho nesse tempo.
Fui vê-la tocando alguns anos depois, numa banda que ela tinha com o namorado Júlio Sapão chamada Barracuda, e em pouco tempo ela entraria para o Bulimia com quem gravaria o visceral "Se julgar incapaz foi o pior erro que cometeu", de 2001.

Em fevereiro do mesmo ano, Berila morreria ao tentar salvar seu namorado de um afogamento no Vale da Lua, na Chapada. A morte trágica da jovem baterista de 26 anos, deixou um vazio ainda não preenchido no rock da cidade e no coração de quem conviveu com ela.
Além da saudade, ela deixou para as meninas das próximas gerações, o mais influente disco do rock feminino engajado brasileiro.

07/07/2008

O Primeiro show da Legião Urbana


Em 05 de setembro de 1982, a banda que venderia quase 30 milhões de álbuns ao longo da carreira, subiu ao palco com a seguinte formação: Renato Russo: voz e baixo; Bonfá: bateria e Paraná: guitarra.

No panfleto impresso, aparecia o nome da finada Aborto Elétrico, mas foram Legião, Ligatripa e Plebe Rude (que também não estava no impresso) os representantes de Brasília nesse festival.

Era o Festival Rock no Parque, e foi meio por sorte. A contratada para o evento tinha sido a Aborto Elétrico, banda que acabara recentemente.

Renato Russo conseguiu convencer o produtor a deixá-lo se apresentar com a banda recém-formada e apenas o baterista Marcelo Bonfá, entre os integrantes da formação definitiva, acompanhou Renato neste primeiro show.

MTV



A primeira banda independente de Brasília a figurar na MTV foi o Little Quail and the Mad Birds, que deixou a cidade rumo a São Paulo em 1993.
Foi por lá que eles gravaram a participação na coletânea A Vez do Brasil da 89 FM, com a faixa 1,2,3,4 e abriram as portas para que o Raimundos estourasse nacionalmente.

Na foto, Gabriel Thomaz (à esquerda) e Zé Ovo (centro da foto) com Fábio Massari (atrás do Zé Ovo)  e o pessoal do Graforréia Xilarmônica em 1993.

06/07/2008

Domingão do Faustão?

Por mais estranho que isso possa parecer nos dias de hoje, durante grande parte da década de 80 o principal espaço na televisão para o rock nacional era o programa Perdidos na Noite, apresentado pelo Fausto Silva.
A produção tosca do programa e seu roteiro na base do improviso davam uma cara bem punk e underground ao atual apresentador global, ele próprio uma figura punk que soltavas palavrões pesados no ar. Que coisa, hein?
Por lá passaram Legião Urbana, Ira!, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Titãs, Plebe Rude, Zero, Cólera, Inocentes, entre outras.
Abaixo, o vídeo de uma apresentação da Plebe Rude no Perdidos na Noite.

05/07/2008

Lançamento do fim-de-semana


Em meio a tanto material histórico, resolvi postar este lançamento sensacional da banda Velhos e Usados. Uma banda rica em influências e que, apesar de nova, esbanja segurança e criatividade nos arranjos e nas composições.

Tudo em Híbrido é tão bem-feito que fica difícil destacar algo, mas o baixista merece uma atenção. A salada de influências não se transforma em mistureba desorientada. Da psicodelia à Pink Floyd às guitarrinhas Strokes, a inspiração está clara, mas equilibrada. Não é cópia banal.

Um dos melhores lançamentos recentes do rock nacional. Baixem e guardem o nome da banda.



Velhos e Usados – Híbrido (Ind. 2008)


01 - Meio Céu 
02 - Jeans 
03 - Alegoria 
04 - Reflexões Voláteis 
05 - O Carneiro e o Leão 
06 - Multifacetado 
07 - Invívido 
09 - A Menina dos Olhos da Cor dos Cabelos 
10 - A Pequena Colméia de Dinossauros 
11 - Trapos, Remendos e Azul 



04/07/2008

Rachou, o concreto já rachou


Este EP da Plebe Rude, de 1985, é um dos discos mais relevantes do rock nacional em todos os tempos e, talvez, o mais importante do rock brasiliense. Com letras bem contundentes e um hit radiofônico avassalador (Até quando esperar), o disco foi um marco do processo de redemocratização no Brasil. Versos como "A PM nas ruas, o nosso medo de viver", feitos quase trinta anos antes de Tropa de Elite, mostravam que a volta da liberdade de expressão no Brasil era, felizmente, um caminho sem volta. Isso sem falar do instrumental potente, bem arranjado e elaborado, o que de certa forma destoava bastante dos seus contemporâneos de punk rock Brasil afora..

Uma estreia que pôde se dar o luxo de, entre apenas sete faixas, incluir uma música pop fraquinha, Sexo e Karatê, sem comprometer em nada a coesão do trabalho. Destaque pra punk psicodélica, Brasília, com suas duas letras paralelas e um refrão em comum, algo inusitado e genial. Um clássico do rock brasileiro, para baixar e guardar.


Plebe Rude - O Concreto já rachou (1985, EMI-Odeon EMI 583154O)

1. Até quando esperar 
2. Proteção
3. Johnny vai à guerra [Outra vez]
4. Minha renda
5. Sexo e karatê
6. Seu jogo
7. Brasília

03/07/2008

Maskavo Roots


O Maskavo Roots foi formado a partir de uma banda de reggae chamada Cravo Rastafari. Seu estilo era bem peculiar, um pop sem apelações ou clichês, e até por isso não foi tão palatável para o grande público como se esperava. Alguns hits fáceis como Tempestade e Besta Mole foram bastante executados, mas a banda se esfacelou e hoje se tornou mais um reggae de violão e cachoeira, bem ao gosto do mercado...
Carlos Pinduca fundou o Prot(o), que gravou dois bons cds, Marcelo Vourakis entrou para os Cabeloduro, com quem gravou um cd em 2005.
O disco de 1995 é um belo álbum, com composições interessantes, músicos e arranjos competentes, e saiu pelo selo Banguela.


Maskavo Roots (1995) Banguela Records


1. Chá Preto
2. Gravidade
3. Tempestade
4. Blond Problem
5. 5°
6. Don Genaro
7. Far Away
8. 45
9. Los Grilos
10. O Corpo(Dance 'til It Drops)
11. Besta Mole
12. Sexta
13. Escotilha
14. D.D.P.
15. Yo No Quiero Trabalhar

BAIXE AQUI

02/07/2008

Na telinha

Em 1985, a Globo exibia o Mixto Quente, um programa de rock, gravado ao vivo em uma praia do Rio de Janeiro.
Várias bandas de Brasília se apresentaram lá, eu me lembro de ver o Detrito Federal. Mas, a relação das bandas de Brasília com a TV é mais antiga, por aqui era produzido o programa Passarela de Sucessos na TV Brasília, Canal 6, em 1966.
Escola de Escândalo e Os Primitivos se apresentaram nos respectivos programas.


01/07/2008

Com todo amor e carinho

Na segunda metade da década de 90, com o êxodo do Little Quail e Raimundos para o eixo Rio-SP, Os Cabeloduro se tornaram a banda mais popular da cidade. O quarteto formado por Podrinho no vocal, Ralph na Guitarra, Gazú no Baixo e Daniel na Bateria levava milhares de adolescentes às suas apresentações cheias de energia. Foi nos shows dos Cabeloduro que o folclórico Homem-palco (Ector, um sujeito de 180 kg que deixava a galera subir em suas costas para mergulhar em stage dive e que aparece no clipe abaixo) começou aparecer em shows.
O cd Com todo amor e carinho, de 1996, foi lançado quando grande parte de seu repertório já era cantado em verso e coro pelo público brasiliense, e em breve estará postado para download por aqui. A banda foi responsável pelo primeiro vinda do Planet Hemp a Brasília e abriu o show da gringa Shelter, no Minas em 1996.

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